Índice de Capítulo

    O último andar que Rasen passará finalmente chegando ao 17. Os passos dos exorcistas ecoam sinistramente pelos corredores acima, cada batida uma ameaça que se aproxima.

    E focando a frente, ele se depara com um corredor vazio, onde caminha lentamente, espreitando cada detalhe com o revirar dos olhos, consciente de que a situação não será fácil.

    O ar está pesado, impregnado de dúvida sobre os obstáculos que ainda enfrentará.

    Quando chega ao fim, vira para um dos corredores laterais. À esquerda está o B17, à direita, o A17. Ele segue pelo B, onde se depara com a ganância de seus olhos: inúmeros objetos malignos, todos expostos e cercados por vidros blindados, soldados por dentro e por fora com energia espiritual.

    Cada artefato parece sussurrar, prometendo poder e destruição. As energias malignas pulsam contra as barreiras espirituais, tentando materializar seu veneno nele. Mas ele sabe que cada passo e ato são um lembrete da fragilidade do equilíbrio entre o controle e o caos contido em cada objeto.

    — Rasen… Não se contentou com a morte do Hazan?

    Uma voz surge da escuridão.

    — Quem está aí? — ele pergunta, a voz carregada de desconfiança.

    Ele não reconhece a voz, por mais familiar que pareça. Talvez ele mesmo não seja mais quem deveria ser.

    — Quem mais? — Quando a voz fala novamente, um homem emerge das sombras. Cabelos loiros, olhos castanhos, vestindo roupas pesadas e um casaco de couro. Ele encara Rasen com uma expressão enigmática.

    — Krynt…

    — É… ainda lembra do meu nome? — Sua mão vai até uma vidraça à frente, onde está uma antiga coroa, amaldiçoada há mais de 200 ciclos. — Mas por que você o matou?

    — Sacrifícios às vezes são necessários — responde, com frieza na voz.

    — Sacrificar um amigo? Éramos nós três, fazendo missões… — ele caminha com calmaria — Você sempre foi estranho, mas nunca pensei que conseguisse matar! — Krynt diz, jogando os cabelos para trás. E atrás dele, uma pequena caixa, do tamanho de uma bola de tênis, parece um cubo feito de pele costurada. Talvez fosse a pele dos dez homens que, juntos, trancaram mais de cem demônios ali dentro. Não se sabe como, mas dizem que fizeram de sua própria carne parte do pacto, para que os cem nunca mais pisassem em Crea.

    É por ele que ali está, e só há um obstáculo para suas mãos alcançarem esse objeto.

    — Amigo? É uma palavra forte… eu diria… conhecido — murmura, deslizando entre os artefatos empoeirados. 

    Uma adaga ainda reluz com vestígios de sangue, uma relíquia macabra do maior serial killer que já pisou na terra. Ao lado, um crucifixo, manchado de negrume e aparentemente corrompido pelo toque do mais vil dos exorcistas, Leon Hitler. 

    — Mas você não pode falar muito, soube que por pouco foi expulso, por quase matar um companheiro, não foi? — Sua voz sibilava, tão traiçoeira quanto um felino na escuridão.

    — É…

    — Então, chega de rodeios, vamos acabar logo com isso! — Rasen ergue os punhos imediatamente, após um movimento extravagante. — Que o melhor vença!

    Enquanto a aura de Krynt se eleva em tons dourados, ondulando como brasas enquanto encara seu adversário à frente.

    — Que vença o melhor?! — ele ri com desdém. — Você só ganhou dele devido a um ritual, confesse! — Sua provocação incita um ódio genuíno, tanto que Rasen começa a emanar fragmentos crescentes de escuridão em sua aura.

    Os olhares dos dois se encontram, sabendo que apenas um sairá vivo dali.

    — Transmutatio materiae et status…

    Ecoa das bocas dos dois, cada um com uma intenção clara. À frente de Krynt está sua maior decepção e inimigo, aquele que havia arrancado seu melhor amigo de sua vida. Para Rasen, ele é seu único obstáculo, uma figura que o irrita tanto que transcende a mera inimizade; ele é um pária para sua mente doentia.

