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    Quando o Vento Negro avançou para o meio de outra tropa de Cavaleiros Worgens, um pilar de luz cinza de dez metros subiu atrás dele, iluminando os arredores.

    A fúria dos orcs por estarem cercados não diminuiu com a morte do Capitão-Chefe dos Cavaleiros Worgens. Vento Negro era rápido como um relâmpago, ele se movia de forma letal entre as tropas inimigas.

    Enquanto isso, a Explosão de Gelo matava continuamente todos os worgens em um raio de dez metros ao redor de Abel. Esses curtos segundos de ataque causaram um verdadeiro caos na formação.

    No entanto, havia cinco mil Cavaleiros Worgens ali. Era uma tropa de elite da tribo Worgen.

    “O Deus Bestial nos protege !” um Capitão-Chefe gritou a plenos pulmões. A luz de seu Qi de Combate brilhou intensamente, amplificando as palavras como se fossem uma oração e fazendo-as ecoar por todo o campo de batalha.

    “O Deus Bestial nos protege!”

    Os cavaleiros que haviam sido atordoados pelo caos também gritaram em resposta. Apenas a menção ao seu deus pareceu reanimá-los de imediato, e começaram a atacar loucamente contra Abel.

    Flechas, lanças arremessadas e todos os tipos de ataques possíveis foram direcionados a Abel. Mesmo com os feitiços bloqueando o caminho, eles continuavam avançando de forma suicida.

    Abel, que estava no ápice da matança, percebeu que os inimigos haviam abandonado qualquer instinto de sobrevivência para atacá-lo.

    Bloqueou casualmente algumas flechas e lanças que voavam em sua direção. Percebendo que os orcs já não estavam em desordem, soube que a chance de dizimá-los no meio da confusão havia sido perdida.

    Seu Cajado Mágico Folha desapareceu, sendo substituído pela sua espada Ferro e pelo escudo Pacto dos Anciões. Vento Negro acelerou em um piscar de olhos. Enquanto corria, a lâmina de Abel cortava continuamente os pontos vitais dos cavaleiros que ousavam se aproximar. Em poucos segundos, eles romperam o bloqueio inimigo e sumiram na escuridão da noite.

    “Como a velocidade de um Rei dos Lobos de Montaria pode ser tão absurda?!” O Capitão-Chefe estava prestes a comandar a perseguição, mas percebeu que a silhueta do humano já havia sumido de sua vista.

    Assim que o Vento Negro acelerava, não havia nada nesse mundo capaz de acompanhá-lo. Fosse por sua velocidade inata ou pela habilidade velocidade extra adquirida no Mundo Sombrio, bastava que ele corresse para deixar qualquer predador apenas suspirando de frustração.

    Já bem distante das tropas, Abel deu leves toques no pescoço de Vento Negro, sinalizando que parasse.

    Ele saltou do dorso do lobo. Vento Negro sabia o que aquilo significava, estava prestes a ser mandado de volta para o Anel de Feras. Embora o espaço lá dentro fosse amplo, a sua natureza elétrica fazia com que ele detestasse ficar em recluso.

    Vento Negro esticou o focinho e lambeu a máscara de Abel, limpando a fuligem escura que se acumulou durante a batalha, então lançou um olhar ressentido para o seu mestre. .

    “Vento Negro, assim que essa missão acabar, você só precisará ficar lá dentro durante o dia. Seja bonzinho agora!” Abel esfregou a cabeça do parceiro, confortando-o.

    Vento Negro estava relutante, mas acabou assentindo de forma obediente.

    Abel libertou o Rei dos Lobos de Montaria de seu Anel de Feras. Assim que o lobo tocou o chão, deu de cara com o Vento Negro e instintivamente, encolheu o corpo.

    Aquilo já era um avanço gigantesco se comparado ao primeiro encontro dos dois no espaço interno do anel, o Rei dos Lobos desabou no chão, paralisado de pavor.

    A fera orc não conseguia entender como outro lobo podia emanar uma pressão tão esmagadora.

    O Vento Negro lançou um olhar de desdém para o Rei dos Lobos. Por que esse inútil tem o direito de ficar com o mestre? pensou. Ainda assim, ele sentia que aquele lobo era diferente dos outros, pois não tinha nenhum contrato de submissão. Esse pequeno detalhe o deixou satisfeito.

    Abel pegou uma Poção da Alma de seu bracelete espacial e a jogou para o ar. “Pode voltar!”

    Com um comando mental, ele ativou o Anel de Feras, abrindo um portal escuro no ar. O Vento Negro agarrou o frasco no ar com a boca, agora estava de bom humor, e saltou graciosamente para dentro do vazio, retornando ao seu espaço isolado.

    O Rei dos Lobos de Montaria sentiu quase por instinto o milagre que aquele líquido roxo traria. No entanto, tudo o que pôde fazer foi observar com os olhos vidrados ao ver seu rival desaparecer com o tesouro que faria sua alma entrar em êxtase.

    Abel pulou nas costas de sua montaria substituta. Ansioso para se mostrar útil, o Rei dos Lobos avançou com toda a sua velocidade. Mas depois de se acostumar com a velocidade do Vento Negro, esse ritmo parecia o de uma tartaruga rastejando.


    “Comandante, parece que algo aconteceu com os Sacerdotes!” um batedor worgen relatou ao líder orc.

