Capítulo 85 - Etapa 3: Prisão Sem Escapatória
Em breves minutos, Zuri chega à entrada do prédio, sentindo o peso do olhar curioso e assustado das pessoas do outro lado da calçada. Elas observavam com uma mistura de fascínio e medo, incapazes de compreender totalmente o que se desenrolava além do véu do mundo físico.
Os murmúrios nervosos ecoavam no ar tenso da noite, amplificando a sensação de desconforto.
E Gabriel e Zahira chegaram logo depois, seu carro estacionado apressadamente. Ele saltou para fora, ajustando o crucifixo pendurado em seu pescoço com movimentos rápidos e precisos. E Zahira seguiu-o de perto, seus olhos fixos no topo do prédio onde a barreira espiritual pulsava. Ela cerrou os punhos, tentando controlar a impaciência que a dominava enquanto seu coração batia em compasso acelerado.
Dos cinco exorcistas celestes na ativa, apenas esses três haviam respondido ao chamado urgente. Gabriel, para ao lado dela e olhando do prédio da entrada até o seu topo.
— Gabriel… Elizabeth… Masaru e Lopez não vêm? — pergunta, fitando-o de lado e depois olhando para a Elizabeth.
— Um está sem smartphone e o outro está em uma missão…
— Sério!? Acho que isso será um caso para os cinco! — declara, avançando dois passos e colocando as mãos na barreira, sentindo-a vibrar sob seu toque enquanto sua aura se intensificava ao redor. — Isso aqui não é para amadores! — A barreira resistia firmemente à sua influência.
— Esta barreira está ocultando os focos de energia espiritual, dá para enxergar a quantidade… mas não a disparidade ou a identidade! Pode ser que queiram nos pegar de surpresa! — Alertou Zahira.
— Exatamente…
— Romero não é um exorcista comum. Ele alcançou o grau cinco antes de sair, é uma ameaça até para nós! — Gabriel também avançou, com as mãos nos bolsos. — Deve haver uma razão para não querer que saibamos quantos deles estão lá ou, talvez seja um emaranhado de barreiras! Não é? — Ele resmungou.
— Não sei…
— Só podemos descobrir se tentarmos, crianças! — interrompe Halyna, apontando a mão em direção à entrada, seu olhar se tornando afiado e sua aura crescendo junto a seu desejo pelo caos. — Transmutatio materiae et status… — Enquanto murmura, a ponta do seu dedo foi lentamente consumida por chamas que, num instante, irromperam em uma explosão na entrada, como a chama tremulante de uma fogueira, atravessando a barreira sem causar dano aparente.
Fragmentos de piso e estilhaços de vidro voaram em direção à rua, enquanto as chamas se espalhavam ao redor dos três, consumindo a última faísca que restava do concreto já enegrecido.
No prédio, os dois remanescentes tremiam, sentindo a energia emanada por uma celestial.
— Caramba… — murmura Antônio, abaixando-se atrás de uma mesa onde corpos caídos estavam espalhados ao redor. Ele colocou a mão no ombro de Jarves, ainda desmaiado.
Uma onda de calor varreu a escadaria e as molduras das portas, irradiando pelo interior. Ele sentiu o calor do fogo em seu rosto, quase despertando o rapaz após o impacto e o estrondo do golpe.
— Não parece haver um emaranhado de barreiras! Com sorte, eles só querem pegar a gente de surpresa! Devem ser muitos, mas caramba… — sorri Elizabeth de orelha a orelha, uma expressão confiante demais em seu olhar. — Quantos exorcistas como nos devem ter? Nenhum! Então por que toda essa cautela?
— Parece que está virando o Masaru agora! — escapa involuntariamente de seus lábios. — O que tá pensando? Quer mergulhar de cabeça, é?
Um sorriso de loucura cortou a conversa.
— Estamos mesmo discutindo isso? — questiona Zuri, incrédula, tentando manter o bom humor. — Você é tão… passivo, Gabriel. E se for uma armadilha?
— Não é isso. É uma armadilha! Está claro! Mas por mais gente que ele tenha reunido, com vários despertos, quem pode parar um celestial? Elizabeth até tem razão! — Gabriel disse, olhando diretamente nos olhos de Zahira. — E, além disso, se formos com pressa, ainda dá para evitar matar todos eles. Se envolvermos exorcistas mais fracos, pode virar uma guerra de peões. Mais pessoas morrerão, não é?
— É… mas não quer tentar desativar essa barreira primeiro?
— E como fará? — interrompe Zahira mais uma vez. — Pelo que sei, é uma regra intrínseca que energia transformada não pode ser revertida ou anulada! — tentando parecer superior, até aumentando o tom de voz.
— Realmente. Não sendo uma barreira totalmente física, feitiços apenas passam. Uma vez transformada, ela não pode ser anulada por nós ou ter sua energia drenada e reutilizada.
— Então é isso? — A mulher soltou um sorriso nervoso. — Vamos entrar? — Zuri pergunta, sua paciência à beira do fim.
— Vamos! Mas elevem suas auras antes. Se eles estiverem planejando um ataque surpresa, pode pegar um de nós, mas dois, é impossível! — Gabriel alerta, jogando a gravata ao chão.
