Índice de Capítulo

    Dentro da sala de cirurgia, Seeng começou a mover com cuidado os bisturis, olhando atento para o local da ferida, efetuando cortes absolutamente precisos. O Padmariano derramava gotas geladas de suor, com algumas caindo em cima do seu paciente. Percebendo isso, ele começou a lamber seu próprio rosto, bebendo o suor e refletindo consigo:

    “Não vou deixar esse paciente morrer! Irei salvar ele, custe o que custar!!”

    Após refletir aquilo, o homem de roupas médicas estendeu sua mão direita para o ar, comentando em um tom bastante suave:

    — Linha e agulha, por favor!

    Após aquilo ser dito, uma mão entregou para ele os materiais exigidos, permitindo o cirurgião a iniciar a costura dos cortes feitos. Cada ponto foi dado com bastante cuidado e precisão, fechando a ferida com absoluto cuidado, enquanto o suor ansioso dele respingou no paciente. Após aquilo, o homem se afastou sutilmente, limpando o suor em sua testa e dizendo:

    — Isso aí, missão bem sucedida!!

    Segundos após o cirurgião se sentir seguro com seu sucesso, a máquina responsável por medir os batimentos cardíacos do seu paciente, acabou por indicar sua parada cardíaca total, através do seu agudo do bip. Chocado com aquilo, o barbudo questionou em um grito:

    — MAS COMO?!

    Por de trás do Seeng, a figura feminina da Maria se revelou. A mulher, naquele momento, se encontrava vestida com roupas de enfermeira bastante reveladoras, além de carregar uma prancheta consigo. A expressão da mulher era bastante apática, com claro contraste com os sentimentos do Houer.

    — Sabe, doutor Seeng… é que você errou a cirurgia! Ao invés de reconstrução facial, você fez uma remoção de seios!

    A mulher disse aquilo, apontando para o homem que se encontrava apertando duas esferas em suas mãos. Percebendo aquilo, o Padmariano afirmou:

    — Ah, então é por isso que ganhei essas bolas calmantes!

    A mulher ouviu aquilo, olhando para o homem com uma face de certo julgamento, suspirando e continuando a ler aquele fichário médico:

    — E para piorar, você costurou as veias do coração do paciente! Foi isso que matou ele!!

    O homem de barba grande escutou aquilo, ficando claramente afetado com tudo aquilo, se curvando próximo do corpo sem vida e gritando, enquanto acerta vários socos no corpo gelado:

    — NNNÃÃÃOOO!! EU SOU UMA FALHA COMO MÉDICO, UM ENERGÚMENTO!!

    A mulher, de maneira fria, apenas marcou algumas coisas na prancheta, pontuando:

    — Isso nem fez sentido, mas eu concordo!!

    Se irritando com aquilo, o cirurgião se virou para a mesma, acertando um tapa forte na prancheta, conseguindo derrubar a mesma no chão.

    — CALADA, MOCREIA!!

    Se recompondo após o golpe no material de trabalho, o médico apenas começou a desbotar seu jaleco, ficando sem camisa em poucos instantes, começando a tirar as calças e afirmando:

    — Bem, hora de relaxar! E nada melhor para isso, do que…

    O doutor então retirou as calças, revelando um calção de banho no mesmo instante, correndo com tudo até a porta de saída da sala de cirurgia, a chutando e dando direto em uma praia.

    — UM PULO NO MAR!!

    Logo atrás do Seeng, a Maria surgia com um biquíni fio-dental, correndo com ele enquanto suas curvas ficavam visíveis a todos no local. A mulher, em meio a risos, disse:

    — Ei, me espere! Quero pular na água também!!

    A dupla logo adentrou no mar, com ambos começando a brincar de jogar água um no outro. Em instantes, a expressão da mulher mudou, com ela agarrando o pescoço do padmariano e o empurrando com tudo para dentro da água, começando a afogar ele enquanto diz:

    — Dê um mergulho, e me diga se a água está boa!!

