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Capítulo 47: Sob engrenagens podres
CAPÍTULO ANTERIOR:
Até que—
Ele reconheceu.
A pressão simplesmente desapareceu, como se jamais tivesse existido. O brilho assassino se dissipou, seu olhar suavizou, e um sorriso surpreso surgiu lentamente em seus lábios.
— …Kael?
À sua frente, o comandante se revelava por completo, os cabelos agora grisalhos, o corpo robusto marcado pelo tempo e pelas batalhas.
— Há quanto tempo… Elian.
O ambiente ao redor ainda tremulava com os resquícios das pressões recém-libertas.
Copos congelados, luzes piscando e o ar pesado demais.
Mas, entre os dois, o mundo parecia ter parado.
Havia apenas respeito.
Elian levou a mão ao capuz, abaixando-o.
Sua postura se mantinha rígida, porém, o olhar carregava algo próximo da nostalgia.
— Eu… nunca imaginei te ver aqui, comandante. — sua voz saiu firme, mas havia admiração genuína em cada sílaba.
No mesmo instante, a garota ao seu lado estreitou o olhar.
— “O Elian chamou esse cara de comandante com um linguajar formal? E ainda por cima… essa cor que eu vejo nele…”
O ciano cortante que sempre envolvia Elian havia se aprofundado.
Já não era gelo.
E sim o próprio oceano.
Azul denso, silencioso… afundado em respeito.
Uma inquietação laranja queimou no peito dela, subindo pela garganta como brasa mal apagada.
— “Quem… quem caralhos é esse cara?”
Kael soltou uma breve risada.
Arrastou um banco para perto e se sentou diante do balcão.
Apoiou os cotovelos sobre a bancada, com calma.
— Digo o mesmo de ti. — respondeu. — Pensei que tivesse superado esse víci—
— Epa, epa! — a voz de Diana cortou a conversa. Ela avançou um passo à frente, cruzando os braços. — Primeiro vocês quase destroem tudo… e depois se sentam como se nada tivesse acontecido!?
Seus olhos percorreram Aya de cima a baixo.
E então se voltaram.
Pararam no homem logo à frente de Elian.
Kael.
O dourado que o envolvia voltou a se destacar diante de seus olhos.
Não era como o das medalhas da Escola Ignis.
Muito menos como o brilho vaidoso de combatentes exibidos.
Era profundo e sincero.
— Quem são vocês? — continuou, agora apontando discretamente para ambos. — E de onde conhecem o Elian!?
Moreau fechou os olhos por um instante.
Soltou um suspiro longo e pesado.
— Mais respeito, Diana. — disse, abrindo os olhos novamente e encarando-a com seriedade.
O dourado do homem diante dela não oscilou nem mesmo por um segundo.
E isso, a incomodava ainda mais.
— E desde quando tu te dá ao trabalho de me falar sobre respeito?
Elian virou o corpo levemente, posicionando-se em frente a garota.
— É porque esse homem à tua frente… — as palavras carregavam ainda mais peso do que as anteriores. — é Kael Dragan.
O nome ecoou.
E, para Diana, o mundo mudou de cor.
— O Pináculo da Força de Áurea.
O dourado explodiu como o sol nascente surgindo na escuridão do universo.
O salão VIP inteiro do Domo Três mergulhou em um silêncio absoluto.
Os murmúrios sobre o ocorrido cessaram de imediato.
Até mesmo o bartender, que ainda segurava o copo destinado a Elian, deixou-o escapar.
O vidro escorregou de seus dedos, fragmentando-se no chão.
Olhares congelaram no ar.
Mas o de Diana… tremeu.
Um arco-íris atravessou suas pupilas, cores conflitantes se chocando em frações de segundo, até que todas foram engolidas por um amarelo pálido.
O medo.
Seu corpo recuou um passo.
— P-p-pera… é… sério mesmo…?
Ela balançava as mãos à frente do corpo, como se negar a verdade.
— Sim. — sentenciou Elian, sem hesitar.
