Capítulo 37 - A dúvida pela origem
“Era mesmo pra ela estar brava até agora?” Cabisbaixo na sua bancada, Akemi era afetado pelo comportamento gélido de Nikko, que sentada bem ao seu lado direito, se recusava a olhar nos olhos do rapaz.
O silêncio dela machucava mais do que deveria.
O garoto soltou um suspiro pesado e inclinou a cabeça para frente; porém, seus olhos baixos não o afastaram de uma nova presença na bancada: Hiromi Miyazaki. Sua expressão? De quem não se importava com a situação.

— Ei… até quando a Nikko vai continuar assim? É muito estranho estar aqui no meio de vocês enquanto ela nos ignora desse jeito, tem gente me julgando com os olhos!
Miya não tirava o foco do extenso quadro negro. — Não esquenta com isso, daqui a pouco ela esquece. E quanto à sua outra colocação… você não é o único entre garotas.
Akemi observou ao redor com certa inquietação. Só então ele percebeu como a sala estava completamente diferente. Não era apenas Miya que estava fora do lugar, tudo parecia bagunçado.
Mapeamento da esquerda para a direita da sala.
Bancada Inferior 1 = 02 Nikko Ichikawa, 01 Akemi Aburaya, 13 Hiromi Miyazaki.
Bancada Inferior 2 = 08 Kyoko Shimizu, 05 Teruo Kenzo, 04 Rin Kurosawa.
Bancada Inferior 3 = 15 Sho Yamamoto, 14 Aruni Yamamoto, 07 Mayumi Sanada.
Bancada Superior 1 = 03 Kentaro Ozaki, 12 Nihara Miyazaki, 10 Minoru Suzumura.
Bancada Superior 2 = 06 Hikaru Sasaki, 09 Kinyoku Shinkai, 11 Aya Hattori.
Enquanto o instrutor Masaru Miyazaki se concentrava em um livro aberto sobre seu púlpito, os alunos aguardavam o início da aula.
“Devem estar seguindo com os companheiros de dormitório…” Akemi olhou discretamente para a bancada superior atrás de si. “… Caramba! Esses três poderiam parar de ficar me encarando! Deviam pelo menos disfarçar, né?!” Ele sentia as orelhas queimarem enquanto sofria por olhares cravados nas suas costas; estava difícil ignorar…
Kentaro, mostrando sua ousadia no sorriso malicioso, colocou o cotovelo na bancada e apoiou o queixo na mão. — Olha só, estão vendo o mesmo que eu? Aquele esquisito tá cercado pelas duas garotas mais influentes da turma. Não é engraçado? — ironizou o jovem, com sua voz rouca característica suficientemente baixa para não chamar uma atenção indesejada. Ele estava se divertindo.
Nihara seguiu quieto, sua seriedade dava a entender que o problema não era tão simples quanto parecia.
— Pode ser apenas sorte — disse Minoru, calmo e sem olheiras — mas nada descarta uma pura coincidência… Só não consigo entender o que elas viram nele…
Para a surpresa de alguns, o calado finalmente quebrou seu silêncio. — A verdade é que ele não é nem um pouco capacitado pra estar aqui.
Vendo a irritação ao lado, Kentaro ampliou o sorriso. — Tem certeza? Essa cicatriz na cabeça parece dizer o contrário.
— Como é, ô careca?! — Pupilas em chamas ameaçavam.
— Que isso, fica calmo — de mãos um pouco levantadas, o sorridente seguiu confiante — sua luta não foi tão feia assim, eu me diverti bastante assistindo. Pelo menos você saiu vitorioso.
Nihara ajeitou-se no assento novamente, mas sua fúria não dava trégua.
— É estranho pensar como ele está aqui — comentava Minoru — mas não podemos descartar o fato daquela aura elétrica ser impressionante. Confesso que fiquei surpreso ao vê-lo lutar.
— Lutar? — repetiu Nihara — ele não estava lutando, estava apenas tentando sobreviver… talvez nem isso.
— Pois é — refletiu Kentaro — se ele fracassou no teste físico de admissão, só há uma outra alternativa pra ele estar entre nós. Mas quem faria uma loucura dessas?
— Hiromi o indicou — informou Nihara, seus olhos fechados e braços cruzados retratavam o desprezo ao fato, diferente dos outros dois garotos, surpreendidos pela revelação.
— Sério? — indagou Minoru — bom, isso explica muita coisa.
— Ah, para — esbravejou Kentaro — isso apenas deixa as coisas ainda mais confusas. Enfim, sabe nos dizer o que a sua prima viu naquele garoto, Nihara?
— Não quero nem saber o que se passa na cabeça daquela garota. Quem dera eu poder dizer algo para uma possível matriarca.
— Haha, foi mal! Esqueci que as mulheres da sua família tratam os machos igual cachorro! Vocês são fogo!
— Ei, vocês aí! — Masaru chamou a atenção dos três — tratem de se manter em silêncio, ou serão mandados embora! — Ao lado do púlpito, ele ajeitou os óculos, com sua presença e autoridade que calava a turma, fez questão de observar cada rosto presente antes de capturar a atenção de todos. — Pois bem, jovens, vamos começar o dia indo direto ao ponto. Sei que já possuem a noção básica de como as auras surgiram, mas permitam-me refinar essa compreensão com um toque de ciência e um pouco de história.