    O homem começou a se debater em desespero completo, jogando água para todos os lados, ao mesmo tempo em que bolhas de ar desesperadas subiam com tudo. Em certo momento, ele acabou engolindo a água, mas, de forma surpreendente, o sabor do líquido era de algo familiar. Parando de se debater, o homem provou novamente da água ao seu redor, e com bastante tranquilidade começou a gesticular para a mulher.

    — Hum?

    Indagou a Maria, observando os gestos dele e os compreendendo.

    — Ah, para eu beber essa água? Tá bom então, né…

    A moça levou sua canhota até a água, pegando um punhado e movendo até sua boca, dando um generoso gole no líquido. A expressão da mulher logo se alterou, de raiva para surpresa, com a mesma gritando:

    — OH, NÃO ME DIGA… ISSO É MESMO O’QUE ESTOU PENSANDO?!

    Seeng, levantando a cabeça da água, acabou acenando em concordância, dizendo:

    — Sim, isso é fanta laranja!!

    Ambos começaram a beber empolgados aquela água, saboreando cada gole como se fosse o último. Com cada um esbanjando um sorriso no rosto, tanto a Maria quanto o Seeng, respectivamente, disseram:

    — This is real life?!

    – Or a Fanta sea?!

    Ambos começaram a jogar o líquido com gosto de laranja um no outro, rindo bastante enquanto faziam isso. Maria, ensopando o homem com a água saborizada, começou a refletir:

    “Esse poder dele… é sobre tornar qualquer coisa que possa ter graça, em realidade! Mas também, caso o oponente aceite e saiba fazer comédia, ele pode usar essa habilidade para lutar, podendo se aproveitar até mesmo das capacidades curativas dessa habilidade!”

    As gargalhadas de ambos ecoaram no ambiente, enquanto aquela água saborizada ensopava o corpo de ambos, enquanto a mulher terminou sua divagação:

    “Bem, então se for assim, eu posso…”

    Enquanto aquilo tudo acontecia, Seeng acabou por desviar sua atenção momentaneamente para a beira da praia, analisando todo o ambiente com os seus olhos negros. Em instantes, ele percebeu algo, sendo isso uma garotinha ao longe tomando um sorvete de chocolate e caminhando calmamente. Atrás da jovem, um homem gordo e feio apareceu, correndo com tudo e a agarrando nos braços, começando a fugir com a mesma.

    — EI, PERVERTIDO! PARADO AÍ!

    O Padmariano gritou isso, largando a guerra d’água para trás e se lançando na direção daquele sequestrador. A perseguição durou por algum tempo, e quando ambos alcançaram um rochedo próximo, o Houer acabou por agarrar o ombro destro daquele homem, o virando em sua direção e gritando para ele, enquanto preparava um soco:

    — TU TÁ FUDIDO, SEU DOENTE!!

    No instante seguinte ao grito, o Padmariano conseguiu ver a face daquele homem, com o velho se tratando da Maria vestida de velho com um enchimento falso, juntamente de uma boneca de pano para fingir ser a criança. Sorrindo de forma maligna, a terrorista afirmou para aquele receptáculo:

    — Maria gosta de comediante falido!

    A mão destra da mulher agarrou com uma força extrema o ombro do Seeng, o puxando para detrás das rochas, enquanto ele berrava em desespero:

    — SOCORRO, ARNALDO!!

    Minutos se passaram após aquilo, com o Houer aparecendo amarrado e completamente cansado atrás daquelas pedras. A mulher, se vestindo com suas roupas normais, comentou:

    — Bem, ainda não acabamos! Estou tentada a te liberar, mas só se ganhar de mim!

    O ambiente ao redor dos dois logo se alterou completamente, deixando de ser a praia e se tornando um show de perguntas e respostas de algum talk show, com o Seeng sendo colocado em um dos locais de participante, vestindo uma roupa comum. A esquerda do nativo de Padmara, a Maria apareceu com um vestido longo bem recatado, enquanto um homem gordo pegava uma folha de perguntas na frente deles.

