Capítulo 663 - Queda da Esquadra Invencível
『 Tradutor: Crimson 』
Até mesmo o calmo e composto Álvaro não conseguiu evitar sentir dor de cabeça ao ouvir o relatório. Ele não conseguia imaginar como o inimigo havia conseguido perfurar todos os navios em apenas uma noite sem serem percebidos.
“Não há tempo a perder. Transmitam minha ordem: abandonem os navios e embarquem nos botes para recuar.” Como esperado de um velho general — decisivo e rápido.
“Sim!” O oficial-chefe se curvou e saiu apressado.
Álvaro permaneceu no convés, ereto, com a testa franzida.
“Já que o inimigo armou algo assim, certamente tem planos posteriores.”
Ele ordenou a evacuação apostando na sorte. Como veterano de inúmeras batalhas, sabia que no campo de guerra o pior cenário frequentemente se tornava realidade.
E naquele vasto oceano, não havia uma segunda rota de fuga. Ele já conseguia prever a cena de corpos e sangue flutuando no mar.
Dez minutos depois, milhares de botes foram baixados dos galeões. Os marinheiros corriam, transportando suprimentos essenciais.
O exército NPC, limitado pela disciplina militar, manteve a calma. Sob ordens, embarcavam organizadamente.
Já os jogadores aventureiros eram completamente diferentes. Em grande número, começaram a empurrar, furar fila e disputar espaço.
Qualquer pessoa com bom senso sabia que os botes não comportariam todos.
Além disso, ainda precisavam levar recursos.
Mesmo disputando espaço, muitos ficariam para trás. Entrar em um bote significava uma chance de sobreviver; ficar significava morte certa.
Diante da morte, poucos conseguiam manter a calma. Comparados aos NPCs, os jogadores valorizavam muito mais suas próprias vidas.
Quanto mais o tempo passava, mais caótica a situação se tornava.
Ao ver os botes sendo preenchidos um a um, os que ainda estavam no convés perderam completamente o controle. Empurrões, xingamentos e até brigas começaram.
Até mesmo alguns marinheiros entraram em pânico e abandonaram suas funções para lutar por espaço.
Era um completo caos.
“Saiam da frente, seus vermes!”
No meio da confusão, esse grito ecoou de forma estridente.
À esquerda, em um dos galeões, um jovem de expressão fria segurava um sabre. Ele atravessou o corpo de um marinheiro de meia-idade, matando-o instantaneamente.
O sangue fresco escorreu pelo convés, chamando atenção de todos.
O jovem puxou o sabre e limpou-o casualmente no corpo da vítima antes de embainhá-lo.
Os marinheiros ao redor olharam com fúria — mas também com medo.
A multidão entrou em alvoroço.
Ao perceber os olhares, o jovem não demonstrou arrependimento. Pelo contrário, gritou:
“O que estão olhando? Que direito vocês têm de ficar na nossa frente?”
Desde o início do jogo, muitos jogadores ainda não tratavam os NPCs como pessoas. Para eles, eram apenas dados. Mesmo que morressem, não significava nada.
Diante dos marinheiros NPCs, muitos jogadores se sentiam superiores.
Assim, não só ninguém interferiu, como alguns começaram a imitá-lo. Empurravam marinheiros — e alguns até usavam armas.
Mesmo aqueles que discordavam preferiam ficar em silêncio.
Como os marinheiros poderiam competir com jogadores? Mesmo os soldados NPC não eram páreo para eles.
Em apenas dez minutos, vinte marinheiros já estavam mortos, e muitos outros feridos. O espaço, antes apertado, tornou-se mais “livre” à força.
Esse massacre finalmente provocou uma reação.
Os marinheiros também eram humanos. Diante da morte, uma força inesperada surgiu.
“Irmãos, vamos lutar!” gritou um deles, erguendo sua arma.
“Lutem! Se eles não querem que vivamos, então não viverão também! No pior dos casos, morremos juntos!”
Se não conseguissem embarcar, morreriam de qualquer forma. Então, por que temer?
O caos no convés explodiu de vez.
Jogadores e marinheiros começaram a se massacrar. Embora os marinheiros sofressem mais baixas, alguns jogadores também morreram — o que apenas aumentou a fúria dos demais.
Desde a manhã, o sentimento de derrota já os sufocava. Agora, até aqueles que consideravam inferiores ousavam resistir — algo inaceitável para eles.
Alguns jogadores que antes hesitavam começaram a se juntar à violência.
Assim, ambos os lados passaram a sofrer perdas pesadas. O caos localizado se transformou em uma batalha generalizada — até mesmo aqueles que já haviam embarcado começaram a lutar entre si.
