Capítulo 25 - O Poder do Sol
O Senshi o carregou em suas costas, mas ouviu alguém se rastejando. Virou para o lado e viu um homem saindo debaixo de uma mesa. Era a pessoa que chamava por socorro. Yuri tomou os dois e os levou para próximo da carruagem que tinham usado para chegar naquele lugar.
— Encontrou os moradores? — perguntou um aliado.
— Sim, mas esse voluntário foi pego. Ele precisa de cuidados urgentes! — ordenou, voltando ao campo de batalha.
“Ainda bem que éramos a maioria para essa emboscada, já resgatamos boa parte dos reféns, e os Kiiro já estão recuando. Se o Supremo conseguir conter o avanço do patriarca, logo estarei de volta em casa. Pode me esperar, Yukirama, meu filho”, pensou.
Aos poucos, os Senshi’s empurravam seus inimigos para trás das linhas ofensivas, cada vez mais próximos do círculo que abastecia o Sol reluzente com energia.
Na caça de um dos últimos, uma criança engatinhava pelas ruas, escapando de uma das casas, quando foi colhida por um dos Kiishi’s em fuga. Ele colocou uma espada em seu pescoço, quando Yuri tomou sua frente.
— Solta ele. A batalha já acabou! — disse Yuri, apontando sua lâmina.
— Você primeiro! — ameaçou o amarelo — A batalha já acabou, né? Então solta.
— A vida dele não é um brinquedo — agachou, deixando a espada no chão, e prosseguiu andando até o Kiishi — Viu, estou desarmado. Me entrega ele.
— Não me subestime! — insistiu, deslizando a lâmina pelo pescoço do garoto, que gritou de dor.
— Jamais — deu mais passos, chegando mais perto — Última chance. Deixe-o ir!
Yuri erguia as mãos para trás da cabeça, mas o Kiishi começava a andar para trás com a criança. Em seu último passo, a aura do Senshi cresceu subitamente e sua mão flamejava em vermelho. Num piscar de olhos, ele saltou com o punho cerrado, socando o cavaleiro da dinastia a nocaute.
— Corre garoto! — gritou, empurrando o garoto para trás de si.
O garoto corria olhando para trás, percebendo Yuri aos poucos sendo cercado por mais Kiishi’s.
— Ele pegou um de nós! — gritou um Kishi que vinha para emboscá-lo — Tá desarmado, peguem logo ele.
Yuri roubou a espada de sua primeira vítima e atacou um adversário à sua esquerda, chutando nas canelas e o agarrando pelo pescoço para cortar sua garganta.
De frente, vieram mais dois com par de escudo e espada. Ele girou no ar, balançando sua lâmina, erguendo as defesas inimigas, o que abriu a oportunidade de carregar seu punho de energia. Seu soco estilhaçou o escudo adversário, permitindo que cravasse a espada no seu peito.
O segundo reagiu ao grito do parceiro, acertando sua cabeça com o escudo. Yuri rolou para trás, embora mais Kishi’s esperassem por ele ali.
“Estou cercado. Fui atraído para cá por aquele outro amarelo para dentro das linhas inimigas. Não posso voltar agora, aquela criança precisa fugir”, pensou.
Yuri socou o chão com seu iro, criando uma onda que afastou alguns Kishi’s, mas seus números eram grandes demais e o calor aumentava. Um grupo formou fila, empunhando lanças usou um corpo rapidamente como escudo, mas teve um projétil atingindo em cheio seu ombro.
Gritando de dor, ele cortou a ponta, que saía do outro lado, e puxava a estaca de madeira para fora do corpo a fim de se curar da ferida. No entanto, mais lanças eram jogadas contra ele, algumas desviadas, outras acertadas. Ele se ergueu mas foi cravado por espadas de todo o lado.
Sua aura cresceu, desferindo golpes em tudo que via e se mexia, mas seu brilho estava baixo, seu corpo procurava se regenerar antes de lhe dar forças no combate.
Seu braço pesava com a espada na mão, por conta das muitas outras que estavam incrustadas no seu corpo. Na tentativa de atacar, um Kiishi desviou e passou sua lâmina pelo braço de Yuri, separando o membro do corpo.
“Yukirama, pode ser que… Talvez, você não deva me esperar dessa vez.”, sua visão escurecia.
