Capítulo 32 - Problemas com O Sol
Após emanar o rai, Luke tentou ativar o fluxo. É claro que era muito mais fácil fazer isso dentro da banheira, pois mesmo que coisas físicas não alterassem as ondas de energia, pensar que seu rai se movia como água em seu corpo, fazia com que Luke conseguisse se concentrar melhor, e fluir melhor.
Mesmo sendo difícil, não era impossível. Afinal, ele conseguiu utilizar o fluxo até mesmo na luta contra Yuri, mesmo que por poucos segundos.
‘Deixe com que flua como água…’ repetia para si mesmo, em pensamento.
Essas palavras foram ditas a ele pelo garoto de Dravion que o ajudou com o rai. Luke o viu apenas por dois dias, mas o rapaz foi de grande ajuda. Porém, Luke não sabia seu nome.
E então, ele começou a sentir seu corpo cada vez mais leve. Os sons do ambiente começaram a ficar mais altos e, de alguma forma, ele conseguia compreender.
Os passos de Sam enquanto ela esperava, andando em círculos… o vento assobiando baixinho no corredor… mas, não escutava mais nada. O lugar estava completamente vazio.
Entretanto, ele sabia que, quanto mais tempo ficasse em fluxo, mais alcance iria conseguir, provavelmente…
E então, ele passou um bom tempo lá. Sam tentou dialogar algumas vezes, mas a falta de resposta de Luke a fez entender que ele precisava de silêncio.
…
Vários minutos se passaram, Luke teria feito um avanço maior se estivesse na água, mas, ele estava indo muito bem. Sua audição conseguia alcançar o lado de fora do corredor. E graças a isso, Luke conseguia ter uma noção do tamanho do lugar, e que havia uma segunda porta lá. Tudo isso graças a sua audição e atenção. Era possível escutar ruídos de equipamentos à uma distância da sua esquerda, e um pequeno barulho de metais chacoalhando, que eventualmente batiam em uma superfície mais robusta. Eram chaves, chaves que estavam na fechadura de uma porta.
Porém, algo interrompeu a concentração de Luke. Um outro barulho de chaves, dessa vez, mais alto, vinha do lado direito, a porta em que ele e Sam entraram.
Ele abriu os olhos e se colocou de pé, e de repente, uma figura surgiu no corredor. Era um homem não tão alto, mas também não era baixo. Possuía um cabelo castanho amarrado para trás, a pele oliva, e uma cicatriz de corte na boca. Ele encarou as celas de Luke e Sam com seus olhos escuros. Seu uniforme do exército radiante e sua postura o tornavam um tanto quanto intimidador.
E então, ele deu um passo à frente, sua voz soou de forma calma e uniforme:
“Capitão Yakov deseja vê-los, os levarei até lá. Mas, se tentarem qualquer coisa, tenho permissão para neutralizá-los.”
Luke engoliu seco e assentiu em silêncio.
“Então vocês entendem esse idioma, ótimo.” disse o soldado.
Luke e Sam não possuíam mais seus DPJ, portanto, a tradução automática e perfeita que eles possuíam antes, acabou. Mas ainda assim, haviam muitas pessoas que falavam seu idioma.
O soldado destrancou as celas e esperou os dois saírem. Logo em seguida, os algemou, vendou e começou a levá-los para algum lugar.
Luke estava aflito, esse seria um ótimo momento para usar o fluxo e mapear o ambiente com os sons, mas como ele faria isso sem chamar a atenção do guarda? Ele certamente veria sua aura e o neutralizaria.
‘Existe alguma maneira de utilizar o fluxo só em um lugar específico do corpo?…’
Ele pensou que, utilizando o fluxo nos ouvidos, poderia aprimorar sua audição, e talvez não chamaria tanta atenção. Mas, ele preferiu não ousar testar isso enquanto estava sendo escoltado.
