Capítulo 414 - Gelo derretido
Ledya encarou surpresa aquela cena em sua frente, não acreditando que o homem tinha escapado com tamanha facilidade de um dos seus ataques mais poderosos. A Houer se encontrava ofegante, visivelmente cansada após ter dado o golpe congelante, chegando a soar pelo esforço. Chikito reparou nisso, e de forma bastante confiante, afirmou:
— Aparentemente, esse seu poder custa muito para o seu corpo! É realmente uma pena você ter demorado tanto tempo para atacar, se tivesse feito isso um segundo mais cedo, teria conseguido me matar também!
Enquanto afirmava aquilo, o homem-máquina começou a mover o seu braço direito, fechando e abrindo sua mão com bastante interesse, analisando as mudanças no seu corpo, enquanto pensava:
“Essas atualizações me deixaram bem mais quente… além das atualizações marciais que recebi! Eu sou o counter perfeito para essa mulher!”
Ledya assistiu aquilo com bastante atenção, derramando gotas frias de suor, geradas tanto pela fadiga, quanto pela preocupação em ver que seu gelo estava completamente inutilizado. Agilmente, a receptáculo da serpente armou sua posição de combate, levantando ambos os braços em guarda e baixando o seu centro de gravidade, refletindo enquanto o fazia:
“Esse cara tem como se defender do resfriamento, então isso torna a ideia de o congelar e o quebrar impossível! Vou precisar encher ele de porrada, até ele virar uma lata de refrigerante amassada!”
Com a nova estratégia traçada de forma rasa em sua mente, a mulher se lançou na direção do terrorista, encurtando a distância entre ambos em um único instante, desferindo um jab com a mão direita na direção da cara daquele ciborgue. A resposta do criminoso, foi um rápido movimento pendular para a direita, esquivando-se com sucesso do ataque de soco da moça e então a contra-atacando com um cruzado de direita nas costelas. O impacto do punho metálico do homem contra o tronco da mulher, acabou por marcar a pele da mesma com o formato claro de sua mão, enquanto as costelas dela começaram a ranger, trincando os ossos da mesma enquanto aquilo acontecia. Sangue escorreu através do canto dos lábios dela, enquanto a mesma recuou alguns passos.
“Droga, isso foi um contra-ataque perfeito!”
Divagou a loira, enquanto seus olhos desceram até a região atingida, analisando rapidamente o ferimento e retornando sua atenção para o combate. Os olhos da Houer logo perceberam um soco em gancho vindo na direção de sua mandíbula, com a mesma se esquivando para a esquerda, escapando por centímetros daquele ataque, respondendo o mesmo com um direto de esquerda contra o nariz de metal do ciborgue, atingindo o mesmo em cheio e fazendo a cabeça do mesmo voar para trás com o soco. Chikito, se recompondo do ataque, acabou por abrir novamente a distância entre ambos, fechando sua guarda e começando a refletir:
“O soco dela foi mais pesado que antes… aquela cura estranha, provavelmente foi coisa da serpente selada dentro dela! Isso deve ter aumentado alguns dos seus atributos físicos, por tabela!”
Agilmente, o fora da lei alterou sua posição de combate, saindo de um estilo mais ligado ao boxe e entrando em uma formação semelhante a do wing chun. Os punhos metálicos daquele homem, ganharam uma distância considerável do tronco do mesmo, com ele concluindo em sua mente:
“Bem, basta que eu atinja ela várias vezes e em pouco tempo, para ir minando essa vantagem dela!”
Ledya então avançou contra aquele oponente, entrando novamente na distância perfeita para o embate corporal, iniciando com um jab em direção a face dele. Chikito, com extrema agilidade, moveu sua mão dianteira contra o punho da mulher, desviando a trajetória do golpe com perfeição, conseguindo assim defender aquele primeiro soco. A resposta, porém, foi que a albina abaixou ainda mais o seu centro de gravidade, desferindo um soco cruzado contra o tronco do fora da lei, acertando em cheio o ataque e amassando ainda mais a pele de aço daquele ser. Mesmo assim, o criminoso quase não se abalou, se aproveitando que estaria em uma altura mais elevada, para acertar um soco martelo contra o topo do crânio da loira, acertando em cheio o golpe e fazendo o cérebro da mulher se balançar. O ciborgue, percebendo o sucesso do seu primeiro golpe, logo encaixou um cruzado na sequência, fazendo sangue voar através dos lábios da dama, enquanto o homem a acertava com mais um soco, este agora atingindo em cheio o pescoço da mesma.
“Merda… ele tá batendo com sequências muito velozes!”
Ledya pensou isso, enquanto outro soco do homem era dirigido contra o seu pescoço, com a mesma dessa vez conseguindo usar seu jogo de pés para se mover lateralmente, escapando por pouco daquele ataque. Foi neste momento, porém, que o ser mecânico deu um sorriso através de sua boca de metal, dizendo:
— É… você fez exatamente aquilo que eu queria!
Do ombro daquele criminoso, um raio de calor foi disparado exatamente no local onde aquela mulher iria parar, acertando a mesma em cheio com uma onda avassaladora de calor. Aquele raio de energia percorreu dezenas de quilômetros em um único segundo, queimando e derretendo o chão de maneira quase que instantânea. O solo, de maneira brutal, logo começou a borbulhar, começando a evaporar e gerar uma imensa cortina de fumaça, bloqueando a visão do Chikito sobre a mulher, com o mesmo afirmando em voz alta:
— Eita, acho que acabei exagerando um pouco!
A fumaça começou a se dissipar de pouco em pouco, e do meio da mesma a mulher finalmente se revelou, estando com queimaduras de terceiro grau por toda a extensão do seu corpo. A pele pálida da mulher, se encontrava quase que completamente carbonizada, enquanto a falta dos seus longos e belos cabelos brancos era imediatamente notada. Mesmo nesse estado deplorável, Ledya se recusava a cair no chão, refletindo consigo mesma:
“Merda… tudo dói! Isso… isso é terrível! Esses caras, por que eles querem a gente…?”
Chikito observou aquela cena de longe, esticando seu braço direito na direção da dama do gelo, abrindo um compartimento em seu braço e revelando um grande míssil, dizendo para ela:
— Bem… jamais esquecerei de você, receptáculo da serpente!
Após essa fala, carregada de uma leve ironia em seu tom, o homem-inventor disparou o projétil explosivo, com o item percorrendo aquela grande distância em poucos instantes, colidindo com tudo contra a mulher e gerando uma explosão colossal. O impacto do ataque poderia ser sentido por toda a cidade, e ao final dele, a mulher se encontrava caída no chão, coberta de escombros. O ciborgue se aproximou cuidadosamente da mesma, dizendo:
— Acabou… esse trabalho foi um pouco mais custoso do que eu pensava!

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