Sua aura já não estava mais visível, exceto pelo braço que ainda permanecia junto ao corpo. Yuri cerrava os punhos uma vez mais e enterrou sua mão fechada no rosto de seu algoz, jogando ele nas fileiras inimigas. Ele se ajoelhou e, soltando seu último suspiro, caiu de cara na poça de seu próprio sangue.
“Pelo menos… o menino fugiu.”, pensou ao tempo que perdia consciência.
Mais Senshi socorreram o homem abatido, obrigando o grupo de inimigos da outra cor a se afastarem. Aqueles comandados pelo titular, pegavam o cadáver já sem vida do homem.
— A criança que foi resgatada disse que foi salvo por um dos nossos, só pode ser ele.
— Yuri Goto — reconhecia o titular Kenichi, — é uma pena que tenha sido você. — pegava-o pelas mãos — Deixe que eu me encarregue dele, merece um enterro digno de sua entrega.

No centro da vila. A carruagem que trazia os Principais terminava sua pequena viagem no topo de uma colina que dava de frente com o cenário. Oda despachou carregando consigo os envolvidos até o lugar onde os arcos de energia no céu indicavam. Chegando notou o Patriarca de frente para Onochi.
— Os mensageiros já deviam ter parado o conflito a essa hora — reparou Onochi.
— Sem compromissos antes de ver minha filha — retrucou o patriarca.
As fileiras de Senshi’s abriram caminho para os recém-chegados, que chamam a atenção de Osíris de imediato. Hoshizora, mesmo mancando, corria entre os homens, seguida por Yasukasa, para abraçar o pai.
— Hoshizora, que bom que está bem! Mas olhe para você, o que eles fizeram? — disse Osíris, limpando a sujeira de seu rosto.
— Chega — disse Yasukasa, puxando sua irmã mais nova — Agora não é hora disso.
— Do que estão falando? — reparou nos ferimentos da filha mais nova — Se esses Senshi’s imundos te feriram…
Enquanto pai e filha conversavam, Onochi via Yanaho pela primeira vez em muito tempo.
— O que está fazendo aqui? — agachou para olhar o aprendiz de perto — Eu disse que iria resolver esse problema!
— Eu consegui ajudar. A gente conseguiu a Hoshizora e nos encontramos com os principais pelo caminho, Suzaki nos ajudou.
— Você podia ter morrido! — brigou com o garoto, — essas pessoas são perigosas, você não está pronto para isso.
Chegando perto, Oda se juntou à conversa.
— Devia ter visto a cara de um dos Hanmã. O garoto refez o rosto dele todo.
— Oda, líder dos principais, certo? — grunhiu Onochi, se levantando — Não vou aceitar que fique encorajando o comportamento impulsivo do meu aprendiz, muito menos que comprometa a negociação que eu e Ryoma estamos fazendo.
— E onde está Ryoma? — olhou de um lado para o outro — Pois bem. É sempre assim. Ele fala, eu faço. Agora sai da minha frente.
O líder dos principais carregava Isao preso nas mãos e nos pés, jogando o chefe dos hanmã aos pés de Osíris interrompendo o reencontro:
— Já que suas filhas já te contaram quem resolveu tudo. Por que não aproveita para punir o responsável para variar?
— Traste, você é um verme Oda! Não perecebe, quem sai perdendo somos nós! Devia ter vergonha. Vergonha! — gritou Isao, se contorcendo para fugir das amarras.
— Acham mesmo que vou acreditar nisso? — riu Osíris — Fui eu que exigi que devolvesse minha filha. Sejam mais criativos da próxima vez.
— Pai, foi ele — explicou Hoshizora — é verdade, eles realmente ajudaram.
— Fique quieta Hoshi, isso não é coisa de criança.
— Você escolheu travar essa batalha inútil ao invés de salvar a sua filha, e ainda quer mandar ela se calar? — insistiu Yasukasa.
— Não finja inocência — disse Osíris, segurando a filha mais velha pelo braço. — Antes do sequestro dela, você estava comigo a cada passo desse plano. É inútil fugir agora.
— Acabou! — disse Oda — Sua filha está aqui, o responsável também. Quer levá-lo para Kiiro? Fica à vontade, mas desfaça isso.
— Desfazer? Desfazer?! — apertou Yasukasa com mais força — Pensa que tudo vai voltar a ser como antes? Que vai dar ordens a um Patriarca?
