Capítulo 102 - Ciclo da Morte
Ciclos… A vida humana é repleta deles, mas onde se encaixa o ciclo da morte? Não, a morte inevitável da velhice, mas a consequência de viver em um mundo caótico.
Esse ciclo seria destino ou maldição?
Essa é a questão que atormenta Alexander até mesmo após seu último suspiro. Ele que passou a vida inteira tentando escapar desse mundo, onde a morte espreita a cada passo, como uma sombra.
Estava mais uma vez, naquele lugar, despertando em meio à biblioteca da mansão que um dia fora seu lar.
Lentamente, o som das risadas de duas garotinhas preenche o ambiente. Elas correm para outro cômodo, os olhos azuis refletindo a doçura da juventude e os cabelos loiros à luz como os de Alexander. A mais velha, com cerca de dois anos de diferença, lidera a corrida, fazendo a menor correr o mais rápido possível atrás dela.
Aquele cenário tinha um sabor e um cheiro distintos… Para ele, era como um reflexo das lembranças que tentou desesperadamente preservar no fundo do coração. E diante da morte, essas memórias se manifestavam como o surgimento das águas.
— Lena… Kira… — murmura, observando as garotinhas com um olhar distante, como se elas fossem apenas memórias de um passado longínquo.
Mas…
— Lena… eu me lembro de quando escolhi esse nome para ela, eu vibrei… — fala, a voz feminina carregada de nostalgia, uma terceira figura que entra em cena, mas interage com ele.
É uma mulher adulta, com cabelos castanhos-claros que descem até a cintura, vestindo um vestido azul que acentua suas curvas. Seus olhos são verdes e profundos, uma expressão de ternura.
— O nome da sua mãe… — Alexander interrompe, fixando seu olhar na mulher com intensidade. Suas mãos começam a tremer e seu coração acelera com emoção. — Greta… meu amor! — ele suspira, o peso das lembranças e sentimentos à flor da pele, enquanto a presença dela se mistura com a dor e o amor que definiram sua vida.
— Alexander, então você encontrou finalmente a paz? — pergunta, sua voz suave.
— Ah, sim… eu… aceitei que não posso quebrar o ciclo da morte. Depois de tantos anos sofrendo pela perda de vocês, eu… não percebi que me joguei em um abismo ainda mais profundo. Todos morreram, e por quê? — Ele dá um passo à frente, colocando suas mãos sobre as dela. — Só queria ter aproveitado mais você, nossas filhas… Eu… você me perdoa?
Ela se preparava para se ajoelhar, mas o encarou com o olhar de um anjo.
— Desculpar? Pelo quê? — riu. Enquanto ele se emocionava, ela o beijou com intensidade, uma chama de calor e amor que parecia arrancar a dor de seu coração. — Eu… fico feliz por te ver. E mesmo que isso seja apenas uma pequena fração de mim, estou feliz por poder esperar por você até que possamos estar juntos novamente.
— É… se eu não tivesse cometido tantos erros… — sussurra, a voz carregada de arrependimento e anseio, enquanto o beijo e a presença dela preenchem o vazio de sua alma.
— Errar é o que fazemos de melhor como humanos, amor. E você foi até o fim acreditando que estava fazendo tudo por nós, não foi? — pergunta, sua voz imbuída de ternura.
— Foi, mas… falhei também. Julguei que estava certo, mesmo quando as chamas pareciam me consumir! — Ri dramaticamente, mas não há mais lamentos a fazer. — Paz… é fácil de falar, difícil de alcançar… mas deveria tê-la buscado! — Ele a beija, sentindo a suavidade de seus lábios, como se ainda pudesse sentir seu abraço e calor.
Os dois ofegam enquanto se afastam, os lábios finalmente desvinculados.
— A paz é um caminho para todas as almas. O que importa é que você amou tanto quanto odiou. Na verdade, amou mais! — Greta sorri de orelha a orelha, sua mão agora tocando o peito dele. — Nossas garotinhas estão tão belas… meu amor, elas já são mulheres… e estão apenas esperando por você!
— Sério? Ehr… como é o paraíso?
— É a vida… que deveríamos ter vivido aqui, amor. É a vida!
— Vida… mesmo após a morte? — Alexander pergunta, a voz trêmula com uma mistura de esperança e talvez dúvida de que fosse uma alucinação.
— Sim, onde você não precisa buscar vingança, onde a fome não existe, e o ouro não tem o valor da vida. É um lugar onde você pode viver dia após dia, sem a pressão das preocupações mundanas, e se dedicar exclusivamente à sua iluminação interior! — Nesse instante, ele sente como se o mundo ao seu redor se dissipasse, fazendo com que todas as suas angústias e dilemas se dissolvessem no vazio, deixando apenas a promessa de uma paz eterna e verdadeira.
Por que ele vive assim, desconfiado, acreditando que o ciclo da morte nunca acabaria?
Essa pergunta, cheia de ambiguidades.
Ele sempre viveu em busca de vingança e de uma paz que parecia ilusória. Desde que sua família foi cruelmente assassinada por seu antigo chefe, Alexander se viu imerso em um mundo de trevas.
Durante a primeira vida, fez parte de uma máfia especializada em roubos de carros de luxo. Por anos, desfrutou do melhor que a vida oferecia, mas esse luxo se mostrou efêmero, como um disparo de arma em meio a um caos interminável.
Ela não poderia continuar daquela maneira.
E após acumular uma dívida milionária, a máfia selou seu destino e executou-o junto aos outros, entregando-o à morte. No entanto, a morte não foi o fim. Alexander reviveu e, três anos depois, concretizou a vingança que o consumia, ceifando mais de cinquenta vidas.
Após isso, ele vaga sem rumo, percorrendo os cantos sombrios de Nova Tóquio, enquanto o gosto do prato frio e amargo persiste em sua boca.
Foi então que conheceu a ordem, por meio de um convite de Kyotaka, que na época era apenas um membro do conselho dos Nove, sem o prestígio de um verdadeiro líder. Vê uma nova esperança na ordem, uma oportunidade de redenção.
Após mais três anos de sua vida de ressuscitado, ele se formou na academia dos exorcistas e ascendeu ao posto de professor, destacando-se por sua genialidade.
No entanto, apesar de seu sucesso e do status conquistado, nunca conseguiu se distanciar da morte, que continuou a segui-lo como uma sombra constante, lembrando-o de que, mesmo em meio ao triunfo, a escuridão ainda é uma parte indissociável de sua existência e deste mundo.
Ele viu, por cada dia que se passava, colegas, alunos e amigos caindo em um mundo imerso em caos, sejam exorcistas ou não. Alexander observou a fragilidade da existência humana e reconheceu a força cósmica e inevitável do ciclo de vida e morte.
Por mais que tentasse lutar contra isso, o ciclo pareceu implacável e eterno.
Mas isso mudou… Quando surgiu uma possibilidade perturbadora no instante em que combatia Masaru, e se confirmou aqui.
Talvez morrer seja a única maneira de interromper esse ciclo interminável. A única forma de encontrar paz é através da própria extinção, um paradoxo doloroso em busca de uma resolução final!
Certa ou não, essa foi a verdade que ele encontrou, no final de tudo…
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