Capítulo102 - Svartalfar (XIII)
Os lábios de Engard se entreabrem por um instante ao escutar aquilo. Ele aperta a lança-de-guerra sob a mão destra com mais força e ergue o escudo na canhota até a frente. A feição, antes amedrontada pela presença desse velho, ganha um rigidez incomum para o nobre.
一 Não posso deixar você sair vivo daqui. “Descobrir a natureza de uma energia apenas por senti-la… É um nível de conhecimento e sabedoria sobre o Gewissen que beira as capacidades do Senhor Berith. Esse cara só pode ser o tal do Azlam, o protetor dessa cidade fronteira.” 一 apesar de não poder emanar a sua própria energia para devido a floresta, Engard enaltece a circulação do seu Circuito; tornando evidente as pequenas rachaduras púrpuras luminosas em sua pele que aparecem uma após a outra.
一 É mesmo? Eu infelizmente tenho que te capturar vivo. Não é todo dia que um material tão valioso de estudo vem até mim. 一 a bochecha esquerda se contraí para um sorriso ardiloso.
O grande Rascunho posicionado como um teto do céu, diminuí bruscamente para baixo dos pés do velho e neutraliza a sua queda; deixando-o completamente inerte no ar. Num mover de braço para cima e para baixo, diversos círculos mágicos menores surgem.
Ao ver isso, Engard imediatamente parte em arrancada lateral para circular o alvo no ar. O bombardeio começa, mas para a infelicidade do Cavaleiro, cada projétil curva a sua trajetória com tanta rapidez como incontáveis serpentes!
Com um recuo para trás, o escudo entra em cena contra todos aqueles ataques. No instante em que a proteção faz contato com os micro-mísseis de vento verdejante, todos eles são redirecionados para os seus pontos de origem após um clarão esbranquiçado; como a luz refletida por um espelho.
一 Brinquedinho interessante esse seu… Sabe, aqui em Roderich não existem muitas Ruínas, por isso Verbins Naturais são muito raras. Sempre quis testar o quanto uma arma encantada defensivamente como a sua consegue defender. 一 o elfo de orelhas grandes leva as duas palmas à frente uma da outra próximo ao peitoral.
Os diversos anéis de ouro brilham com a cor esmeralda de sua energia, demonstrando runas e fórmulas gravadas em sua estrutura. A densidade do Gewissen do velho distorce os arredores, fazendo com que todo o fluxo de vento natural da floresta seja alterado. As folhas, galhos, poeira e grama são atraídos até ele como uma força da natureza indomável.
Abaixo dessa quantidade inimaginável de energia, Engard empunha a lança-de-guerra de maneira reversa e engatilha o arremesso. A arma viaja como um foguete, mas assim que se aproxima daquilo, até mesmo ela é comprimida ao ponto de desaparecer.
一 Existe um livro muito antigo de um herói que empunhava uma certa lança. Ele sozinho foi capaz de afastar um exército inteiro e mudou o curso dessa guerra. Era minha história favorita quando eu era criança, mas, infelizmente, eu sou muito pequeno para usar qualquer arma… 一 conforme as falas de Azlam são ditas, suas mãos afastam-se pouco a pouco e, entre elas, algo semelhante a uma haste começa a tomar forma. 一 Só que o sonho desse velho era empunhar a arma desse herói.
No fim, os braços se abrem e a lança verdejante originada inteiramente do Gewissen do Sábio deixa o fluxo do vento seguir caminho. Ele a empunha com apenas uma das palmas, mas sequer se posiciona para arremessá-la.
As grevas sobre as pernas de Engard tremulam com o metal vibrante ressoando para os arredores. Ele ergue o escudo de Perseu como sua única esperança e se esconde atrás do objeto.
O Sábio vê aquilo de bom grado e mentaliza o seu feitiço:
“Honit, Gae Bolg…”
A mão se abre permitindo a queda livre da lança de energia. Em alguns instantes, ela acelera para a direção do Cavaleiro sem emitir qualquer som, apenas brilho. Os olhos do humano arregalam-se e a pele empalidece. O escudo encantado pela Constelação de Perseu aguenta o peso silencioso da arma, mas o chão afunda em uma cratera no mesmo instante.
Até mesmo essa implosão não faz barulho. As narinas de Engard sangram conforme as cicatrizes brilhantes se estendem por cada centímetro de seu corpo, os tímpanos estouram e as botas de aço trincam-se como pedra.
Por mais que rasgue a garganta num berro para resistir ao feitiço, sua voz não se propaga. O esforço resulta em lágrimas de sangue e sal. Os joelhos quebram junto das botas, mas o escudo ainda tenta refletir o feitiço.
“Merda…! Merda…! Eu não vou morrer aqui! Eu não vou!” 一 empurrando o braço que porta o escudo com a outra mão, o vice-Capitão do esquadrão está quase completamente trincado em suas rachaduras luminosas e encharcado do próprio sangue.
A luz que perfura a escuridão não é a da esperança, mas sim, da morte. O escudo é reduzido a cacos e seus mesmos destroços são comprimidos pela lança. O verdejante consome a vista de Engard e, no mesmo instante, seu corpo. Nem o restante de seu sangue aparece, tendo como resquícios da sua existência, as manchas que já haviam tocado o chão.
一 Dez segundos? Não, foram onze… Até que durou bastante. Ah! Era pra ter capturado ele vivo… 一 coçando a barbicha novamente enquanto suspira, o velho volta a decair suavemente para a direção do gramado.
Uma pequena neblina vindo dos resquícios de sangue de Engard sobe aos céus e as vinhas absorvem o líquido num segundo.
一 Que cruel, viu o amigo sendo morto e não saiu para ajudá-lo. 一 as palavras roucas do homem carregam um riso contido.
Os olhos dele deslizam lentamente para o lado. As íris cobertas por círculos mágicos enfatizam que ele enxerga além do comum. A silhueta negra oculta no ‘Entre Mundos’ recua instintivamente no momento em que a palma do velho se ergue para a sua direção. As energias deles se encontram: o vermelho fervente como a de uma explosão de pólvora contra o verde tranquilo de uma folha durante a primavera.
O choque causa uma fissura transparente no ar e mão do velho é repelida para o alto, levemente chamuscada e queimada.
“Hm… Fugiu. Esse era mais forte. Não consegui tirá-lo como fiz com o de cabelo roxo. Então aqui só vieram peões descartáveis… Mas pelo menos consegui confirmar que esse é o feitiço de um demônio.” 一 afagando a região ferida, Azlam direciona os olhos para onde as presenças dos seus discípulos estão brilhando. Mas algo faz um suor escorrer pela sua bochecha…
“Algo enfureceu Raisel! Preciso me apressar ou ele pode perder o controle!” 一 levitando até acima das árvores, o meio-elfo ancião acelera como uma estrela até o local.

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