O rosto da garota empalideceu no mesmo instante.
Seu corpo começou a tremer sem parar.
Em um movimento desgovernado, Diana recuou passos curtos e tortos, na direção da primeira silhueta onde poderia usar de escudo.
E mais um passo.
E outro.
Quando percebeu, já estava atrás de Aya, usando a garota de escudo.
Seus dedos se fecharam levemente no tecido das costas da garota, como se buscasse algum tipo de proteção.
— N-não, não… isso não pode tá acontecendo… — murmurou rápido demais. — Eu vou morrer. Eu tenho certeza que eu vou morrer.
Aya piscou, surpresa com o contato.
Virou levemente o rosto, olhando de canto para ela.
— …Por que você está atrás de mim?
— Fica quieta! — sussurrou Diana, desesperada. — Se a gente não fizer contato visual, talvez ele esqueça que a gente existe!
Aya franziu o testa, confusa.
— …Isso não faz sentid—
— Shhh! — insistiu Diana, apertando mais o tecido. — Eu tenho um plano!
Aya permaneceu em silêncio por um segundo.
Claramente sem saber como reagir.
— Plano?
— Sim… eu o chamo de… IMPLORAR POR SUA VIDA!
Em um movimento abrupto, ela se curvou profundamente diante do comandante.
— Peço minhas mais sinceras desculpas! Isso não irá se repetir! Por favor… — a voz falhou no meio da frase. Seus olhos se encheram de lágrimas, trêmulos e frágeis demais para alguém que minutos antes enfrentava o salão inteiro. — Não me mate!
— Não… matar? — murmurou Aya, genuinamente confusa. — Por que ele faria isso?
Kael apoiou o queixo sobre a mão, observando a cena com curiosidade.
— Diana Sonari… — disse ele, em tom sereno. — Trazida para Áurea pela Aura, tornou-se estudante da Escola Ignis e, em pouco tempo, foi classificada como uma das Sex Lux Cras… jovens com potencial para, no futuro, alcançar o topo da hierarquia de força dos Kaelums.
A expressão da garota mudou instantaneamente para a mais pura surpresa.
Um branco vibrante e vivo.
— Você… sabe quem eu sou? — perguntou, erguendo o corpo aos poucos, ainda brevemente escondida atrás de Aya.
— É claro que sei. — respondeu Kael, com naturalidade. — Ouvi dizer que você fez um belo espetáculo ao lado de Victor na semifinal do Festival da Forja, no ano passado. Mesmo com a derrota, consolidou seu nome de forma definitiva entre os maiores potenciais da nova geração.
Ele fez uma breve pausa.
— Foi ali que o título deixou de ser Quinque Lux Cras… e passou a ser Sex Lux Cras.
Os olhos da garota brilharam imediatamente.
O medo começou a perder força.
Um rosa vibrante surgiu em seu peito.
— É uma honra ser reconhecida e elogiada pelo grande Pináculo da Força de Áurea! — brandou orgulhosa, dando um passo à frente, deixando a proteção de Aya para trás.
Kael a observou por um instante.
O semblante sereno não mudou.
Mas algo em seu olhar se tornou mais afiado.
— Contudo…
O rosa evaporou.
— H-hã?
— Há algo que realmente me irritou.
A leveza desapareceu tão rápido quanto surgira. Carregando consigo um breve brilho carmesim.
— O que te fez pensar que eu mataria alguém por meras palavras?
O estômago dela gelou.
Verde doente misturou-se ao amarelo pálido novamente.
— A-ah, sobre isso… eu… eu só supus! É isso! — disse rápido demais, desviando o olhar enquanto a voz saía trêmula. — Foi coisa da minha cabeça! Nada externo! Ninguém falou absolutamente nada de você! Especialmente a Aura! Ela jamais diria que você é do tipo que… que… estrangula qualquer pessoa que olha torto pra você!
Kael piscou lentamente.
— Eu nem falei da Aura… — cochichou.
