Capítulo 65 - Operação Coleta Bibliotecária.
Enquanto Yuki segurava o objeto de Itsuki nas mãos, o clima sombrio pairava sobre seus pensamentos.
Do outra lado da escola, um pouco antes de Yuki encontrar o objeto, Arushi vivia um momento importante com seus dois amigos secretos.
— Vamos pegar aquele livro agora — disse Gojo, em tom baixo. — É o melhor momento, já que o diretor não está.
Os três amigos estavam reunidos para discutir esse assunto.
Desta vez, não estavam na sala dos Dragões Cinzentos, mas sim do lado de fora da escola, na parte dos fundos, para ser mais preciso.
— Sim, por isso chamei vocês aqui. Na sala onde estávamos, infelizmente, a mulher da limpeza começou a limpar. Ninguém pode ouvir isso — disse Arushi, com um tom sério.
— O plano será aquele mesmo, né? — indagou York.
— Sim! Vocês estão prontos? Alguma dúvida sobre o plano?
Arushi estava com um rosto determinado e confiante.
Um sorriso de canto demonstrava tranquilidade.
— Eu só quero entender o motivo de você querer tanto ajudar esse garoto. Vai se arriscar por conta de um livro — comentou York, com os olhos caídos.
A expressão fechada deixava clara sua negação a respeito do objetivo de Arushi.
— Não precisa entender. Apenas vamos fazer isso.
— Arushi não gosta de dizer seus reais sentimentos. Então não vamos questionar, York! — disse Gojo, com um olhar afiado voltado para York.
— Hmf… Eu sei! Mas espero que o tal do Yuki me agradeça depois disso.
— Ainda não é hora dele saber as identidades de vocês. Por enquanto, fiquem longe, entenderam?
Gojo e York acenaram levemente.
Arushi, com um sorriso discreto, ergueu seu punho em frente aos seus amigos secretos.

— Certo! Já que entenderam, está na hora de iniciarmos…
Os olhares de ambos se concentraram em um único ponto: o rosto de Arushi.
— A Operação Coleta Bibliotecária. Uma operação arriscada, que poderá causar suspensão em todos aqui, até mesmo expulsão. Vocês estão prontos para isso?
York e Gojo trocaram olhares com um sorriso determinado, olhares focados, e ergueram seus punhos também.
Um cumprimento comprometido entre eles.
“A realidade é moldada por mentiras… contadas por homens de terno.”
Um tempo se passou, e o diretor estava a caminho de volta para a ESA.
Será que ele chegaria a tempo de ver o plano de Arushi em ação? Ou tudo já estaria terminado quando chegasse?
York estava no departamento de impressão, exercendo seu trabalho após a aula, como sempre.
Juntamente com ela, estava o responsável por esse departamento, que por acaso tinha a chave do sótão, já que deixava documentos importantes impressos lá.
— Senhor Midas, tem mais algum documento para imprimir agora? — indagou York, em frente à máquina de impressão.
Midas, um senhor de idade que antigamente era professor de filosofia, mas agora é gerente do departamento bibliotecário.
Barba branca, olhos azuis e sem cabelo algum.
— Hmm… uhum.
Midas era um pouco silencioso, não falava muito e era bastante misterioso.
Com calma, pegou alguns papéis em cima do balcão e os levou até York.
Tudo estava indo perfeitamente normal, como todo santo dia.
O sol já estava se pondo, York percebeu isso ao olhar no relógio, já que não havia janela para ver o lado de fora.
O silêncio não era possível, pois havia mais gente no departamento de impressão conversando.
Local este que fica ao lado da biblioteca, justamente para não fazer barulho para quem estava lendo.
— Olá, senhor Midas! Tudo bem? Misterioso como sempre? — indagou Arushi, surgindo do nada.
Midas acenou com a cabeça lentamente.
— Que bom então, Midas. Vim aqui para te entregar algo bem interessante que achei no antigo depósito.
Ao dizer essas palavras, Arushi colocou sobre o balcão um papel dobrado, mas com alguns pontos sujos, como se tivesse sido enterrado delicadamente na terra.
Os olhos de Midas se arregalaram, sua expressão mudou drasticamente.
Ele pegou o papel em um ritmo dramático, enquanto encarava Arushi.
Mas não disse uma palavra sequer.
