Pionla já estava acordada, escrevendo em um caderninho. Quando escuta alguém chegando, faz o livro ficar pequeno e o esconde em seu chapéu. A pessoa que vinha animada era Tulipán.

    — Que surpresa, madame Pionla estar acordada essa hora… mas que bom, porque o evento já vai começar! — Ela diz com um sorriso no rosto.

    — Só estava animada para ver o que você estava preparando. — Ela se aproxima e segue Tulipán para acordar os outros.

    Um a um, eles se levantam, ainda sonolentos.

    — Que sono… — Ré se apoiava na parede, quase dormindo.

    — Certo, todos estão prontos? — Tulipán sorri.

    Todos concordam com a cabeça e seguem Tulipán para fora, onde tudo estava arrumado. Muitas pessoas seguravam cartazes e bandeirinhas, demonstrando carinho por eles.

    — É bastante gente… realmente é caloroso. — Bauvalier sorri ao ver tantas demonstrações de carinho.

    Ela os leva para a primeira fila, em frente a um palco montado.

    — Se não for pedir muito… vocês gostariam de subir no palco comigo? Eu vou cantar uma música nova, então, se quiserem falar algo, podem vir também. — Tulipán pergunta tranquilamente enquanto arrumava o microfone.

    — Eu vou. Mais alguém? — Pionla diz, animada.

    Pionla puxa Ré e Roseta junto com ela, enquanto Locista e Bauvalier permanecem tranquilos na primeira fila.

    — Que ótimo, então vamos! — Tulipán leva as três até o palco. — Então… vamos nessa.

    Ela respira fundo, uma música leve começa a tocar, e sua voz sai suave e energética enquanto canta:

    “Com esse azul que acalma a alma
    com esse rosa que devora a ira
    mas cuidado pra não se machucar
    já que pode acabar ficando com um roxo
    se brincar muito alto

    e como todos os iludidos
    que acham que voar perto demais de uma estrela
    é uma boa ideia”

    Ela sorri ainda mais e segura a mão das meninas enquanto canta. Parecia mais animada do que qualquer outra coisa.

    “Foi mal, eu só me empolguei, mas
    com meus olhos vejo essa sua emoção
    e sei que ninguém pode me parar

    então pode se esforçar,
    mas não vai me derrubar

    se o topo é tão alto,
    terá que batalhar
    porque nenhuma disputa se entrega

    então não espere,
    porque acima não há nada
    e no nada eu também encontrarei
    um jeito de brilhar

    então é bom se esforçar…”

    Ela continua cantando, e as meninas ficam dançando junto da música, enquanto a plateia entra em euforia, assim como Locista, que batia palmas e comemorava no meio do público.

    Depois da segunda música, elas descem do palco e se sentam ao lado de Bauvalier e Locista.

    Outro trecho de música podia ser ouvido diante dos gritos animados da multidão:

    “Sei, sei,
    que quando me empurrarem,
    não será só eu que vou cair

    tem gente que depende de mim,
    que precisa escutar
    quer sentir que é ouvida

    mesmo que doa,
    mesmo que tema
    sei que machuca

    mas se for para ajudar,
    que ajude alguém, alguém

    talvez alguém possa escutar…
    e ter esperança…”

    — Que pena que logo vou embora… mas foi muito divertido. — Locista olha para o palco com os olhos brilhando.

    — Realmente… é brilhante. — Bauvalier comenta, mas leva uma cotovelada de Roseta.

    Todos batem palmas quando Tulipán termina a última música. Ela sorri e, com a voz animada, fala:

    — Fico feliz que todos que estão aqui puderam vir para a partida dos salvadores do nosso mundo! — Ela olha para eles e sorri. — Agradeço a presença de todos!

    As luzes se apagam, e ela desce para falar com eles.

    — Precisa de mais alguma coisa, Tulipán? — Pionla pergunta enquanto ajeitava o chapéu.

    — Na realidade, sim… tem algo. — Ela mostra uma carta selada. — Eu sei que carta é meio antiquado, mas já perdi o número dele há muito tempo… e, além disso, acho isso mais honesto do que só uma mensagem.

    — Quer que levemos isso? Por que você mesma não leva? — Bauvalier retruca, já impaciente.

    — Eu posso… mas achei que não faria mal levarem isso, já que vão a Cidade de Cartas. E queria que essa carta chegasse o mais rápido possível. Não confio que os entregadores daqui levem meu pedido a sério.

    Pionla pega a carta e a entrega para Ré, que a guarda no anel que havia pegado em Simulacrum.

    — Tenha certeza de que chegará em segurança… e rápido. E agradeço por ter pedido aos guardas para levarem Locista para casa. — Ela sorri, tranquila.

    — Eu não pedi, foi nosso governante. E, para a própria segurança dela, eu despachei os guardas e eu mesma irei junto. Não acredito que nossos guardas, sozinhos com uma menina tão nova, seriam seguros. Confiem na minha palavra. — Ela fala com certeza.

    — Se a segurança dela está garantida, então tudo bem. Mas você esqueceu de avisar para quem devemos entregar a carta. — Roseta coloca a mão na cintura.

    Tulipán olha para baixo, um pouco envergonhada.

    — É para um velho amigo meu, alguém de quem me afastei. Acho que vocês conhecem: Pierro. — Ela fala baixo, mas respira fundo e levanta o olhar. — Desde que me casei com Arlequim, eu tinha me afastado dos meus amigos. E como Pierro perdeu a mãe há pouco tempo, espero que eu possa dar um ombro amigo para ele chorar.

    — Conheço sim. Tenha certeza de que vai ser entregue. — Pionla diz, alegre com a descoberta. — Mas onde vocês se conheceram? Não imagino um lugar para esse encontro de pessoas tão diferentes.

    — Fiz faculdade na Cidade das Cartas. Foi lá que conheci Pierro. E alguns meses depois encontraria meu falecido marido, Arlequim… mas acho que isso é conversa para outro dia. Vou deixar vocês seguirem viagem.

    Ré se aproxima dela e dá um abraço forte de despedida.

    — Fica bem, tá? A gente se encontra depois e bate um papo melhor. — Ela sorri, afastando-se para Tulipán poder seguir para a carruagem com Locista, no portão oposto daquele para onde eles estavam indo.

    — Tá, agora é hora de criar mais uma carruagem… porque um certo alguém desfez a outra, sem citar nomes, é claro. — Pionla revira os olhos antes de criar uma carruagem maior do que as anteriores. — Acho que está bom por agora.

    — Eu dirijo, podem ficar tranquilas. — Bauvalier sobe para a parte da frente.

    — Então tá, vamos nessa! — Ré sobe rápido, já arrumando seu lugarzinho na parte de trás.

    As outras duas seguem subindo junto dela, e a carruagem começa a andar em destino ao seu novo destino.

    FIM DO ARCO 4 — Necessidade De Uma Finalidade

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