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Capítulo 50: Hexaqueda
AVISO!!
Peço desculpas a todos os leitores de O que eu deixei para trás?. O capítulo Hexaqueda que saiu hoje, 07/04/26, era para ter sido publicado ontem, 06/04/26. Porém, infelizmente, tive uma febre forte, o que me impediu completamente de revisar e editar o conteúdo a tempo.
Por esse motivo, estou postando hoje.
Muito obrigado pela compreensão, e aproveitem o capítulo!
CAPÍTULO ANTERIOR:
“Eu sou tão patética…” pensou Aya, sentindo o peito apertar. “Não consegui fazer nada quando levaram o Louie. E agora estou estragando tudo.”
O rosto de Elian, já tomado pelo gelo, encontrou a silhueta de Aya e Mórghul surgindo do vapor.
Em um impulso, ele tentou avançar.
Mas seu corpo estava congelado demais para se mover.
“Merda! Eles se aproveitaram de eu não conhecer os poderes deles!”
Seu olhar se fixou em Aya.
“Agora… tudo o que posso fazer é acreditar em ti, Aya Nafth.”
Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto da garota.
“Me desculpa… Louie.”
—KBOOOOOOM!—
Uma explosão tomou conta do coliseu.
⧙ O QUE FOI ISSO?! ⧘
O apresentador, de queixo aberto, tentava enxergar através da gigantesca cortina de fumaça que havia engolido o campo de batalha.
⧙ A visão do campo... FOI COMPLETAMENTE OBSTRUÍDA EM UM INSTANTE!! ⧘
No telão, o sistema tático reconstituía tudo em câmera lenta.
A projeção revelava o ex-militar congelando Varnek e Mórghul, apenas para ser travado logo depois pelo Vetor de impacto.
O abutre, antes preso, se libertava do gelo e cortava o ar em um arco incandescente na direção onde a jovem estivera instantes antes.
Murmúrios começaram a crescer entre o público.
— Que merda… alguém consegue ver alguma coisa na arena?! — reclamou um homem, inclinando-se sobre a grade.
— E a garota?! — disparou outra voz, tensa.
— Shhhhi! Fiquem queietos! Vai mostrar agora no telão! — apontou uma espectadora.
Porém, mesmo a simulação não deixava claro o resultado daquele choque.
Tudo o que mostrava era o marcador vermelho travando sobre a posição da competidora.
Com a chama da dúvida, uma onda de reação voltou a percorrer as arquibancadas.
— S-se tá em cima, deve ser porque acertou! — gritou um espectador, cerrando o punho.
— Então ela… — a mulher levou a mão à boca, incapaz de terminar a frase.
— Isso significa que os Abutres Carniceiros venceram? — questionou outro, a voz instável.
— DROGA! Eu coloquei todo o dinheiro que tinha no Elian e nela! — esbravejou um sujeito, puxando os próprios cabelos.
A tensão se espalhou como fogo em capim seco, e a multidão, inquieta, observava a nuvem que ainda dominava os destroços da batalha, de olhos fixos, prendendo a respiração.
Então, um grito alto e desesperado atravessou toda a Hexacúpula, rasgando até mesmo o caos da plateia.
— AYAAAAAA!!! — Diana se pressionou contra a parede de vidro.
Seus olhos trêmulos se voltaram rapidamente para o comandante.
— KAEL! Tu não vai fazer nada!?
Mas, ao finalmente encarar o homem ao seu lado, a garota percebeu algo inesperado.
Envolto pela energia roxa, o Pináculo da força desfazia lentamente a própria habilidade.
Suas mãos ainda estavam apoiadas contra o vidro, como vestígios da tentativa interrompida, e em seu rosto havia um sorriso nervoso.
— Que pirralha inconsequente… — murmurou ele, sem tirar os olhos da luta. — Tenho certeza de que isso é influência do Louie.
— O-o quê? O que você quer dizer?
— Olhe você mesma, Diana.
No campo de batalha, o nevoeiro começava, enfim, a se dissipar, revelando uma cena inesperada.
Mórghul, ainda brilhando como um pequeno sol, havia aberto uma cratera no centro da arena, com as garras vermelhas cravadas no coração da destruição.
Mas Aya não estava ali.
— KRÁÁÁ! ALVO PERDIDO! ALVO PERDIDO! AÇÃO INESPERADA! — grasnou a ave, girando a cabeça enquanto buscava qualquer sinal da garota.
— Ei! Olha! Em cima dele! — gritou alguém nas arquibancadas. — Tem alguma coisa ali!
Então, pairando sobre o abutre, sua silhueta surgiu diante de toda a arena.
