Capítulo 109 - A Reunião do Conselho dos Nove, Parte I
Enquanto ele se afunda no sentimento de perda, Amai permanece no corredor, do lado de fora da sala no último andar do Domus Dei, a imponente fortaleza onde aguarda seu pai, convocado para uma reunião urgente há quase uma hora.
O ambiente ao redor é frio e estéril, com paredes maciças que parecem absorver qualquer som, intensificando a sensação de isolamento. Ela está inquieta, seus pensamentos oscilando entre a preocupação com o que estava sendo discutido e a crescente frustração por ser mantida à espera.
A tensão a envolve como uma névoa, seus olhos ocasionalmente se fixando na tela do celular. Ela suspira, revisitando a última mensagem que Yamasaki lhe enviou.
“Vou dormir mais uma hora… falamos depois…”, dizia, acompanhada por um emoji sorridente.
Amai aperta o telefone com força, sua frustração transbordando em um murmúrio entre dentes.
“Nem para esse idiota estar online para me responder!”
Irritada, ela sente a raiva crescer dentro de si enquanto encara a porta com ódio.
Mas por que, afinal, está ali?
Ela sabe a resposta, mas isso não torna as coisas mais fáceis. Como representante escolhida por seu avô, é seu dever comparecer, ao menos, às reuniões urgentes até que assuma oficialmente como líder interina de seu clã.
Ainda assim, a atmosfera dentro daquela sala é mais sufocante do que o peso das responsabilidades que carrega.
Há algo perturbador na reunião.
Duas das nove cadeiras permanecem vazias, com suas placas de identificação ausentes de seus donos: Alekseeva e Nasiri. Os sobrenomes dos líderes cujas presenças não são apenas esperadas, mas necessárias.
No entanto, por razões envoltas em mistério, nenhum dos dois pode estar ali. Pelo menos um deles, todos sabem com certeza, que nunca mais se sentará naquela mesa.
Yelena Alekseeva está morta, e sua ausência paira sobre a reunião como um presságio sombrio.
Algo grandioso havia despertado.
Seiji, com uma expressão neutra, aproxima-se da cadeira que Yelena costumava ocupar e se senta ao lado. Enquanto desliza a mão pela superfície fria, como se pudesse sentir os últimos vestígios de sua presença.
— Então, a ruiva foi morta!
Sua voz corta o silêncio da sala como uma lâmina afiada, sem se dirigir a ninguém em particular.
— Não era fã da pirralha, mas… lamento o fato! — continua, com um tom mais seco, sem esconder completamente a sombra de respeito que sua voz carrega.
Diante da fala de Seiji, outro homem na sala suspira antes de falar, atraindo a atenção de todos. É um jovem negro, de postura imponente, com longos cabelos que caem até a cintura, adornados com delicados fios dourados entre as tranças.
Seu olhar é distante, como se estivesse rememorando a presença de Yelena.
— Uma jovem bonita, inteligente, brilhante… — diz ele, sua voz carregada de decepção. — E sem falar da sua técnica inata. Além do clã Shirasaki, ela possui uma habilidade sem igual! — completa, sua voz ganhando um tom de admiração velada.
No mesmo instante, seus olhos se encontram com os de Rimuru, que está ao seu lado. Ele, silencioso até então, bate os dedos contra a mesa em um ritmo constante, cada toque ecoando como um lembrete de que suas palavras estão prestes a ser ditas.
— Exatamente, Mahmoud. Não há dúvidas, enquanto a queima de arquivo, os demônios sabiam que Yelena era crucial, bem como minha filha, Amai, para nossa vitória em uma possível guerra… — ele então agarra os papéis que estão na altura de seu abdômen, sobre a mesa. — Mas… Por que justo no dia 36? Eles sabiam do ataque dos iluminados? Eu vejo uma conexão, que está além do óbvio aqui! Não acham? — ele os encara.
Coçando a barba, Seiji acena com a cabeça.
— De fato, há uma conexão, explícita ou não… Assim como a invasão à zona de contenção. Segundo o relatório de Krynt, Rasen invadiu e escapou com a ajuda de demônios! — suas palavras ressoam ao redor da mesa, cada uma carregando o peso de uma conspiração velada.
Então, todos se voltam para Moreau, que parece alheio à tensão na sala, distraído com algo completamente mundano.
— Hugo? — alguém chama, tentando recuperar a atenção dele. — Não vai fazer uma piada sequer, rapaz?
— Ah, ehr… com certeza… — responde Moreau distraído, sem erguer os olhos do que está fazendo.
Ele está concentrado em pintar um elefante com um lápis de colorir, algo que, naquele ambiente, parece tão deslocado que arranca risadas sutis de todos ao redor.
— Vida de pai… você se acostuma! — diz Rimuru, batendo no ombro de Moreau, com um meio sorriso que suaviza o clima por um momento.
Moreau chega a errar, pintando fora do desenho, mas ignora o erro com um suspiro.