    “O que foi agora?” O Comandante, que já estava roendo as unhas pela fuga de Abel, tomou um susto. Naquele momento, como justificaria para a tribo o fracasso de sua missão?

    Dezenas de sacerdotes da tribo worgen participaram do cerco. Dentre eles, vinte faziam parte da linha de frente, todos Sacerdotes Intermediários, a pura elite mágica do império.

    Se sofressem baixas, o impacto no poder de combate de toda a tribo seria desastroso. O que piorava a situação era a presença de um sacerdote de manto cinza entre eles, um gênio cotado para se tornar um Sacerdote Avançado muito em breve.

    Normalmente, sacerdotes orcs vestiam mantos negros. Mas se o poder de combate de um deles fosse superior, ele usaria um manto cinza, que funcionava como um selo de honra.

    O Comandante da tropa cavalgou até a zona inicial do cerco. A poeira e a névoa letal já haviam se dissipado.

    Ele olhou para a cena. No chão, as vinte mentes brilhantes da tribo worgen estavam caídos, espalhados de forma patética, e nenhum de seus subordinados tinha coragem de se aproximar para checá-los.

    O foco de sua visão se prendeu no sacerdote de manto cinza, cuja cabeça rolou longe de seu corpo. O desespero apertou sua garganta. Como diabos vou reportar isso?

    “Rápido! Verifiquem se os outros sacerdotes ainda estão respirando!” Ele ordenou.

    “Comandante… os cavaleiros que enviamos para resgatá-los deram apenas três passos antes de caírem mortos. Eles e seus lobos foram envenenados brutalmente!” Relatou um dos capitães.

    A toxina de qualidade azul era fatal até para usuários de magia. Embora o líquido tivesse se espalhado pelo chão, o avanço das patas dos lobos fez o veneno se erguer novamente no ar.

    A potência daquele veneno manipulado e refinado pelas leis brutais do Cubo Horádrico, estava muito acima do que até o próprio Abel poderia prever. Abel só ousou derramar isso ali por dois motivos: a irritação de ser constantemente atingido pela Explosão de Cadáveres o tempo todo, e claro, sua absurda imunidade a veneno, o que o isentava de qualquer risco de morte .

    “Os sacerdotes não estão mortos! Olhem para os esqueletos deles, continuam de pé! Dêem um jeito de arrastá-los de lá!” O Comandante gritou, recusando-se a aceitar a derrota.

    No momento exato em que ele proferiu aquelas palavras, os crânios que os protegiam começaram a ruir como peças de dominó estilhaçando-se no solo. A magia que os sustentava havia acabado de sumir. A morte deles foi definitiva .

    “Pfft!” O líder orc sentiu o ar abandonar seus pulmões, e uma golfada de sangue escuro foi ejetada de sua boca.

    “Comandante!” Vários capitães correram para ampará-lo.

    “Queimem a área,” ordenou o comandante com a voz fraca, limpou o sangue de sua boca e tentou manter a postura. Ele observou os cadáveres ao longe com a voz carregada de luto.

    O fogo consumiria o veneno remanescente da terra, permitindo que os soldados ao menos levassem algumas cinzas da elite orc de volta para casa.

    Afastando-se daquela região, Abel continuou a sua jornada, sem se importar com a tragédia que havia acabado de causar. O importante para ele era que o veneno neutralizasse os feiticeiros inimigos a tempo

    De repente, seus ouvidos captaram o som de trombetas, brados de cavaleiros humanos misturados a uivos agoniados e estrondos de feitiços.

    Os reforços chegaram!

    Abel sorriu por baixo da máscara e guiou o Rei dos Lobos rumo ao centro do conflito.

    Do alto de um barranco, ele avistou o campo de batalha banhado pela luz alaranjada de dezenas de tochas. Homens blindados esmagavam as linhas de defesas orcs sem piedade, fazendo os corpos voarem para todos os lados.

    Alguns humanos também eram mortos, perfurados pelas lanças rústicas em uma resistência desesperada dos orcs.

    Porém, sob a artilharia pesada de dezenas de feitiços conjurados na retaguarda, a balança pendia massivamente a favor dos humanos.

    Esse batalhão somava cerca de mil cavaleiros blindados, a força mais imponente e violenta que Abel já havia presenciado, e todos eram veteranos de guerra.

    Auras brancas de Qi de Combate rasgavam a escuridão noturno enquanto cavaleiros humanos perfuravam as linhas de defesa dos orcs com suas lanças. Do outro lado, sob uma ordem de contenção, cinco mil Cavaleiros Worgens lançavam-se cegamente com seus corpos e montarias contra a barreira de escudos na tentativa de pará-los .

    A tática orc era um moedor de carne, encharcando o solo com o sangue worgen.

    Abel decidiu ficar apenas assistindo. O palco agora pertencia ao batalhão. Eram cinco mil orcs encurralados, sem apoio mágico, agindo como buchas de canhão vivas. Uma oportunidade perfeita para chover Mérito de Guerra.

    Quando mil cavaleiros humanos marchavam em sincronia, esse batalhão multiplicava sua força de forma aterradora. Pelos cálculos impecáveis do Espírito do Milagre, aquele único batalhão tinha poder de combate suficiente para destruir um exército de dez mil orcs em campo aberto .

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