Capítulo 73 - Aceleração na Velocidade da Luz e Além
Nas profundezas do abismo, no mundo astral, as duas entidades continuavam a observar o embate.
— Como pode existir uma humana assim? — pergunta a sombra, já além da escuridão, encarando a cena que se desdobra por meio de uma tela dimensional, um presente de Asmael para seu imperador. — Leviel teve que chegar ao extremo, e ainda assim não conseguiu… Yelena… é formidável! — resmunga, preocupado, seus cabelos loiros caem até suas costas e uma espada mais longa que suas próprias pernas, repousa na bainha em sua cintura.
— É verdade! E a garota ainda não atingiu seu ápice! Mas Gallael, meu filho… há outros humanos bem mais perigosos do que ela… Masaru Jigoku, Yami Yamasaki, Amai Shirasaki! São alguns dos peões que já frustraram meus planos! — Há ódio sincero em suas palavras. — Mas finalmente estão começando a cair! — Ele então se ergue de seu trono, caminhando até onde está seu filho, o príncipe demoníaco que matou os pais de Yamasaki, finalmente a seu lado, após anos de inimizade.
— O garoto… então temos bastante trabalho até podermos vislumbrar o paraíso! É isso?
— Não seja tão negativo. Humanos são humanos; por mais poderosos que pareçam ser, eles são a falha de Elum. Somos o próximo passo, o futuro! — ele fala próximo aos ouvidos, enquanto, juntos, fitam o destino se desenrolar. — Quando a cruz cair e fazer Crea sangrar, não haverá mais obstáculos, apenas os escravos e os reis, certo?
— Certo — ele coloca a mão na cintura. — Humanos são limitados, como disse!
Ao falar, Luciel percebe que não alcançou o coração de Gallael, mas prefere ignorar isso, como sempre faz. No final, apenas o que ele acha importante importa para ele.
Leviel, percebendo a luz de Nox se esvair nos céus, ergue seu braço restante, emanando uma aura que absorve e consome o restante da escuridão ao seu redor, desesperadamente tentando neutralizar a ameaça.
“Leviatã! Não a deixe escapar!”
Ele ordena, controlando sua criatura como controla a natureza, e a besta sacode seu corpo volumoso, criando tremores, impulsionando-se para cima.
E no ventre do leviatã, Yelena se vê envolta por uma escuridão opressiva, uma vastidão que parece devorar qualquer traço de luz – um abismo de desespero. Concentrando seu poder na palma da mão direita, sua forma brilha intensamente na criatura colossal. Erguendo-a, ela conjura uma esfera de luz radiante, sua transformação completa, transcendendo limites anteriores que antes se limitavam à pura força física. O brilho intenso da esfera se expande rapidamente, uma explosão de luz que rasga a escuridão ao seu redor e dilacera a própria criatura, expondo suas entranhas retorcidas.
A besta, mergulhando para a salvação de seu mestre, é interrompida em seu ímpeto voraz. Yelena fez um movimento preciso, a explosão lançando-se como uma lâmina de luz através do corpo do leviatã, que se retorce em agonia. Com um rugido agonizante, a criatura é ceifada, suas entranhas se dissolvendo em sombras enquanto a luz brilha triunfante, iluminando os restos grotescos que jazem ao seu redor.
O mar se tingiu de púrpura, e Leviel contempla a figura diante dele como a déspota de sua divindade. Seus olhos refletem no metálico da forma, ele sente que perdeu o controle. Sua aura negra treme, seus pensamentos estão tão fora de controle quanto sua energia.
— Maldição… — Murmura o demônio, estendendo o braço à frente de sua face para a enxergar através da intensidade da luz. Seu braço queimado pela luz emite fumaça, enquanto as trevas em sua mão esquerda se dissipam, fugindo de medo, incapazes de resistir à aura luminosa que a envolve por completo.
E sem defesa, ele sente seu abdômen ser perfurado por um golpe dela, seu punho atravessando suas escamas como se fosse nada, e em seguida, recebe uma cabeçada, o som de seu crânio quebrando ecoa, enquanto as ações dela acontecem com atraso.
Sua velocidade está além de qualquer luz.
O golpe é tão devastador que a água não consegue conter Leviel, fazendo-o afundar ainda mais nas profundezas. Enquanto isso, a garota ergue seu braço direito aos céus, criando uma esfera de luz tão intensa quanto a anterior.
“Posso vencer! Irei exorcizá-lo com todo meu poder!”
É um golpe único, capaz de exorcizar até o mais vil dos demônios. Mas a dor da técnica é agonizante; o calor que evoca queima sua pele internamente, mas ela resiste, uma, titã de poder e resistência.
“Merda… merda! O que eu faço? Perdi em tudo! O leviatã… minha habilidade infernal… minha dádiva do abismo…”
Enquanto a luz que irradia é tão intensa que a água ao redor evapora, Leviel sente o calor penetrar até mesmo nas profundezas.
“Pensa! Pensa!”
Espreitando debaixo de seus pés, enquanto sua rival prepara o golpe que irá ceifá-lo, pronta para liberar toda a luz que puder e acabar com sua existência de uma vez por todas!
“Espera…”
Afundando ainda mais, observando seu próprio sangue púrpura se dispersar na água, Leviel avista uma luz no fundo do túnel.
“Ela expandiu energia… isso significa que, mesmo que não haja uma dimensão escancaradamente aberta, sua transformação está ligada a uma até terminar… Quer dizer que isso é uma tridimensão! As leis convencionais não se aplicam aqui!”
Sua mão esquerda começa a se comportar estranhamente, uma corrente de água se unindo a ela como se fosse um segundo braço. Sua vontade de viver é transmitida através de sua ligação com a natureza. Com determinação, ele une a palma de sua mão esquerda à direita, mostrando a direção de sua última ação naquele embate, encarando adiante através do brilho intenso que emana ao seu redor.
“Devo ultrapassar todos os meus limites! Não sou um inútil, não serei exorcizado aqui!”
Sua aura negra flui como água ao seu redor, desfragmentando-se conforme se move. Em um instante, uma correnteza surge de suas costas, ganhando cada vez mais velocidade. Leviel acelera as partículas de água ao seu redor até alcançarem a velocidade da luz e além, graças à expansão de energia que Yelena desencadeou, guiando as águas como disparos de uma metralhadora através das trevas que imbuiu em cada partícula.
Leviel percebeu que, devido à transformação de Yelena, que a faz personificar a luz com uma armadura de proteção intensa e velocidade equivalente, as regras básicas como atrito e velocidade não se aplicam normalmente, golpes abaixo ou na velocidade da luz seriam anulados ou refletidos caso a garota quisesse. Ele utiliza sua compreensão das leis tridimensionais do ambiente para contornar essas limitações. Ao acelerar partículas de água até a velocidade da luz e além, ele busca superar a defesa e a velocidade de reação de Yelena, aproveitando-se da expansão de energia que ela desencadeou. Isso demonstra sua inteligência tática ao adaptar suas habilidades às circunstâncias únicas do confronto.
O potencial de cada um atinge o ápice; sobreviver é a única coisa que está em suas mentes.
É o fim do confronto. Ela lança sua esfera de luz, que é engolida pelo oceano de Flumen sem resistência. E ele ergue sua correnteza de água em alta velocidade, dispersando inúmeros fragmentos de trevas que guiam cada molécula para ultrapassar a transformação da garota. Em instantes, a esfera de luz explode na metade do caminho, mais potente que inúmeras bombas nucleares, varrendo tudo no oceano. Ao mesmo tempo, a garota é atingida pela correnteza, sendo lançada para a superfície como um squash de água.
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