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    Próximo dali, ainda no distrito de katakana, Masaru e Gabriel avançam juntos por uma via sombria, após receberem um chamado de seus superiores, onde policiais, com expressões carrancudas, cedem espaço aos exorcistas após uma exaustiva jornada de seis horas na perícia do local. A cena é macabra: o local está imerso em sangue, com três corpos estirados à vista.

    O crime foi relatado na madrugada, justo naquela região tão tranquila, onde os casos sobrenaturais são mínimos e os criminais ainda menores.

    Uma jovem está à frente, seu pescoço brutalmente arrancado, com os filamentos de carne despedaçados. Sua cabeça repousa alguns metros adiante, num grotesco beijo com o chão sujo, tingido de vermelho, assim como seus cabelos. Ela parece ter partido em meio a um terror profundo, uma expressão de choque ainda estampada em seu rosto mesmo na morte.

    — Meu Deus… que horror! — murmura Masaru, lançando um olhar para trás antes de soltar um suspiro. O cheiro é tão ruim que faz suas narinas arderem. — Não há presença de energia negativa… apenas espiritual… é estranho, não acha?

    — Sim, e… — responde Gabriel, com uma expressão de espanto, enquanto abaixa-se para tocar o sangue, sentindo a textura pegajosa grudar em seus dedos. Está quente como chá recém-fervido. — O calor deixado pela energia expelida é impressionante… ou o assassino é inexperiente, ou seus ataques são brutais! — comenta.

    — Eram três exorcistas de grau três… pelo estado dos corpos e da cena, o responsável teria que ser pelo menos um grau cinco! O que descarta ele ser um amador… — constata Masaru, aproximando-se do corpo mais distante, um jovem de pele negra, com a cabeça baixa recostada à parede à esquerda. Há uma brecha que cria uma fenda em seu corpo, ele foi praticamente partido ao meio. Mas não há entranhas, apenas sangue e pedaços de carne indistintos. — Esse tipo de dano não parece ser causado por um feitiço de transformação ou por feitiços comuns, como bolas de fogo ou jatos de água… — Com um empurrão, ele verifica que o concreto da parede atrás do corpo está intacto e frio. Sua mão atravessa o buraco, encharcada pelo sangue do rapaz, enquanto Masaru tenta segurar a respiração.

    — O mesmo vale para a garota. Um feitiço capaz de arrancar uma cabeça deixaria rastros visíveis. Teria que atravessar com velocidade e força suficientes para deixar o impacto de seu freio! — observa Gabriel, olhando para o fundo do beco, onde há apenas sacos de lixo, sem sinais dos danos de um embate.

    — Estranho… — murmura Masaru, limpando as manchas de sangue em suas vestes brancas sob o sobretudo. Olha para o lado oposto, onde o corpo mais afetado permanece: restam apenas a cintura para baixo e uma parede manchada com sangue e fragmentos.

    — Certeza que é um iluminado…

    — É… o único assassino de aluguel capaz de matar um exorcista desse nível era o Hideki, e a ordem mandou eliminar ele…não foi? — comenta, e então, olha para Gabriel.

    — Se foi um iluminado, então eu estava certo de que matar seria uma de suas opções, mas por quê? Esses jovens eram exorcistas, inocentes… isso não tem nada a ver com o conselho…

    — Que foi? Isso te afeta tanto assim?

    — não entra na minha cabeça! — desabafa Gabriel, pegando o smartphone do bolso. Com relutância, encara a tela com pesar e, após alguns cliques, deixa na aba do contato de Romero. — Será que ligo?

    — Liga ué… se já pegou o smartphone todo ansioso mesmo, mete bala cabeça de ovo! Só… vamos sair desse lugar? Tá fedendo para caramba! — diz Masaru, afastando-se dali. Quando chega à saída do beco, quase vomita diante de uma multidão curiosa. — Que caralho! Sumam daqui suas hienas! — berra, dispersando a multidão enquanto os oficiais, encostados em seus carros, os encaram irritados.

    Gabriel sai do beco com o smartphone na orelha em seguida, mas logo o guarda, chateado.

    — Nada…

    — Ele deve ter explodido o smartphone. Agora que é considerado um terrorista, não deve querer ser localizado! — Masaru ergue o braço direito em direção aos policiais, fazendo um sinal de arma com os dedos. — Bang!

    Isso faz os oficiais recuarem dos veículos, alguns até sacando suas armas. Masaru ri, mesmo após presenciar aquele caos.

    — Maldito! Desgraçado! — gritam os oficiais.

    — He! He! — Masaru então fita Gabriel de lado, percebendo que está sério, como se nem estivesse ali. — Pensando demais, cara? — provoca.

    — Estava pensando como alguém tão sábio pode cair em um abismo desse… não só o Romero, os líderes… às vezes penso, será a loucura que nos guia é a tal razão que me falta? — desabafa Gabriel, olhando fugazmente para os céus nublados. Ele ousa se questionar: “Será que sou o errado? Merda… ser celeste… o que isso significa? Me sinto mais ignorante do que nunca!”

    — Sábios, heróis… não existem, Gabriel! Somente humanos. Sabe uma das coisas que gosto de ti, cara?

    Enquanto conversam, os policiais se acalmam, cochichando entre si sobre os dois; talvez falem mal, e com razão, de Masaru.

    — O quê? — Gabriel se vira para o rapaz, que está com a cara de sempre.

    — Você é inocente! Mesmo sendo tão velho! É… você é um velhinho fofo! — provoca, e Gabriel não tem mais cabelos para perder com ele. Suspendendo os dizeres, que como pontas de flechas, são disparados pelo rapaz, ele leva o braço até o ombro de Masaru.

    — Não muda cara! — ele diz, deixando uma cesta leveza o golpear.

    — Não era você que disse…

    — Só não mude, Masaru. Eu não vou poder rir mais se você amadurecer… — diz Gabriel, caminhando até o carro estacionado atrás dos veículos policiais. Colocando as mãos no sobretudo, sua feição feliz se transforma a cada passo em preocupação. — Vamos?

    — Vamos! Mas… Ehr… antes a gente podia fazer um lanche? Não? Estou morrendo de fome! — diz Masaru, andando apressadamente até o carro, logo atrás.

    — Lanchar? Ah, tá… Mas nada de ficar matando tempo, hein! Te coloquei como meu parceiro para trabalhar, Masaru! — fala Gabriel, entrando no carro com um suspiro. — Hoje, ainda tenho uma reunião com o governador, o tempo está corrido! — Ele então coloca as mãos no volante, olhando adiante, enquanto os oficiais entram no beco novamente. Agora, eles podem continuar seu trabalho.

    — Fechou, senhor ocupado! — ele dizia, como se a palavra “trabalhar” fosse uma tortura. E era, para Masaru, um amante da adrenalina, aquela que o fez ser quem é e o manteve nos “trilhos” na medida do possível, mas até quando?

    Quando entra, Masaru se joga no banco de trás e segura firme no banco do amigo. Aquela era a cruz que Gabriel agora teria que carregar…

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