Capítulo 94 - Svartalfar (V)
一 Ei, você sabe que como eles deixaram a energia dela visível, é muito provável que o verdadeiro alvo seja você. 一 de braços cruzados, Kimich encara o horizonte enquanto o vento da aceleração balança seu cabelo e traje.
一 Tenho certeza disso… mas não posso deixar de ir.
Com a varinha apontada para baixo, Tejin mantém o Rascunho usado como plataforma para eles voarem. Alguns metros para trás, Leander e os membros da Guarda os acompanham em suas próprias plataformas.
一 Orelhudo, vê se não morre… ou eu vou te transformar em meu zumbi. 一 a expressão do loiro está tampada pela perspectiva de suas costas, mas as mãos apoiadas nos próprios braços apertam com mais força.
Logo atrás, o meio-elfo de cabelo espetado e de mechas azuis encara toda a situação do humano com o aprendiz do Sábio. Sua lança de prata está diretamente conectada ao Rascunho de sustentação para que pudessem se locomover nos ares.
一 Ei, Ermellion, aquele humano realmente conseguiu te derrotar sem sofrer nenhum arranhão? 一 com o canto dos olhos, ele continuamente intercala a sua atenção para frente e para trás.
一 Pra ser sincero, eu não entendi merda nenhuma do que aconteceu, tá legal? 一 sentado sobre o chão de energia, o mestiço de cabelo escorrido apoia o maxilar sob a palma direita cujos dedos é repleto de anéis; batucando contra a bochecha. 一 Então não fala comigo.
Os fios negros, mas com uma única mecha vermelha sobre a testa, esvoaçam pela brisa. As vestimentas esfarrapadas, mas com certo decoro, sustentam as placas de sua armadura de bronze leve. O humor dele está visivelmente alterado pela derrota esmagadora…
Dos lábios de Leander, apenas um ar escapa em forma de suspiro.
一 É uma pena que não podemos contar com ele…
Conforme se aproximam da área localizada, o sol atinge a altura máxima no céu. Assim, Tejin desacelera e desce a plataforma para a direção do chão. Aos arredores, incontáveis ruínas de mármore estão cobertas pela flora, seja tomadas por raízes ou arbustos. Mas, o mais impressionante é o que está adiante: um enorme esqueleto repleto de musgos, grande o suficiente para o seu crânio ser confundido com um prédio.
一 Nunca vim aqui antes. Quem é o bonitinho? 一 tendo as palmas guardadas nos bolsos do sobretudo branco, o alquimista levanta o rosto para observar melhor.
一 Existem diversas lendas sobre essa entidade. Algumas dizem que ele foi um deus que morreu há muito tempo, outros que é um demônio esperando pra ser revivido… 一 caminhando até o homem, as grevas de prata esmagam o gramado.
一 Estou louquinho pra examinar cada rachadura nesse osso, mas é se eu fizer isso, essa maldita floresta fica louca. 一 o loiro gesticula com o ombro enquanto revira os olhos e inclina a cabeça para trás.
一 Chega de tagarelar. À partir daqui vou seguir sozinho. 一 ajeitando o colarinho e empunhando a varinha, Tejin dá uma rápida olhadinha para trás.
Acenando com a cabeça, o vice-capitão da Guarda se vira para os homens. Por outro lado, Kimich tem uma expressão de olhos estreitos e com as curvas dos lábios para baixo; descontente.
一 Cerquem a área em grupos de quatro pessoas. Ermellion, cuide dos grupos ao sul. Vou acompanhar os grupos que vão ao norte.
A ordem é dada e os soldados rapidamente se separam. Todavia, o membro honorário da Guarda coça a cabeça algumas vezes enquanto observa a grama.
一 Ei, Leander, não vou me matar pra salvar os seus homens. Se por algum acaso eles estiverem pra morrer na minha frente, vou fazer meu trabalho. Apenas isso. 一 no instante seguinte, o homem concentra sua energia nos anéis e as joias embutidas acendem em um tom bordô.
一 Obrigado. 一 com um sorriso de canto, o lanceiro dispara para o norte.
A atenção é atraída naturalmente para o único que está parado ali além dele. Ermellion desvia o olhar várias vezes. Com um respirar profundo, o homem finalmente toma coragem e começa a falar:
一 E você. O que você vai fazer, humano? 一 mas ao abrir os olhos para a direção de Kimich, ele já havia desaparecido.
