Capítulo 169. parte 1 — Ad Lunam Sanguinis: A Gênese de Serasaty, o Desmoronamento da Noite, o Julgamento do Criador e o Canto das Cascas Sob a Lança do Trovão
Seu braço se moveu, o lençol se dobrou, arrastou, cada segundo era um pensamento distante, um pouco mais perto, uma mudança e, dessa vez, quem acordou foi Aycity.
Ela estava lá com seu corpo coberto. A primeira coisa que viu foi cabelo de Kevyn. Estava branco, a garota podia manter aquilo. “Isso combina melhor com você…”, tocou os lábios dele com seus dedos gelados e respirou sobre ele.
“Kevyn, o que é tudo isso? Eu ainda preciso… matar você?”, ela escorou a cabeça no peito dele.
Seus lábios quebradiços, o ar, de sua boca uma leve nuvem gelada vagou sem rumo, seus olhos sem algo para focar enquanto sua frequência cardíaca palpitava forte.
“Mesmo tão frio, ainda é tão quente? Eu não sou digna? O que será de você, comigo? Uma ninguém… uma…”, ela ao menos mudou sua expressão, apenas aceitou o seu destino…
「❍」
Podendo sentir um coração pulsando contra seu corpo, as pálpebras de Kevyn se descolaram em um breve momento — o qual nem mesmo ele queria sair.
Suas íris procuraram e vieram a se fixar, logo ali, com seus braços envolta do seu corpo, estava sua namorada…
“Será que se eu escolhesse fugir com você, eu seria tão feliz quanto qualquer um?”
Aquela pergunta foi cruel, até para ele.
Kevyn e ela não eram diferentes mas…
O que os fazia serem tão parecidos?
Aquele sentimento…
Aquela sensação…
Aycity tinha corações.
❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍
O estender da manga, dobras sutis em um colete negro, sentindo solidão, o garoto então fechou suas pálpebras, seu corpo estava quase totalmente recuperado e, dessa vez, ele só estava querendo voltar a dormir.
O quarto estava frio.
Então ela surgiu.
Uma promessa de ajuda.
Pateticamente ela agarrou a blusa social por de trás do colete, logo botou os botões de maneira fofa.
Com o toque, o menino acordou. Tímido, ele deixou-a.
Cabelo tão bagunçado.
Roupas levemente caídas.
Sem poder reagir, o príncipe congelou.
No entanto, não era de medo…
Era de amor…
Cativando o pescoço…
A gravata surgiu e sutilmente rodeou.
Aycity então dobrou-a em seus finos dedos.
Encaminhou, girou, de olhos cerrados,
ela cruzou a linha e puxou, ainda sonolenta.
Com um de seus olhos aparente, ela levemente abriu sua boca:
— Agora sim…
De seus lábios um deslizar,
desse deslize um sorriso ingênuo.
Então ela veio a cair, de sono, seu corpo repousou e roçou nas vestes.
Em seus braços, Kevyn pegou-a e a segurou para que não caísse. “Obrigado”.
「❍」
Cada passo, um degrau.
Breve, o ranger da madeira contaminou a cozinha.
Kevyn desceu, com seus pés tocou e olhou.
Lá,
Humbra e Dayron já o aguardavam.
Quando seu rei chegou,
eles se ajoelharam.
Assim,
Kevyn ergueu sua mão,
para eles, não existia motivo,
Era um dom, motivação,
O garoto sorriu.
Cruzares de ambientes, antes morno, agora… frio?
A forja,
estava,
fria.
Humbra e Dayron hesitaram em entrar, aquele momento não podia ser visto por mais ninguém além do príncipe.
A oscilação, o tormento. Sob os passos de Kevyn, o ruído do nada se estendeu em uma lâmina sem fio.
Repousando em cima da forja, o que estava dentro do casulo estava tentando rompê-lo, seus braços se contorcendo, tentando rasgar não só o tecido de sua placenta — mas para sair e ver seu pai, sua mãe.
Então chegou, com os pés firmes, o garoto cravou suas mãos. Elas procuraram, cada movimento, elas traçaram sem rumo, procurando entre toda matéria.
Sem hesitar ele tocou, sujando-se com o sangue, envolvendo-a com seus braços, o garoto abraçou seu corpo e, com um carinho além do fraternal, tirou-a de seu casulo.
O véu zen e mal iluminado, como fios banhados em ouro e espiraladas vieram, voando no ar, as gotas de seus olhos chorosos como os de um bebê recém nascido.
Em seu corpo nu, a revelação do seu ser.
O que havia além de suas íris, existia escuridão, escleras brancas e negras, como obsidiana chorosa em um mar feito de petróleo.
A necessidade,
senso e
o contraste.
O carmesim olhar carregou, além de sua alma, uma auréola negra no topo de sua cabeça, cada segundo que olhou para sua criação, mais Kevyn sentiu amor.
Debaixo do par de olhos, existia um segundo par, esse que com suas íris verdes, revelaram um fragmento de sua mãe.
Ela chorou mais, mas não havia pirraça, somente a sensação de nascer.
Os chifres de sua cabeça roçaram a auréola.
