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    Na manhã do dia 35, um dia antes do grande evento, em meio ao caos que havia sido a noite anterior, a manhã chega, trazendo luz às terras de Crea. A penumbra da morte havia coberto cada rua estreita e cada coração inquieto. Agora, aquela rua onde a tragédia se desenrolou estava imersa em cinzas de asfalto, calçada e edifícios danificados. Vidros quebrados, concreto cedendo, esfarelando, rachado pelos caóticos feitiços. A rua estava fechada e dois exorcistas estão ali para investigar, após mais um chamado da polícia local.

    — Outro… — reclama Masaru, olhando para o corpo morto de Hazan. Já passaram horas, seus olhos presos ao choque do momento em que ele pereceu. Hazan está sujo de fragmentos de asfalto, sangue escorrendo pelos lábios e garganta dilacerada. Sua pele é pálida, veias visíveis por todo o corpo moribundo. — Dessa vez, a traqueia foi arrancada. Não parece ter sido por feitiço; parece mais… tivesse sido rasgada por um animal? Mas como? Uma técnica inata? — ele olha para Gabriel, que está com as mãos trêmulas.

    — Gabriel?

    Seus olhos estão fixos no corpo, angustiados. Ele viu a morte tantas vezes, mas sempre a encontra surpreendente.

    — Não pode ser um animal… deve ter sido humano… nenhum dos desertores tem técnicas inatas desse tipo registradas… — ele murmura, agachando-se, pesando em seu coração. Seus dedos tocam os lábios do rapaz morto.

    Um flashback vem à mente dele, rápido como um piscar de olhos, lembrando do dia em que passou o manto para o rapaz, no ritual de passagem. A memória é vívida: Hazan, olhos brilhantes, coração cheio de esperança, recebendo o manto com um sorriso determinado. E agora, Masaru está ali, diante de seu corpo sem vida, para dizer suas últimas palavras, ou talvez nem isso.

    — Ah, Hazan, ele era um ótimo exorcista. Tinha recentemente superado as dores do passado e estava tentando ser alguém melhor… era um sonhador… por quê? Por que Romero faria isso? — Sua voz carrega tristeza e dúvida.

    — Às vezes não é nenhum deles… você disse que ele fazia parte de uma antiga equipe de exorcistas com Rasen, certo? Não consigo acreditar que eles o tenham eliminado, mesmo os jovens. Pode ser alguém se passando por eles ou aproveitando esse caos todo, o que acha?

    — Pode ser… mas quem? — Gabriel olha Masaru de lado, suspirando profundamente. — A Ordem terá que culpar alguém… o governo, as pessoas… eles terão que fazer isso, mas você está certo, não pode ser alguém do grupo de Romero. Eles querem envenenar o povo com discursos, não os assustar! — ele se levanta, sentindo um arrepio. Aquele lugar parecia sujo, mesmo num mundo já sujo, mas mais sujo do que o habitual.

    Uma lágrima escorre pela feição carrancuda, pela personalidade tão serena, profunda como seus sentimentos.

    — Sinceramente, não sei se as pessoas vão culpar alguém… talvez podem até agradecer. Quatro exorcistas mortos, independentemente de serem boas pessoas ou não, eram exorcistas! O ódio é o pior presente da ignorância! — Masaru segura o ombro de Gabriel e, finalmente, solta um sorriso que alivia a tensão. — Me sinto como um detetive de filme… investigando casos, como a polícia. Droga, não sabia que ser um celeste seria tão chato assim! — ele desabafa.

    — Não brinque agora… — Gabriel responde, sua decepção e pesar ainda visíveis em seu olhar. — Você pode não ter conhecido bem ele… mas eu sim. Era uma pessoa incrível, um exorcista brilhante. Se alguém pode eliminar um exorcista como ele, não duvido que possa abalar muito este mundo! — ele olha para Masaru.

    — Entendi… Desculpe!

    — Tudo bem — ele respondeu, secando-a com o braço esquerdo e soltando um suspiro.

    — O que faremos? Iremos…

    — É nosso dever parar o trem em movimento, mesmo que ele só pare quando falecermos. Se ele está nessa situação, é porque lutou bravamente até aqui! — ele interrompe, virando-se, percebendo algo na escuridão o observando, algo que, por um instante, parece a própria morte, envolta em seu capuz preto e segurando uma foice. Mas ao olhar para o beco, vê apenas um corvo bicando perto dos sacos de lixo pretos. — Esse cara deve ser um habilidoso praticante das artes espirituais! — ele decide.

    — Mas a questão é, quem? Não há testemunhas, as câmeras foram destruídas durante o confronto e não resta nada no corpo dele para analisar, nem um fragmento de sangue que não seja dele. Mas ele já cometeu outro crime, não acha? — Masaru deduz, percebendo o olhar curioso de Gabriel para o braço direito de Hazan, onde o sangue de Rasen ainda mancha.

    — Esquece…

    — Isso não prova nada, mas pelo menos podemos ter um nome, isso já é alguma coisa! — ele tira uma cotonete do bolso, uma sacola transparente nas mãos, raspando um pouco no punho de Hazan, manchando rapidamente o algodão e colocando-o na sacola. — Agora, laboratório, pedidos para inserir no banco de dados público e privado, vamos ver se a magia acontece! — ele sugere.

    — Ainda trabalhando para o governo?

    — Sim, sou. O governador… só me deu uma cartilha sobre como agir, nada de mais! — ele resmungou, guardando a sacola no bolso e olhando para Masaru, visivelmente ansioso para dizer algo. — O que foi?

    — Quer… — ele ri, — Sair para beber? Você não parece bem, não parecia ontem e menos ainda agora…

    — Beber? Não! Estou agitado, abalado, mas não temos tempo!

    — Aqui vamos nós de novo… temos todo o tempo do mundo! — ele diz, com um olhar confiante.

    — Não sei, mas sinto uma urgência me atingindo a cada momento em que me sinto perdido, sem rumo!

    — Hum… um exorcismo rápido, então?

    — Não! A última vez que tentamos isso… não, não até recebermos outra ordem! — ele responde, firme, nunca mais permitiria ou cogitaria ceder a Masaru.

    — Certo… certo! Vamos à investigação, detetives do sobrenatural! — ele zomba, perdendo o momento enquanto caminha ao lado de Masaru, ouvindo a porta do carro se abrir. Ele é a personificação da urgência e responsabilidade, um contraste com o exorcista brincalhão que o segue, com a mão enfiada no bolso.

    — Vamos logo? Palhaço…

    — Folgado! — Masaru responde, entrando no carro e soltando um suspiro pesado. — Que as velas deste navio sejam agitadas, oh, Elum! — ele murmura, desejando o caos como resultado de sua ignorância. Mas mal sabia que mais tarde viria um caos tão avassalador quanto a visita do rei demônio à humanidade… O futuro se desenrolava como as cinzas que viriam do incêndio, uma calamidade iminente e inevitável.

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