Índice de Capítulo

    O infortúnio da dupla de Cavaleiros Negros foi que, antes mesmo de alcançarem Nova Tóquio e se depararem com possíveis aliados ou inimigos, cruzaram o caminho dos dois pilares de poder mais temidos que restavam na região: o casal de Celestes.

    Faltava pouco mais de uma hora para chegarem ao destino.

    À frente, caminhavam Gabriel e Elizabeth, olhos fixos, determinação incendiada e a fúria pulsando sob a pele. Seguiam em direção a Yokohama, dispostos a derrubar o demônio que ocupava o trono.

    Enfrentar meros lacaios? Não era sequer uma opção. Mas o destino, cruel e impiedoso, os trouxe até eles antes…

    E o pior? Nenhum dos dois conhecia os planos dos grupos nem as decisões que haviam tomado. Manter distância era a única escolha sensata—por bem ou por mal.

    — Magnus e Yoruichi? — O Celeste os reconheceu de imediato. Eram de sua geração de exorcistas, companheiros de formação na academia.

    Seu olhar se estreitou, a voz carregada de incredulidade.

    — Que diabos estão fazendo aqui? A Ordem não havia abandonado a capital?

    — Gabriel… — A voz de Magnus vacilou, como se visse um fantasma.

    Ao seu lado, Yoruichi deu um passo para trás, o instinto alertando sobre o perigo que emanava dos dois à sua frente.

    Ainda assim, reuniu coragem para falar, mesmo que a própria voz o traísse.

    — Vocês… precisam se render… em nome da Ordem!

    Uma piada de mau gosto que pairou no ar, sem eco nem risos.

    O casal se entreolharam, a incredulidade trocando olhares afiados.

    Magnus já previa aquela reação. Suspirou, pesando as palavras antes de prosseguir:

    — Vocês dois precisam se entregar… Se querem viver… — Sua voz vacilou por um instante. — Me dói dizer isso, mas… vocês sabem como é. Ordens são ordens!

    — O quê? — Franziu o cenho, a postura desafiadora. Com um movimento despreocupado, enfiou as mãos nos bolsos.

    — Do que diabos vocês estão falando, caralho? Render? Eu posso dar conta de até cinquenta de vocês!

    — Seiji… nos deu a ordem para matá-los! — Magnus disparou, a voz tensa, quase tropeçando nas palavras. — Ehr… senhora, não seja tão arrogante. Acha que não somos capazes?

    Tentou suavizar a sentença com um complemento inútil:

    — Não é nada pessoal!

    Ele realmente não tinha noção.

    E ciente disso a mulher arqueou uma sobrancelha, descrente.

    — Ehr… que merda vocês tão falando? — ignorou o comentário, desviando o olhar para o lado, como se a conversa fosse um incômodo menor.

    Então, com um suspiro impaciente, sentenciou:

    — Vazem. Nossa guerra não é contra vocês…

    Já Gabriel sequer abriu a boca. Apenas os observou, incrédulo, como se a situação fosse absurda demais para merecer uma resposta.

    Mas a dupla não daria um passo para trás.

    Infelizmente, para eles.

    — Só… recuem…

    A sentença veio baixa, quase um aviso.

    Então, tudo aconteceu num instante.

    O grandalhão atacou primeiro, conjurando um feitiço luminescente—sua especialidade. Era uma técnica assassina, projetada para eliminar o inimigo antes que ele tivesse a chance de reagir.

    Mas eles desapareceram.

    Desviaram num piscar de olhos.

    Não era qualquer um…

    Yoruichi era o maior mestre da luz, um exímio manipulador de sua energia, além de estar entre os mais poderosos portadores de energia espiritual.

    Seu golpe seria fatal.

    Se seus inimigos não fossem tão experientes e habilidosos.

    Meu trunfo… Cacete, como eles se moveram mais rápido que a luz?!

    A surpresa foi genuína, não só para ele, mas também para seu parceiro.

    — O quê? — engasgou.

    Em sua mente, o ataque deveria ao menos raspar em suas vestes…

    Mas nada.

    Nada sequer os tocou.

    — O que foi, hein? — A voz dela era carregada de desdém enquanto se inclinava contra o galho de uma árvore, equilibrando-se com uma facilidade irritante.