Arushi fez um sorriso macabro para Midas e saiu logo em seguida.
York não disse nada, nem sequer olhou para Midas.
Sua posição era estática, seu olhar ficou fixo no papel.
York finalmente virou-se para Midas e disse:
— O que foi, senhor Midas?
— Hmm.
Ele balançou a cabeça e virou as costas para York.
Abriu o papel com uma leve tremedeira nas mãos.
No início, ficou estático, mas agora começou a mexer na barba com a mão direita enquanto segurava o papel com a mão esquerda; estava completamente imerso na leitura.
York viu que era o momento perfeito para o plano prosseguir.
Ela se levantou, caminhou até a porta da entrada e chamou alguém.
Esse alguém era o Gojo, segurando alguns documentos nas mãos.
— Olá, boa noite! Vim imprimir cópias desses documentos da sala Dragões Cinzentos — disse Gojo.
— Boa noite. Pode deixar aqui em cima, por favor. Pode me dizer qual o nível desses documentos? — indagou York, com um olhar diferente para Gojo.
Um olhar de desconhecido, como se não fossem colegas.
Gojo arrumou a gravata enquanto dizia:
— Nível vermelho.
— Entendi. Senhor Midas, pode olhar aqui, por favor, os documentos? — disse York.
Midas não fez sinal de resposta, nem uma palavra de costume, nem um movimento.
Os documentos de nível vermelho precisam ser vistos e analisados por Midas para que ele dê o veredito se realmente são de nível vermelho e precisam ficar guardados no sótão.
Mas Midas estava imerso, preso na leitura do papel; o que estaria escrito para ele ficar tão vidrado?
York olhou para Gojo e fez um olhar de alívio.
Se seus olhos pudessem falar, agradeceriam aos deuses.
— Tá bom, eu mesmo vou olhar e verificar.
York abriu os documentos; eram todos papéis que serviam como rascunho na aula de artes. Se Midas tivesse visto, teria barrado na hora.
York imprimiu cópias dos documentos falsos e colocou na pasta de nível vermelho para ser levado ao sótão.
Após isso, Gojo partiu com os documentos falsos nas mãos, deu um aceno para York, como sinal de que tudo iria dar certo.
Mas algo incomodava York; ela voltou seu olhar para Midas novamente, que estava realmente preso ao conteúdo do papel, não mexia, não fazia nada além de mexer na barba.
— Que droga é essa, Arushi? — murmurou York.
A curiosidade e a ansiedade fizeram com que ela se levantasse da cadeira e se aproximasse lentamente do senhor.
Ela queria saber o que havia no papel.
Aos poucos, aproximava-se; dava para ver a ponta do papel, mas senhor Midas era grande, então não seria fácil ver o que havia no papel.
Porém, Midas fechou o papel; teria terminado de ver o conteúdo?
Ao se virar, deparou-se com York atrás dele, com uma expressão assustada no rosto.
Mas logo se recompôs.
— Ah… se-senhor Midas. Tem uns documentos de nível vermelho aqui para o senhor levar ao sótão.
O olhar de Midas se direcionou para o balcão; havia dez pastas de documentos de nível vermelho.
Os olhos dele se alargaram com isso.
Mexeu a barba e acenou com a cabeça.
York deu um suspiro de alívio e voltou para sua cadeira.
O plano estava indo tudo certo por enquanto.
Senhor Midas pegou cinco dos documentos.
— Hmm… uhum? — murmurou Midas, apontando para os outros cinco documentos.
— Ah… sim, sim! Eu te ajudo, senhor Midas.
York pegou os outros cinco documentos.
— O plano está tudo certo, realmente ele pediu minha ajuda.
Foi o que York pensou.
Mas algo estava se encaminhando para atrapalhar o plano: a vinda do diretor.
Eles foram até o elevador, segurando as pastas vermelhas.
— Boa noite, gerente Midas. Por que essa menina está indo com você? Deveria saber que é proibida a entrada de qualquer aluno no sótão.
York arregalou os olhos e ficou paralisada; uma voz familiar vindo de trás dela a deixou em choque.
Midas virou-se assim como York e viram que era o diretor.
— Por que ele já chegou? Logo agora?
York pensou, com um pequeno ódio interno.
De longe, Arushi deu um soco na parede, vendo o diretor parando York.
