Capítulo 115 – Conto Passado: O Contrato — Parte II
Eles descem o suficiente para sentir a falta de ar e um calor que Aurora, mesmo no dia mais quente, não consegue fazer sentir.
E acendem chamas em suas mãos como se fossem tochas, após entoar um feitiço, revelando um caminho estreito e sinuoso que se estende à frente deles. O ar é pesado e úmido, e o som das gotas de água caindo das estalactites é o único que quebra o silêncio opressivo.
— Que lugar… — a voz do ruivo ecoa, enquanto suas botas sujas de terra observam o ambiente.
O fim do túnel assemelha-se a uma catedral sombria, com uma luz filtrando-se de um buraco no teto e um trono de pedra cercado por vários cadáveres.
— Será… que ele já se foi? — pergunta o rapaz de cabelos espetados, sua voz um sussurro perdido no abismo sombrio que envolve o chão. O ambiente parece pulsar com uma energia sinistra, uma sensação de maldição impregnada na própria terra. — Há uma assinatura das trevas, mas parece tão distante… — Se agacha, o olhar perdido na escuridão que parece engolir qualquer vestígio de esperança.
Seus olhos, grandes e assustados, se fixam em Yamasaki, o rosto marcado por um pavor. No mesmo instante, um movimento brusco corta o ar, tão rápido e inesperado que os olhos do rapaz parecem quase explodir de surpresa, refletindo uma cena horrenda que se desenrola atrás dele.
Yami observa, paralisado, a brutalidade indescritível da morte de seu parceiro. A cena diante dele é um pesadelo vivo.
— Yuri! — ele murmura em um sussurro quebrado, a voz mal conseguindo sair. No exato instante em que a cabeça do ruivo é separada do corpo, com a coluna vertebral, sua visão se embaça com a horrenda realidade.
A decapitação é tão rápida e precisa que parece quase um corte de faca em um pedaço de papel.
A entidade responsável pela carnificina está imersa em trevas, uma sombra distorcida e maligna. Ela segura a cabeça decapitada em suas mãos tremendo, um horror estampado em seus olhos infernais. O sangue escorre pelo chão, tingindo-o com uma tonalidade vermelha profunda, e o baque do corpo caindo faz a atmosfera parecer pulsar com uma nova onda de trevas.
— Porra… não era para ser assim… — resmunga a entidade, a voz cheia de frustração e uma pitada de desdém. — Eu… não sei controlar minha força!
O humor na voz da entidade contrasta com a frieza brutal de seu ato. O chão encharcado de sangue parece absorver a agonia, como se o próprio ambiente fosse uma extensão da dor que permeia aquele lugar.
São instantes, rápidos para os dois, mas agonizantes para o ser envolto em trevas.
— Que diabos… — murmura o rapaz de cabelos espetados, enquanto observa a cena de horror diante dele. Com a mão coberta de energia, ele se prepara para tentar um movimento defensivo, mas a realidade de sua situação torna-se cruelmente aparente.
Suas intenções são interrompidas quando a cabeça dele é perfurada pelas garras afiadas da entidade.
O braço da criatura, monstruosamente grosso e imbuído de uma força brutal, atravessa o rapaz de uma maneira grotesca. A entidade, revelando-se em toda sua forma aterrorizante, mutila os olhos, a boca, o nariz e o crânio da vítima.
Seu movimento, implacável e poderoso, parece rasgar o espaço com uma fúria impiedosa, e a cabeça do rapaz quase se parte ao meio com o impacto.
Ele estava nu e emerge das sombras com uma presença que desafia a sanidade. Seus cabelos, longos e brancos, caem até os pés em cascatas. As orelhas pontudas se destacam de sua cabeça, dando-lhe um ar ainda mais ameaçador. Seus olhos vermelhos brilham com uma intensidade infernal, refletindo um fogo interior que parece consumir tudo ao seu redor.
Seus dentes afiados, visíveis em um sorriso cruel, parecem prontos para dilacerar qualquer um que cruze seu caminho.
E ele? Não tem compaixão. Sem um vestígio de piedade, lança-se contra Yami com uma fúria fria. Mas Yami desvia com uma agilidade instintiva, embora seu coração esteja em frangalhos, com o terror da cena e a euforia amarga da morte corroendo-o por dentro.
— O quê? — A surpresa transparece em sua voz. Apenas os panos que cobrem seu corpo estão presos nas garras do agressor, mas o garoto permanece intacto, como se a própria morte tivesse hesitado. — Você… até que é rápido, garoto!
— Maldição… então era real… — A voz de Yami treme, ofegante, enquanto tenta conjurar um feitiço. No entanto, a urgência da situação força-o a desviar novamente. Seus pés cortam o ar com um peso insuportável, e ele se lança ao chão, sua respiração irregular e seu coração batendo com uma intensidade que parece prestes a despedaçar seu corpo.
— Boa, boa! — A voz do demônio está carregada de uma satisfação cruel. — Mas será que você vai fugir a vida toda?
Apesar das palavras provocativas, o demônio nota algo peculiar nos olhos de Yami. A chama que arde neles não se apaga nem vacila como antes. Ela permanece constante, uma intensidade imperturbável que desafia a própria essência da opressão que o demônio tenta impor. Há algo nesse brilho que não apenas desafia o medo, mas parece alimentar uma força interna, uma resistência silenciosa que faz a opressão parecer fútil.
— Vai se foder… — Yami resmunga, cruzando os dedos e desviando com um reflexo desesperado de um enxame de chamas negras que a entidade dispara, sentindo que a morte está a um passo de alcançá-lo.
— Você é divertido, garoto! — A voz do demônio é uma mistura de admiração e escárnio, acompanhada de um sorriso forçado que não disfarça a crueldade.
Os dois estão a poucos metros um do outro, enquanto as chamas negras consomem as rochas ao redor, seus estalos e crepitações ecoando como lamentos torturados no purgatório. O calor infernal faz o ar ondular, e o ambiente ao redor parece ser uma extensão do próprio inferno, amplificando o desespero de Yami e a sensação de que sua luta é um jogo macabro para o demônio.
“Mas… este será o movimento final!”
Pensa a entidade, enquanto emana sua aura abissal. Uma tormenta de chamas emerge, girando em uma espiral crescente, implacável e inevitável, como uma prisão de fogo. A morte parece iminente, uma sentença de aniquilação que parece impossível de evitar.
Porém, para surpresa dele Yami, com uma calma desconcertante, se teleporta. Utilizando sua extensão de energia, ele navega pelas trevas de sua própria sombra e aparece nas costas da entidade. O movimento, inesperado e quase sobrenatural, desafia as expectativas e oferece um vislumbre da astúcia e da determinação que a entidade subestimara.
Ele emerge como uma sombra que se desfez em uma poça líquida, os dedos ainda cruzados e os pulmões cheios de ar. Com uma determinação tensa, libera um grito de feitiçaria:
— Punctum… expansionis, V-vacuum immeasurabile!
Sua energia se expande instantaneamente, e o ser, com uma reação frenética, tenta lançar um último feixe de chama que ainda arde entre seus dedos. Mas Yami, com precisão calculada, agarra com seu braço livre no mesmo momento.
A escuridão envolve os dois, não uma simples sombra, mas uma escuridão profunda e interminável, um vazio existencial que emana da técnica inata do rapaz.
A cada instante, ele surpreende mais o demônio…
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