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    — Seguimos com a van pela avenida Keikaku e chegamos em uma hora e meia. É muito melhor do que a pé, onde somos facilmente reconhecidos! — diz Romero, enquanto Antônio, agora presente na reunião, se posiciona ao lado de Jarves e Halyna, que acabou de sair do banheiro e está encostada na porta, mais calma.

    — Mas, para invadir, temos que lidar com exorcistas, não é? — pergunta Jarves, esfregando os dedos de ansiedade. De todos ali, ele parece o mais impaciente, como se esperasse que aquele fosse o grande dia.

    — Temos, e é aí que vocês entram… Quando eu abrir a cortina, teremos um instante de euforia, pois o radar sensitivo, tanto nosso quanto deles, estará comprometido pelas características da barreira. Atacando juntos, teremos êxito! Em dias como este, a segurança é menor, se limitando a exorcistas de grau três! — afirma Romero, com certeza na voz. Ele conhece bem o funcionamento, especialmente porque atuava na região quando era exorcista.

    Mas, uma dúvida ainda paira no ar quanto à certeza de que o plano dará certo; eles não estão ali apenas por fé.

    — E nossos níveis? Quero dizer, antes de sair, eu alcançei o grau cinco e fui promovido a professor da academia, mas e os demais? — pergunta o loiro, com certa dúvida no olhar.

    — Bem… Milk, Rasen, Kwawe são graus quatro, provavelmente cinco em termos de habilidades. Já Halyna e Jarves são de grau três… — explica Romero, olhando para ele, que expressa calma ao ouvir a explicação, sorrindo de lado. — Você deve ter a maior experiência aqui. Sugere algo?

    — Achei que não fosse perguntar! — diz o loiro, colocando a mão no queixo após estalar os dedos. — Bem, o time está bom, mas sugiro que, ao invadirmos, façamos um feitiço de dispersão. É bem simples, usando luz. Eu mesmo posso fazer. Teremos que usar uma quantidade excedente de energia, uma explosão de luz, e boom, aniquilamos todos eles!

    — Vocês falam em matar com tanta facilidade… — comenta Halyna.

    — É só pensar que são demônios… — retruca Rasen, apoiado por uma risada do loiro. Halyna apenas olha para o quadro, para não ter que encarar nenhum dos dois.

    — O garoto é bom, hein, Romero. Onde encontrou ele?

    — Hm… Rasen foi um presente do destino. Mas, enfim, eu entendo você, Halyna. Assim como você, eu também matarei pela primeira vez, assim como Milk. Creio que Jarves e Kwawe também, mas é tudo em prol de um bem maior! Por mais hipócrita que soe, nossas ações farão sentido quando tudo estiver concluído! — afirma Romero.

    — Exatamente. E se animem, as pessoas que irão falecer serão uma mancha pequena. Esse império, com a omissão da Ordem, já exterminou tantos, não? — indaga o loiro, com uma certeza dúbia de estar no caminho certo. Mas será que somos mesmo os corretos? O mundo realmente não tem futuro? Não há salvação? A esperança é uma mentira?

    “Se animem?”

    Pensa Halyna, quase rindo da expressão dele.

    — Somos o menos pior, em outras palavras! — pondera Milk. Ele então fita Halyna. — Mas, enfim, temos que tirar isso do papel. Já que eu, Romero, Kwawe e Alexander gastaremos muita energia no processo, você, Jarves e Antônio terão que ser os mais participativos no massacre! E, além disso, um dos três terá que expandir energia quando a explosão ocorrer. O que me dizem?

    Suas unhas, longas e feitas em um vermelho intenso, arranham a poltrona com fervor. Ele mascara tudo com suas palavras, cheias de certeza.

    — Posso expandir. Sinceramente, não há restrições ou ativações que sejam perigosas o suficiente para vocês, e minha quantidade de energia é bem alta! — responde Antônio, recebendo os olhares de todos ao seu redor. Diferente da noite em que foi recrutado, ele é agora um homem sóbrio, de costas baixas, desanimado com o mundo que o trouxe até ali.

    — Não! Deixe-me expandir. Por mais egoísta que seja, não quero ter tantas vidas em minhas mãos! — indaga Halyna, o interrompendo. — Minha expansão não é perigosa de imediato… — completa, encarando Romero, esperando que ele aceite.

    — Certo, certo! Halyna cuidará da expansão, e Jarves e Antônio cuidarão da maioria dos presentes no prédio. Todos de acordo? — diz, sua voz alta o suficiente para ressoar, com o coração batendo como um tambor. Talvez a certeza o consuma.

    Ninguém responde com palavras; todos assentem com olhares ou com a cabeça. A confirmação que Romero quer está ali: todos estão imersos naquela missão. Seus seis cavaleiros, um a mais ou menos, então, Rasen se levanta, encarando seu amigo.

    — Bem, já que está tudo certo, irei me retirar! — diz ele, com certa pressa, recebendo os olhares de confirmação de Romero, e sai imediatamente do apartamento.

    — Se quiserem ir, se preparem. Ou se quiserem ficar, se acomodem! — diz Romero, caminhando até a poltrona e se sentando. — Vou pensar um pouco… — logo, as mãos de Milk vão a seus ombros, massageando-os. Encostando a mão sobre a lareira, ele olha para seu braço perdido, contemplando-o, um fantasma de suas escolhas, com a certeza de que não será o único.

    — Bem, eu fico por aqui! — diz Antônio, se levantando.

    — É, eu também! Não tenho por que voltar — Jarves aproveita o gancho, o acompanhando, — Podemos treinar e tramar como agiremos juntos, o que acha?

    — Certo, é bom… e eu também posso ficar longe da bebida… se é que me entende! — ele bate o ombro, de lado, em seu peito, surpreendendo o jovem, dando um suspiro.

    — E-entendo… — responde, praticamente engasgando, enquanto o homem solta uma risada.

    — Já eu, vou curtir mais um dia na praia. Mesmo que esteja nublado ou chovendo, aproveitarei minhas férias! — A animação não sai da face do loiro, que, com um movimento rápido, visualiza a escadaria de onde Rasen sai, batendo a porta do prédio.

    Quando sai, ele encara os céus. Nuvens pesadas o cobrem, prenunciando a chuva que não havia caído nos dias anteriores. Os pingos de chuva começam a cair, e quase não há pessoas nas ruas. Poucos carros passam, tornando aquele um dia nada agitado.

    “Será que dias assim terão fim?”

    Pensa, enquanto toma à esquerda na calçada, traçando um caminho misterioso e sombrio.

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