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    — Que lugar sinistro… O que faremos agora? — questionou Akemi.

    Nikko mantinha a mão no ombro do garoto. — Não tenho a mínima ideia. É melhor perguntar o que os outros acham — mas quando olhou para trás, deparou-se com uma situação um pouco… inesperada.

    — Olha, acho que a Sanada precisa de uma ajudinha aqui — comentou Minoru, neutro, de cócoras ao lado de Mayumi, que de uma forma um tanto quanto perturbadora, estava sentada, com o corpo encolhido e abraçando os joelhos, balançando para frente e para trás, tremendo, mas não de frio, pois no rosto, somente era possível ver o mais puro trauma nos olhos esverdeados.

    Nikko tomou a iniciativa. — Ruivinha! — Ela correu em direção ao problema e agarrou as laterais dos braços rígidos da retraída. — Ei, fala comigo! Você tá bem!? 

    Minoru levantou-se. — Não, claramente ela não tá bem.

    Akemi aproximou-se. — Está assustada. Será que não é pela altura de onde caímos?

    O outro rapaz reagiu com um riso. — Medo de altura? Ela!? Tsc, isso seria no mínimo engraçado. Sempre paga de séria na frente dos outros.

    Suportando Mayumi, Nikko irritou-se com a conversa. — Gente! Para de graça e me ajudem aqui! Ela não pode ficar assim por mais tempo! O grupo precisa dela!

    — E-eu não sei se a gente tem muito o que fazer pra tirá-la desse estado.

    — Dá um tapa na cara dela.

    COMO É!!!??? — Akemi e Nikko mais que suspeitaram da orientação de Minoru.

    — Aí, tomem cuidado com a voz. Essas estalactites acima das nossas cabeças não parecem nada firmes.

    — Não importa! Tá achando que sou agressiva como os seus amiguinhos, é?

    — Não somos agressivos, apenas… arrojados — a frase finalizou-se com um sorriso de canto.

    — Arrojados!? O-o que esse termo tem a ver!? — retrucou Akemi, incrédulo.

    — Olha, cara, se você acha que essa garota aí vai voltar pra Terra só com palavras, você está muito enganado. Pelo jeito que ela está, só com uma dose de dor física pra cair na real. 

    Argh, esses homens nunca fazem nada direito — sussurrou Nikko antes de mirar nos olhos da garota assustada — enfim, tentarei acordá-la…

    Chacoalhadas fizeram com que Mayumi desprendesse as mãos dos joelhos, revelando um rosto inerte acima do pescoço mole. Ela parecia um boneco.

    — Ruivinha! A gente precisa de você, para com isso e volta pra gente! — Nikko tentava pegar leve, mas não era o bastante.

    Minoru entendia que a situação não estava melhorando. — Se realmente quer ajudá-la, a hora é agora.

    Impaciente, Nikko fechou os olhos e suspirou. — Sério, como isso pode ser tão ridículo… — entretanto, rendeu-se à ideia arrojada — tudo bem! Vamos, garota! A gente não tem o dia todo! Acorda!  

    Tap…! O tapa com a mão destra foi executado com perfeição, seco, na medida certa, e isso tirou uma reação! Mas não a esperada… Paf! Num ato de reflexo, Mayumi desferiu um soco cruzado de direita bem no queixo de Nikko, derrubando-a na hora.

    Os garotos presenciaram a cena de olhos arregalados, surpreendidos pelo resultado. Já a ruiva sentada, piscou os olhos várias vezes enquanto se deparava com a garota caída… — O-oh! Pelos senhores! — Ela rapidamente ajoelhou-se ao lado de Nikko; embora chocada, o semblante calmo prosseguiu em uma curvatura para reverência — mil perdões, foi um espasmo. Com toda a fé que não faria algo de tão mau grado.  

    — Caraca… Isso foi demais! — Minoru animou-se.  

    — E isso é momento pra comemorar!? — advertiu Akemi.  

    Deitada e com uma de suas marias-chiquinhas tampando o rosto, Nikko demonstrou sinais de vida, mesmo que sua voz estivesse sonolenta e abafada. — Tá tudo beeem, pelo menos consegui tirá-la daquele transe… Mas se bem que ela podia ter uma mão mais leve, né? Parece uma outra menina que conheço.  

    — Novamente, mil perdões. Se não fosse por você, com certeza eu não sobreviveria àquela queda sozinha, sua aura foi crucial. Aliás, esse meu estado alterado é fruto de problemas de infância. Não fui feita para presenciar alturas tão… exuberantes.  

    “Ela está falando a verdade. Seus olhos se retraem só de pensar, mas tem a coragem para nos dizer os seus problemas… Eu a respeito por isso.”  

    Minoru tomou a palavra. — Você fala bonito demais pra quem tem medo de altura, mas não me leve a mal, é normal que até as pessoas com o maior ar de confiança possam ter as fraquezas mais inusitadas.  

    Ainda de joelhos, Mayumi subscrevia: — Compreendo, se render aos próprios defeitos pode ajudar em certas situações, porém trabalho para que isso não me prejudique em um momento oportuno.  

    Nikko finalmente levantou o tronco e permaneceu-se sentada, massageando a bochecha. — Ai, nossa, isso doeu mais do que eu poderia pensar.

    — Tá tudo ok? — perguntou Akemi, preocupado.  

