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    O demônio, com sua presença caótica e selvagem, está completamente imerso na essência de suas trevas. Enquanto seu autoproclamado oponente, Jacir, com a lâmina em mãos, sente o peso da batalha enquanto gira a adaga entre seus dedos, cada movimento uma preparação para o avanço. Sua mente, mais fria, se concentra nos detalhes, nas fraquezas do inimigo, mas mal sabe ele que as forças que estão prestes a se soltar irão além da compreensão.

    A entidade, com um movimento preciso, firma os pés no chão e abre a boca grotescamente, um buraco negro se formando em sua garganta. Antes que qualquer ação possa ser tomada, um estrondo ensurdecedor, como se o próprio espaço tivesse se distorcido, explode em uma onda de choque implacável. O som é uma violação das leis naturais, um estrépito visceral que ultrapassa qualquer limite sensorial.

    — Sonar Tenebris! — brada a entidade, a voz profunda e reverberante. A onda de som, mais poderosa do que qualquer ser humano poderia compreender, não é apenas um estrondo; é uma força física, um presságio da morte iminente. A onda não só destrói tudo em seu caminho, mas desintegra a própria realidade, apagando partículas de existência, como se nada jamais tivesse estado ali.

    Jacir, em um reflexo primitivo, reage com velocidade, a única coisa que o salva de um destino irreversível. Ele salta para o lado, a onda de som explode no espaço onde estivera momentos antes, destruindo o chão, as paredes, tudo em um raio devastador. 

    “Cada ataque, vejo minha morte… droga, então esse é o nível de uma entidade calamidade?”

    Pensou e mesmo com o espaço ao redor se desintegrando, pousa com precisão cirúrgica diante da criatura, cortando sua face com a lâmina em um movimento rápido e digno de um guerreiro de origem indígena.

    Quase rasgando a cabeça da entidade ao meio, como se fosse uma maçã fresca, cortada verticalmente.

    — Lamina rota! — ele grita, a lâmina vibrando em sua mão, cortando o ar com um estrondo seco, criando uma onda de vento cortante que faz a entidade recuar. O que não é muito diante do demônio, pois ele apenas se regenera, cicatrizando a ferida em segundos. E sua resposta? Sorri, um sorriso maligno e distorcido.

    — Bom! Ótimo, garoto… Mas será que conseguirá desviar por muito tempo, garoto? — A voz do demônio é cínica, cruel e cheia de uma confiança insuportável. Ele ergue a mão e, com um gesto imperioso, clama pelas trevas, materializando um disco de energia densa e negra, uma lâmina de pura destruição que corta o próprio ambiente ao redor, criando um barulho insuportável e assustador.

    Ele irá fatiar tudo…

    Enquanto isso, Elizabeth, imersa em sua própria batalha, enfrenta uma entidade meio serpente, cujo corpo sinuoso tenta envolvê-la com rapidez assustadora. Seus golpes, embora não inatos, são rápidos e ferozes, enviando o ser para longe com cada impacto. Mas o outro, também seu adversário, um homem aparentemente comum com seus chifres na cabeça para acusá-lo de sua raça, com uma foice de trevas em mãos, não é facilmente contido.

    — Você não parece um demônio! — Elizabeth grita, desviando de um golpe fatal. Com um chute certeiro no chão, ela ativa sua técnica, desviando a lâmina da foice para o chão com uma explosão de choque, e antes que ele possa contra-atacar, logo é jogado para trás, atingido por um jato de água disparado pelos dedos da exorcista.

    Nesse instante de sufoco, a serpente se aproxima com as garras negras prontas para atingi-la. Mas com um sorriso sádico, injetada com adrenalina pelo desespero daquele dois contra um, ela ergue as mãos para manipular a água do jato que caiu ao seu redor. E cria uma barreira sólida e implacável.

    — Fortemente denso para não passado, e levemente maleável para ser transmutado! — ela brinca, com um brilho travesso nos olhos. A parede de água que ela cria não é apenas uma defesa, mas, em um jogo de palavras, se transforma em uma arma. Transformando-a em lâminas afiadas, ela dispara contra a serpente, cravando-as no corpo da besta com uma força que parece rasgá-la por completo.

