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    ​Os telespectadores, mais entusiasmados do que nunca, alternavam os olhos entre os telões e as copas das árvores na arena, tentando localizar os príncipes de Lyberion. O boato de que eles haviam provocado a Besta Mítica para uma
    perseguição suicida já corria pelas arquibancadas.

    ​Sue, a locutora, mantinha o fervor da multidão no ápice. Sua voz, amplificada por magia, ecoava em cada canto do estádio:

    ​— A THUNDERBLADE DERROTOU A CRIANÇA DAS SETE SOMBRAS! — anunciou ela, eufórica. —
    Redgar caiu! Enquanto isso, o restante dos desafiados fechou o cerco contra o grupo de Marco e Isaac! Mas atenção: o pelotão de Tály já se movimenta pela floresta. Parece que ela percebeu que seus companheiros estão em maus lençóis!

    ​Sue percorreu a arena com o olhar do alto de seu palanque flutuante, localizando o rastro de destruição deixado pelos irmãos.

    ​— E para aqueles que querem saber o destino dos príncipes, esta é para vocês!

    ​Ela fez uma pausa dramática, sentindo o silêncio ansioso de milhares de pessoas antes de explodir:

    ​— Eles estão fugindo da Pantera-Chicote! Atraíram a fera com suas manas e a estão
    conduzindo direto para a zona de combate da ThunderBlade e dos outros desafiados! Esperem… será que eles pretendem usar a Besta Mítica como uma arma na batalha?!

    ​A conclusão de Sue gerou um rebuliço imediato. Nos telões, a imagem captada mostrava as árvores sendo derrubadas como palitos pela Pantera enquanto Cassian e Helick saltavam entre os destroços.

    ​— O quê?! Isso é impossível! — alguns telespectadores debocharam. — Durante toda a
    história da humanidade, apenas a linhagem dos Silva conseguiu domar Bestas Míticas. Ninguém mais tem esse dom!

    ​— A não ser Helisyx — uma voz calma e profunda soou em meio a plateia.

    ​O homem que falara estava sentado em um lugar que, curiosamente, permanecera vazio
    durante toda a corrida, como se ninguém ousasse se aproximar. Usava um sobretudo que cobria todo o corpo e um capuz que ocultava o rosto; uma máscara subia do pescoço até a altura do nariz, deixando visíveis apenas seus olhos heterocromáticos.

    Um negro como o vácuo, o outro branco como a luz pura.

    — Não me diga que está comparando dois pirralhos com o maior gênio da história da humanidade só porque são príncipes daquele país de covardes abençoados com magia! — Um homem esbravejou, cambaleando com um coquetel na mão, a voz arrastada pelo excesso de álcool servido durante o evento.

    ​O homem encapuzado não se moveu. Seus olhos heterocromáticos permaneceram fixos no telão, ignorando a provocação barulhenta ao seu lado.

    ​— Os próximos acontecimentos nos dirão se eles são apenas moleques… ou guerreiros capazes de mudar o rumo da humanidade — concluiu Blando.

    ​Sua voz era calma, mas carregava uma autoridade tão sinistra que o bêbado pareceu
    sobressaltar-se, o calor do álcool morrendo instantaneamente diante daquela presença. Um silêncio desconfortável se espalhou pelas cadeiras vizinhas, como se o ar ao redor de Blando tivesse se tornado pesado demais para respirar.

    ​— Vamos apenas assistir — finalizou o Traficante de Verdades, cruzando os braços sob o sobretudo.

    Então o conforto das arquibancadas e a voz eufórica de Sue desapareceram, substituídos pelo som grosseiro de madeira sendo arrebentada e o sibilar de chicotes orgânicos cortando o ar, folhas raízes e tudo o que
    encontrava em sua frente.

    Os irmãos seguiam velozmente saltando de galhos e galhos e a urgência aumentava conforme eles sentiam a movimentação das mansas na arena.