    Revigorada com toda a energia do mundo, Nikko ficou de pé. — Claro que estou! Agora, temos uma missão para completar! Temos que salvar a Kyozinha!

    Mayumi também levantou-se. — Excelente ponto, a instrutora informou que Shimizu está no alto deste castelo, e como vimos, o destino nos lançou a andares inferiores, possivelmente no mais profundo deles. Precisamos traçar um caminho até o topo.

    Minoru percebeu um detalhe. — Este lugar em que estamos é obviamente uma caverna. Por que teria algo assim em um castelo!?

    Akemi tinha seu ponto de vista. — Também estou desconfiado daqui, pra lá só há uma parede lisa de gelo, mas… vocês viram aquelas duas passagens atrás de mim?

    Mayumi guiou o próximo passo: — Talvez tenhamos que escolher por onde seguir. Pretendem se separar?  

    — Acho válido primeiro a gente refrescar na memória o que cada um de nós pode fazer. No caso, as nossas auras.  

    As palavras de Minoru agradaram o grupo unido, principalmente Nikko.  

    — Certo! Serei a primeira! Como puderam ver, sou uma dobradora do vento! Consigo redirecionar e intensificar todo o ar presente em um certo raio de distância próximo a mim!

    Minoru relembrou das habilidades da garota. — Eu vi, salvou a gente! Você parece ter uma aura muito forte.  

    — É! Só que… tem um probleminha — após a exaltação, a moral de Nikko abaixou — eu meio que… não consigo executar bem as minhas dobras usando apenas o meu próprio corpo…  

    — Como assim? — indagou Akemi.  

    — A minha arma… eu preciso dela pra potencializar a minha força. Mas pelo visto a instrutora não nos deixou usar nenhum equipamento hoje. Sem a minha arma, só sei fazer alguns truques com o ar. Eu ter conseguido salvar vocês dessa queda foi uma grande surpresa para mim.  

    — E qual é a sua arma? — perguntou Minoru.

    — A-ah, bom…

    — Não vai responder?

    — É que essa é uma pergunta difícil de responder…

    Mayumi decidiu intervir no constrangimento da outra. — Tudo bem, entendo sua dor. No meu caso, estou sendo uma espadachim sem uma espada. E as minhas habilidades dependem de uma lâmina, mesmo que não exclusivamente. Não imagino como posso auxiliá-los de forma considerável nesta jornada.  

    — Hahahaha, certo, certo — Minoru riu com as mãos na barriga — vocês duas falando me fizeram lembrar que sou um dobrador de terra com nenhum terreno a não ser gelo em volta. Isso vai ser divertido. E você, cara? Consegue ajudar a gente nessa?  

    “Ele tá olhando pra mim!? O que eu falo!?”  

    — E-então…  

    Só de olhar, todos presenciavam a desconfiança em pessoa…  

    — É melhor que fiquemos juntos — definiu Mayumi.  

    — É — concordou Minoru — se nos separarmos agora, a chance de dar merda é muito maior do que se ficarmos juntos.  

    — Então! Vamos unidos em frente! Para qual desses buracos devemos seguir?  

    — Essa é uma pergunta difícil, mas os instintos de um Suzumura me levam à direita.  

    Akemi desconfiava. — Tem certeza? Acho que a gente deveria pensar melhor, não?  

    Mayumi compartilhava ideias: — Ambos os caminhos são escuros e desconhecidos. Neste momento, a escolha entre eles é insignificante. A verdadeira diferença será revelada apenas quando caminharmos adiante.  

    — A ruivinha tem razão! Sigam-me os bons porque eu vou na frente!  

    Nikko tomou a dianteira, seus passos fortes ecoavam pela caverna de pouca luz.  

    — Espera, Nikko! Cuidado com as estalactites!  

    Mayumi estranhou o pedido de Akemi. — Qual o sentido de pedir cautela gritando?  

    Bruumm… Bruumm…  

    Todavia, em meio ao tamanho vazio da caverna, Minoru escutou barulhos estranhos, como placas se mexendo, e ao olhar para trás… — Eh, galera, acho melhor a gente correr!  

    Ninguém dava bolas para o que o companheiro dizia, muito menos para o que o destino reservava.  

    Akemi se envergonhava com a bronca de Mayumi. — Eu sei, eu sei, desculpe pelo barulho. É bom a Nikko gostar de tomar iniciativas, antes alguém do que ninguém. Mas temos que cuidar pra não deixá-la se empolgar demais. Vai que ela se mete em encrenca e leva a gente junto. Eu não queria ter que passar por apertos mais uma ve-

    Contudo, as palavras de Akemi mal terminaram quando Minoru passou correndo como um raio em pânico. — GALERA, CORRE!!!

    Os dois parados viraram-se para trás, deparando-se com uma parede azul se aproximando. Ah, sim, e não era qualquer parede: estava coberta de espinhos letais de gelo, submetendo os jovens à uma lição de corrida.  

    — I-ih! — Akemi deu um passo hesitante para trás, e Mayumi? Já estava correndo. Mesmo não sendo tão rápida, era eficiente, concentrando-se intensamente em evitar tropeços.  

    Por outro lado, Akemi, embora descoordenado, não tinha tempo para pensar: a hora de correr estava prestes a expirar.

    “Ai, caramba! Isso não é bom!”

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