“Que merda eu tô fazendo? Eu ia mesmo desistir?”
Por um segundo, uma lembrança rompeu seus pensamentos.
Era Louie, com o rosto de quem acreditava que nada no mundo poderia incomodá-lo em sua sagrada hora do café.
Com os cotovelo apoiado na mesa, tomou um gole preguiçoso. Em seguida, abriu um sorriso tranquilo e estendeu a xícara na direção dela, oferecendo-a sem dizer nada.
“Talvez eu realmente seja um fardo… um fardo que nem sequer sabe quem é.”
Seus dedos se fecharam no ar.
“Ainda assim, ele me acolheu. Mesmo sem saber quem sou… ficou ao meu lado.”
O aperto em seu peito entrou em combustão.
“Eu não posso morrer ainda. Não antes de pagar tudo o que devo!”
Sua visão firmou.
A decisão veio de uma vez.
Seu braço, ainda ferido, brilhou novamente. O metal se espalhou por sua pele, formando uma segunda camada.
— O FRANGO ASSADO…
Aya despencou do alto como um projétil, o corpo cortando o ar em linha reta enquanto o vento uivava ao seu redor.
— EU TÔ AQUI!
Lá embaixo, a expressão de Mórghul se contraiu ao perceber a queda repentina.
“KRÁÁÁ… alvo identificado! Aumento de força repentino via poder Kaelum!”
Suas pupilas âmbar brilharam intensamente, como um sistema em execução, enquanto analisava a pele de ferro se espalhando pelos braços da garota.
“KRÁÁÁ… calculando minha probabilidade de vitória em confronto direto…”
A criatura ajustou a trajetória no mesmo instante, lançando-se para cima em uma interceptação perfeita.
“Calculo completo! Chances de 86,6%!”
O bico avançou como uma estaca incandescente, mas, milímetros antes do contato, os dados em que se baseava já não eram mais válidos.
“KRÁÁÁ… repentina alteração de massa detectada!
Ainda suspenso na subida, hesitou por um momento.
“Anomalia detectada! Recalculando dados!”
A distância entre os dois já não existia.
“CHANCES DIMINUINDO DRASTICAMENTE!“
E naquele breve lapso—
“PERIGO!! PERIGO!!“
Mas já era tarde demais.
E, assim como qualquer animal em uma situação desesperadora, o instinto tomou conta.
— KRÁÁÁ!!!
Pois enfim, o impacto aconteceu.
O punho metálico de Aya colidiu contra o bico de Mórghul no meio do ar e, por um segundo, os dois corpos travaram no céu, em um choque de força máxima.
O vento ao redor se distorceu sob a pressão absurda.
O pulso de Aya tremia, sangue acinzentado escorrendo pelos poros, enquanto a estocada da criatura avançava com ainda mais intensidade.
“Eu já me decidi. Dessa vez, NÃO VOU RECUAR!!!”
Com um impulso final, a garota rompeu o confronto.
“K-KRÁ?!“
O soco atravessou a defesa da criatura e atingiu em cheio sua cabeça.
BOOOOM!!!
A explosão se espalhou pela arena em uma onda de choque devastadora, varrendo o campo de batalha e arremessando fragmentos de gelo, poeira e metal incandescente em todas as direções.
A própria Hexacúpula estremeceu, suas estruturas de sustentação rangendo sob a intensidade do impacto, enquanto a parede de vidro ALON tremia violentamente.
Nas arquibancadas, milhares de espectadores perderam o equilíbrio por um instante.
Mas o tremor não ficou restrito ao estádio.
Muito além do coliseu, pelas avenidas e torres da Zona Norte, o chão vibrou como se um terremoto tivesse atravessado a cidade. Janelas estremeceram, luzes piscaram, e por alguns breves segundos a região inteira sentiu o eco daquele único golpe.
E, no centro de tudo aquilo, estava Aya.
Acima do grande abutre desacordado, seu braço pendia para baixo, enquanto o ferro derretido escorria em líquido incandescente, gotejando junto ao próprio sangue sobre o corpo da criatura. Os olhos vacilavam, denunciando a dor intensa.
Mas, ainda assim, um sorriso satisfeito escapava de seus lábios, quase involuntário.
[Manipulação de Fe (EA) + Manipulação de Massa (EF)]
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O usuário funde partículas de ferro à pele e aos ossos do braço, aumentando drasticamente a densidade local. O peso concentrado e a rigidez extrema tornam cada impacto extremamente mais potente. Ao manipular a massa do braço, o usuário multiplica a inércia do golpe, atingindo força máxima no ponto de contato. O processo causa dor intensa no usuário. Incluindo músculos, tendões e articulações, que sofrem pressão incomum, enquanto a substituição parcial de tecido por metal sobrecarrega os ossos.
