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    No dia após a festa, o capitão Baltar caminhava por um salão repleto de homens bem-vestidos. Ele era acompanhado por mais duas pessoas. À sua esquerda, uma garota de cabelo azul escuro e olhos verdes, vestindo calças cinzas, botas marrons, camisa vermelha e jaqueta marrom. À sua direita, um rapaz de cabelo cinza e olhos azuis, com roupas sociais levemente sofisticadas e um casaco longo marrom. Eles pareciam estar escoltando Baltar devido ao acontecido da noite passada. Apesar da tensão no ar, o rapaz bocejou. A moça prontamente o repreendeu.

    — Tenha modos, Edgar. Estamos em uma assembleia com alguns dos maiores juízes e líderes de Eudora e você simplesmente boceja? Eu me sinto envergonhada pela forma como você se comporta. — ela o encarou zangada.

    Edgar, por outro lado, a ignorou e bocejou de novo. Dessa vez, ela não perdoou. Deu-lhe um forte tapa na nuca, enfim conquistando a atenção do rapaz.

    — Agora está me ouvindo?! Já disse para ter mais modos, não envergonhe o Senhor Baltar. Essa assembleia é muito importante, principalmente após o ataque de ontem. Aqueles terroristas quase mataram o Capitão Haythan e ainda levaram o Lorde Sora. Fique em alerta. Nós nunca sabemos o que pode acontecer.

    — Sei disso, Erika, pare de me cobrar. Estou muito cansado, pois fiquei acordado a noite toda de vigia enquanto você curtia seu sono de princesa. — ele desviou o olhar e deixou escapar outro bocejo. Erika o beliscou. Edgar, enfim, se incomodou. — Quer me deixar em paz? Vê se larga do meu pé, chulé. Não estou a fim de escutar suas reclamações hoje. Finge que não me conhece, é simples.

    Quando ambos estavam prestes a discutir, Baltar interveio. Ele era um homem que detestava conflitos. Sua maior prioridade era a segurança e a paz das pessoas. Por esse motivo, ele estava decidido a tentar encerrar o conflito naquele mesmo dia, mesmo se precisasse agir contra as ordens do Imperador.

    — Parem com isso. Não fiquei implicando um com o outro, eu sei que vocês são grandes amigos. Edgar, se está tão cansado, não precisava ter vindo. — disse Baltar. Sua experiência lhe dizia que seus dois companheiros ainda poderiam brigar, então ele parou no meio do corredor que os levava para o grande salão. — Infelizmente não estamos passando por um bom momento. Sora foi levado pelos terroristas, Haythan está em estado grave, Navaro está desaparecido e tudo que conseguimos foi derrotar apenas um dos terroristas. Levem isso mais a sério, não sabemos se sou o próximo. Deixem suas diferenças de lado e se concentrem, entendido?

    — Mil desculpas, Senhor Baltar, não queríamos irritá-lo. Peço humildemente que nos perdoe. Sabemos da situação atual e do significado do dia de hoje. — Erika baixou a cabeça. Baltar, com um sorriso fraterno, tocou nos ombros dos jovens e sorriu. Erika ergueu a cabeça e retribuiu o sorriso com certa timidez. — O senhor vai se atrasar, vamos antes que a reunião comece. Estamos ansiosos para vê-lo discursar.

    — Fico feliz, mas não estou tão confiante sobre isso, Erika. Não após o que aconteceu ontem. Vários nobres se feriram e os rebeldes fugiram com um dos nossos capitães. Reconquistar a confiança deles não será simples. — ele caminhou até o grande salão, pensativo, e se dirigiu até seu assento. Se o Extra-Mundo entrasse em guerra, quem seria o inimigo? — Eu temo que o pior esteja por vir. Dificilmente eles aceitarão apoiar o Império contra os rebeldes, muitos permanecerão neutros para não serem afetados por ambos os lados. Se não fosse pelo ataque de ontem, teríamos mais da metade do parlamento apoiando o Império nessa guerra.

    — Pelo visto os rebeldes conseguiram dificultar os planos do Imperador. Ainda bem que ele tem você para contornar a situação. A pauta deve ser sobre o ataque do Capitão Haythan aos nobres. “Ser civilizado”, diz ele. — Edgar arrumava suas roupas enquanto se sentava à direita de Baltar. Erika se sentou à esquerda. — Se ele tivesse agido de outra maneira, as coisas não estariam tão complicadas como estão agora.

    Edgar observava os outros juízes, políticos e chefes de estado irem para seus assentos enquanto pensava na atual situação de Eudora.

    Ele refletia sobre como poderiam intervir naquela situação. A guerra entre o Império e os rebeldes já se arrastava por tempo demais, e somente agora uma medida seria finalmente tomada. Tudo após eles mesmos serem afetados de alguma maneira.

    — Será que somos úteis aqui? Digo, isso é tão necessário? O Imperador já controla o continente. Ele não precisaria da aprovação dessas pessoas para poder tomar uma atitude. Creio que ele as deixa acreditar que suas opiniões influenciam nas decisões do Império, mas, quando não forem mais necessárias, ele descartará todas, até nós.

    — E-ei! Não diga algo assim. Você ficou maluco? — questionou Erika enquanto beliscava seu braço. — Não de ouvidos a ele, Senhor Baltar. Edgar deve estar só brincando.

    — Você está certo, Edgar. Impero poderia monopolizar tudo, mas o império dele não é totalitário. Todos respondem a ele e aprovam ou não suas escolhas. Se ele tomasse todo o poder para si, o que você acha que esses líderes fariam? Se pensou que eles iriam apoiar a causa rebelde, você acertou. No entanto, enquanto eles tiverem seus poderes, eles serão fiéis aos interesses do nosso imperador.

    Baltar tirou vários papéis e documentos de sua pasta e os colocou sobre a mesa. Ele era o responsável por aprovar todas as leis do império, e uma das principais peças dentro da política do continente.

    Graças ao seu trabalho, o Império mantinha uma reputação sólida e um número reduzido de opositores.

    — Vou explicar sucintamente a nossa importância, Edgar. — ele organizava os papeis com precisão. — Eu sou quem aprova todas as leis. Da mesma forma que o Sora era importante para os nobres, eu sou crucial para essas pessoas. Nós somos a Lei.

    Sem nenhuma demora, deu-se início à reunião e um homem formalmente pediu para todos ficarem de pé. Baltar estava confiante de que poderia convencer a todos com o seu plano, principalmente após o ocorrido na noite anterior. A insegurança e o medo seriam a chave para ele conseguir o apoio de todos.

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