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    Nas proximidades do grande salão, os participantes conversavam descontraidamente durante uma pausa de vinte minutos antes do discurso de Baltar e da principal pauta da reunião: o apoio de todos na guerra contra os rebeldes. Baltar tomava um copo de água no corredor, Edgar e Erika bebiam café. Estavam apreensivos com o discurso e com o rumo que isso poderia tomar. E se falhassem? E se o pior acontecesse?

    Logo todos foram ordenados a retomar. Pelo caminho, Edgar notou uma pessoa diferente andando pelos corredores, mas não pôde ver quem era pois Erika o puxou para dentro do salão. Após todos se sentarem, Baltar foi chamado e se levantou.

    — Boa tarde, nobres companheiros. Como sabem, há alguns anos nosso Grande Imperador surgiu com ideais ambiciosos e expandiu sua influência rapidamente, consolidando o grande Império. Ele tirou vários da miséria e da fome. Mesmo assim, nem todos o apoiaram. Enfrentamos dificuldades e inimigos surgiram. Eles cresceram ao ponto de atacarem cidades, tropas e até mesmo o Palácio! Muitos sabem sobre o ataque frustrado do grupo terrorista Emota ao nosso Imperador. Naquela noite, eles tiraram a vida da nossa vidente Sayumi e falharam em assassinar o Grande Impero.

    Ele fez uma pausa estratégica e respirou fundo, sem evidenciar o nervosismo. Seus acompanhantes o ouviam com admiração e grandes expectativas. Os demais, por outro lado, trocavam olhares e sussurros discretos.

    — É por isso que estou aqui, para pedir seu apoio na guerra contra os terroristas! Eles nos odeiam e nos desprezam. Ontem mesmo atacaram um evento da nobreza. Vários se feriram e eles ainda levaram um refém! Por isso, nosso imperador precisa de vocês. Ele precisa do seu apoio, da sua aliança! Assim como ele os ajudou no passado, chegou a hora de pagarem essa dívida! Chegou a hora de fazer algo pelo bem de Eudora! Chegou a hora de lutarmos pelo futuro!

    — Palavras bonitas para uma marionete do Império. Eu me recuso. Seu Imperador destruiu uma das minhas cidades em uma investida contra os rebeldes de Duncan. Por que eu apoiaria alguém que devasta seus aliados?! — um homem se levantou, visivelmente irritado com aquele discurso típico.

    Todos os olhares se voltaram para ele. Outro também se levantou.

    — Eu também me recuso. Parentes meus estavam nesse evento na Cidade do Sul. Se o Império é tão poderoso, como ele não pôde proteger pessoas de alto escalão? E ainda dizem que quem deu o primeiro golpe foi o capitão Haythan. Se for verdade, eu prefiro ficar de fora dessa guerra.

    Os sussurros se multiplicaram, ouvia-se queixas de todos os lados. Os ocorridos recentes arranharam ainda mais a imagem do Império.

    — Só o Império se beneficia! Damos recursos dobrados, mais homens, mais dinheiro, e o que ganhamos em troca? Mais impostos? Menos segurança? O Imperador só se importa com ele mesmo! — afirmou outro homem que ficava de pé.

    — Erika, não estou gostando do rumo dessa reunião. Parece que o pior está por vir. Fique preparada para tirar o Baltar daqui caso seja preciso. — comentou Edgar, se ajeitando na cadeira enquanto olhava para todos os cantos do salão.

    Todos os indivíduos estavam inquietos e revoltados com o pedido de Baltar, que ainda conseguia esboçar um semblante sereno.

    — Vamos, Baltar, faça alguma coisa. Eu sei que você pode contornar a situação. — ele disse em voz baixa, quase em forma de prece.

    — Ora, ora, ora! Vejo que o circo está pegando fogo. Bem que dizem que quando se alimentam os macacos eles começam a jogar merda um no outro. Foi só deixar imbecis livres e eles começam a se rebelar contra o Império? Nesse caso, devo erradicar os traidores.

    O salão mergulhou no silêncio, os olhares se voltaram para a porta de entrada. Um homem de cabelos negros entrava com um largo sorriso — era Andrus. Nem mesmo Baltar contava com sua presença naquela reunião.