    — Mâôe… certo, certo, vamos começar com a primeira pergunta!

    O velho de cabelos ruivos fechou suavemente os olhos, forçando um pouco sua visão e começando a dizer:

    — Quais os estados da matéria?

    Ao ouvir aquela pergunta, um sorrisinho levemente arrogante surgiu no rosto do homem barbado, que rapidamente deu um tapa contra o botão posicionado na sua mesa de jogador, chamando a atenção para si e respondendo:

    — São três: Sólido, líquido e gasoso!!

    O apresentador, analisando com cuidado o papel na sua mão, retrucou na sequência:

    — Errado! Maria?

    A mulher, dando algumas risadinhas contentes, logo fez o seu palpite:

    — A nível escolar temos quatro: Sólido, líquido, gasoso e plasma! A nível de faculdade, temos a adição de algumas dezenas a mais, sendo alguns dos mais relevantes: Superfluido, Supersólido e condensado de Bose-Einstein, ou “BEC”!

    O apresentador sorriu ao ouvir aqueles detalhes dados pela mulher, acendendo a luz verde do palco e gritando:

    — ISSO MESMO, VOCÊ ACERTOU!! PODE ACERTAR A TORTA NA CARA DELE!!

    Aquilo surpreendeu o Seeng, que sem ter nenhuma chance de reação, logo foi acertado por uma torta bem no meio de sua cara, voando por vários metros sem pausa. O Houer caiu no chão, ficando desacordado por algum tempo, até começar a ouvir:

    — Ei, acorda, idiota!

    Alguns tapas leves acertaram a face do homem barbado, que acabou acordando o mesmo, com ele se erguendo levemente e posicionando-se sentado no chão. A fôrma de torta deslizou do seu rosto, caindo no solo e dando passagem a sua visão, que logo captou a Maria na sua frente, vestindo roupas casuais e carregando um fantoche de monge consigo.

    — As pessoas estão esperando nossa apresentação começar, cara!

    A mulher começou a limpar o rosto dele, retirando aquele creme branco com bastante cuidado. Seeng, se empolgando, logo se levantou do solo, arrumando suas roupas e dizendo, enquanto ia para fora daquele camarim:

    — Certo, pois vamos! Precisamos entregar um show de comédia, com muita pompa!!

    A dupla logo surgiu naquele palco do teatro, observando a multidão de milhares de espectadores, começando o show na sequência. O comediante, rindo de cada piada e trapalhada feita naquele palco, logo começou a divagar:

    “Faziam décadas que eu não ria desta forma, décadas que eu retrai a capacidade máxima dos meus poderes… eu sinto que… eu posso morrer de rir, finalmente!”

    A cena então foi mudada, com o ambiente se tornando uma espécie de funeral, com o super-comediante deitado no solo, com um claro sorriso de satisfação em sua cara. Maria, percebendo aquilo, acabou por esboçar um sorriso de canto de rosto com aquilo, dizendo:

    — Sabe, meu poder me permite me transferir de um corpo vivo para um morto, mas eu preciso abrir mão de algumas experiências ou memórias para conseguir preservar parte dos poderes antigos no corpo novo…

    Enquanto fala, a moça começa a se lembrar de sua infância no seu corpo original, sentindo um misto de tristeza, nostalgia e alegria, continuando a falar:

    — Mesmo assim, eu quis preservar o primeiro sentimento sincero que senti… a inveja que eu tive, ao ver meus pais sendo felizes, e querendo saber como era esse sentimento!!

    Enquanto a terrorista fala isso, lágrimas contentes deslizam através do seu rosto, com ela finalmente concluído sua afirmação para o homem nocauteado em sua frente:

    — Obrigado, receptáculo Seeng! Graças a essa sua comédia maluca, eu pude sentir isso! Você é, com toda certeza, o melhor comediante da história!

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