— O que vamos fazer agora? — indagou Gojo, ao lado de Arushi.
Eles estavam escondidos atrás de uma parede da entrada, mas conseguiam ver o que estava acontecendo em frente ao elevador.
— Não sei… se ele não deixar York subir, o plano não vai dar certo, e não teremos outra oportunidade — disse Arushi.
O diretor encarava o rosto de York com uma expressão fechada e desconfiada, certamente suspeitando do que estava acontecendo.
— Ah, esqueci que Midas não vai falar nada. Então me diga, York: você sabe que não deveria ir para o sótão, então por que está indo?
— B-bem, diretor, é que o senhor Midas não conseguiria levar sozinho todos esses documentos. Por isso estou ajudando.
— Não quero saber, ele poderia muito bem descer depois e pegar o restante. Por isso tem elevador!
— Eu sei, mas, poxa, ainda assim, diretor, daria mu-muito trabalho para o senhor Midas.
O diretor fechou a cara e começou a encarar os documentos.
— Por que tem tantos documentos de nível vermelho? Isso está certo?
— S-sim. Por que a pergunta?
— Normalmente não são tantos documentos, a não ser que o Midas tenha deixado acumulando, é isso? — disse o diretor, olhando friamente e com uma expressão assustadora para Midas.
O senhor Midas olhou para os documentos em suas mãos e logo depois para o diretor.
— Hmmm — murmurou Midas.
— Tsc… como se eu entendesse esses murmúrios. Deixa eu ver o conteúdo dessa pasta — disse o diretor, pegando a pasta do monte que York segurava.
Se o diretor visse que era apenas rascunhos de desenhos, o que será que ele faria?
O plano iria por água abaixo, e o diretor saberia que havia algo errado; poderia até punir o senhor Midas.
Parecia que tudo estava dando certo, mas agora tinha tudo para dar errado.
Os olhos de York, Arushi e Gojo se voltaram para o documento nas mãos do diretor.
Se preparando para abrir, algo surgiu para salvar o plano, como um gol no último minuto do segundo tempo.
— Diretor, te achei! Você precisa urgentemente vir comigo.
Era Ayumi, ofegante e com bastante pressa.
— Ayumi? O que foi? Estou ocupado agora.
— Mas, diretor, eu realmente preciso que você venha comigo, é sobre Theo e Jio, os alunos desaparecidos da Blue Zenith.
A atenção do diretor rapidamente se direcionou para Ayumi.
— O quê? Sobre Theo e Jio?
— Sim. Preciso que venha logo.
Seu olhar se inclinou para baixo, um movimento meticuloso surgia de sua boca.
— Certo… Estou indo.
Kobayashi voltou sua atenção para ambos, analisou a expressão deles, procurando algo suspeito.
— Midas, não deixe que ela toque em nada no sótão. Entendeu, né…garota?
— C-com certeza, diretor.
— Diretor Kobayashi, vamos! Rápido! — disse Ayumi.
Ele voltou com o documento do monte que York segurava e saiu em direção a Ayumi.
— Meu Deus, que sorte! — disse Gojo.
— Sim, muita sorte… — murmurou Arushi, com uma expressão estranha, olhando para o diretor e Ayumi saindo de vista.
Midas e York entraram no elevador em direção ao sótão.
Agora York suspirou levemente, tranquila, com o plano voltando aos trilhos do sucesso.
Elevador deixou eles no ultimo andar, andar este que pertence ao conselho estudantil.
Midas saiu na frente até as escadas que levam para o sótão, York estava logo atrás.
Olhando para os cantos, procurando por câmeras suspeitas, York estava sendo o máximo cautelosa.
Midas abriu o sótão e ela entrou, seguindo-o.
— Hmm… hmm? — murmurou Midas, apontando para a mesa.
— Para eu colocar os documentos aqui? Certo! Vou sentar aqui no banco e te esperar, senhor Midas.
Ela sentou no banco como dito, enquanto Midas desapareceu do campo de visão.
O momento perfeito para ela continuar com o plano.
Ela levantou do banco lentamente para não fazer barulho e foi em direção a uma janela que ficava no canto, um pouco depois da porta da entrada.
Ela, com toda delicadeza, tentou abrir a janela, mas estava com dificuldades; a janela não abria.
