Capítulo 28: Tempo de Seguir
Pionla já estava acordada, escrevendo em um caderninho. Quando escuta alguém chegando, faz o livro ficar pequeno e o esconde em seu chapéu. A pessoa que vinha animada era Tulipán.
— Que surpresa, madame Pionla estar acordada essa hora… mas que bom, porque o evento já vai começar! — Ela diz com um sorriso no rosto.
— Só estava animada para ver o que você estava preparando. — Ela se aproxima e segue Tulipán para acordar os outros.
Um a um, eles se levantam, ainda sonolentos.
— Que sono… — Ré se apoiava na parede, quase dormindo.
— Certo, todos estão prontos? — Tulipán sorri.
Todos concordam com a cabeça e seguem Tulipán para fora, onde tudo estava arrumado. Muitas pessoas seguravam cartazes e bandeirinhas, demonstrando carinho por eles.
— É bastante gente… realmente é caloroso. — Bauvalier sorri ao ver tantas demonstrações de carinho.
Ela os leva para a primeira fila, em frente a um palco montado.
— Se não for pedir muito… vocês gostariam de subir no palco comigo? Eu vou cantar uma música nova, então, se quiserem falar algo, podem vir também. — Tulipán pergunta tranquilamente enquanto arrumava o microfone.
— Eu vou. Mais alguém? — Pionla diz, animada.
Pionla puxa Ré e Roseta junto com ela, enquanto Locista e Bauvalier permanecem tranquilos na primeira fila.
— Que ótimo, então vamos! — Tulipán leva as três até o palco. — Então… vamos nessa.
Ela respira fundo, uma música leve começa a tocar, e sua voz sai suave e energética enquanto canta:
“Com esse azul que acalma a alma
com esse rosa que devora a ira
mas cuidado pra não se machucar
já que pode acabar ficando com um roxo
se brincar muito alto
e como todos os iludidos
que acham que voar perto demais de uma estrela
é uma boa ideia”
Ela sorri ainda mais e segura a mão das meninas enquanto canta. Parecia mais animada do que qualquer outra coisa.
“Foi mal, eu só me empolguei, mas
com meus olhos vejo essa sua emoção
e sei que ninguém pode me parar
então pode se esforçar,
mas não vai me derrubar
se o topo é tão alto,
terá que batalhar
porque nenhuma disputa se entrega
então não espere,
porque acima não há nada
e no nada eu também encontrarei
um jeito de brilhar
então é bom se esforçar…”
Ela continua cantando, e as meninas ficam dançando junto da música, enquanto a plateia entra em euforia, assim como Locista, que batia palmas e comemorava no meio do público.
Depois da segunda música, elas descem do palco e se sentam ao lado de Bauvalier e Locista.
Outro trecho de música podia ser ouvido diante dos gritos animados da multidão:
“Sei, sei,
que quando me empurrarem,
não será só eu que vou cair
tem gente que depende de mim,
que precisa escutar
quer sentir que é ouvida
mesmo que doa,
mesmo que tema
sei que machuca
mas se for para ajudar,
que ajude alguém, alguém
talvez alguém possa escutar…
e ter esperança…”
— Que pena que logo vou embora… mas foi muito divertido. — Locista olha para o palco com os olhos brilhando.
— Realmente… é brilhante. — Bauvalier comenta, mas leva uma cotovelada de Roseta.
Todos batem palmas quando Tulipán termina a última música. Ela sorri e, com a voz animada, fala:
— Fico feliz que todos que estão aqui puderam vir para a partida dos salvadores do nosso mundo! — Ela olha para eles e sorri. — Agradeço a presença de todos!
As luzes se apagam, e ela desce para falar com eles.
— Precisa de mais alguma coisa, Tulipán? — Pionla pergunta enquanto ajeitava o chapéu.
— Na realidade, sim… tem algo. — Ela mostra uma carta selada. — Eu sei que carta é meio antiquado, mas já perdi o número dele há muito tempo… e, além disso, acho isso mais honesto do que só uma mensagem.
— Quer que levemos isso? Por que você mesma não leva? — Bauvalier retruca, já impaciente.
— Eu posso… mas achei que não faria mal levarem isso, já que vão a Cidade de Cartas. E queria que essa carta chegasse o mais rápido possível. Não confio que os entregadores daqui levem meu pedido a sério.
Pionla pega a carta e a entrega para Ré, que a guarda no anel que havia pegado em Simulacrum.
— Tenha certeza de que chegará em segurança… e rápido. E agradeço por ter pedido aos guardas para levarem Locista para casa. — Ela sorri, tranquila.
— Eu não pedi, foi nosso governante. E, para a própria segurança dela, eu despachei os guardas e eu mesma irei junto. Não acredito que nossos guardas, sozinhos com uma menina tão nova, seriam seguros. Confiem na minha palavra. — Ela fala com certeza.
— Se a segurança dela está garantida, então tudo bem. Mas você esqueceu de avisar para quem devemos entregar a carta. — Roseta coloca a mão na cintura.
Tulipán olha para baixo, um pouco envergonhada.
— É para um velho amigo meu, alguém de quem me afastei. Acho que vocês conhecem: Pierro. — Ela fala baixo, mas respira fundo e levanta o olhar. — Desde que me casei com Arlequim, eu tinha me afastado dos meus amigos. E como Pierro perdeu a mãe há pouco tempo, espero que eu possa dar um ombro amigo para ele chorar.
— Conheço sim. Tenha certeza de que vai ser entregue. — Pionla diz, alegre com a descoberta. — Mas onde vocês se conheceram? Não imagino um lugar para esse encontro de pessoas tão diferentes.
— Fiz faculdade na Cidade das Cartas. Foi lá que conheci Pierro. E alguns meses depois encontraria meu falecido marido, Arlequim… mas acho que isso é conversa para outro dia. Vou deixar vocês seguirem viagem.
Ré se aproxima dela e dá um abraço forte de despedida.
— Fica bem, tá? A gente se encontra depois e bate um papo melhor. — Ela sorri, afastando-se para Tulipán poder seguir para a carruagem com Locista, no portão oposto daquele para onde eles estavam indo.
— Tá, agora é hora de criar mais uma carruagem… porque um certo alguém desfez a outra, sem citar nomes, é claro. — Pionla revira os olhos antes de criar uma carruagem maior do que as anteriores. — Acho que está bom por agora.
— Eu dirijo, podem ficar tranquilas. — Bauvalier sobe para a parte da frente.
— Então tá, vamos nessa! — Ré sobe rápido, já arrumando seu lugarzinho na parte de trás.
As outras duas seguem subindo junto dela, e a carruagem começa a andar em destino ao seu novo destino.
FIM DO ARCO 4 — Necessidade De Uma Finalidade


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