Tudo ao redor mergulhou em um silêncio absoluto.
O apresentador encarava a centro da luta, completamente atônito, enquanto a plateia, sem palavras, permanecia presa entre a euforia e a incredulidade, incapaz de reagir.
Então, a calmaria se rompeu.
⧙ Isso... ISSO É INCRÍVEL, SENHORAS E SENHORES!!! A VITÓRIA ESTÁ DECRETADA! ⧘
O grande telão aproximava a imagem das quatro silhuetas e revelava, de um lado, Varnek completamente congelado, enquanto, à sua frente, Elian, parcialmente preso no gelo, mal conseguia se manter de pé.
— Mandou bem… garota. — murmurou ele, deixando escapar um sorriso aliviado em meio à dor.
⧙ Com Varnek imobilizado, Elian incapacitado e Mórghul fora de combate, a única lutadora ainda de pé na arena é... AYA NAFIDH!!! QUEBRANDO A INVENCIBILIDADE DOS ABUTRES CARNICEIROS PELA PRIMEIRA VEZ NA HEXACÚPULA!!! ⧘
Acima do Domo Três, todos observavam a arena, ainda em choque.
— ISSO!!! — gritou Diana, pulando enquanto comemorava a vitória.
Ao seu lado, Kael soltou um suspiro, passando a mão no rosto.
— Acho que preciso rever meus critérios… — disse, com um sorriso cansado. — Só escolho aprendiz com parafusos faltando.
A poeira finalmente começou a baixar por completo.
O calor ainda ondulava no ar acima da cratera, distorcendo a visão como uma miragem.
Mas Aya continuava ali, em pé, sustentada pelo mais puro e teimoso esforço.
Seu antebraço pingava aço derretido, misturado a um vermelho rubro, enquanto seus dedos tremiam levemente, como se já não respondessem aos comandos do próprio corpo.
Ela tentou dar um passo, porém falhou.
O joelho cedeu antes mesmo de o pé tocar o chão.
— Tch… — um pequeno ranger de dor escapou entre seus dentes.
antes que atingisse o chão, algo a segurou.
— Não tenta andar. — a voz de Elian surgiu dolorosa e cansada.
Metade de seu corpo ainda estava coberta por gelo, fruto do próprio poder. Pequenas fissuras estalavam a cada movimento. O vapor frio escapava de sua pele, como se o próprio inverno habitasse dentro dele.
Ainda assim… ele permanecia de pé.
— Tu não devia tá se mexendo… — murmurou Aya, sem força sequer para erguer a cabeça direito. — Tá só o trapo.
— Isso se aplica pra ti também. — a frase saiu baixa, cortada por uma tosse seca.
Por um segundo, os dois ficaram em silêncio.
A Hexacúpula também.
Todos assistiam àquele pequeno momento após a vitória.
— A gente… ganhou mesmo, né? — a voz da garota saiu fraca.
Elian olhou ao redor.
Varnek imóvel. Mórghul desmaiado. O chão reduzido a destroços.
— …Ganhou. — afirmou ele, com um suspiro aliviado.
— Que bom… — um pequeno sorriso surgiu no canto de sua boca.
O corpo dela relaxou ainda mais contra o dele, e Elian percebeu na hora.
— Ei. — chamou, com o tom firme. — Não apaga agora.
— Só… um pouquinho…
— Aya.
Ela forçou os olhos a abrirem um pouco.
— Hm…?
— Se tu desmaiar… — ele respirou fundo, ignorando a própria dor. — eu te largo aqui mesmo.
O ar pareceu travar.
Durou um segundo… dois… até ser rompido.
— Tu não teria coragem… — ela sussurrou.
— Testa pra ver.
Um pequeno riso fraco, mas verdadeiro, escapou dela.
— Tá bom, tá bom. Eu fico acordada. Não pensei que tu era do tipo piadista também.
Elian esboçou um leve sorriso e cochichou:
— Eu não sou. — ele pousou a mão sobre o metal derretido que cobria o braço da garota. — Bom… vou resolver isso por hora.
De seus dedos, uma fina névoa congelante se espalhou, cobrindo o membro da garota por completo, selando os ferimentos e desacelerando suas funções celulares.
Ela piscou, surpresa.
— A dor… sumiu.
— Sim. Não resolve o problema, mas ao menos ajuda por enquanto. Vamos ao domo três, encontrar Kael e Diana.
— Certo…
Elian carregou a parceira nos braços até a saída, enquanto a plateia se despedia deles com uma enxurrada de aplausos.

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