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Capítulo 48: Ponto de ruptura
AVISO‼️
Peço perdão a todos os leitores de O que eu deixei para trás? pela demora na postagem do capítulo 48. Infelizmente, por este capítulo possuir muitos detalhes, como a narração e as tabelas de poderes, ele levou mais tempo do que o esperado para ficar completamente pronto.
Outro aviso importante: possivelmente, a partir da próxima segunda-feira, voltaremos a ter um capítulo por semana devido à correria.
Bom, era somente isso mesmo. Fiquem com o capítulo!
O corredor que levava à arena parecia mais longo do que deveria.
As luzes altas projetavam sombras duras sobre o chão polido, esticando as silhuetas dos dois como um presságio sombrio do risco que estavam prestes a enfrentar.
O som distante da multidão vibrava pelas paredes metálicas, um rugido estridente que crescia a cada passo.
Eles caminhavam lado a lado.
Sem pressa.
Mas não havia qualquer tranquilidade naquele ritmo.
O ar estava denso, não apenas pela pressão da arena, mas pelo peso da decisão que carregavam.
Elian mantinha o olhar baixo.
O capuz escuro do moletom projetava uma sombra sobre seus olhos, ocultando parte da expressão. Ainda assim, o que se via bastava. O rosto permanecia fechado, sério como sempre, rígido demais para aquela simples caminhada.
Cada passo ecoava com firmeza.
Por um instante, ele fechou os olhos e inspirou, como se buscasse ali a última oportunidade de evitar aquilo.
Então falou. A voz baixa e grave saiu seria, carregada de responsabilidade.
— Ainda dá tempo de voltar atrás…
Aya não diminuiu o passo.
Avançou sem hesitação.
Virou o rosto apenas o suficiente para encará-lo.
Seus olhos roxos brilhavam, firmes e decididos.
— Não vou voltar atrás.
Elian a encarou por um segundo, os olhos cianos cintilando sob a penumbra.
Não havia sequer um traço de hesitação no rosto da garota.
Ele soltou o ar devagar, num suspiro breve.
— Certo…
E continuaram andando.
A arena mergulhou na escuridão.
O clamor da multidão se intensificou, expandindo-se em ondas que percorriam a estrutura metálica da Hexacúpula como um tremor profundo. Os telões se apagaram. As luzes se extinguiram uma a uma.
Então—
O som foi engolido.
Um único feixe de luz rasgou a escuridão.
No centro absoluto da arena, uma plataforma circular começou a erguer-se lentamente do chão. Suspensa por um poder desconhecido, que a fazia flutuar com perfeição.
Sobre ela, uma figura destacava-se.
Usando uma máscara chamativa.
Metade angelical. Metade monstruosa.
Traços exagerados, sorriso amplo e olhos alongados que refletiam a luz como lâminas. O casaco metálico cintilava na escuridão, enquanto as luvas negras pareciam engolir a claridade ao redor.
Ele abriu os braços, e um breve sorrisinho animado surgiu por trás da máscara.
A voz ecoou amplificada por toda a estrutura.
⧙ BOAAAAA NOITE HEXACÚPULA!!! ⧘
A arena explodiu em gritos.
A plataforma flutuou suavemente pela arena, aproximando-se das arquibancadas enquanto ele girava o corpo com teatralidade.
⧙ Após um curto, porém, agoniante tempo de espera... VOLTAMOS!!! ⧘
O público respondeu com aplausos estrondosos e assobios agudos, ecoando por toda a arena.
Ele apontou para o alto, onde o teto projetava hologramas giratórios do emblema do campeonato.
⧙ Não estamos falando de qualquer combate… estamos falando da GRANDE FINAL DO CAMPEONATO EM DUPLAS!!! ⧘
O chão da arena tremeu levemente.
As luzes assumiram um tom carmesim profundo.
A música cresceu em batidas graves e ritmadas, como tambores de guerra acompanhados por badalares metálicos.
O apresentador girou no ar, apontando para um dos portões colossais da arena.
⧙ Para essa final… é impossível eles não estarem presentes... ⧘
Um burburinho percorreu as arquibancadas, crescendo como uma onda prestes a quebrar.
⧙ A dupla que transformou cada luta em um espetáculo de ossos e poeira… ⧘
No camarote principal, Kael estreitou o olhar, ainda preocupado. Os dedos se fecharam lentamente até que os nós ficassem pálidos.
