Índice de Capítulo

    Ao cair da noite, todos descem as escadas do prédio, onde a escuridão de seus corações se intensifica a cada degrau.

    Ao emergirem do local passando pela mesma porta que Rasen, a van branca aguarda silenciosa. Diego Romero se aproxima, sua mão afundando no bolso do casaco pesado, junto a uma sensação de peso sobrenatural pairando sobre ele, chacoalhando a chave do veículo. À sua direita, Milk, Kwawe e Halyna se alinham, suas expressões misturando determinação e o vazio de almas que conhecem demais o abismo. À esquerda, Antônio, Jarves e o loiro, todos os cavaleiros que ele convoca para este momento sombrio, exalam um misto de fervor e expectativa.

    — Finalmente…— Ele murmura, sua voz carregada de um cansaço que vai além do físico. Ele olha para seus seis companheiros, cada um marcado por suas próprias jornadas de dor e sacrifício. — Estão prontos?

    — Estamos! — respondem em uníssono, uma cacofonia de vozes.

    Halyna e Milk, suas vozes chegam a fraquejar enquanto seus olhares se perdem em sombras do passado. O loiro e Jarves dizem com força enquanto a chama da batalha arde em seus olhos. E Antônio e Kwawe, guardiões de seus pesares, mostram suas lealdades espelhadas em seus olhos.

    Estão postos, enquanto vento noturno sussurra entre os prédios, ecoando a iminência do confronto que se aproxima. No coração de Romero, a certeza sombria de que este é um ponto de virada, onde as linhas entre luz e trevas se distorcem ainda mais.

    A noite é uma testemunha muda, encoberta por um manto de nuvens que obscurecem qualquer vestígio da luz de Nox.

    São exatas 22h nos seus relógios e smartphones.

    — Vamos, então. Temos uma hora e meia de viagem pela frente até chegarmos lá! — Romero anuncia, adentrando a cabine do motorista. Milk segue atrás, ocupando o assento ao lado dele.

    Halyna e o loiro se acomodam nos últimos bancos da van, enquanto Kwawe, Jarves e Antônio se apertam no espaço restante. Com um suspiro pesado, a van parte imediatamente, deixando para trás o prédio sombrio que serviu como ponto de partida. Poucos carros transitam pelas vias desertas, contribuindo para a atmosfera sinistra de solidão que permeia a noite.

    Enquanto a cidade se desdobra diante deles, desbotada pelas trevas e mergulhada em um filtro de vida sem cor, o maestro observa com uma sensação de inevitabilidade.

    O caminho é breve, a um coração que tanto ansiou por dias.

    Após pouco mais de uma hora e vinte minutos de viagem, chegam diante de um dos vários prédios administrativos, localizado em Katakana. Este edifício opera até as 24h, com a maioria dos funcionários concentrados no primeiro dos dez andares que há. São pessoas comuns, exorcistas… que levam suas vidas diárias sem perceber a iminência daqueles que estão prestes a sacudir sua realidade.

    Eles sabiam, de cada detalhe.

    Romero lança um olhar severo para seus companheiros na van, cada um carregando seu fardo do que deve fazer. A missão à frente não é apenas de confronto, mas também de revelação, um ponto de inflexão que pode alterar o curso das coisas irrevogavelmente.

    Todos descem da van, e Jarves e Antônio trocam olhares mistos enquanto se dirigem à entrada. Uma escadaria de pouco mais de dez degraus que os leva a uma típica passarela de entrada de edifícios administrativos, com portas e janelas vidradas, que refletem a luz fraca da rua e suas faces obscuras.

    Romero se volta para a entrada, concentrando sua energia. Sua aura começa a se elevar rapidamente.

    — Exsurge circa hunc aedificium, sicut carcer quod non includit, a limine usque ad terminos huius structurae. Non solum protege, sed etiam confuse inimicos meos ex foris ad interius et indica mihi si quis te superaverit! Accipe amplius de energia mea pro hoc! — Romero entoa com intensidade, elevando sua mão enquanto uma barreira translúcida começa a se formar, envolvendo o edifício como uma gaiola invisível.

    Ao mesmo tempo, o loiro avança até os pés da escada. Sua aura irradia uma luz incandescente que se funde até a palma de sua mão, moldada em forma de uma granada incandescente que ele segura firmemente. Raios azuis percorrem seu braço, uma dor aguda marcando seu rosto enquanto ele cerra os dentes.

    — Beleza… beleza… é com vocês dois agora! — diz Alexander, assumindo a liderança.