O mundo perdeu a saturação.
As cores murcharam ao redor dela.
E, por um segundo, tudo ficou cinza.
— A… é? N-não falou? — soltou uma risada amarela demais para parecer natural. — Q-quer dizer… eu também não falei! Foi só uma hipótese ilustrativa! Um exemplo! Totalmente… aleatório!
O silêncio se alongou.
— Você sabe que está tremendo, né? — observou Kael.
— Eu? Imagina! — respondeu, escondendo as mãos atrás das costas. — Isso aqui é… é uma doença que eu tenho! Chamada… chamada tremulitite!
Por um segundo, o dourado ficou absolutamente puro.
— “Ja está obvio que foi a Aura.” — pensaram Elian e Aya ao mesmo tempo.
— Entendo… bom saber. Vou me certificar de conversar com a Aura sobre essa… doença. — Os olhos do Pináculo brilharam em fúria.
O silêncio que se seguiu tornou o ar pesado.
Um fio rubro atravessou o ouro do comandante.
Diana sentiu a espinha gelar.
Seu sorriso forçado tremia em tons desbotados.
Ela juntou as mãos à frente do corpo, tentando parecer convincente.
— E-eu posso… participar dessa conversa? — perguntou com uma risada fraca que não convenceu ninguém. — S-só pra… mediar. Evitar algum… mal-entendido…
Quando os olhos furiosos de Kael deslizaram lentamente até ela, Diana percebeu o erro.
O vermelho sangue engoliu por completo a aura tranquila anterior.
Ela deu um passo para trás.
— Ou… pensando bem… confio plenamente na sua capacidade de diálogo.
E, pela primeira vez desde que abrira a boca, decidiu que talvez o silêncio fosse sua melhor estratégia.
— Hunpf. — Kael limpou a garganta, descruzando os braços. — Voltando ao assunto… você não tinha parado com esse vício, Elian?
Elian desviou o olhar por um instante. Os olhos frios perderam parte da firmeza.
— Bem… sim. — respondeu baixo. — Mas eu… acabei recaindo.
Kael inclinou levemente a cabeça, analisando-o.
— Entendo. — fez uma breve pausa. — Mas por que começou a lutar em vez de apenas apostar, como fazia antes?
Elian abriu a boca para responder.
Nenhuma palavra saiu.
A mandíbula travou.
— Eu… bem…
Diana ergueu a mão como se estivesse em sala de aula.
— O Elian nunca conseguiria explicar tamanha vergonha para você, a quem ele admira tanto. — disse, voltando instantaneamente ao modo tagarela colorida. — Então eu explico.
Elian fechou os olhos, já prevendo o desastre.
Diana apontou para ele com o polegar.
— Ele perdeu todo o dinheiro. Casa, carro… tudo. Aí teve a brilhante ideia de pegar dinheiro emprestado com um agiota pra ajudar ele.
Aya arregalou levemente os olhos.
— Só que ele perdeu tudo de novo. — continuou Diana, gesticulando ainda mais, parecendo até… animada. — E como não tinha como pagar a dívida, o agiota decidiu que o Elian ia lutar nesse campeonato em duplas pra ganhar a premiação e quitar o valor.
Kael apoiou o queixo na mão, atento.
— Entretanto — ela levantou um dedo — todos os parceiros dele teveram certos… “probleminhas”.
Elian coçou a nuca, claramente irritado.
— Como resultado, ele teve que lutar até a semifinal sozinho. — Diana suspirou. — Só que já avisaram que é impensável ele disputar a final sem dupla. E, se não arranjar alguém até lá… vai ter que continuar lutando até vencer o próximo torneio em duplas.
Kael soltou um suspiro lento.
— Já consigo imaginar o que aconteceu…
Diana estalou os dedos.
— Exatamente. Como o Elian virou praticamente uma celebridade aqui, atraindo apostadores e enchendo o lugar, eles estão sabotando qualquer um que tente formar dupla com ele.