    Enquanto se preparavam para um confronto intenso, o plano avançava para sua fase mais desafiadora.

    Passa-se quase meia hora e, à frente do prédio, Masaru finalmente chega, com a mão descansando em sua cintura. Diante dele, vê a barreira desmoronar em cacos translúcidos que se dissolvem a seus pés como se tivesse cumprido seu propósito.

    — Gabriel!? Você está aí? — grita, levando as mãos ao rosto, próximas aos lábios. — Cabeça de Ovo!?

    Sua voz ecoa, alertando a todos. No último andar, Romero se ergue, levantando os joelhos do chão e retornando sua aura ao estado normal, enquanto continua a apoiar seu amigo Milk, que, embora desmaiado, ainda mantém a prisão com sua força.

    — Agora… é minha vez… meu amigo — ele sussurra, encarando o feitiço que se forma em seu braço, palavras em latim cravadas como tatuagens. Então, ele mete a mão no bolso e retira o smartphone, discando para o penúltimo número que ligou. — Nossa missão é conter Masaru! Em uma hora, levarei todos para um lugar seguro! Entendido? Não se segurem, ele é um exorcista recém-desperto de sua consciência celeste! — indaga.

    “Que dê certo… droga… eu me esqueci totalmente desse pirralho…”

    Pensa, apertando os lábios.

    “Precisamos de mais 35 minutos… até lá, Rasen tem que ter pegado a caixa!”

    — ENTENDIDO!

    Respondem Kwawe, o loiro, Halyna e Antônio, todos encarando imediatamente Masaru. Do quinto andar à entrada, enquanto o maestro caminha até os limites do térreo, ele percebe que um sorriso brilhante se forma na face do exorcista.

    Masaru gosta de ver que todos estão prontos para atacá-lo.

    — Dois idiotas? Qual é… pode vir todo mundo! Dou conta! — Masaru desdenha, percebendo Antônio e Jarves adiante, sua voz ecoando na escuridão daquela noite. Ele sobe a escadaria, observando o estrago deixado para trás. — Vocês deram cabo do careca, e as meninas?

    Preocupação? Não há em sua voz. Isso faz Antônio se arrepiar. Ele parece contar cada degrau em que Masaru pisa, seus olhos vão para cima e para baixo, como se a própria escada estivesse conspirando a seu favor.

    — Fala do Gabriel? Eh… é… — Antônio hesita por um momento, seus olhos se encontrando com os dele, brilhando em resposta ao desafio.

    — Quem é esse doido? — Jarves pergunta, sua voz carregada de confusão. Seus cabelos estão desalinhados e sua face, cansada, como se despertasse de um cochilo perturbado.

    Enquanto Masaru solta um riso preso, o peso do ambiente se intensifica. As sombras ao redor parecem ganhar vida própria, envolvendo o grupo em um véu opressivo de tensão.

    Kwawe, com seus olhos penetrantes, parece emanar uma aura de frieza, contrastando com o ar impiedoso que o loiro carrega e a sensação de indiferença nos olhos de Halyna. Eles surgem do nada, pousando no chão do quinto andar entre os estilhaços de vidro, como se a queda não os afetasse, apenas fortalecesse a determinação sombria que reflete em seus semblantes.

    — Eu? Sou o exorcista mais forte! Não sabe? Pirralho… — Masaru retruca, sua voz carregada de desdém.

    Não se intimida, mesmo ao perceber nos olhares dos que o cercam a ganância que pulsa nos corações de seus oponentes. Cada um deles, à sua maneira, está determinado a se afirmar naquele momento de confronto iminente, ansiosos por provar sua força.

    Gostou da Webnovel? Então confira o servidor oficial clicando aqui!

    Quer ler o capítulo da semana com antecedência ou até mesmo os próximos capítulos? Deseja apoiar este projeto? Clique aqui!

    A cada contribuição de R$10,00, você desbloqueia um capítulo extra!

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota