Capítulo 105 — Massacre no Salão
Pânico. Agitação. E nenhuma explicação. Yujiro, Ryruka e as gêmeas assistiam a cidade mergulhar no caos sem entender as razões. Pombo usou sua Manifestação na direção contrária de onde a multidão vinha. O resultado foi imediato.
— Sinto duas fortes energias naquela direção! — ela apontou para o final da avenida, onde havia um grande edifício. — Devemos ir, depressa!
— Nós vamos, vocês ficam! — disse Ryruka, já invocando sua Relíquia.
Após Yujiro invocar seu chicote, eles correram até o local. Outro ataque rebelde? Ou era um Capitão imperial o responsável por aquele ataque brutal e sanguinário? Pelo caminho, a quantidade de pessoas sujas de sangue só crescia.
Ao se aproximarem do grande salão, viram dois indivíduos ajudando algumas vítimas. As vestes eram do exército imperial — precisavam redobrar a cautela. Antes que pudessem procurar por outra rota, Erika e Edgar os avistaram.
— O que pessoas como vocês fazem aqui? Estamos sendo atacados! Ninguém pode ir para o grande salão! Voltem imediatamente! É uma ordem! — disse Erika, prestes a invocar sua Relíquia. A hipótese de outro ataque a deixou mais atenta, e nervosa. — Quem são vocês? A julgar pelas roupas, não são daqui. Por acaso são rebeldes?! Não temos tempo para lidar com vocês! Recuem, agora!
— Vocês parecem estar com problemas. O que aconteceu? Se precisam de ajuda, podemos ajudar. É provável que o responsável por essa bagunça seja nosso alvo, então seja grata por estarmos aqui para lidar com esse monstro do Império. — Ryruka apertou o arco, o olhar sério. — Se desejam ficar no meu caminho, eu os matarei. Não me importo se são do Império. Eu tenho uma missão e prendendo cumpri-la.
Já estava cansada de tantos problemas e estava pronta para lidar com qualquer um que ficasse em seu caminho. Edgar interferiu.
— Esperem aí, vocês duas! Esse não é o momento para isso! Se vocês realmente querem fazer algo, venham conosco e nos ajude a salvar nosso mestre. Ele ficou para trás para ganhar tempo e eu temo pelo pior. — ele puxou a amiga pelo braço.
Edgar os guiava com bastante apreensão, já Erika não tirava o olho da dupla. E se tentassem ataca-la pelas costas?
— Eu não tenho ideia do que aconteceu. O Capitão Andrus apareceu do nada e disse que o Imperador decidiu tomar o controle de tudo e que não éramos mais necessários. Antes de nos darmos conta, ele começou um massacre na sala de reuniões. Eu acho que o Imperador finalmente se entregou à cobiça por poder.
— Então vocês são mesmo do Império. Supus isso graças às roupas e a forma como agem, mas vocês não parecem compactuar com as ideias do Império. Que curioso. — Yujiro estreitou as pálpebras, os analisando com cautela.
As paredes, antes brancas, agora estavam manchadas de vermelho. Pelo chão, corpos mutilados e presos nas paredes e no teto. Era aterrorizante.
— Quem faria isso? Esse Andrus parece mais um monstro do que alguém normal. Qual a Manifestação dele e por que ele fez algo tão cruel?
— Andrus é responsável pela Divisão de Tortura. Ele é um Manifestador Negro que possui os Tentáculos do Abismo. É um psicopata sádico e sanguinário. — explicou Erika, nervosa. Quando passaram por ali pela última vez, não estava assim. — Eu não sinto nenhuma energia ou presença, nem escuto sons de uma luta. Será que o combate já acabou? Quem será o vencedor? Tenho medo do resultado…
Seu coração acelerava, as mãos tremiam e ela ofegava a cada passo dado em direção à sala de reuniões. Abriram a porta lentamente. A sala estava escura, o chão escorregadio e coberto por algum líquido.
— Fiquem atentos. Pode ser uma emboscada. — alertou Yujiro.
Edgar tateava a parede até encontrar um interruptor. As luzes demoravam para acender. Piscaram lentamente, em intervalos variados, até enfim iluminarem o salão.
O cenário era brutal, sádico. O chão estava coberto de sangue. Em algumas cadeiras, estavam corpos sem cabeças. As cabeças estavam sobre as mesas, sem os olhos e com as bocas abertas. Desviar o olhar não tinha grande serventia — as paredes estavam cobertas de sangue e pedaços de várias pessoas.
Sem esperanças, Erika e Edgar começaram a procurar pelo corpo de Baltar. Com pesar, Yujiro tocou em seus ombros e negou com a cabeça.
— É melhor saírem daqui e não olharem para trás. Confiem em mim.
Fizeram o oposto. No palco de reuniões, estava Baltar, preso na parede, esfolado como um animal. Erika berrou, em puro desespero, e desabou em choro. Edgar tentou confortá-la, ainda que ele mesmo não soubesse como reagir.
— Lamento muito pelo seu mestre. Quem fez isso só pode ser um demônio. Não olhem mais para isso. Devemos sair daqui o mais rápido possível. Com sorte, meus aliados poderão pegar o rastro do responsável por esse massacre.
Yujiro desviou o olhar e se dirigiu até a porta da sala, enquanto Ryruka observava o local com fúria. Existia mesmo alguém capaz de fazer isso? E esse alguém ainda é um Manifestador Negro? A situação ficava cada vez mais perturbadora.
— Vamos embora, Ryruka. Talvez as irmãs consigam pegar o rastro dele. Não podemos deixar esse Capitão escapar. Ele pagará por esse massacre.
— Esperem aí! Não posso deixar que façam isso, não sozinhos. Andrus pagará pelo que fez ao Senhor Baltar. Não só ele, como todo o Império! — Erika secou as lágrimas e se aproximou com um olhar sério. — Me levem com vocês. Eu quero matá-lo! Eu quero me vingar de todos eles!
— Então venha conosco. Se quer se vingar do Império, vingue-se. Não ficaremos no seu caminho. Pelo contrário, você será de grande utilidade para nós. — disse Ryruka, com um olhar sério, e estendeu a mão direita.
Ela não queria uma amiga nem uma companheira, apenas alguém que pudesse beneficiar seus interesses. Erika se surpreendeu, mas não tardou para aceitar.
— Você também é bem-vindo a se juntar ao nosso grupo. — ela fitou Edgar. — Vocês serão nossa melhor forte de informação. Sejam bem-vindos ao Esquadrão D. Vamos pôr um fim nesse Império.
E então, o quarteto deixou aquela carnificina para trás. Ryruka e Yujiro estavam determinados a pôr um fim nessa guerra através dos seus próprios métodos, sem se importar em se aliarem a imperiais querendo vingança. Talvez esse fosse o estopim para colocar toda Eudora contra o Império.
Impero mostrou ser uma pessoa impiedosa que não mediria esforços para obter mais poder. A tirania do Império nunca foi tão evidente. Os próximos passos, de ambos os lados, poderiam ser os mais cruciais.

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