Aya franziu a testa.
— Sabotando… como?
— Ameaças. Subornos. Desclassificações “acidentais”. — Diana fez aspas com os dedos. — Tudo para impedir que ele lute a final… e manter a máquina de apostas girando. Então ele próprio já desistiu de conseguir uma dupla nessas condições.
Um silêncio pesado pairou por um instante.
Aya fechou os punhos.
— Que bando de covardes… — murmurou.
Kael permaneceu em silêncio.
Mas, pelo leve estreitar de seus olhos, ficou claro que alguém acabara de cometer um erro grave.
— Entendi. E você? Por que está aqui com ele?
Diana passou a mão pelos próprios cabelos, suspirando antes de falar.
— Bem… depois que a Aura me trouxe pra Áurea, digamos que ela fez do Elian o meu “professor particular de combate”. E agora eu tô aqui pra tentar substituir a dupla dele.
Elian cruzou os braços, com o rosto sério.
— Só que ele recusou completamente todas as vezes que me ofereci. — continuou Diana, revirando os olhos. — Disse pra não me envolver nisso, que esse é um problema dele, e blá blá blá…
— Porque é. — murmurou Elian, seco. — Seria errado te colocar em perigo por minha irresponsabilidade.
Kael observava os dois em silêncio, avaliando cada reação.
— Certo… — disse por fim, com calma.
Diana então se inclinou sobre o balcão, aproximando-se de Kael com um brilho perigoso de ideia surgindo nos olhos.
— Então, Kael… você não poderia ser a dupla dele?
Aya virou o rosto imediatamente para o comandante.
Elian congelou.
O silêncio que se seguiu foi breve, mas pesado.
Kael descruzou os braços lentamente.
— Como Pináculo de Áurea, participar de lutas clandestinas seria falhar com minhas funções… e com meus ideais.
Ele apoiou uma das mãos sobre a bancada, a postura relaxada, bem diferente da firmeza em sua voz.
— Além disso, mancharia a reputação atual dos membros da Trion.
Diana inclinou a cabeça.
— Mas você não poderia abrir uma exceção, só dessa vez?
Kael soltou um suspiro quase cansado.
— Ainda que eu quisesse… eles não permitiriam minha entrada.
— Como assim? — perguntou Aya.
O olhar de Kael se tornou mais frio.
— Já tentei derrubar este lugar inúmeras vezes. — respondeu de forma simples. — O fato de ele ainda existir não é por falta de esforço da minha parte.
Diana piscou, surpresa.
Kael continuou:
— Eles permanecem ativos porque possuem influência política suficiente para dificultar qualquer ação direta. E, principalmente… porque a força de combate deles, considerando todos os membros da casa, é formidável até mesmo dentro de Áurea.
Aya arregalou os olhos.
— Tudo isso… por causa de um clube clandestino?
— Um confronto aberto causaria mortes desnecessárias. — completou Kael. — E eu não estou disposto a sacrificar vidas por orgulho.
Ele fez uma breve pausa.
Então concluiu, com uma naturalidade que chegava a ser irônica:
— Resumindo… todos os donos daqui me odeiam profundamente.
Diana levou a mão ao queixo, pensativa.
Percebendo a sinceridade no azul que emanava de suas palavras.
— Ah… então tá explicado.
Kael passou a mão pela própria nuca, pensativo.
— Nosso objetivo aqui era recrutar o Elian para uma missão… — disse, olhando de relance para ele. — Mas, considerando isso, não sei se será possível.
Elian abaixou o olhar imediatamente.
Os ombros, antes firmes, cederam de pouco em pouco.
— Me desculpe… comandante…
Antes que pudesse continuar, uma voz alta e exageradamente animada ecoou pelo salão VIP.
— Ótimo espetáculo como sempre, Elian!
Um homem gordo, de sorriso grande demais para parecer sincero, aproximava-se acompanhado de dois guardas músculosos. Seu terno apertado parecia lutar contra o próprio corpo.