No entanto, a leveza é breve, interrompida por Kyotaka, que tosse de maneira deliberada, trazendo todos de volta ao assunto urgente em questão.
O ar fica pesado novamente, à medida que as atenções se voltam para a gravidade do que está sendo discutido.
— Senhores… Creio que não está de fato entendido, mas… o Apocalipse está batendo à nossa porta! — começa ele, com a voz firme, cortando qualquer traço de descontração que resta na sala. — Enquanto o governo e o império que o rege nos pressionam, devemos entender que teremos que deixar a vaidade e a comodidade de lado. Sempre foi nosso dever servir, mesmo que o mundo esteja à beira do colapso! — Ele finaliza, deixando claro o peso da responsabilidade que todos ali carregam.
Todos acenam com a cabeça em sinal de concordância. Cada um deles, independentemente de sua posição na ordem, jurou no ritual de passagem entregar corpo e alma à causa. O compromisso que assumiram não é apenas uma formalidade, mas um pacto selado com a própria essência de ser um ressuscitado.
O silêncio que se segue é denso, pressionando o peito de cada um deles, até que é interrompido pelo som de um suspiro cínico escapando dos lábios de Seiji, que presidia as reuniões ao lado do líder.
— Isso significa que ser exorcista vai ser muito mais do que apenas sair em missões… Droga, justo na nossa vez! — O velho reclama, sua voz carregada de amargura, enquanto lança um olhar de desânimo aos jovens ao redor. — E então, jovens… não estão empolgados? Anos e anos de treinamento, esperando por este momento… e agora, finalmente, estamos aqui, à beira do fim do mundo!
A ironia em sua voz é inconfundível, mas por trás de suas palavras há uma verdade amarga que todos na sala precisam encarar: o peso de um destino que não podem evitar.
— Como se guerra fosse algo bom! — retruca Rimuru, a voz carregada de sarcasmo. — Quantos vão morrer? Droga… — Ele desvia imediatamente o olhar, fixando-o no teto como se buscasse respostas.
— Estou feliz! Sério, Shamo vive em guerra constante, então uma batalha definitiva, que pode trazer um novo mundo, não me parece… tão ruim assim! — murmura Mahmoud, quase como um desabafo. Vindo de Egiria, ele já testemunhou o pior que a humanidade tem a oferecer.
Guerras religiosas, territoriais, políticas… O continente árido é um campo de batalha incessante, palco dos conflitos mais brutais. Durante mais de 150 ciclos, as chamas da guerra nunca se apagaram, transformando a terra em um cenário de destruição e sofrimento constantes.
— Entendo os pontos de vista de vocês, as reações… e também a falta delas — diz, enquanto seu olhar percorre os que ainda não haviam se manifestado: Matteo Romano, um jovem de cabelos castanhos e olhos claros, azuis como as águas cristalinas de um rio profundo, e Javier Fernández, um homem na meia-idade, um brutamontes com mais de um metro e oitenta de altura, cabeça raspada e um bigode charmoso.
— Ah, Sr. Shibata… Além das afirmações animadas de meus colegas, não tenho muito o que dizer. Apenas sinto muito, por tudo! — responde Matteo, sua voz carregada de um misto de pesar e resignação. Ele desvia o olhar, encarando o chão como se estivesse pesando cada palavra que acabara de dizer.
Muito jovem, ele está em sua primeira reunião como líder, um cargo que assumiu há poucas semanas, mas já sente o peso das responsabilidades sobre seus ombros. Seu semblante está cansado, os olhos cercados por sombras que denunciam noites mal dormidas. Ele se senta rigidamente, os ombros tensos, como se carregasse o mundo nas costas.
Já Javier, por outro lado, exibe um sorriso de canto que mal esconde sua excitação. Ele se inclina para frente, os olhos brilhando de uma energia quase selvagem. Suas mãos estão cerradas em punhos, e ele bate uma delas contra a palma da outra, o som ecoando pela sala. — Guerra? Tô dentro! Heh! — resmunga ele, descarado, com um sorriso carregado de adrenalina, como se já estivesse se preparando para o combate.
Sua postura é completamente oposta, emanando uma confiança brutal que parece quase contagiante. Pois ele não sente o peso das palavras; para o grandão, a batalha é uma oportunidade, não um fardo.
Isso arranca uma risada de Kyotaka.
— Bem, como eu estava dizendo, independentemente disso, há um protocolo a ser seguido e uma lista de medidas a serem tomadas! — declara o líder, sua voz firme e carregada de autoridade. Ele inclina-se ligeiramente sobre a mesa, os olhos cravados nos papéis à sua frente, antes de pegá-los com um movimento decidido. — Por favor, Rimuru Shirasaki, poderia repassar isso aos demais membros? — Sua expressão é inabalável.
Rimuru, uma figura calma e sempre atenta, levanta-se. Ele recebe os papéis com um aceno leve de cabeça — A reunião está prestes a de fato começar.
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