    — Desista de convencê-los, eles são causa perdida. — ele encarava todos os nobres e políticos no salão. — O Imperador mudou de ideia. Ele me mandou aqui para matar cada um de vocês! Vocês não são mais úteis. Na verdade, nunca foram. O Imperador deseja tomar o controle político e econômico, e para isso ele precisa que vocês do Alto Conselho morram. Não é engraçado?

    — Andrus, do que está falando? Ficou louco? O Imperador jamais faria isso! Ele preza os valores, não a opressão. Desculpe-se imediatamente por suas palavras estúpidas! — Baltar saiu do palanque e caminhou até o outro Capitão.

    Andrus riu e pulou até o palanque, ficando de pé sobre a mesa e o encarou com um olhar sádico.

    — O que está fazendo? Desça já daí! O Imperador saberá da sua insubordinação e dos seus atos. É impossível ele concordar com isso.

    — Se não quer acreditar na minha palavra, o problema é seu. Impero decidiu tomar o poder unicamente para ele, e como prova disso ele me pediu para lidar com todos que ficarem em seu caminho, a começar por vocês! — Andrus estalou os dedos, e vários tentáculos negros saíram de suas costas.

    Edgar e Erika se levantaram, assustados, e disseram para todos fugirem. Muito antes de qualquer indivíduo escapar, os tentáculos atravessaram diversas pessoas pelo peito. O caos se instaurou, e Andrus gargalhava do desespero alheio.

    — Isso mesmo! Gritem, corram, tentem salvar suas vidas! Eu amo essa sensação de impotência, covardia e fraqueza. Como vocês são covardes!

    — Senhor Baltar, fuja! Cuidaremos dele até os reforços chegarem! Procure por um local seguro! — disse Erika, já subindo numa mesa.

    Dois leques surgiram em suas mãos: um azul com detalhes brancos; um vermelho com detalhes dourados. Ela via Andrus gargalhar enquanto matava várias pessoas.

    — Você é um monstro! Como o Imperador pode ter alguém como você num cargo tão importante? Isso é imperdoável! — ela apertou os leques, enfurecida.

    — Acho que a índole do Imperador não é aquilo que nós pensávamos. — Edgar se aproximou. — Será que somos capazes de lidar com o Capitão Andrus?

    Edgar invocou um pincel de madeira e desenhou duas foices pequenas no ar. As foices se materializaram, então ele as agarrou, as girou rapidamente e arremessou uma delas. Andrus rebateu sem esforço e olhou para os jovens.

    — Finalmente você nos notou. Você estragou uma reunião e está matando pessoas por diversão, não podemos deixar isso impune!

    — Não podem me deixar impune? O que vermes como vocês farão? Fiquem gratos por não estarem na lista de quem eu preciso matar! — ele apontou para eles.

     Vários tentáculos avançaram, tão rápidos que mal passavam de borrões. Ambos mal tiveram tempo para reagir. Os tentáculos pararam a centímetros de seus olhos.

    — Viram? Vocês não são capazes de me enfrentar. Não passam de capachos que protegem a bunda daquele covarde contra rebeldes, não contra mim!

    — Deixe-os fora disso, Andrus. — Baltar enfim se manifestou. — Eles não são seus inimigos, só estão fazendo o que foram treinados para fazer. Seu problema é comigo.

    Uma aura verde rodeou seu corpo, e uma besta surgiu em suas mãos. Sem hesitar, ele disparou repetidas vezes contra o outro Capitão.

    — Vocês dois, saiam daqui! Levem todos para fora do prédio enquanto eu cuido dele! Não usem suas Manifestações em hipótese alguma, entenderam?! — ele olhou de relance para Erika e Edgar, que o encaravam incrédulos.

    — Pretende salvar seus guardas particulares em vez de se salvar? Você é mesmo o melhor, Baltar! Por isso que eu vou te matar!

    Andrus apontou para Erika, fazendo todos os tentáculos a atacarem. Baltar enfim ativou sua Manifestação e paralisou os tentáculos.

    — Não me diga que você vai lutar a sério contra mim por causa desses dois imbecis. — Andrus abriu um sorriso largo. — Finalmente você animou o meu dia, Baltar! Terei o maior prazer em te torturar lentamente até você se quebrar como um espelho!

    As energias dos Capitães cresciam. Erika e Edgar saíram às pressas, levando alguns sobreviventes enquanto Baltar tentava retardar Andrus. Um dia comum tornou-se caótico num piscar de olhos. Todos da cidade estavam em alerta devido à grande quantidade de guardas que corriam até o grande salão.

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