— Vejo que ainda não conseguiu uma dupla, não é mesmo?
Os olhos de Elian e Diana se viraram na mesma hora em direção a voz, cheios de raiva.
Antes mesmo de encarar o rosto dele, Diana viu a cor.
Não era quente como o dourado de Kael.
Nem fria como o ciano de Elian.
Era nojenta. Um verde gorduroso que parecia escorrer pelo ar, espesso e viscoso, como ranho.
— Roderick, seu desgraçado! — explodiu Diana, avançando sem pensar. — Claro que ele está sem dupla! Foi você quem armou pra ele, seu ranhento maldito!
Os dois guardas se moveram simultaneamente, bloqueando o caminho.
Elian segurou o antebraço dela, firme, e balançou a cabeça em negativa.
O homem levou a mão ao bigode grande e curvado, alisando-o com satisfação.
— Hohoho… realmente não faço ideia do que você está insinuando. — Seu sorriso se alargou. — Mas é mesmo uma pena. A final começa em meia hora.
Ele abriu os braços teatralmente.
— Como você não conseguiu uma dupla… infelizmente terei de cancel—
— Eu.
A doce voz cortou o ar como uma lâmina.
O salão inteiro ficou em silêncio.
Todos os olhares se voltaram para Aya.
Ela estava imóvel.
Os olhos roxos firmes e decididos.
— Eu serei a dupla dele.
Diana piscou, surpresa.
— Aya, isso é impensável! — Kael segurou o braço dela imediatamente. — Você pode acabar morrendo!
— E o que tem?
Aya puxou o braço de volta, encarando-o diretamente.
— Se nós formos até Vallheim Vestrak sem o Elian… minhas chances de morrer não seriam muito maiores?
Kael ficou em silêncio por um segundo.
— Ainda assim! — rebateu ele. — Aqui eu não posso interferir! Mesmo se você estiver à beira da morte, não tenho como agir!
Aya não desviou o olhar.
Não hesitou.
— Se precisamos do Elian para resgatar o Louie… então eu farei o que for preciso.
O salão VIP permaneceu em silêncio.
Mas, pela primeira vez desde que chegara ali, o sorriso do homem do bigode desapareceu.
Os olhos pequenos se estreitaram.
Mas o olhar de Aya não recuou.
— Então… eu serei a dupla dele.
Um murmúrio atravessou o salão, baixo e inquieto.
Kael virou o rosto, sentindo um aperto inesperado no peito.
Ela estava certa.
Sem Elian, as chances de resgatar Louie despencavam drasticamente.
Era simples.
Então por que a ideia de vê-la naquela arena o incomodava tanto?
Ele fechou os olhos por um instante.
— “Eu sei que é a melhor opção…” — murmurou, o olhar perdido em confusão. — “Então por que eu…?”
O pensamento morreu antes de se completar.
Agir assim não era do seu feitio.
E era isso que o incomodava.
Soltou um breve suspiro, ainda perturbado consigo mesmo.
Porém, quando enfim abriu os olhos novamente, o comandante estava de volta.
— Certo… eu libero sua participação.
O homem gordo estalou a língua, ajeitando o paletó apertado sobre a barriga.
— Humpf. — Seu olhar desceu sobre ela com desprezo. — Pirralha… você só pode estar querendo morrer mesmo.
Deu alguns passos lentos à frente, os sapatos ecoando contra o chão polido.
— Os Abutres Carniceiros não são considerados os reis do Hexacúpula por nada. — ergueu um dedo grosso no ar. — Ninguém aqui conseguiu derrotá-los desde que chegaram.
Elian sustentou o olhar, mas permaneceu em silêncio.
— Até mesmo Elian teria dificuldade se lutasse sozinho dentro das regras da arena… — continuou o homem, com um sorriso malicioso retornando aos poucos.
Ele inclinou o corpo para frente, encarando Aya de cima abaixo.
— Porém, com uma pirralha dessas… ele só vai ganhar um peso morto para tentar proteger.