    Mas a sorte do demônio serpente é que continua vivo, ainda sentindo a regeneração, tentando se recuperar, o rosto distorcido pela ira. Antes que possa reagir, ela faz algo impensável: um soco, uma explosão de energia tão pura que as trevas ao redor se desintegram, deixando um buraco negro onde antes havia o abdômen da entidade maligna.

    A besta, exorcizada em um instante.

    — Soco purificador… — ela murmura, olhando para o punho, ainda brilhando com a força da purificação. Mas antes que possa processar a vitória, o outro inimigo revida, rápido demais para ela, e a lâmina negra corta sua face em um movimento de pura destreza. A dor é instantânea, mas não a impede de continuar. — Até que a sonoridade é boa!

    Foi superficial demais para atrapalhá-la…

    — Não me subestime! — ele brada — Amplificatio damni! — e no instante seguinte, as palavras malditas de sua técnica infernal se espalham, amplificando o corte com uma força devastadora. O pequeno fio no rosto de Elizabeth se transforma em uma explosão de sangue, como se sua carne tivesse sido rasgada por dentro. A dor é avassaladora, mas ela reage no impulso ao golpe seguinte, desviando por instinto, mal tendo tempo de processar a natureza do ataque.

    — Hã?

    Ela tombou para trás, mas o poder se acumula em suas mãos, uma energia incandescente que faz seus cabelos voarem como se estivessem sob o comando de um furacão. A determinação de não cair ali, de não ser derrotada, está escrita em cada fibra de seu ser.

    — Queria que durasse mais, mas você é chato demais para durar mais, bebê! — ela zomba, os ventos ao seu redor começando a se intensificar, formando uma tempestade que poderia engolir o mundo ao redor. — Transmutatio materiae et status! — Um furacão de poder que faria tudo ser engolido.

    Uma ventania devastadora que não só rasga o ar, mas desintegra o próprio espaço ao redor. O vento, como uma fera enfurecida, desestabiliza tudo em seu caminho, distorcendo a realidade enquanto a pressão atmosférica se torna insuportável. 

    O prédio inteiro treme, os andares superiores sendo dilacerados pela força do furacão, suas estruturas de concreto e aço se curvando como papel diante do poder incontendível. Jacir, arrastado pela onda de vento, tenta se prender ao chão, mas a força implacável da tempestade é como um abismo, engolindo qualquer resistência. E o demônio restante se esforça para bater suas asas, mas elas são quase quebradas, as penas se torcendo, como se o próprio ar estivesse conspirando contra sua existência. 

    Sentindo-se impotente, é forçado a usar as trevas em suas mãos, seus dedos se envolvendo em uma aura sombria, enquanto uma força abissal emana de seu corpo, tentando equilibrar a balança.

    “Que poder…” 

    Pensa, com a garganta apertada pelo medo e pela admiração.

    Sem pensar duas vezes, ele corta o piso abaixo de si, um choque de energia pura que reverbera como um trovão, despencando andares abaixo antes que o furacão o engula por completo. O impacto é brutal, fazendo com que as paredes e o concreto ao redor se despedaçassem como vidro quebrado, os ecos do colapso se fundindo com o rugido do vento, criando um caos ensurdecedor.

    A luta se transforma em um campo de caos absoluto, onde cada respiração é uma luta pela sobrevivência. Tudo está sendo consumido, não apenas pela tempestade física, mas pela desintegração do próprio espaço. Infelizmente, como sempre, a confusão reina e o destino parece incerto. O prédio começa a se partir ao meio, como a cabeça de um condenado decapitado, a estrutura se estilhaçando em um espetáculo de destruição que parece interminável.

    Como um filme de Michael Bay.

    E ela, observando do ponto mais seguro que pode encontrar, de dentro da técnica, flutuando, e tem apenas tempo para pensar: mais uma vez, exorcistas criando um caos para resolver um problema… e quem faz? É ela.

    As críticas que fez a Masaru ecoam em sua mente, como um farol de autocrítica que não pode ser ignorado. Uma bela hipócrita, não? E se questiona se há algo mais que poderia ter feito, mas, no fundo, sabe que a resposta sempre será a mesma.

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