    Seus olhos fixavam Magnus com um brilho afiado, e o tom despreocupado deixava claro: ela se sentia intocável.

    — Querem mesmo isso?

    Ele engoliu seco percebendo.

    Ela sabia que era o maior perigo ali…

    Mas, pela primeira vez, duvidou se isso realmente importava.

    Mas eles não tinham apenas um alvo. Eram dois…

    — Me dói… ter que matar algum de vocês! — o celeste soltou um suspiro pesado, a angústia vibrando em sua voz.

    Seus dedos se curvaram em forma de pistola, movendo-se com precisão absoluta. Antes que qualquer um pudesse reagir, a ponta pressionava suavemente o peito de yoruichi.

    Rápido demais. Preciso demais.

    E, acima de tudo… letal.

    Era assombroso. A forma como se moviam—rápidos, silenciosos, como fantasmas.

    — Só um impulso… e você morre! — A ameaça não era vazia.

    Sua energia pulsava ao redor, vibrando no ar, sua aura crescendo em um ápice ameaçador. Qualquer movimento a mais poderia resultar em um golpe de luz devastador.

    Me matará com a própria ideia que criei para eliminá-lo?

    A dúvida se cravou na mente dele, fria e cruel.

    O tempo parecia se arrastar.

    O grandalhão hesitou, os olhos se estreitando, como se calculasse a próxima ação. Mas antes que pudesse reagir—

    O disparo ecoou no ar.

    — Esse é o poder da sacanagem? — O Celeste resmungou, sentindo a energia cortar o espaço entre eles. Seus dedos expeliam vapor, queimando com o resquício do ataque.

    O disparo foi tão intenso que atravessou vários troncos de árvores, destruindo tudo em seu caminho. Mas algo estava errado.

    Não o atingiu.

    O golpe passou direto, sem tocar sua pele, sem ferir sua alma.

    Mas como?

    Yoruichi então arfou, o peito subindo e descendo com a adrenalina. Seus olhos, antes cheios de fúria, agora estavam tomados por puro espanto.

    — Ehr… — Um gemido escapou, e ele fechou os olhos por um instante. O medo e a confusão o dominaram. — Eu… morri?

    — Não, imbecil… — Magnus respondeu, os dedos se entrelaçando enquanto um sorriso sórdido se espalhava lentamente por seu rosto.

    Ele avançou um passo à frente deles. Exatamente como Gabriel esperava.

    E então, a névoa da dúvida se dissipou na mente do amigo.

    O truque estava claro.

    Ele havia recorrido à extensão de sua técnica inata—Éter Fantasma. Um feitiço que lhe permitia tornar-se intangível, junto a objetos e até mesmo outros seres.

    Mas não era só isso.

    A chave estava na sua habilidade expansiva—Incisura. Quando ativada, a técnica espalhava sua influência, transferindo a intangibilidade para o alvo. Mas quando a desfazia o efeito retornava à sua forma sólida e…

    Boom.

    A explosão irrompeu com força devastadora, arremessando o Celeste para trás como um boneco de pano.

    — Amor?

    Elizabeth estreitou os olhos, encarando a cortina de poeira que se ergueu no impacto. Seus sentidos captaram três batimentos cardíacos… e entre eles, o dele.

    Mesmo sabendo que seu homem era um dos mais poderosos e inabaláveis exorcistas, a preocupação cravou-se nela como um instinto feroz. Mas então, através da poeira, ela o viu—

    Pés firmes no chão.

    Havia freado a onda de choque com nada além da própria força.

    Ele ergueu o olhar, gélido, analisando a situação com calma. Sempre calma…

    — Então essa é a sua técnica inata! — Sua voz cortou o silêncio. — Você… vai me dar trabalho!

    Os dois absorveram as palavras com um misto de hesitação e aceitação.

    — Igualmente! — Magnus respondeu, o tom carregado de determinação.

    Sem precisar de mais avisos, a dupla se separou.

    Um de costas para o outro.

    Ele manteve os olhos fixos em Gabriel, enquanto seu parceiro virou-se para Elizabeth.

    Os confrontos estavam definidos.

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