Ambos os lados começaram a se afastar.
Até mesmo os soldados NPC ficaram furiosos ao ver seus companheiros sendo mortos. Se não fosse pela contenção dos oficiais, a situação teria saído ainda mais do controle.
Quando Álvaro recebeu a notícia, ficou tão irritado que sua barba chegou a tremer. Para ele, era inacreditável que os jogadores estivessem tão fora de controle naquele momento crítico.
“Mandem esses vermes pararem. Caso contrário, não me responsabilizo pelo que acontecer.” Sua expressão se tornou sombria.
“Entendido!”
O comandante-chefe praticamente não tinha autoridade sobre os jogadores aventureiros, já que haviam vindo voluntariamente. Quem realmente podia controlá-los eram os lordes e líderes de guilda.
Os lordes também estavam insatisfeitos com o caos. Afinal, aqueles marinheiros eram seus subordinados — não simples objetos descartáveis. Verem-nos sendo massacrados assim naturalmente causava revolta.
Nesse momento, um jogador barbudo deu um passo à frente e gritou:
“Parem agora! Não vão longe demais!”
Sua voz ecoou por toda a região marítima.
Curiosamente, após esse grito, muitos jogadores recuaram e interromperam a luta. Os marinheiros, sem coragem para continuar, também recuaram silenciosamente para tratar os feridos.
Aquele homem era Pepe, líder da Guilda Mercenária de Madrid — e o jogador mais forte da Espanha.
Entre os jogadores espanhóis aventureiros, ele possuía enorme prestígio. A maioria respeitou sua autoridade e obedeceu.
Graças à sua intervenção, a situação se estabilizou.
Com o passar do tempo, a água continuava a invadir os compartimentos dos navios em um ritmo cada vez maior. Galeão após galeão começava a afundar, formando redemoinhos na superfície.
“Rápido, recuem imediatamente! Esqueçam os recursos!”
Álvaro saltou para um dos botes e deu a ordem.
“Recuem! Um redemoinho vai se formar!”
“Rápido! Remem mais rápido!”
Sem precisar de mais ordens, os 1.500 botes do primeiro grupo de combate fugiram em pânico. Até mesmo um marinheiro comum sabia que, uma vez formado um redemoinho, seria o fim para embarcações pequenas.
Na imensidão do oceano, uma cena impressionante se desenrolava.
Galeão após galeão afundava como bestas gigantes sendo tragadas por um pântano. Primeiro desaparecia o casco, depois o convés — e por fim, mastros e velas.
Com eles, afundavam também a glória e a honra da Invencível Esquadra Espanhola.
Redemoinhos começaram a surgir e a se fundir. Como água sendo sugada por um ralo, um enorme vórtice logo se formou — perigoso e implacável.
Os pequenos botes se amontoavam ao redor, cheios de medo e desespero.
Os jogadores estavam em choque. Na noite anterior, ainda sonhavam com vitória e glória.
Ao amanhecer, haviam perdido tudo.
Esse contraste brutal esmagou a moral espanhola. Nem mesmo um general lendário como Álvaro conseguia reacender o espírito de luta.
Meia hora depois, relatórios dos outros grupos chegaram ao comandante.
Os espanhóis utilizavam gaivotas brancas para comunicação marítima, permitindo a troca de informações mesmo naquela situação caótica.
Ao ler os relatórios, o coração de Álvaro afundou.
Não era apenas o seu grupo — os outros três também haviam sido atingidos. Apenas o quinto grupo, a reserva, permanecia intacto.
Mas esse grupo tinha menos de 20 galeões, sendo composto majoritariamente por carracas e embarcações comuns.
Antes da batalha, Álvaro sequer considerava utilizá-lo. Agora, era sua única esperança.
Os quatro grupos restantes, espalhados em 1.500 botes, começaram a se reunir em direção ao quinto grupo sob o comando de Álvaro.
Mas aqueles pequenos barcos eram extremamente frágeis — uma onda um pouco mais forte poderia virá-los.
‘Espero conseguir levá-los de volta em segurança…’ pensou Álvaro.
Mesmo percebendo que era estranho o quinto grupo ter permanecido intacto, ele não tinha outra opção.
Era como cair em uma armadilha sabendo que era uma armadilha — mas ainda assim ser forçado a seguir, pois havia uma isca que oferecia esperança.
Essa era a estratégia brilhante da esquadra de exploração.
Como disse Zheng He:
“O quinto grupo é a isca. Quando todos se reunirem, nós os eliminaremos de uma só vez.”

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