Capítulo 67 - O Dia Tão Esperado
— Droga… — reclama Arthur, já passando das nove da noite. Seu relógio é como uma maldição, e à sua frente, Yelena sorri abatida, terminando de fechar sua mala.
Está de costas para a porta, a casa já está arrumada, diferente de quando a garota chegou. Ela balança sua vida sempre que o visita, e desta vez não foi diferente. Na esperança de que ele sempre esteja melhor do que quando veio, ela se empenha. A admirava, apaixonado, enquanto a garota vestia uma blusa de frio que ia até o abdômen, calça de moletom e uma touca, tudo preto. Ele, por outro lado, estava apenas de bermuda.
— Passa tão rápido! — diz, levantando-se após se agachar para arrumar. Ela encara Arthur, e seus olhos azuis parecem refletir sua alma. — Vou sentir sua falta, meu loirinho… mais sete dias resolvendo problemas da minha família, e eu estarei de volta para ficar! — continua, os dois sendo confidentes um do outro, unidos por uma cumplicidade.
— Sete dias… — ele resmunga, se aproximando e colocando as mãos sobre os ombros dela. — Vou evitar ter tempo livre para não sentir sua falta toda vez que me deitar na cama… — confessa, rindo, com o rosto corado.
— Bobinho! — ela lhe dá um beijo. Suas bocas ofegam após o encontro dos lábios. — Não morre, por favor… quero você vivo, então, não se arrisca demais, certo? — O rapaz suspira em resposta ao apelo sincero dela.
Perdas… Yelena já teve muitas, sendo a última de sua família. Ela fecha os olhos por um momento, sentindo o peso das lembranças.
— Eu? Não… você está falando com um dos melhores… — ele tenta convencê-la, brincando, mas recebe um olhar desconfiado da garota, que acaba de abrir os olhos.
— Isso não é desculpa… estou falando sério! Se você valoriza sua vida… nós dois! Então não vá até o limite! — continua Yelena, agora com um tom mais sério e determinado.
— Não ir até o limite? Ah… um herói não conhece essa palavra! — ele recebe uma cotovelada em resposta, rindo enquanto ela faz uma feição emburrada. — Amor… não dá para ir tão longe assim… quer dizer… não quero salvar cada gato em cada canto do mundo, mas… salvarei todos que puder! Os que estiverem ao alcance das minhas mãos! — A cada palavra, ele parece cada vez mais animado, e então desemboca em uma risada.
— Idiota… você não mudou, só está sendo gentil, Arthur Lewys. Só me jure que não vai morrer! Afinal, só tenho você…
— Não vou… — diz, determinado apesar de tudo. — E-eu digo o mesmo, Yelena, só tenho você! — diz, segurando a alça da mala dela.
— C-certo!
— Hm… Tem certeza de que não quer que eu vá com você? — Pergunta, segurando firmemente a mala da garota, sentindo a saudade mesmo antes dela partir.
— Não precisa, amor! É que… será pior entrar naquele avião se você estiver a poucos metros de mim!
— Isso não faz sentido, eu vou estar a poucos metros quando subir no carro! — Insiste em acompanhá-la.
— O amor não faz sentido! — ela responde, e então, como despedida, suas unhas percorrem seu corpo, deixando marcas. — Quando eu voltar, quero o que é meu! E claro, você cuidando de si! — diz, atrevida.
— E terá… chatinha… — resmunga, vendo a porta fechar. Em um flash, ela passa, pegando a mala de suas mãos, e com um sorriso travesso, vence aquele obstáculo. Virando-se para a porta, lá está do outro lado, encarando o carro, sua mão vazia, enquanto Arthur fica com a visão do vazio. Dois corações tristes, pulsando de saudade.
“Sete dias… Yelena!”
Pensa adiante, olhando para trás nervosamente. Sem rumo, sobe no carro, suspira, coloca a mão no volante e encara o horizonte. Só então lembra de seu destino quando vê o GPS, apontando para o Aeroporto próximo à Nova Tóquio.
“Sete dias… e minha vida deixa de ser esse vai e vem… pai, por que você se foi tão cedo? Eu ainda… sou só uma garotinha…”
Lamenta, e então se nega a olhar para a casa uma última vez e dá partida, enquanto Arthur aperta os punhos. Encarando seus pés, ele se enche de determinação. Sua luta por mudança continua; ele precisa se concentrar mais em si do que nos outros, precisa entender quem é, mais do que quem são as pessoas.
— Tenho que ser… melhor! Quando você voltar, Yelena, eu terei superado meus defeitos! — murmura Arthur, determinado.
Seus destinos se distanciam novamente, mas estão unidos pelos sentimentos. A estrada será longa para a garota, e o tempo, o maior inimigo de ambos.
Aquela noite é importante para todos. Enquanto os iluminados dormem, esperando os movimentos que farão ao cair do crepúsculo, os demônios avançam; Amael e seu irmão são peças de xadrez estrategicamente posicionadas, movidas pelas mãos de Asmael e pela ordem de seu imperador Luciel, espreitando, corroendo os pilares para a queda final da humanidade.
Então, por volta das 2 horas da madrugada, a luz de Nox enfraquece o breu que traz, e a estrada que a garota segue está pela metade. A névoa cai sobre os troncos das árvores, criando um cenário sombrio. Faltam trinta minutos de viagem para chegar ao aeroporto. Mas ela não contava que, a alguns quilômetros dali, Leviel observava tranquilamente o vai e vem dos carros, já sem sua pele humana. Ele suspira, estala o pescoço, com um olhar ambicioso em seus olhos.
— Finalmente…
Ele se move então, impulsionado pelas certezas que lhe foram ditas, embora sua missão seja como um tiro no escuro.
Leviel está ali para alterar o destino, e por mais que considere sua existência miserável, ele é o bispo de seus irmãos. Trevas crescem ao seu redor, erguendo seu manto negro, sua aura de escuridão se estendendo pelos céus, enquanto a pintura dos veículos que passam começa a desmoronar. Concentrado no horizonte, Leviel sente-se novamente como a serpente do mar, o maldito nascido da inveja, liberando toda a sua identidade amaldiçoada.
“Vamos nos divertir um pouquinho!”
Enquanto se prepara, seu mestre, sentado em seu trono, sente este momento como um aviso. Do palácio, que se eleva acima das profundezas do abismo, os campos de castigo se estendem abaixo do deserto dos reis.
— Nossa peça está onde deveria estar! Se ele a eliminar, matarei dois coelhos com uma só cajadada! — declara, seu braço mantendo sua face recostada ao ouro que compõe seu trono.
— Já pensa em assimilá-lo? Sr. — pergunta o único que está com ele naquele salão, um ser envolto pela escuridão.
— Talvez… — confessa Luciel. — Não sabemos o que resultará disso. A garota foi crucial para minha derrota! Por enquanto, gosto de imaginar que está tudo acertado!
— Fé? Esperança?
Uma risada ecoa, seus cabelos loiros e olhos vermelhos visíveis na escuridão.
— Humano demais? — ele ri, — Mas, enfim, prefiro chamar de confiança!
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