“Desgraçado… É uma habilidade de teletransporte?” 一 as orelhas pontiagudas se mexem buscando algum resquício de sua presença, porém, não há nada.
Levantando-se após a saída de todos, o meio-sangue com franja vermelha caminha ao redor do esqueleto. No seu semblante, os cantos dos lábios arqueados para cima demonstram um breve sorriso e os cílios longos escondem os olhos parcialmente.
“A última vez que eu vim aqui foi com Absalom… Já faz uns vinte anos? Acho que sim. Espero conseguir pagar a sua fiança logo.” 一 perdido em meio aos pensamentos, as orelhas com brincos de ouro balançam algumas vezes.
De repente, as pálpebras se abrem. A memória antiga se esvai como o estouro de um balão. Então, como um míssil, Ermellion começa a correr coberto por sua energia vermelha bem escura, parecendo vinho.
“Uma explosão…! Essa energia extremamente densa só pode ser Beisen! É um Pagão? Não, Leander disse que Balmund está cultivando as Trevas…!” 一 receoso, a palma com anéis é estendida para frente.
Dela, um Rascunho com a cor da energia do rapaz aparece. No centro desse círculo mágico há uma espécie de ponta de lança. Ao girar o desenho, a mão começa a ser comprimida como uma mola adiante. No outro segundo, seu corpo explode para frente numa velocidade tão grande que o espaço é cortado por uma linha reta.
As árvores, a grama e o céu são reduzidos à meros borrões de cores, mas, ainda assim, essa velocidade é insuficiente. Em segundos, a figura do mestiço se descomprime já de frente para o pior cenário possível… O cheiro metálico que impregna na garganta e a incontável neblina das vidas que já se foram. Os corpos dos soldados da Guarda estão por toda a parte. No epicentro dessa carnificina, uma figura encapuzada fica de pé.
Estendendo o palmo para frente, o Rascunho com lâmina de lança se fragmenta em incontáveis projéteis finos como agulhas. Ao som de um estalar de dedos, esses espinhos avançam de maneira semelhante à uma avalanche. O ataque em larga escala transforma o chão e as árvores ao redor em porcos-espinhos. Mas a figura ao centro apenas teve o seu manto completamente danificado…
Ao ver a insígnia de estrela no lado esquerdo do peito, Ermellion ruge junto de um balançar de braço:
一 Como um inseto de Balmund conseguiu passar por Yothergran? Me responda! 一 a outra mão rapidamente cria outro círculo mágico, estando em posse de dois Rascunhos. 一 “Seis Estrelas…”
Com a silhueta parcialmente coberta em Beisen, um único balanço da mão bronzeada pelo sol é o suficiente para estremecer o ambiente. Na palma, partículas beges se reúnem ao formar uma grande lâmina curva. O braço repleto de músculos, as luvas desgastadas com os dedos desprotegidos e as roupas de um guerreiro experiente. Não restam dúvidas de que é um Cavaleiro.
一 Hmpf… Me chamar de inseto quando são vocês que se escondem nesse monte de mato. Eu não devo satisfações para alguém prestes à morrer, magricela. Quero ver se a feitiçaria dos “quase elfos” é tudo isso mesmo.~ 一 um sorriso de bochecha à bochecha é estampado em sua feição.
“Pelas feridas, ele matou todos eles com um único ataque. Não foi feito com energia… é pura força física. Esses malditos mandaram monstros pra cá? Os outros Guardas pelo sul devem chegar logo logo. Não detecto mais ninguém se aproximando…” 一 analisando a área com os olhos, não há nenhuma pressa em começar o combate por parte do mestiço.
Ao perceber isso, o grandalhão faz o primeiro movimento. Uma investida para frente enquanto a ponta da grande espada é arrastada pelo chão. Em determinado momento, a arma é balançada em um grande arco e uma avalanche de terra sobe para a direção de Ermellion. Mas é em vão. Um único disparo de energia perfura a parede, só que, por de trás dela, não há mais ninguém.
Os olhos do meio-elfo encaram de lado e, para a surpresa do humano, o outro palmo já está apontado para a sua direção. O brilho de cor vinho da energia do feiticeiro tinge a área e o rastro de destruição da sua emissão perdura por metros. Conforme a poeira abaixa, o respingo de sangue quente se mistura com as poças que já estavam no chão…

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