Índice de Capítulo

    Expectativa.

    Será que realmente existe algo assim?

    Até que ponto é possível ser cego a ponto de criar expectativas para um momento que ainda não se vive? É um paradoxo cruel: imaginar o futuro com tanto fervor, mesmo quando não há garantia de que ele se concretizará. O destino não é um território que se possa mapear com certeza, e o que nos resta, então, é uma mente atormentada pela ansiedade e pelo anseio. 

    Lamentamos por um futuro incerto, mesmo quando a única certeza que temos é o presente efêmero.

    Essa é a verdade que Halyna carrega em sua mente, uma realidade indesejada e cruel. Antes de… bem, sentir o mundo pela última vez!

    — Halyna… Quanto tempo se passou!? — a voz ressoa no espaço, suave e rouca, carregada com o peso de décadas e o calor de uma vida inteira. É um sussurro etéreo, fazendo-a emergir do breu da morte, atravessando as correntes do tempo, trazendo consigo o último fragmento da sua existência.

    Um último sonho.

    — Oi? — Ela se vira, e ali está ele novamente, o velho que escolhe para chamar de pai, um homem sem o sobrenome Boyko. A visão dele faz o tempo parecer congelar, cada segundo se estendendo em um eterno instante de revés, como se o universo inteiro tivesse desacelerado para testemunhar esse momento.

    — Quanto tempo, velhote… — As palavras saem de seus lábios em um tom melancólico e feliz, seus olhos fixos nos próprios pés, pequenos e descalços, enterrados na neve fria da Ucralia. De volta àquele inverno cruel e indiferente, que devora aqueles sem nada a oferecer além de sua própria sobrevivência, ela se dá conta. — Eu morri? — A pergunta, carregada de incredulidade e resignação, parece uma aceitação dolorosa da sua própria condição.

    — Morreu… Finalmente encontrou a paz, minha garotinha — A voz dele é suave, embora carregada de uma tristeza palpável. O velho avança com dificuldade, tropeçando na neve que cobre o chão e lutando contra o vento que balança os pinheiros cobertos de gelo. Sua barba branca e espessa parece quase fundida com o manto branco ao seu redor. Apesar da frieza do ambiente, ela sente apenas a ternura de vê-lo novamente. — Pena que não viveu o que deveria… — Suas mãos, envelhecidas e trêmulas, alcançam seus ombros com um carinho que transcende o tempo. 

    Ela está de volta a um corpo infantil, uma garotinha que mal alcança sua cintura. A visão dele é um lembrete doloroso e doce de tudo o que foi perdido e do que ainda poderia ter sido.

    — Não vivi… Eu não pude escolher, como a mamãe… Terminei levada pela raiva, tão… fútil, não é?

    — Fútil é uma palavra muito forte. Talvez tenha sido um instante inútil em sua vida, mas o que realmente é inútil? — Brinca, como sempre, arrancando uma risada mórbida da garota. — O que houve? Garotinha? Continua presa naquele mundo? — pergunta com um tom de preocupação.

    — Presa!?

    — É… Halyna, tudo se foi. Isso aqui… é um instante que sua mente projeta, enquanto é transportada para o outro lado. Alguns são tão céticos que atingem esse nível de entendimento, outros experimentam um déjà-vu, um momento que deveria levar à ressurreição, mas… — Quando fala, o peso das suas palavras se torna palpável.

    — Eu já ressuscitei…

    — Já… e agora? Deve aceitar a morte, abraçá-la, entender que o futuro em Crea já passou. Encontrará sua paz! — Sua voz está carregada de determinação, enquanto a garota disfarça seus sentimentos, um nó de ressentimento apertando sua garganta, como se estivesse lutando para engolir uma verdade dolorosa.

    O ciclo da morte, estampado no rosto do loiro, desmorona diante dos olhos desse telespectador que assiste ao teatro da tragédia.

    — MALDITO! — grita Kwawe, um rugido primal que surge do fundo de seu ser. Ele se lança em direção a Masaru, acertando um soco violento que, apesar de ser parcialmente bloqueado, arremessa o exorcista contra a parede do prédio onde o confronto ocorre. — Eu vou te matar! — vocifera, sua fúria transformando seus olhos e aura em um tom avermelhado ameaçador.

    — Então será o grandão, hein? — responde, levantando-se com dificuldade após o impacto com a mesa de madeira, que se partiu ao meio. Apesar da destruição, ele não apresenta nenhum arranhão visível, mas sente uma dor aguda no braço. Ele mantém um olhar desafiador. — Como você vai me matar? Será que será igual à sua amiguinha? — Zomba, enquanto se aproxima das vidraças estilhaçadas, seu olhar desafiador e calculista permanecendo firme.

    O cavaleiro está canalizando sua energia, e então Masaru percebe uma saraivada de disparos de concreto, como lâminas afiadas imbuídas de energia espiritual, tentando atingi-lo. Antônio, utilizando as pilastras do prédio como matéria-prima para seu feitiço inato, mira com precisão. Seus golpes levantam uma cortina de poeira que envolve o exorcista. Enquanto isso, o loiro solta um suspiro e caminha em direção ao corpo, ignorando as lascas de concreto que caem ao seu redor. 

    “O ciclo não se rompe ainda…” pensa Alexander. “Descanse em paz… Halyna!”, Com um semblante indiferente, ele faz essa condolência e então fixa o olhar no topo, além da cortina de poeira. Lá, avista Romero tirando o smartphone do bolso, com um semblante de medo ofuscado por uma certeza distante, mas sem receber nenhuma notificação ou sinal de Rasen.

    “Merda… Desse jeito, não vamos sobreviver”

    Após canalizar toda a sua energia, Kwawe se prepara para atacar. A energia dos cinco clones retorna a ele, desfazendo-se nas costas de Masaru, que não percebe a movimentação no breu do lugar e, por ordem dele, não emanam nenhum resquício de energia. O grandão avança como uma fera, fazendo com que o exorcista quase caia para trás. Ele inicia uma sequência de golpes impossíveis de bloquear. Masaru sabe que não conseguirá conter todos os ataques, então se limita a desviar, sentindo sua pele ser arranhada pelos impactos.

    Ele tenta atingir ele de várias formas enquanto se move rapidamente. Sua mão cria uma ventania poderosa que, ao golpear o peito exposto do guerreiro, não o faz mover um músculo. Contudo, todas as cadeiras e mesas ao redor são lançadas para fora imediatamente.

    “Essa pele… ele está se fortificando internamente! Como se sua pele fosse uma parede de energia espiritual!”

    Deduz.

    Antônio então olha ao redor; Jarves não está lá, e o loiro também não o havia visto. O rapaz sobe a escadaria rapidamente, enquanto ouve os tremores que indicam que os dois lutadores podem despencar do quinto andar e fazer o prédio desabar.

    — Merda! Antônio!? — exclama Alexander, sentindo seu corpo tremer com os golpes.

    O poder de Kwawe, carregado de uma fúria indomável, reverbera como uma tempestade furiosa, consumindo todo o quarteirão.

    — Eu sei! — responde Antônio, enquanto coloca as mãos no concreto. — Transfer resistentiam terrae quam calcito, ad concretum quod tango!

    Tenta sustentar a estrutura, canalizando a força de resistência e peso da terra para o concreto. Milk e Romero estão lá em cima, e Antônio sabe que não pode sair até que o feitiço termine ou até que sua própria vida acabe, enquanto o feitiço mantiver sua eficácia.


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