    — Red… — Helick deixou escapar quando sentiu a mana do soldado oscilar e cair drasticamente rápido.

    — Você também sentiu, Helys? — Cassian falou ficando lado a lado enquanto saltavam. — Estranho, não senti mana confrontando ele, mas pude sentir como se ele estivesse lutando.

    — Um ARGENTEC provavelmente. — Cassian respondeu. — Mas o que mais me preocupa no momento é a quantidade de manas que estão diante de Marco e Isaac. Eles estão encurralados. Temos que nos apressar!

    Helick assentiu, mas uma oscilação abrupta de mana na direção deles o fez olhar rapidamente para frente.

    — O que?!… — Cassian grunhiu quando rajadas de cortes invisíveis correram em sua direção.

    Seu reflexo combinado com suas habilidades sensoriais corroboram para ele reagir a tempo e o impacto o jogou para trás, o derrubando dos galhos e caindo na direção do chão.

    — Cass! — Helick gritou olhando para onde o irmão havia caído
    e saltou para baixo.

    Cassian atingiu o chão rolando, dissipando a energia da queda para amortecer o impacto. Helick pousou logo em seguida, em posição de guarda, os olhos varrendo a penumbra.

    ​— Você está bem?

    ​— Tudo certo… — Cassian levantou-se, limpando o rastro de terra no rosto. — Me defendi a tempo.

    Helick começou a puxar o irmão para cima, mas o movimento foi interrompido abruptamente. O ar entre eles pareceu congelar. Helick sentiu
    o braço de Cassian tencionar, e seus próprios olhos se arregalaram.

    ​Lentamente, como se estivesse surgindo da própria neblina de poeira e folhas que assentava
    ao redor deles, a figura de um homem se materializou. Ele não caminhou até ali;
    ele simplesmente apareceu, ocupando o espaço exato entre os dois irmãos, em pé,
    bloqueando a visão que um tinha do outro.

    ​A espada pálida de Ross estava posicionada de tal forma que a lâmina ameaçava o pescoço de ambos simultaneamente. Os irmãos congelaram, reconhecendo a face do homem de aparência madura; seus cabelos escuros, que caíam até a altura dos ombros, agitavam-se com o deslocamento de ar provocado pela perseguição.

    ​— Você… é o mesmo que atacou Lyberion meses atrás! — Helick rugiu, a voz carregada de uma fúria contida.

    ​Ao fundo, o som das árvores sendo estilhaçadas e os rugidos da fera tornavam-se ensurdecedores, elevando a tensão ao limite. Os irmãos sentiam que qualquer movimento em falso resultaria em um corte fatal antes mesmo que pudessem tocar o chão.

    ​— Qual o seu nome mesmo? — Cassian perguntou, a voz apressada pelo som da destruição às suas costas. — Sei que deve estar querendo uma revanche, mas temos um
    problemão vindo logo atrás. Agora não é hora para vinganças pessoais ou qualquer coisa do tipo!

    ​Ross, vestindo uma armadura vermelha de design leve e funcional, fitou-os com um
    olhar gélido ao responder:

    ​— O nome é Ross.

    ​Cassian processou a informação por um breve segundo. O nome ressoou em sua mente.

    ​— Ross…? Rossander? — Cassian estreitou os olhos. — Rhyssara pediu para que eu
    o desafiasse… é por isso que está aqui? Por causa daquele desafio na corrida?

    ​O soldado o olhou de relance, a lâmina permanecendo imóvel e letal.

    ​— Um dos motivos, de fato, é esse. O outro… — Ross fez uma pausa dramática enquanto o solo tremia sob o peso da Pantera-Chicote — …é ver do que você é capaz de fazer de verdade. Quero provar se você é digno do que carrega.

    ​Helick percebeu imediatamente o peso nas entrelinhas daquelas palavras. Um calafrio
    percorreu sua espinha. De algum jeito, Ross sabia das joias-mapa.

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