Porém, se fosse realmente possível usar uma habilidade assim, seria extremamente valioso para conseguir escapar da base radiante. Afinal, ele poderia se guiar por sons e saber onde haveriam soldados e onde não haveriam.
…
Após andar por alguns minutos, aparentemente subir por um elevador e escutar portas automáticas se abrindo, um clarão branco atingiu a visão de Luke através de sua venda, que finalmente fora tirada de seu rosto pelo soldado que o escoltou.
Após sua visão voltar ao foco, a primeira coisa que Luke viu na sua frente, foi uma grande parede branca e lisa, uma mesa branca com alguns itens que se pareciam laptops e eletrônicos, porém, com um design muito mais futurista do Luke estava acostumado. E sentado à mesa, capitão Yakov.
Luke olhou para o lado e viu Sam, visivelmente irritada. E do outro lado, na parede da direita, havia algumas prateleiras com troféus, itens valiosos e…
… No centro de todas aquelas coisas valiosas, havia um grande quadro contendo a figura de um homem. Parecia ser pintado à óleo.
O homem na pintura era gracioso, irradiava poder e bravura. Era um homem alto, utilizando uma armadura imponente feita de ouro brilhante e ornamentada com diversos detalhes feitos de um tom dourado mais claro. Ele segurava uma poderosa lança gigantesca, maior que ele, feita de pura luz pálida.
Ele também usava uma capa branca que se desvanecia no final, e possuía uma auréola dourada e brilhante com oito prismas circulando-a. Ela flutuava atrás de sua cabeça. Seu rosto era branco como mármore, cada fio de seus longos cabelos lisos eram como fios de ouro puro. Com algumas mechas brancas que quase eram da mesma cor. Seu rosto era jovem, sereno e definido, suas maçãs do rosto eram altas, e seus olhos vermelhos se destacavam.
A figura brilhante flutuava entre as nuvens, era quase como ver um ser divino, um anjo… Luke sabia de quem se tratava. Por mais que, com certeza, ele deveria ter cerca de cinquenta anos ou mais, Viktor Ivanov, o Lorde Sol, não parecia ter mais que trinta anos.
Em todas as imagens de Sol, ele era retratado assim, como um ser sagrado, imponente e… radiante.
Luke já o viu muitas vezes em muitas mídias na cidade. Seja por telões, posters, livros… Sol estava em todo lugar.
Luke encarou a pintura por poucos segundos, era de certa forma… muito linda. Era algo de se contemplar.
Mas então, seus pensamentos foram interrompidos pela voz de Yakov.
“Sim, o lorde soberano da luz e do sol é deslumbrante, não acha? É como ver um deus…”
Ele dizia enquanto lançava um olhar para a pintura. Em seu rosto havia uma expressão de admiração e respeito infinito. E então, ele prosseguiu:
“Mas… mesmo assim, ainda existem alguns idiotas que ousam desafiá-lo, seja diretamente, ou… atacando seu exército.”
Ele olhou para Luke e Sam, com expressão de desdém.
“Eu sabia que vocês eram familiares, me lembro de vocês dois… estavam junto com aquele bastardo imundo do Damian, há umas duas semanas atrás.”
Luke engoliu seco e um calafrio percorreu seu corpo.
‘Droga, só piora…’
Yakov prosseguiu:
“Já estamos perdendo nossa paciência com aquele idiota e os amigos dele. São um grupo misterioso, definitivamente. E eles não são fracos.”
Ele suspirou, e disse enquanto se inclinava para frente, apoiando os cotovelos na mesa.
“Sei que foram vocês que mataram nosso soldado. A mando de Damian. E que, provavelmente, tudo isso é apenas um plano mirabolante de vocês para tentar nos atacar.”
Luke ficava mais nervoso a cada palavra que ele falava. E o pior de tudo, é que ele sequer poderia ousar em se defender, senão, seu destino poderia ser cruel…
‘Burro! Que cara burro!’

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