Diana cerrou os dentes.
Kael observava, serio.
O homem abriu os braços teatralmente.
— Isso vai ser ainda mais interessante! — exclamou, rindo. — Ver a derrota de vocês dois… vai ser incrível.
O salão reagiu com risadas nervosas e cochichos.
Elian deu um passo à frente, posicionando-se levemente à frente de Aya.
Mas, por trás dele, os olhos roxos da garota não demonstravam medo.
Apenas determinação.
— Veremos, então… do que vocês são capazes. — finalizou o homem gordo, ajeitando o bigode com um sorriso travesso.
Ele lançou um último olhar carregado de desprezo para Elian e Aya.
Em seguida, girou nos calcanhares.
O paletó estalou sob a tensão do movimento enquanto ele caminhava em direção à saída.
Os dois guardas o acompanharam imediatamente, abrindo caminho entre as mesas.
A porta do salão VIP se fechou com um som seco.
O silêncio que ficou para trás era muito mais tenso do que antes.
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FRAGMENTO HISTÓRICO ?:
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⟬ ARQUIVO DE ESTÁGIO 1 — Nº 012 ⟭
Diário pessoal — Observações
Autor: Marek Aurellum — Ano XL após a morte de Cristo.
(Documento confidencial. Extraído dos registros centrais da OPKM.)
Originalmente compilado por Marek Aurellum no quadragésimo ano após a morte de Cristo, como parte da obra “Crônica de Um Poder que Não Compreendo”.
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𐌌 Escrevo estas linhas após finalmente conversar com a mulher que nos trouxe para este abrigo.
Seu nome é Livia.
Ela não pertence a este lugar. Segundo me contou, é uma viajante, uma dessas pessoas que percorrem caminhos longos sem se prender por muito tempo a qualquer cidade ou assentamento. Segue as rotas quando pode, permanece onde é seguro quando precisa.
A presença dela nesta caverna começou alguns dias atrás.
Foi logo antes do grande ciclone que atravessou esta região. Quando a fúria finalmente cessou, as trilhas tornaram-se perigosas demais para continuar viagem imediatamente.
Foi por essa razão que ela escolheu esta caverna.
Um abrigo temporário até que os caminhos voltassem a ser transitáveis.
Segundo seu relato, no mesmo dia em que o ciclone terminou ocorreu o primeiro acontecimento estranho.
Pouco tempo depois de o vento finalmente se acalmar, um estrondo ecoou pela entrada oposta da caverna. O som de pedras sendo dilaceradas, como se a própria rocha estivesse sendo forçada a ceder por algo além de sua natureza.
Ao dirigir-se até lá para averiguar, deparou-se com a cena.
Um homem surgiu diante da entrada.
Atrás dele, a parede encontrava-se marcada por cortes profundos e descontrolados, sulcos irregulares que não seguiam padrão algum, apenas a violência de algo que abriu passagem à força.
Ele estava gravemente ferido.
Cortes profundos marcavam seu corpo e seu estado era alarmante. Ainda assim, encontrou forças para falar algumas palavras antes de desmaiar.
Disse apenas que precisava fugir.
Disse que aquilo o encontraria.
Não houve mais explicações.
Não por recusa.
Não por omissão deliberada.
Mas porque, logo após pronunciar tais palavras, perdeu os sentidos.
Livia decidiu ajudá-lo. Trouxe-o para dentro e tratou suas feridas da melhor forma que pôde, utilizando ervas e tecidos que possuía.
Desde então, ele permanece aqui, o mesmo homem que agora repousa na terceira cama improvisada desta caverna.
Ainda não despertou desde que cheguei à consciência.
O relato dela termina ali por enquanto.
Lucanus também continua inconsciente, embora sua respiração tenha se estabilizado.
Quanto a mim, restam mais perguntas do que respostas.
Continuarei registrando assim que houver novas informações.
Assinado: Marek Aurellum.
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⟬ FIM DO FRAGMENTO ⟭
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