⧙ CAMPEÕES INVICTOS HÁ MAIS DE QUATRO ANOS. ⧘
A torcida respondeu com gritos exaltados, batendo os pés contra o chão metálico em ritmo crescente.
⧙ OS PREDADORES DOS CÉUS... ⧘
Na área VIP do Domo Três, Diana inclinou levemente a cabeça, seus olhos heterocromáticos brilhando com curiosidade e nervosismo.
⧙ OS DEVORADORES SANGRENTOS... ⧘
O portão colossal vibrou sob pressão interna, poeira caindo das engrenagens enquanto o público prendia o fôlego.
A voz do apresentador subiu, rasgando o silêncio seguinte.
⧙ MÓRGHUL E VARNEK, OS ABUTRES CARNICEIROS! ⧘
O portão explodiu, arremessando destroços para todos os lados.
— Hah… que cheiro maravilhoso! Que ambiente belo! Como eu amo esse lugar.
Fragmentos de aço retorcido cortaram o ar, enquanto uma rajada de vento quente atravessava a arena.
E, em meio à poeira e ao metal retorcido, Mórghul se revelou…
Um abutre colossal.
Com as asas abertas, alcançava facilmente mais que o triplo do tamanho de um abutre comum. As penas negras refletiam tons arroxeados sob a luz vermelha.
As garras, espessas e curvas como lâminas, riscavam o solo a cada passo arrastado.
Os olhos da criatura ardiam em um âmbar vivo.
— KRAÁÁK! — o grasnar ecoou grave, vibrando no peito da criatura. — Você sempre… KRÁÁ… diz isso…
Sobre suas costas, sentado como um imperador macabro, estava seu parceiro.
— Fazer o quê? — Varnek deu de ombros, o sorriso se alargando. — Sou um artista… adoro pintar essas paredes de vermelho!
Varnek. Um homem alto e magro. Sua pele pálida era marcada por linhas finas, como rachaduras em pedra.
Vestia um casaco longo de couro escuro, ornamentado com penas negras costuradas aos ombros.
Um sorriso torto se abria em seu rosto, cruzado por cicatrizes que o deformavam por completo.
— Hora do show…
O abutre ergueu voo com uma única batida de asas, levantando poeira enquanto atravessava a arena com o homem nas costas.
Sobrevoou os seis cantos do estádio antes de pousar no centro, rachando o solo sob a força do freiar.
O homem deslizou das costas da besta com elegância.
O abutre abriu as asas atrás dele como um manto vivo.
E os dois encararam a entrada oposta da arena.
Apenas esperando, enquanto a torcida gritava enlouquecidas…
— VARNEK! MÓRGHUL! VARNEK! MÓRGHUL!
Do alto do Domo Três, Diana mantinha o olhar fixo na arena, os dedos pressionados contra o vidro blindado. O reflexo carmesim das luzes tremulava em seus olhos arregalados, tingindo sua heterocromia com um brilho inquieto.
— C-como isso sequer é possível? Não era para existir um abutre desse tamanho!
Um arrepio percorreu seus braços.
Lá embaixo, a criatura abriu as asas.
Um rubor negro começou a se espalhar por suas penas.
Ao seu lado, Kael permaneceu imóvel. O semblante ainda manchado de preocupação. Ele lançou um olhar de canto para a ave colossal antes de responder:
— Simples… aquele abutre despertou um poder Kaelum.
Diana virou-se bruscamente para ele. As pupilas tremendo.
— E animais podem se tornar Kaelums!?
Kael cruzou os braços, os dedos pressionando o próprio antebraço firmemente.
— Claro que sim. O poder não se limita a humanos, mas àqueles que passam por situações extremas o bastante para provocar o despertar.
Lá embaixo, o abutre soltou um grasnar grave, fazendo o vidro vibrar de forma quase imperceptível.
— Isso inclui qualquer ser vivo consciente. — continuou ele, a voz baixa e firme. — Porém, é consideravelmente raro. A forma como os animais interpretam o mundo é diferente da nossa. O caminho até o despertar também é.
Ele voltou o olhar para a arena.
— Mas não é impossível. Temos registros disso gravados na própria história. O Griffo. Fenrir. Quetzalcoatl.
— Que doideira… — murmurou Diana, recuando um passo.
O rubor ao redor da criatura não era apenas escuro.
Era carniçal.
Espesso como o sangue seco de carcaças, tão profundo que parecia apodrecer todas as cores a sua volta.
— Além da cor vindo dele ser um tanto nojenta…
Seus olhos heterocrômicos permaneceram fixos naquela aura viscosa, tentando entender se aquilo era raiva… fome… ou algo pior.
— Cor? — questionou Kael.
Ele piscou uma vez, então pareceu lembrar.
— Ah. A Aura comentou que você tem sinestesia. E que, de alguma forma, ela se integrou ao seu corpo… e ao seu poder Kaelum.
Diana hesitou por um instante.
— É… algo assim.
⧙ E agora... ⧘
A voz do apresentador baixou de tom.
A euforia cedeu lugar à expectativa.
⧙ Do outro lado da balança... ⧘
Um feixe de luz azul-esbranquiçado cortou a arena e pousou sobre o portão oposto.
A música mudou.
Os tambores cessaram.
Uma ópera tomou conta do lugar, vozes graves e agudas se entrelaçando, sustentadas por cordas firmes e harmoniosas, preenchendo a Hexacúpula com uma solenidade.
⧙ Vocês conhecem nosso próximo competidor… mas não sabem o quão perto ele esteve de ficar fora da final. ⧘
Murmúrios atravessaram a Hexacúpula.
O telão exibiu a semifinal.
Dois adversários atacam ao mesmo tempo.
⧙ A regra é clara. A final só acontece em dupla. ⧘
No telão, o homem dá um único passo lateral, tocando simultaneamente ambos os oponentes.
⧙ E ele estava sozinho. ⧘
O concreto ao seu redor se esbranquiçou.
A imagem congelou no instante do contato.
Do grande portão, uma névoa gélida escorreu pelas frestas, envolvendo o metal, drenando seu calor, até que a estrutura estalou e se despedaçou em restos opacos e congelados.
⧙ Porém, nem o destino foi capaz de impedi-lo de protagonizar mais um espetáculo! ⧘
Um nevoeiro denso começou a se espalhar pelo lado direito da arena, avançando como uma maré silenciosa.
As arquibancadas mais próximas sentiram o ar rarear.
Do outro lado, Mórghul abriu lentamente as asas, as membranas projetando sombras monstruosas sobre o gelo que se formava no chão.
Varnek não recuou. Apenas estreitou os olhos, avaliando-o com um leve sorriso nos lábios.
⧙ E é por isso que, desta vez… ele não está sozinho. ⧘
Duas silhuetas surgiram lado a lado.
⧙ Sem histórico. Sem ranking. Nenhum registro na Hexacúpula. ⧘
Eles avançavam em perfeita sincronia.
⧙ Mas, se está aqui… é porque é mais do que qualificada. ⧘
A temperatura caiu no mesmo instante.
⧙ Senhoras e senhores... ⧘
O ar gélido tomou conta do lugar.
⧙ Com vocês... ⧘
Um alto gongo ressoou por toda a arena.
⧙ A tempestade Branca e a Lutadora desconhecida… ELIAN MOREAU E AYA NAFIDH!!! ⧘
A arena entrou em frenesi.
O som era ensurdecedor.
⧙ Bom… acho que vocês vão me odiar se eu enrolar sequer mais um segundo. ⧘
No centro do coliseu, frente a frente com Mórghul e Varnek, as duas silhuetas finalmente se revelaram por completo.
⧙Então…⧘
Os olhares dos combatentes se cruzaram, afiados o bastante para cortar ferro.
⧙ QUE COMECE A MATANÇA!!! ⧘
— Hahahaha…
A risada ecoou solitária pela arena. Varnek inclinou levemente a cabeça, fixando-se em Elian com um interesse estranho nos olhos.
— Esperei tanto por esse momento… — disse, os lábios se abrindo num sorriso torto. — Estava ansioso para enfim te enfrentar.
Elian manteve a postura firme.
— Não posso dizer o mesmo.
Por um breve instante, o sorriso do homem vacilou. Suas sobrancelhas caíram, encenando uma tristeza exagerada.
— Que pena… — murmurou. — Confesso que isso me magoou.
Então, lentamente, ergueu o rosto outra vez.
O brilho em seus olhos mudou.
— Mas me diga uma coisa, Elian Moreau… — a voz baixou, carregada de uma curiosidade genuína. — Você… sangra?
O vermelho latente incendiou-lhe as pupilas.
Elian desviou o foco por um segundo.
— Fique atrás de mim, Aya. — murmurou, firme, sem sequer olhar para ela.
Varnek estalou o pescoço, decepcionado.
— Se não vai responder… — abriu os braços, como quem aceita um convite teatral — então vou ter que descobrir sozinho!
O chão cedeu sob seus pés.
Num único instante, ele avançou, rasgando a distância entre eles, o corpo lançado como uma lâmina contra o ex-militar.
O punho fechado veio em linha reta, mirando o rosto de Elian.
Mas, no mesmo segundo, ele desviou com um passo curto para o lado.
E, antes mesmo que o ar se reorganizasse, Elian retrucou.
Um jab perfeito, lançado contra o rosto de Varnek.
O impacto explodiu no momento em que acertou.
Uma rajada de vento varreu a arena, fazendo toda a estrutura tremer e a poeira subir.
Aya arregalou os olhos.
— “E-ele acertou…!”
Mas a ilusão durou pouco.
O punho de Elian ainda estava pressionado contra o rosto de Vernek.
A voz do apresentador ecoou, vibrando de entusiasmo.
⧙ INCRÍVEL!!! O golpe foi em cheio… mas Vernek não moveu sequer um músculo!!! ⧘
— Como isso é possível!? O golpe do Elian não fez efeito algum!? — a voz de Diana ecoou pelo salão VIP, incrédula.
Os olhos de Kael, ao seu lado, permaneciam fixos na Arena.
— Entendi… — murmurou o comandante, suspirando. — “Espero que Elian perceba isso o quanto antes.”
No instante seguinte, Varnek contra-atacou.
Um golpe rápido cravou-se no estômago do ex-militar.
— Ugh!
O ar abandonou os pulmões de Elian no mesmo instante, e ele expeliu saliva tingida de vermelho, que respingou sobre o chão da arena.
— Elian! — gritaram Aya e Diana, em uníssono.
— “Essa força e velocidade…” — o pensamento de Elian surgiu rápido e sufocado, atravessando-lhe a mente em meio à dor.
— Olha, obtive minha resposta rapidamente! — gargalhou Varnek, já partindo para o próximo ataque.
Elian desviou com facilidade, girando o tronco no limite exato, e respondeu sem hesitar.
Um novo golpe.
Agora contra a lateral das costelas.
O impacto foi ainda mais forte.
O chão tremeu, abrindo uma gigantesca cratera ao redor de ambos.
O ar foi varrido da arena.
Aya sentiu o choque vibrar sob seus pés.
Ainda assim, Varnek permanecia firme, como uma muralha erguida no centro do caos.
Então, disparou outra vez.
O soco seguinte desceu esmagador.
Elian tentou desviar, mas já era tarde…
CRACK!
O punho colidiu contra seu rosto, lançando-o alguns passos para trás.
A violência do impacto fez sua cabeça girar, e gotas de saliva misturadas a sangue se lançaram ao ar antes de salpicarem o chão gelado da arena, pintando-o de rubro.
Aya deu um passo à frente, o coração disparado.
— “Merda! Eu preciso fazer algo!”
Suas mãos apertaram com força o cabo das duas adagas presas à cintura.
Antes que pudesse avançar, Elian ergueu a mão, fazendo um sinal claro para que ela não interferisse.
— “De novo…”
Ele limpou o canto da boca com o dorso da mão. Seus olhos cianos estavam agora mais atentos do que nunca.
— “O q-que?”
Os olhos de Aya vacilaram.
— “Por que ele…”
Varnek não lhe deu espaço.
Disparou como uma fera selvagem, lançando uma sequência brutal de golpes consecutivos.
Diretos, ganchos e cotoveladas vinham em rajada, quase simultâneos, obrigando Elian a recuar enquanto desviava por milímetros de cada impacto.
O sorriso de Varnek se alargou, debochado.
— E aí, Tempestade Branca! — provocou, sem cessar os ataques. — Por que não revida? Cadê toda aquela fama agora? Eu sou o rei daqui!
Elian não respondeu.
Continuou recuando, desviando com precisão quase absurda, os olhos atentos, analisando cada mínimo movimento do oponente.
Aya, ainda parada no centro da arena, sentia o desconforto crescer no peito.
— “Eu não entendo… por que o Elian não contra-ataca?!” — pensou, tensa. — “Mas isso nem é o pior…”
Seus olhos se desviaram instintivamente para Mórghul.
O abutre colossal permanecia imóvel, asas abertas e olhos âmbar brilhando, como se analisasse até mesmo a alma de Elian.
— “Desde o início do combate… esse abutre não se mexeu nem um músculo.”
Algo naquela luta estava errado.
Aya apenas ainda não sabia o quê.
— Vamos, Elian! — Varnek provocou, a voz carregada de escárnio. — Isso é tudo que tem?!
Ele não cessava.
Socos. Chutes. Golpes cada vez mais pesados. Cada vez mais rápidos.
Elian era empurrado para trás, passo a passo, até que, enfim, sentiu o frio rígido contra suas costas.
Era a gigantesca muralha de grafeno sólido que cercava a arena.
Varnek, eufórico, nem percebeu o quão próximos estavam dela.
— “Se continuar assim, nem vamos precisar da análise do Mórghul!” — pensou, enquanto disparava mais um soco brutal na direção do ex-militar.
Porém…
No último piscar de olhos, Elian inclinou o corpo e saiu da linha de impacto.
O punho atingiu a parede atrás deles com violência absoluta.
BOOOM!
O estrondo reverberou pela arena.
A muralha de grafeno se estilhaçou.
Rachaduras se espalharam como cicatrizes pela superfície negra, rasgando-a de ponta a ponta, até que tudo cedeu em uma chuva de fragmentos.
A multidão explodiu em gritos de euforia e pavor, vozes se misturando enquanto toda a Hexacúpula tremia sob o impacto.
Mas, no instante seguinte, a expressão de Varnek se partiu.
Ao tentar puxar o braço de volta, sentiu resistência.
Algo o segurava.
— …Hã?
Ele tentou puxar o braço de volta.
Não saiu.
Forçou outra vez, os músculos do antebraço saltando sob a pele.
— “Que…?” — rosnou, e com um tranco violento conseguiu libertar o punho.
O braço recuou com violência, obrigando-o a encarar a própria mão.
Seus dedos estavam completamente congelados.
Cristalizados.
A pele presa sob uma camada translúcida de gelo, como se milhões de agulhas microscópicas de diamante perfurassem cada uma de suas células.
— Q-quando!? — a voz falhou, tensa. Pela primeira vez durante o combate, sentindo confusão real.
Seu olhar oscilou para a frente por um breve segundo.
Foi o suficiente para que ele finalmente entendesse.
A parede que seu soco atingira momentos antes agora estava completamente congelada.
Uma camada maciça de gelo se espalhara pela superfície, como se selasse uma ferida aberta.
⧙ QUE ESPETACULAR!! Novamente Elian Moreau surpreendendo a todos com seu misterioso poder!!! ⧘
A voz do apresentador ecoou no mesmo instante.
⧙ Desce o replay, produção!!! ⧘
O telão gigante se acendeu.
Replay em câmera lenta.
Momentos antes de Varnek disparar seu golpe contra Elian e atingir a parede, a imagem revelou o detalhe que poucos haviam notado.
De costas para a muralha, um segundo antes de desviar do ataque, Elian estendeu a mão atrás do próprio corpo.
Sua palma aberta, branca como neve, tocou suavemente a superfície.
E o frio se espalhou em silêncio, fazendo rachaduras se formarem e o gelo avançar pela muralha.
E, no exato microssegundo em que o soco foi lançado contra a parede…
CRACK!
A imagem falhou.
O quadro seguinte já mostrava o gelo fechado ao redor do punho de Varnek, aprisionando-o logo após o impacto.
O momento exato do soco havia ocorrido rápido demais para ser registrado.
Assim, o replay se encerrou ali, fazendo a arena ir abaixo em gritos frenéticos.
Do topo do Domo Três, Diana pulava, eufórica.
— Chupa essa, seu desgraçado! É assim que se faz! ARREBENTA ELES, ELIAN!!!
Ao seu lado, Kael soltou um breve sorriso satisfeito.
— Boa jogada, meu amigo.
De volta à arena, Aya sentiu um arrepio percorrer o corpo.
— “Então era por isso…” — murmurou, os olhos arregalados. — “Mas por que ele não usou o gelo diretamente no corpo dele, como fez na semifinal?”
Elian ergueu o olhar sério em direção ao oponente.
— Resumindo… — sua voz saiu firme, controlada. — Os golpes que eu levei… não foram seus.
Varnek estreitou os olhos.
— Foram meus.
A respiração de Aya falhou.
— O quê…? — murmurou, os olhos se estreitando à medida que as peças se encaixavam.
O rosto de Varnek revelava a verdade nua e crua. Um espanto sincero.
— S-seu desgraçado astuto… — o olhar dele vacilou pela primeira vez.
Elian continuou:
— O teu poder não aumenta tua força, velocidade ou potência. — deu um passo à frente. — Ele redireciona a dos outros.
Os olhos cianos se fixaram nele.
— Tu devolve qualquer impacto físico que recebe, com a mesma força e velocidade ao seu oponente.
Varnek puxou o braço congelado com violência, quebrando parte do gelo ao redor.
Elian não desviou o olhar.
— É como se tu desse continuidade ao golpe… usando o teu corpo como ponto de transferência. Um catalisador.
No telão, as imagens começaram a se organizar.
Um gráfico translúcido surgiu sobre o replay.
★ Vetor de Impacto (Físico)
Capacidade de absorver energia cinética recebida por contato direto e redirecioná-la em outro vetor escolhido.
• Mantém magnitude original (força e velocidade).
• Não gera energia própria.
• Depende de contato físico inicial.
• Pode transferir efeitos adicionais acoplados ao impacto (incluindo poderes Kaelums mesclados a golpes físicos).
‼️ LIMITE ‼️
Necessita de superfície livre para redirecionamento completo e do contato físico.
A arena murmurava em choque.
Elian continuou, agora olhando diretamente para Varnek:
— Era por isso que os golpes que vinham “naturalmente” de ti eram muito mais lentos e fracos em comparação aos que vinham logo após eu executar um golpe.
Ele limpou o sangue do canto da boca com o polegar.
— Calculando exatamente a força que eu exerci e a força que recebi de ti depois, foi assim que descobri teu poder.
Seus olhos brilharam em azul intenso.
— Por isso que tu é o rei desse lugar.
Mais um passo.
— Não é porque tu é mais forte que os outros. Ou porque é mais veloz. É sim, pois teu poder é perfeito para as regras da Hexacúpula.
Outro.
— Mas algo vindo do ambiente, sem contato físico, tu não tem como devolver.
A compreensão atravessou Aya como um raio.
— Estou certo?
Finalizou Elian, agora posto exatamente em frente a Varnek.
— O-ora seu—
Mas, cortando Varnek, um grunhido alto surgiu.
— KRAAÁÁK! — era Mórghul, batendo fortemente as asas. — Análise completa!
Todos os olhos se voltaram para ele.
— Melhor método de… KRÁÁ… vencer Elian elaborado!
Varnek abriu um sorriso macabro novamente.
— Finalmente…
Mórghul inclinou levemente a cabeça, os olhos âmbar fixando-se em Elian.
— Probabilidade de… KRÁÁ… vitória contra Elian em cenário dois contra um é…
O silêncio na arena tornou-se absoluto.
— KRÁÁÁ… 3,67%.
Os olhos de Varnek se estreitaram.
— Hm?! — o sorriso vacilou por um segundo. — “Tão baixo assim…?”
As asas do abutre pararam de bater lentamente, projetando uma calma sombra colossal sobre o gelo.
— Elian Moreau… maximiza desempenho quando o risco recai sobre si.
Aya sentiu o ar pesar.
Seu coração bateu mais forte.
— Padrão comportamental confirmado.
Os olhos da criatura deslizaram lentamente até ela.
— Ponto de ruptura identificado. Estrutura Kaelum fraca.
O tempo pareceu errar por um segundo.
— Probabilidade de vitória: 86,6%.
O olhar animalesco incendiou-se.
— Vetor crítico…
O bico abriu-se lentamente.
— AYA NAFIDH.
O nome cortou o ar como um decreto de execução.
O ar ao redor começou a vibrar, como se o próprio vento hesitasse em soprar.
Agora, enfim, a verdadeira batalha iria começar.
★ Psique Hiperevolutiva
Expansão neural psíquica que eleva drasticamente a capacidade cognitiva do usuário. A mente passa a operar como um supercomputador biológico, processando múltiplos cenários estratégicos simultaneamente, analisando padrões em tempo real e interpretando microintenções musculares frações de segundo antes da ação ocorrer. Também permite avaliar a estrutura corporal do oponente, estimando seu nível físico, eficiência biomecânica e possíveis limites de desempenho.

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