A voz profissional trazia uma entonação que fazia até os mais distraídos olharem para frente.
“Oh! Finalmente uma aula sobre auras! Esperei tanto por esse momento! Eu já não aguentava mais passar por matérias triviais…”
Com o dom das chamas, o instrutor pegou um giz branco e desenhou rapidamente quatro círculos no quadro, dois à esquerda e dois à direita.
“Círculos… deformados? O que significam?”
De costas para o quadro, Masaru apontava o giz nas figuras que mencionava. — Gamabunta, elemento: terra. Soragyu, elemento: ar. Suiten, elemento: água. Enjin, elemento: fogo. Esses são os quatro asteroides que transformaram a nossa perspectiva de vida, trazendo consigo uma… “benção”… Não de deuses, óbvio, mas de alterações genéticas que mudaram o nosso planeta para sempre.
Miya ergueu o punho. — Com licença, poderia nos dizer o porquê da escolha dos nomes de cada asteroide?
— Imaginei que gostaria de me ouvir sobre, senhorita Miyazaki. Os nomes dos asteroides vêm de deuses mitológicos antigamente já associados aos elementos. Então a ciência, num raro momento de humor, decidiu batizá-los dessa forma como uma espécie de ironia com a crença popular. É por isso que esses nomes podem variar de acordo com cada país. Contudo, com o avanço da ciência, a descoberta dos asteroides há décadas revelou algo surpreendente: propriedades mutagênicas capazes de alterar o DNA humano. E é exatamente sobre isso que vamos falar agora… Isso responde à sua curiosidade?
Embora a resposta fosse detalhada, Miya não parecia totalmente agradada. Talvez ela quisesse ouvir outras palavras. — … Obrigada…
— Continuando… Quando os asteroides colidiram com o planeta há milhares de anos, extinguindo espécies pré-históricas, cada impacto deu origem a vastas zonas de mutação, cobrindo quilômetros. Desde os tempos primitivos, os seres que passaram a habitar essas áreas tiveram seu DNA alterado, adquirindo habilidades únicas diretamente ligadas ao elemento do astro que atingiu a região. Entre todas as criaturas, os humanos se destacaram como a espécie mais predominante da história até os dias de hoje. Assim, ao longo das eras, essa habilidade extraordinária ficou conhecida como “aura”.
“Parando pra pensar, pode ser que esses asteroides transformaram o mundo em algo muito mais perigoso do que deveria ser… Pera, o que ele tá fazendo?!”
Masaru voltou ao quadro, e abusando de suas mãos velozes, esbanjava toda sua habilidade enquanto desenhava o mapa-múndi. Dentro da grande esfera desenhada, alguns continentes foram traçados, preenchendo o interior do com a cor branca.
“Como consegue fazer isso de forma tão exata?! Ele só pode ter um dom diferenciado… Só que, não consigo diferenciar os países. O que ele tem em mente?”
Terminada a representação dos continentes, Masaru usou suas habilidades ígneas no primeiro país desenhado, destacando-o com linhas em chamas. — Asteroide Gamabunta. Terra. Caiu em Noğlu, no Sul. Definitivamente um país desértico bem peculiar controlado por um império inestimável.
Ele não esperou por perguntas e rapidamente moveu-se para destacar o próximo país.
— Asteroide Soragyu. Ar. Caiu em Dagorion, no leste do mapa, abaixo de nós. Vale lembrar que Dagorion é um país de suma importância estratégica para Asahi, especialmente após a nossa recente assinatura de um tratado, com o objetivo de limitar a corrida armamentista naval e assegurar a estabilidade no Mar do Poente, um passo crucial para a paz e a cooperação entre certas potências navais.
“Haviam muitos dagorianos na usina, eram extremamente formais e reservados. A nação deles deve ser muito orgulhosa.”
— Asteroide Suiten. Água. Caiu em Medved, a maior extensão territorial mundial localizada no noroeste. Uma região antes tropical que, após o impacto de Suiten, teve seu clima modificado drasticamente. Agora, o lugar é conhecido pelos seus mares congelados e tempestades de neve… — Masaru fez uma pausa, deixando a cabeça abaixar por pensamentos intrusivos. — Se as pessoas de lá não fossem tão frias quanto a sua terra natal…
“Wow, nunca poderia imaginar que Medved uma vez esteve livre do frio intenso!”
— Asteroide Enjin. Fogo. Caiu em Meilí, a antiga aliada de Medved. Lá, o fogo não é apenas um elemento, e sim uma filosofia de vida, já que mais de oitenta por cento da população é composta por áuricos ígneos.
Masaru pausou novamente, levantando a cabeça. Sua mente parecia relembrar momentos inesquecíveis.
— Meilí auxiliou Medved na guerra contra nós por muitos anos. Eram potências praticamente irmãs, quase imbatíveis quando unidas, Asahi não aguentaria por mais tempo… É inimaginável o que possa ter gerado uma desaliança.

