Enquanto ninguém visitava sua cela, Luke parou para treinar sozinho durante todas as horas livres. E tentou experimentar o que havia pensado antes, usar o fluxo em alguma parte específica do corpo. Principalmente seus ouvidos.

    Ele já estava meditando no fluxo há um bom tempo, utilizou disso para tentar se acalmar, e de alguma forma, funcionou decentemente.

    E agora, estava tentando treinar o que havia pensado. Porém, parecia impossível. O fluxo se consistia em relaxar o corpo enquanto emanava o rai. Mas não era só isso, Luke ao menos sabia como ele realmente funcionava. De alguma forma, ele apenas aprendeu rápido.

    O fluxo era um estado, não uma técnica em si. Até mesmo seres humanos normais conseguem entrar em fluxo quando ficam muito imersos e concentrados em algo. O rai, obviamente, aprimorava isso, e deixava o fluxo em um estágio muito mais avançado.

    Então, deixar apenas os ouvidos neste estado parecia difícil, na verdade, impossível.

    Luke suspirou.

    ‘Espera… o rai possui mais técnicas. Tanto a telecinese, quanto…’

    “Aprimoramento… ” completou o pensamento, em voz alta.

    O rai era a energia utilizada por todos os humanos em Astralion, ela era o combustível para utilizar magias reivindicadas, ou até mesmo magia das marcas. E quanto mais concentração uma pessoa tinha, mais forte ela se tornava.

    Porém, o rai não era apenas uma energia comum. Ele fazia mais coisas, possuía suas propriedades e suas técnicas. O fluxo, por exemplo, era uma técnica do rai, a mais simples. Bastava emanar, manter ativo, se concentrar e… pronto.

    ‘Se concentrar!’

    Luke teve uma epifânia, esse era o gatilho, concentrar! Não era possível utilizar o fluxo se ele estivesse focado em mais de uma coisa ao mesmo tempo, tanto que, quando estavam indo até a Torre de Prata, e Luke acabou tendo que enfrentar uma pantera radar do desafio, Sean disse para ele utilizar o fluxo.

    Na hora, Luke não entendeu bem. Por qual motivo ele faria isso? Era uma luta, não havia tempo para ficar relaxado e tudo mais. Mas, não foi isso que Sean quis dizer. Luke estava nervoso pelo fato de todos estarem olhando para ele, e por ter fracassado em uma simples estratégia. Além disso, se levasse um golpe da pantera, ele perderia o desafio e receberia uma punição.

    Por isso Sean recomendou o fluxo, para Luke se concentrar apenas no combate, e ignorar todo o restante. Essa era a essência do fluxo, a concentração.

    Por isso, Luke conseguia utilizar tão bem. Óbvio que ele fazia isso melhor quando estava em um local silêncioso e relaxado, conforme o tempo passava, ele se concentrava nos sons do ambiente e, de pouco a pouco, o alcance aumentava.

    Então ele já estava fazendo o que planejava fazer, ele não precisava concentrar o fluxo em um só lugar, e sim, concentrar sua mente em uma única coisa, e o fluxo o ajudava nisso. Porém, ele demorava muito para conseguir começar a entrar neste estado, e mais ainda para aumentar o alcance.

    ‘Isso deve levar um tempo, como eu treino isso?…’

    E enfim havia o aprimoramento…

    Luke pensou por alguns segundos sobre como o aprimoramento funcionava. Ele sabia que, ao fortificar o rai, ele aprimoraria seu corpo. Mas como isso funcionava? Ele não tinha detalhes sobre isso.

    Então, ele olhou para a palma de sua mão.

    ‘E se eu tentar concentrar uma enorme quantidade em um só lugar?’

    Dito isso, ele emanou rai, que rapidamente envolveu todo seu corpo em uma aura levemente brilhante e transparente. Mas, não sabia como fazer o aprimoramento ou como guiar o rai para uma parte específica.

    Ele tentou forçar o braço, imaginar ele ficando forte, e vários outros meios, mas… sem avanços.