A aura de Osíris crescia na mesma proporção dos arcos no céu.
— Está me confundindo com o Supremo. Eu não abaixo a cabeça para ameaças — disse Oda, puxando sua espada.
— Pai, não faça isso — pedia Hoshizora, mas seu pai soltou sua irmã em cima dela.
— Nós ficamos na sombra dos Aka, aguentando injustiça atrás de injustiça. O sol reluzente vai continuar até um acordo de verdade ser firmado entre nós. Eu quero o Supremo aqui. Ele e seu rei ou todos nessa vila serão os primeiros a pagarem o preço desse desgoverno!
O líder dos principais, na esperança de pôr um fim em todo o conflito desamarrava as ataduras de seu antebraço, com a espada em mãos para confrontar o patriarca, mas Onochi protestou:
— Essa luta é inútil, Oda. Quer causar uma guerra ameaçando o líder de uma nação estrangeira? Seu rei não deve querer isso.
— Que se dane o Rei — disse Oda, cerrando os punhos.
Desferindo um soco no chão, Oda provocava rachaduras que se ramificaram debaixo do patriarca. Ao primeiro passo, Osíris sentia tudo estremecer, quando uma das rachaduras saía líquido vermelho alaranjado vindo da fenda aberta sob seus pés, obrigando ele a recuar para o lado.
— Você é da região vulcânica, pensei que a atividade estivesse extinta — se surpreendeu.
— Está errado em muita coisa sobre mim — Oda estalava os dedos.
— Não importa, você pode ter a terra a seu favor, eu tenho os céus — erguia as mãos.
Um raio de luz cortava a redoma de energia Kiiro, separando dela um pedaço daquele céu amarelado, que caía sobre Oda. O fragmento durante sua precipitação, tomava a forma de uma lança, grande como uma árvore com a velocidade de uma chuva.
O líder dos principais impunha suas duas mãos no solo, e de todas as aberturas, fez surgir uma pequena erupção que se chocou com a chuva amarela. A leve explosão do impacto fez subir fumaça nos arredores.
O vapor era condizente ao resfriamento abrupto, que pelos ares, nublava a visão de todos, assim como Yanaho que se impressionava:
“Esse nível de poder… como conseguem?”, pensou com os olhos arregalados.
A aura branca de Onochi brilhava no turbilhão, indicando seu papel nisso tudo.
“O calor Kiiro se dispersou. Oda bloqueou o ataque de Osíris muito no alto, sabia o que estava fazendo. Esse é o tamanho do poder do sol reluzente. Não sei por quanto tempo vou conseguir manter todos seguros com isso. É arriscado, mas o Supremo está confiando isso a mim.”, pensou para a seguir lançar-se dentro da névoa para interferir na batalha.
Os dois combatentes cruzavam espadas na nuvem de vapor. Um brilho enorme surgiu entre os dois, capaz de cegar qualquer um, Oda fechou seus olhos a tempo dando um mortal para trás, socou o solo uma vez mais, dessa vez para fazer surgir um gêiseres ao redor do Patriarca que recuou.
A névoa se dissipou completamente, Osíris tinha seu corpo molhado pelo reconhecendo:
— Se eu não estivesse acostumado com o calor, estaria queimado com essa água. Não vou admitir que ameace minha vida — provocou Osíris — renda-se logo.
— Se confia tanto assim, termina a luta logo de uma vez — respondeu Oda, pisando com força, despertando um pilar de chamas.
Desviando no último segundo possível, Osíris se preparava para usar outra vez o sol reluzente:
— Já chega, minha paciência se esgotou com você — estendia as mãos ao céu.
— Papai, não! — gritou Hoshizora sendo contida pela sua irmã.
— Se protejam — alertou um dos Senshi’s de trás de Oda que apenas encarava o patriarca, tempo que todos estavam apavorados.
As mãos no céu logo se direcionaram para todos que estavam à frente de Osíris, um ataque concentrado que certamente devastaria todos eles. Mesmo assim o líder dos Principais apenas sorria.
Yanaho se agachava para de trás de seu mentor Shiro:
“Droga, depois disso tudo não posso morrer logo agora!”
Foi então que o garoto se surpreendeu com uma luz branca diante dele, a aura de Onochi crescia como nunca antes.

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