Entre Rin e Kyoko na bancada central, Teruo Kenzo levantou a mão. — Senhor, teríamos informações de onde vieram estes astros?
— De onde vieram? Hm. Apenas posso dizer que esta é a pergunta que mais desafia a ciência…
– CURIOSIDADES DO MUNDO ÁURICO –
Ao longo da longa e turbulenta história da Terra, incontáveis guerras e batalhas ditaram o destino de nações inteiras, deixando uma marca inapagável nos livros de história. Entre todos esses conflitos, a “Guerra das Auras” permaneceu como a mais lembrada e reverenciada, um embate sanguinário travado por volta de 1800.
Esse cataclismo global resultou na queda de mais de 50 países, restando apenas 11 nações sobreviventes, que se ergueram das cinzas da guerra com poderes militares imensuráveis.
As 11 maiores potências, aquelas que protegiam suas terras com mãos de ferro, eram:
Asahi

Um país em expansão, focado em estratégia e inteligência. Contava com forças áuricas variadas e equilibradas. Suas artes marciais, combinadas à diversidade áurica, transformaram seus soldados em armas imprevisíveis, que surpreenderam seus adversários até se tornarem intocáveis.
Medved

Apesar de possuir o maior território mundial, Medved passava por uma decadência interna. Dominada por usuários d’água, suas forças mostravam resiliência e adaptabilidade, mas sofriam com desorganização e tensões internas que enfraqueciam seu potencial.
Meilí

Renascida com vulcões poderosos, Meilí tornou-se a nação mais populosa do mundo. Dominada por áuricos de fogo, sua força bruta era inigualável, com 80% da população utilizando habilidades destrutivas e ofensivas inspiradas nas chamas.
Dagorion

Uma monarquia altamente respeitada. Com habilidades de ar predominantes, era conhecida por táticas superiores e uma força aérea áurica quase invencível.
Freedom

Autointitulava-se “O Coração do Mundo”. A diversidade definia sua força, com poderes variados que refletiam seu espírito livre e sua capacidade de adaptação rápida, sempre buscando a originalidade.
Reichsland

O bastião da força física. Sua população era imbuída de coragem e disciplina militar, tornando-os especialistas em defesa e fortificações impenetráveis. Seus soldados eram conhecidos por sua determinação inabalável.
Noğlu

Dominado pelas areias do deserto, tornou-se uma potência em condições extremas, sustentada apenas pelo próprio Império Noğluniano.
Valmont

Um país de elegância, reconhecido por exportar seus produtos para todo o oeste. Seus áuricos eram mestres em habilidades refinadas para o mercado, mas não descartavam a força militar.
Soverato

A casa das habilidades criativas e destrutivas. Embora menor, sua força vinha da versatilidade e engenhosidade em batalha.
Delamancha

Reconhecida por combates que misturavam arte e força, com movimentos inspirados em danças tradicionais. Seus áuricos exerciam habilidades explosivas, porém cheias de graça, transformando cada passo em um golpe devastador.
Seorim

Embora seu território fosse pequeno e frequentemente explorado por potências maiores, Seorim mantinha sua resistência. A força mais fraca entre as nações defendia-se com determinação e táticas que a tornaram um símbolo da resiliência que se recusava a cair sem lutar.
Tendo em mente que ainda podiam existir povos em regiões desconhecidas, essas nações, forjadas pela guerra, tornaram-se os novos titãs de um mundo devastado pela aura. Seus nomes estavam gravados para sempre na memória coletiva de uma Terra que jamais voltaria a ser a mesma de milênios atrás.

Olá, aqui é o Andaz!
Já peço desculpas pela demora. Às vezes a rotina universitária aperta e nem sempre consigo publicar no final de semana, mas prometo manter a média de um capítulo até NO MÁXIMO 10 dias. Espero que entendam essa correria! 😅
No capítulo passado, comentei que o próximo teríamos mais detalhes envolvidos, e aqui estamos! Foi um capítulo especial, porque precisei me dedicar para garantir que eu tivesse CERTEZA do que estava fazendo.
Gostaria muito de saber o que vocês acharam do capítulo, então não deixem de comentar e avaliar! E sobre as bandeiras e o mapa… Bem, admito que não sou nenhum geólogo ou designer de brasões, mas dei o meu melhor.
E sobre as \\\”CURIOSIDADES DO MUNDO ÁURICO\\\”, podem esperar vê-las em mais capítulos daqui pra frente. Isso servirá para compartilhar algumas coisas que provavelmente não serão citadas diretamente no texto de algum capítulo, porém, estão no conhecimento de todos do mundo áurico.
De qualquer forma! Muito obrigado por acompanharem até aqui! Nos vemos no próximo capítulo. 😊

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