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    A escuridão reinava soberana, seja, no fundo daquele abismo ou no alto dos céus. Hazan, com sua aura aumentando lentamente, adornando seu corpo em uma dança etérea, subiu, pisando fora da escadaria, encontrando-se sobre a tapeçaria acinzentada que formava o horizonte sombrio. Seus olhos estavam fixos em Rasen, que, do outro lado, retribuía o olhar, tendo acabado de pular a mureta de mais de três metros que cercava a escadaria.

    “Droga… graças àquele maldito blecaute de energia, minha aura está uma porcaria!” 

    Hazan pensava, tentando discernir o calor que emanava de seu corpo do calor sufocante da gaiola dimensional, mesmo que fossem tão diferentes.

    “Para piorar… minha mente está uma merda! Minha cabeça dói… terei que me virar com uma única mão!”

    Seus passos eram sutis, como um predador deslizando na palma da mão do inimigo. Rasen, com seu vasto arsenal à disposição, parecia invencível, mas algo fazia Hazan acreditar que o Messias não conseguiria dar-lhe um xeque-mate. Sua aura, embora tênue, fluía como uma centelha de chamas prestes a se apagar. A insanidade desenfreada provocava uma agitação perigosa para qualquer exorcista; após o golpe quase fatal, estava claro que nunca mais ele seria são.

    Os dois mentiram para si a vida inteira, mas ali, um embate de mentirosos decidiria quem poderia rever a luz da aurora em seu rosto. Aquele que fugiu de seu passado o via diante de seus olhos, na figura de quem foi seu único confidente. E o pecador que se dizia livre do pecado pecava para manter-se livre.

    Eles se movem, reduzindo a distância entre si. Rasen, com suas feridas fechadas pela luz que emanava, às vezes era arranhado pela própria energia descontrolada. Seu olho comprometido e suas vestes reduzidas a trapos presos ao corpo. Os destroços metálicos dos carros, outrora entrelaçados em seu ser, agora caíam aos seus pés, ressoando no silêncio que os envolvia.

    Por um momento, a luta permaneceu equilibrada, mas algo fez o exorcista hesitar.

    — Papai?

    Chamou uma voz doce como uma bala, à direita, atraindo sua atenção. 

    — M-mia!?

    Aquele perfume doce, como flores, invadiu suas narinas enquanto seus olhos testemunharam o vermelho do sangue tingindo o branco de sua mente.

    E então, sem ouvir os passos inimigos, ele sentiu um soco no estômago. Sua carne parecia se contorcer diante do golpe, mas algo faltava — peso, concentração…

    — Esse era seu nome? — quase gritou Rasen, seus lábios babando com adrenalina, uma alegria genuína ou fingida espalhada por seu rosto, enquanto Hazan mal tinha tempo para sentir a dor. — Você vai acabar falecendo pelos seus fantasmas, irmão! — ele zombava, sua técnica ativa sendo uma odisseia pelos traumas de seu adversário, forçando-o a revisitar cada momento doloroso. Assim é a espiral de nossos sentimentos, que inevitavelmente nos golpeia no momento mais inesperado.

    — M-mal… dito!

    Hazan se jogou para trás com o impacto, seus pés descalços raspando no piso, um, dois passos cambaleantes, percebendo que Rasen vinha com tudo.

    — D-disrumpe! — entoou, tentando acertar seu desejo ardente de derrotar seu antigo amigo, aquele que o confidenciou tudo. — Curvas… curvas… nossos medos nos definem! Uma hora ou outra, eles se entrelaçam e alcançam o tolo! — Hazan se agachou no mesmo instante, com o braço do Messias passando acima de sua cabeça, desviando das ondas destrutivas da espiral. Aproveitando a brecha, ele agarrou o chão com uma única mão, impulsionando seu corpo para cima e desferindo um chute certeiro no peito de Rasen.

    Ele cambaleou para trás, enquanto Hazan sentia seu abdômen queimar, mas logo se ergueu, demonstrando resistência e resiliência. Ele viu o fantasma daquela garotinha à esquerda de Rasen, com a imagem de sua cabeça estourada pela bala.

    As condições da batalha não eram favoráveis.

    Por um triz, ele moveu a cabeça, escapando por pouco de um Disrumpe enquanto quem lançava estava caído no chão; suas habilidades físicas superiores às dele o mantinham vivo.

    “Merda! Isso aqui é o próprio inferno!”

    — Já está fraco? 

    — He! He! 

    — Os fantasmas do seu passado estão te perseguindo? 

    Rasen também se ergueu, observando a escadaria às suas costas, a apenas centímetros de distância.

    — Vai se ferrar! Eu nunca odiei tanto alguém como odeio você! — ele disse, encarando Hazan.

    O maldito apenas riu. Era um maestro do caos, uma figura que até aquele momento havia restringido o confronto à sua própria ignorância, um gênio distorcido.

    Mas a realidade estava clara: de alguma forma, a técnica inata de Rasen afetava a mente de Hazan, uma condição ativa, já que o cérebro de um exorcista não consegue processar e executar eventos simultaneamente; requer uma pausa mínima de 0,1 milissegundos.

    “É agora… preciso limitar esse embate! Eu posso vencer!”

    Pensando isso, ele se lança em direção a Rasen, que aperta os lábios. Ele não poderia pensar demais, ou seria contornado pelas perspicácias do messias, que, sentindo a falta de medo do homem, cruza os dedos, determinado a encerrar aquilo antes que ele se recupere totalmente do blecaute de energia.

    Mesmo brincando com sua mente, aquele ato inconsequente era como uma espada no coração de Rasen, que via sua vida por um fio a cada instante. 

    — Última Veritas! — determina como um grito, ativando seu feitiço divino, canalizando toda a energia do domínio em si, desencadeando uma poderosa explosão de luz que faz o exorcista parar instantaneamente. Hazan é forçado a tapar o rosto com os braços, e a ventania parece o impacto de uma bomba.

    — Hahahahaha!

    Sua risada ecoa enquanto ele abre os braços. Lentamente, a escadaria se transforma em uma espiral de luz intensa que se propaga por todo o domínio, desprendendo-se do abismo, flutuando e movendo-se como ondas do mar. O caminho em direção ao abismo levava à iluminação, que estaria eterna até que o último momento chegasse.

    “Só mais um pouco…”

    Refletia enquanto a luz revelava e consumia todos os seus pesadelos: o momento em que viu o tiro explodir na cabeça da garotinha, sua filha, e depois uma mulher que também pesava profundamente em seu coração. Lembrava-se de seus companheiros morrendo todas às vezes que hesitou nos primeiros momentos como um exorcista formado, e do homem que Rasen havia matado. Hazan é alguém cercado pelas almas daqueles que já se foram, o que lhe concedia mais um instante de vida, necessário para alcançar a liberdade, para viver.

    — Punctum expansionis internae: simulatio interna corporis!

    Revertendo a situação, sua energia se expande enquanto a do iluminado se retrai, em uma colisão entre um domínio que se abre e outro que se encerra. Em apenas dois instantes únicos, a energia espiritual vai de 0 a 100 em menos de milissegundos. Foi uma aposta arriscada, causando a total entropia dos feitiços e finalmente encerrando aquele domínio inato. Este evento fora do comum não apenas evitou o sacrifício de energia vital na disputa, mas também zerou a energia por um tempo muito mais prolongado.

    — O quê? Não acredito! Você é mesmo um teimoso! Uma barata… — Quando disse isso, sentiu o golpe em seu rosto, incapaz de prever, pois as auras de ambos estavam exauridas.

    Hazan havia decretado seu xeque-mate?

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