    Antônio e Jarves avançam rapidamente, liderados pelo primeiro.

    Sobem os degraus em câmera lenta, atravessando as portas vidradas do prédio administrativo. Todos dentro viram seus olhares para eles, uma momentânea confusão refletida nos olhos de todos antes que possam contemplar seus próprios medos internos. Com um movimento rápido, o loiro lança a granada de luz, que estoura o vidro da porta às costas dos dois, criando uma explosão de energia que irrompe no interior do prédio, consumindo a escuridão em uma onda de luz brilhante.

    Mais de vinte pessoas estão presentes no momento, e o raio de luz repentino queima suas retinas antes que um apagão seguido de um flash se abata sobre o ambiente. É o momento decisivo para ambos. Antônio coloca ambas as mãos sobre o piso de mármore, enquanto Jarves cruza os dedos, canalizando suas auras que foram preparadas desde que pisaram na escadaria, ativando suas técnicas inatas.

    — Estendo energiam meam, possessio energiae!

    — Expandere potentiam meam: capio vim meam, ut possim terram ad voluntatem meam formare!

    Enquanto pronunciam essas palavras carregadas de poder, Antônio desprende uma de suas mãos do chão de mármore, enquanto gritos de agonia ecoam ao seu redor, vindos daqueles que tentam desesperadamente escapar, alguns protegendo seus rostos com mãos trêmulas. Ele ergue a mão direita, cerrando os olhos com concentração, e dispara inúmeras lâminas de mármore carregadas de energia, cada fragmento transformado em um feitiço letal.

    Enquanto isso, Jarves tomba no chão no mesmo instante, assumindo a posse de outro corpo. O cenário está tenso e carregado de energia, enquanto Antônio manipula a própria estrutura do ambiente para confrontar as vítimas que se escondem ou tentam fugir presos dentro daquele andar.

    A euforia traz o medo, o desespero.

    Enquanto o garoto se concentra na mente dos exorcistas presentes, cada um emanando uma aura única que os delata, Jarves, com sua habilidade aprimorada por um pacto e uma jura, vê as luzes de suas consciências surgirem e desaparecerem, refletindo a vida e a morte em um instante. Com precisão mortal, direciona seus corpos para que os ataques atinjam pontos vitais, como corações, cérebros e outras partes do corpo de forma letal.

    Sua mente acumula as ações, como um caçador de impulsos, vida, morte e o pesar de se conectar… Um mar de sangue rubro começa a surgir, tingindo mesas, o piso, computadores, assentos de espera, plantas. Mesmo aqueles que se abaixam são atingidos, com os golpes rasgando as paredes de concreto, a madeira dos móveis e o plástico dos aparelhos.

    E ao encerrar de dois minutos, o som dos disparos e dos golpes violentos cessa. A última mente se desvincula e Jarves volta a seu corpo, iniciando uma convulsão no mesmo instante. Antônio solta um suspiro, seus olhos bem arregalados diante daquele mar de morte e dor.

    — Eles conseguiram… — resmunga o loiro, enquanto Halyna e Milk estão incrédulos. Presenciar é difere de planejar. — Crianças, vamos? — Ele vai à frente, junto a Romero, que havia se cegado enquanto ainda estava no quarto, observando aquilo tudo com a indiferença de um mentiroso.

    Os dois pisam no sangue fresco, sem remorso, avançando pelo cenário de destruição com uma determinação fria e implacável.

    — Vamos à segunda etapa… Halyna, Alexander, vocês dois vão junto a Kwawe para o quinto andar. Antônio, cuide do garoto. Eu e Milk iremos para o terraço! Assim que eu ligar para o seu smartphone, você ativará sua extensão e após milk ativar a dele! Certo? — diz Romero, encarando Kwawe antes de se virar e seguir para o elevador, com Milk logo atrás.

    Antônio se agacha ao lado de Jarves, elevando sua aura com as mãos sobre as costas do rapaz.

    — Vamos, garoto… — Suas mãos tremem enquanto sua aura emite luz, tentando amenizar a dor e o choque de Jarves.

    Enquanto isso, Halyna, Alexander e Kwawe se dirigem para o quinto andar, preparando-se para a próxima fase de sua missão.

    Os três seguem em direção à escadaria, unidos e prontos para os próximos passos. A cada andar que passam, a noite se torna mais macabra. Enquanto sobem, as luzes do elevador se acendem, cada vez mais altas, como se não estivessem sepultando as 28 pessoas abaixo. A loucura de sete indivíduos traz uma “mudança” terrível e irreversível.

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