    ‘Droga… como seu faço isso?’

    Para evitar o estresse e conseguir se organizar melhor, Luke cruzou as pernas e entrou em fluxo novamente, concentrando-se no próprio rai.

    Ele mantinha os olhos fechados, pois o que o ajudava a imaginar o rai fluir, era imaginá-lo percorrendo e circulando todo seu corpo como se fosse um fluxo de água. Ele até conseguia sentir, quase que fisicamente, pequenas ondas suaves correndo pelos seus braços, tronco, cabeça… mas, não era assim que o rai se comportava, pois, quando ele abria os olhos, havia apenas uma aura instável e lenta emanado, nenhum fluxo, nem nada do tipo. E isso sempre quebrava sua imersão.

    Por isso ele mantinha os olhos fechados, pois ele conseguia imaginar o rai fluir livremente como água…

    Espera…

    ‘Fluir… como água!’

    E então, uma epifania surgiu novamente.

    “É isso… vai ser do meu jeito, mas pode dar certo…”

    Luke se concentrou no fluxo, ainda sentado e de olhos fechados, ele apoiou seu antebraço nos joelhos e deixou a palma da sua mão direita para cima. E então, imaginou o rai fluindo como água por todo seu corpo…

    Após alguns minutos, quando ele finalmente sentia que seu corpo todo havia entrado em estado de fluxo…

    ‘Vamos lá, tem que dar certo…’

    Luke não conseguia emanar o rai em apenas uma parte específica de seu corpo, muito menos forticá-lo. Mas… ele entendeu que, o rai também funcionava com base na imaginação. Ele conseguiu utilizar o fluxo muito mais cedo do que qualquer pessoa normalmente conseguia, justamente por que conseguia imaginar perfeitamente o rai fluindo pelo seu corpo.

    E para ele, isso fazia sentido, e realmente funcionava.

    Então… e se ao invés de emanar o rai em apenas uma parte específica do corpo, ele… transportasse o rai para lá?

    A água se movimenta constantemente, é um fluxo infinito que nunca para. Luke já havia conseguido imaginar e compreender cada onda imaginaria fluindo pelo seu corpo, então, ele também poderia redirecioná-las.

    Respirando fundo, ele imaginou, e acreditou fielmente que, todo o rai que estava sendo emanado pelo seu corpo, e que havia se transformando em água, estava fluindo diretamente para seu braço direito.

    Todo aquele rai, toda aquela água… sendo levados para um ponto específico, como um grande rio desaguando em sua foz.

    Ele não sabia como funcionava o aprimoramento, como fortificar o rai. Mas, ele sabia que quanto mais concentração alguém tinha, mais forte era a pessoa. Então, nada mais justo que, o lugar do corpo onde há mais concentração, ter mais força.

    Rapidamente, ele sentiu varias áreas do seu corpo ficando limpas do rai, e sentiu seu braço direito cada vez mais… forte.

    E, finalmente, depois de poucos minutos, Luke abriu os olhos. E o que viu, o fez soltar uma expressão de surpresa.

    Seu braço direito estava emanando tanto rai, que a quantidade de aura que Luke conseguia ver emanando dele, seria o suficiente para cobrir aproximadamente cerca de cinco braços a mais.

    E sem pestanejar, se dirigiu aos canto mais escuro da cela, onde uma sombra tomava o chão por completo. E simplesmente…

    Socou o chão com toda sua força.

    Ele não pode deixar de sentir uma certa dor um tanto quanto aguda em seu punho e braço, mas, pela intensidade do soco, ele normalmente teria quebrado.

    Um som de pedra sendo quebrada junto de uma pequena nuvem de poeira subindo com alguns estilhaços no lugar que Luke socou, o fez perceber que… deu certo.

    A nuvem de poeira foi rapidamente dissipada, pois o impacto do soco fortificado criou uma minúscula onda de choque que a afastou rapidamente.

    E Luke ficou ainda mais impressionado quando viu que…

    Seu punho estava inteiramente adentrado no chão.

    “Eu consegui.”

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