Tentou com um pouco mais de força, mas isso poderia fazer barulho, e ela estava ciente.
Mesmo com força, a janela não abria; estava trancada?
Ela olhou para os lados da janela, mas não encontrava fechadura ou algo do tipo.
O plano dependia disso, mas a janela não dava sinal de abrir, e ela não poderia quebrá-la, pois faria muito barulho.
York sentiu um desespero surgindo dentro de si.
Além dos passos de Midas se aproximando.
A janela não estava aberta e nem havia chance de conseguir; o que York poderia fazer?
Midas apareceu logo depois para pegar os outros cinco documentos da mesa.
York estava sentada no banco, ansiosa.
Ela conseguiu voltar a tempo.
Mas e a janela?
Ainda fechada.
Plano falhou?
Não havia outra janela para abrir, e ela ainda estava sentada no banco, abatida e pensativa.
Após alguns minutos, Midas apareceu.
Na frente da porta, ele fez o mesmo som que sempre faz.
— Hmm…hmm?
Com uma expressão decepcionada, York saiu do sótão junto com Midas.
Mas por qual motivo York queria abrir a janela?
Enquanto isso, Arushi, do lado de fora, estava subindo as escadas da lateral da escola, que levam ao telhado do prédio.
— Espero que York tenha conseguido! — murmurou Arushi.
Assim que chegou ao telhado, Arushi foi até a parte do sótão, indo na direção da janela que para ele estaria aberta.
A maneira como ele estava no telhado poderia simplesmente fazê-lo cair; a distância era muito alta, e se caísse, seria morte na hora.
Ele sabia disso, mas mesmo assim estava andando agachado enquanto segurava as telhas.
A janela estava na parte de baixo; como ele desceria?
Porém, ele não foi para a janela de baixo, mas sim para uma mini janela que estava na parte de cima.
Mesmo pequena, ele conseguiu achar uma maneira de abrir a janela que fica no teto.
Arushi conseguiu passar por essa janela pequena e entrar no sótão.
Vazio e seguro, ele foi na direção do armário onde ficam os documentos de nível vermelho.
Pegou os documentos e, de dentro, que só havia folhas de rascunho, havia também capas de livros, que não por coincidência eram idênticos aos livros que Arushi ia pegar.
Ele pegou livros aleatórios que estavam em sua mochila e colocou essas capas.
Pegou todos os livros da origem dos ONIS, guardou na mochila e trocou pelos falsos.
— Missão concluída — disse Arushi.
Com a mochila pesada, ele saiu do sótão e voltou para o telhado.
Mas, pelo seu azar, ouviu duas vozes vindo das escadas por onde havia subido.
— Sim, eu tenho certeza, eu vi um garoto subindo aqui.
Foi o que Arushi escutou.
— Droga, onde está o Gojo? Falei para ele vigiar para mim e não deixar ninguém subir.
Olhando para os lados, não havia nenhum lugar para Arushi se esconder, e se fosse pego poderia tomar suspensão.
Por um momento, passou na cabeça dele pular em alguma árvore, mas, obviamente, pela altura, ele morreria ou, no mínimo, quebraria vários ossos.
Mas pensou na ideia mais óbvia: voltar para o sótão.
Ele apressou os passos e voltou para dentro novamente, fechando a janela.
Estava escuro, isso poderia atrapalhar um pouco a visão deles, fazendo com que não viessem até essa parte do telhado.
Arushi contava com isso.
Os dois homens eram os vigilantes da escola.
— Não tem ninguém aqui, viu? Subimos à toa.
— Que estranho, eu jurei ter visto alguém aqui.
— Jurou é? Você é um bêbado, isso sim.
— HAHA, está tirando uma com a minha cara, é? Vamos voltar para jogar, hoje é dia de baralho.
— Com certeza, vou te amassar no baralho HAHA.
Os dois homens desceram as escadas enquanto davam gargalhadas.
— Ufa… que perigo — murmurou Arushi.
Com um olhar arrogante, o garoto encarou o céu pela janela.
Um sorriso de canto, frio e cínico.
— O dia da verdade está se aproximando…não concorda, Satoru?
Um vento carregando folhas marrons começou a surgir no campo de visão do garoto, o momento se dissipou com o vento… e Arushi desapareceu na escuridão da noite.
Arco: Investigação.

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