Capítulo X: Doença.
Ainda estava deitado e fraco. Gryiejörn tinha saído em busca do médico, eu estava relembrando histórias. Quando terminei de revê-las, Gryiejörn entrou no quarto e, vendo que eu ainda não respondia, me beijou. O beijo foi se alongando, até Giulia e Taerdus entrarem no quarto às pressas.
— O que houve?! Ele está bem? — Perguntou Taerdus, muito preocupado.
— Sim, estou… foi apenas uma tosse — Respondi, para surpresa do Elfo.
Gryiejörn me pareceu com ciúmes por eu ter preferido responder Taerdus. Mesmo assim, ele os contou o que havia acontecido, e o diagnóstico de que não havia nada errado comigo fisicamente.
— Se não há nada errado, por que a boca dele ainda sangra? — Perguntou Giulia.
E sim, a cada respiração minha boca enchia-se com sangue, e eu engolia de volta. O gosto de ferro me fazia ter consciência de que meu tempo estava se encurtando.
— Eu… Preciso… Chegar… — Eu dizia, entre uma tosse incontrolável — Na… deusa…
— Entendi! Não precisa dizer mais nada — Respondeu Taerdus.
Assim, Taerdus desfez o contrato que havia conseguido. Trocou meu cavalo por uma carroça, e a prendeu ao próprio cavalo para me levar até a deusa. Gryiejörn queria ir comigo junto da carroça, mas Giulia, que havia vendido o próprio pônei para comprar remédios, é quem acabou me acompanhando e cuidando de mim.
A viagem durou três dias e duas noites. No primeiro dia, Giulia cuidou de mim por tempo integral. Mesmo sem saber o que era, ela tomou controle do que me afligia prevendo os sintomas. Quando já era noite, Gryiejörn se ofereceu para cuidar de mim durante a madrugada. Giulia recusou, dizendo que o Elfo devia estar cansado por cavalgar demais durante o dia.
— Por que… Não… Aceitou…? — Perguntei, entre respirações pesadas.
— Depois da morte de Pederus, não podemos deixar que ele chegue mais perto de você… — Disse Giulia.
— Por… Que…?
— Pederus era tão jovem quanto você — Continuou ela — Nós sabíamos que a relação entre Gryiejin e ele era estranha. Um dia, vimos os dois tendo… relações. Ignoramos, tudo seguiu normalmente. Até Pederus se jogar em um ninho de Aractopatas em uma missão…
Vendo que eu estava suando, ela começou a abrir os botões de minha camisa e pôs uma toalha sobre minha cabeça.
— Eu só suporto aquele pervertido por ele ser meio-humano, e por ser ótimo no que faz — Continuou Giulia — se ele não tivesse salvado minha vida várias vezes, eu já teria atirado uma flecha nos ovos dele!
No dia seguinte, Giulia continuou cuidando de mim, somente parou a noite. Gryiejörn estava indo assumir o posto, mas Taerdus se ofereceu. Giulia foi dormir, Gryiejörn enfurecido, ficou acordado encarando as brasas da fogueira.
Taerdus por incrível que pareça, era muito hábil. Conseguia ser melhor que Giulia e Gryiejörn, vendo minha febre, retirou meus sapatos e minha camisa, limpou o suor, trocou a água do balde por uma mais fresca; pôs um pano molhado em volta de toda minha cabeça, e com outro molhava meu corpo e secava.
— Minha mãe morreu quando eu nasci sabia? — Disse Taerdus — Meu pai me culpava e me maltratava. Me chamava de fraco, de ridículo. Mas quando adoeceu, eu quem cuidei dele até sua morte.
Taerdus que estava ajoelhado próximo de mim, agora sentou-se encostado à parede. Estava relaxando enquanto minha febre estava baixa.
— Quando eu tinha catorze fiquei totalmente órfão — Continuou — eu realmente me achava pequeno, mas as pessoas diziam que eu era enorme. O mais alto e forte de todos. Mulheres vieram até mim, queriam que eu as comesse. Na verdade, todas desejam isso de mim.
Se esticou para ver se Gryiejörn ainda estava próximo a fogueira. Vendo que não, retornou a conversa.
— Ele te tornou um “pupilo”, não é? — Perguntou.
— O… Que…?
— Tudo bem, não precisa dizer. Já sei que sim — Continuou — Olha, eu sei que ele está abusando de você. Nós vimos no quarto em Hivermon. Segure as pontas, depois que a Deusa te curar nós iremos expulsar Gryiejörn do grupo.
Eu respirei forte, tão forte que sangue voou da minha boca e eu quase me afoguei. Taerdus me virou de lado para que eu não me afogasse. Mas o motivo da respiração foi o susto que tive ao ver Gryiejörn observando a conversa que eu tinha com Taerdus.
— Pelos Deuses! Se acalme, respire mais devagar! — Exclamou Taerdus — Quer ouvir uma coisa boa? Dizem que a Deusa além de conceder um desejo para quem a salvar, também irá transar com seu salvador. Lógico que de nós dois eu vou ser o primeiro, vou mostrar para ela porque me chamam de “Grande” — Ele gargalhou um pouco, e eu acabei por dormir.
No meio da noite fui acordado, Gryiejörn estava acima de mim totalmente nu. Taerdus estava dormindo. Tentei acordá-lo, mas não consegui.
— Eles não estão cuidando bem de você? Só eu cuido bem de você, não é? — Dizia Gryiejörn, enquanto abaixava minhas calças — Está tudo bem, irei cuidar de ti…
Gryiejörn lambeu de meu pescoço até meu membro, o beijou e o chupou. Ele se aproveitou de minha condição frágil e do sono de pedra de Taerdus. Quando ejaculei, ele pôs seu membro rígido sobre meu rosto, usou o sangue que eu expirava para lubrificar, e se masturbou. Seus testículos roçavam em meus lábios, e cobriam parte das minhas narinas. Não consegui respirar direito até que ele terminasse, e quando terminou, fez questão de abrir minha boca e soltar dentro. Sem poder cuspir, acabei engolindo. Ele beijou-me, vestiu novamente minhas calças, deu as costas e saiu rindo.
“Que nojo!” Disse Sagi “Eu não quis dizer nada antes porque você iria discordar de mim e se entregar mais para ele. Mas acho que agora nós dois concordamos que devíamos matá-lo”
“Sim, e faremos nossa vingança da pior forma possível” Pensei em resposta.
No terceiro dia chegamos à cidade de Engrüis, antigo lar da Deusa. Não paramos, fomos direto em direção a masmorra que ficava atrás da cidade. O lugar era muito pobre, pessoas morriam por doenças ainda desconhecidas, e mal tinham alimento. A masmorra era uma enorme torre que ficava destacada atrás da cidade.
Subindo as escadas, nos deparamos com diversos outros aventureiros. Taerdus me carregava nos braços e guiava o grupo. Giulia procurou fazer uma aliança com outros aventureiros. Gryiejörn sorria para mim, e não saia do lado de Taerdus. Quando chegamos na porta de entrada, Taerdus se sentou comigo ainda em seu colo. Esperamos, e logo Giulia chegou acompanhada de outros dez guerreiros que concordaram com a aliança. Todos humanos inclusive. Fizeram um plano e acordaram uma partilha dos ganhos, sendo um desejo o de me curar. Só espero que realmente cumpram a parte deles…

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