Sua aura elevava-se ao máximo, assim como a de Zuri. Auras de celestes, exorcistas cuja energia é a maior dentre todos. Zahira seguiu o exemplo, sua aura se expandindo em um brilho intenso. Os três se prepararam para o confronto iminente, mesmo sabendo que espreitava.
— Vamos ao serviço! — ironizou Zahira, e os três entraram ao mesmo instante. Quando seus pés cruzaram a barreira, sentiram cinco energias emanando do quinto andar. Não havia vento, seus cabelos pararam de bater como capas as costas das meninas, sentindo uma pausa em toda a loucura do mundo físico. — Achamos você! — disse assim que pôs os olhos no edifício.
— Não! — exclama Gabriel, impedindo-a antes que ela se lançasse em direção ao quinto andar. — Energias uniformes, Zahira… isso é muito suspeito! — Era como uma faísca prestes a detonar uma bomba, mas essa verdade só arranhava sua intuição, sem chegar plenamente aos seus sentidos.
— Antônio…
A atmosfera no recinto tornou-se mais densa quando Zuri notou o movimento do rapaz que parava no limite onde outrora havia as portas. As mãos erguidas em direção ao arco da porta eram um sinal, e uma aura intensa começou a emanar, perturbando o foco de todos. Romero, percebendo a oportunidade, trocou um olhar significativo com Milk, que não hesitou em liberar seu feitiço.
O efeito foi imediato e avassalador. O tempo pareceu se congelar brevemente enquanto a energia se expandia, rasgando o tecido da realidade e criando uma abertura dimensional que confinava os presentes dentro daquele domínio cercado pela barreira. Quando seus olhos se ajustaram à nova escuridão, perceberam estarem cercados por paredes de concreto, presos em uma espécie de gaiola.
No chão, o rapaz que havia iniciado a cadeia de eventos estava caído após um baque, o sangue formando uma poça ao seu redor. Seus cabelos e lábios estavam submersos no líquido carmesim, e Romero, ainda atordoado pela rapidez dos eventos, ajoelhou-se ao lado dele. Com a mão sobre o corpo ensanguentado, sentiu que a aura do rapaz permanecia intacta, fluía como nunca, enquanto o sangue jorrava de seu pulso.
— Você é forte… Milk — murmura Romero. Enquanto os três passavam o primeiro minuto naquele local, o frio era quase palpável, e a aura de Gabriel se dispersava ao seu redor. Ele estava visivelmente inquieto.
— Uma prisão!? Isso é possível? — Zuri questionou, sua voz carregada de incredulidade.
— É… parece que sim… — murmurou Gabriel, encarando a parede com um misto de vergonha e frustração. — Milk… aquele aluno do Romero, que lida com prisões dimensionais, ele com certeza fez um pacto… para não ser aprisionado…
— Um pacto? — Zuri socou a parede com toda a força, mas ela não sofreu nenhum dano perceptível. — Como vamos sair? Ou…
O silêncio que se seguiu foi carregado de tensão. Eles sabiam que enfrentar uma prisão dimensional não seria fácil. O olhar de Gabriel encontrou o de Zuri, ambos cientes de que precisariam de uma estratégia.
— Ou… devemos encontrar uma fraqueza… uma falha no pacto de Milk — sugeriu, sua voz baixa, mas ainda assim determinada. — Nenhum feitiço é perfeito, sempre há um ponto fraco.
Mas a realidade se revelou à frente deles.
— Energia já transformada, sendo um domínio dimensional, uma expansão em extensão, não há como quebrar. Não sabemos se essa parede é maleável como barro ou tão impenetrável quanto pedra. Ou seja, se pudermos, ela pode se recuperar, como o tecido da realidade, influenciado pela ordem… — disse Zahira, sua mão raspando na parede. — Mas acalmem-se. Conosco estará tudo bem, mas o que eles estão planejando é o que me incomoda!
A sala mergulhou em um silêncio profundo enquanto todos digeriam as palavras de Zahira.
— Então, nossa melhor chance é manter a calma e tentar entender o que eles querem. Que saco! — disse Zuri, rompendo finalmente o silêncio.
— Um minuto, dois minutos, dez… Com os mortos, podem fazer um ritual, e do ritual…
A garota riu, concordando com a insatisfação.
— Mais mortes! Ou só Elum sabe o que virá… — Zuri se sentou, continuando a reclamar, seus olhos fixos na parede. — Expandir energia? Não é uma opção?
— Expandir? Você só criaria uma dimensão abaixo de outra dimensão… Seria uma quarta, já que esta é a terceira. Isso cria um paralelo; uma quarta dimensão seria anulada pelas leis tridimensionais. Poderíamos ir juntos…
— Isso é frustrante! Ou seja, estamos presos. Romero é um gênio do mal, ele sabia que seríamos acionados. Sem sinal, como falamos com Kyotaka!?
— Meia hora… até virem reforços! Considerando o local, 40 a 45 minutos até sermos salvos, mas acredito que será mais rápido, mesmo que esta prisão seja duradoura. A distração com energias semelhantes mostra que eles anteciparam nossa antecipação, fizeram uma armadilha dentro de outra armadilha! — Ele riu. — Estão jogando com o tempo!
— Deduções, constatações, indagações! — Elizabeth socou a parede com força, seu pulso emanando e expelindo energia. — Vai se danar, Romero! — Nunca haviam visto tanto ódio em seus olhos.
Assim, a próxima e última etapa estava prestes a começar.
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