Mas quando percebeu, os olhos do garoto se arregalaram.
Na verdade, ele só estava segurando a parte de cima do corpo dela, o tronco, braços e cabeça.
Então procurou,
o corpo incompleto
poderia ser prejudicial e ele se preocupou.
Mas não havia motivo, ali em pé, as pernas dela sentaram-se na bigorna.
Sem perceber, os braços de sua filha o envolveram.
— Pai… qual é o meu nome?
Sua voz sussurrou, ela era doce, fofa, angelical.
O sangue manchou ainda mais as roupas de Kevyn, o frio trouxe nuvens de umidade que despertaram um sentimento.
O menino não chorou, mas sorriu.
Um franzir de lábios,
um momento para pensar,
uma verdade, um fator,
um conceito, um amor.
Kevyn beijou sua bochecha,
apertou seu corpo, aconchegou.
Naquele momento óbvio, um sentimento despertou outro, como uma explosão.
O garoto então soltou-a em cima de suas pernas antes separadas.
As partes não se juntaram, mas…
flutuando sobre o próprio corpo,
a criação do garoto fixou,
confusa encarou-o sem saber o gesto
Então entendeu,
Era como se
estivesse completa,
mas não era só isso,
seu criador admirou,
admirou ela ser ela.
Kevyn abriu a boca, mas nada realmente saiu, ele teve seu segundo para pensar, pensar o que era melhor, disposto a tomar uma decisão, aquele seria o nome dela:
— Bem vinda ao mundo, Serasáty.
Ela olhou nos olhos de seu pai,
quando fez isso, entendeu algo que não dava para de descrever,
seus olhos choraram,
era um choro de necessidade,
o sangue foi absorvido,
as lágrimas vieram como a chuva, era impossível resistir,
uma melancolia incompreensível.
Serasáty sentiu dor naqueles olhos,
mesmo com poucos minutos de vida, ela entendeu.
Entendeu o que seu pai queria, sentia, temia e um dia viveu, aqueles olhos em uma constante dor, ela viu-o sofrendo e,
mesmo sabendo,
não podia fazer nada.
O garoto ergueu sua mão.
— Vamos conhecer seus irmãos.
Ele sorriu.
❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍
Antes fechada, a porta da forja rangeu, como uma abertura prematura,
ela abriu,
do lado de dentro,
o príncipe guiou seu pé em um devaneio.
Mas em seu primórdio, ele saiu da escuridão fria com um sorriso no rosto e seu braço estendido para dentro de onde acabara de sair.
Humbra e Dayron olharam ansiosos,
mas nada foi falado.
O garoto olhou para os dois, então, ao seu lado, um rosto desconhecido surgiu.
Sem qualquer aviso,
olhos impetuosos e cruéis.
De face serena, como quem já viu o pior do mundo, Serasáty olhou para Humbra.
O desdém era imenso, mas efêmero.
Uma presença veio para se impor.
Mas independente do medo, receio,
Humbra olhou,
tentou,
conversou:
— Bem vinda!
Quando ouviu a voz, a garota franziu suas sobrancelhas.
— Humbra…
Ela congelou tudo com a vibração de sua laringe, um incômodo foi sentido, perigo apitou, o esqueleto antecipou.
— Por que você é um general?

Aquela frase surgiu como a ponta de uma agulha,
viria a perfurar e desmantelar se o general não tomasse cuidado.
O príncipe estava alí, observou a intriga e se divertiu com o que poderia acontecer.
A decisão dele seria clara, uma frase limpa.
— Porque eu sou o mais velho.
Humbra declarou…
Serasáty soltou a mão de Kevyn e se aproximou.
Por mais de tudo, o esqueleto era mais alto que ela, era uma maldição imperdoável.
Friamente ela desviou o olhar,
encarou Dayron,
e apenas virou a cara.
— Hmph, Não é justo!
「❍」
O chiado de ovos sendo fritados veio com uma ocasional reunião.
Aquela seria a primeira refeição de Serasáty,
precisava ser especial
Ao mesmo tempo, Kevyn costurava algo sentado sobre a cadeira mais à ponta da mesa.
Sem entender, seu exército encarou-no esperando uma reação.
— Vocês querem alguma estratégia?
Ele perguntou.
— É necessário!
Humbra gritou, quase como um sermão.
Um suspiro surgiu, Kevyn guiou suas íris para o lado e observou o fogão.
— Humbra, mais respeito.
Serasáty interrompeu o esqueleto.
Enquanto isso, Dayron estava de pé cozinhando.
— Ah… meu rei, Night tem um exército, estamos em guerra.
O esqueleto voltou.
Tão experiente,
Dayron girou os ovos usando a frigideira.
— Nós treinamos todos esses dias, você não acha que uma estratégia é desnecessária?
Kevyn estava tentando se desviar do assunto,
até sua filha mais nova percebeu aquilo.
Preocupado, o general esqueleto juntou suas mãos e se lembrou da última vez que enfrentaram Night.
“Tá mentindo, ele têm uma estratégia, mas tá tentando esconder isso justo da gente? A gente precisa saber para poder vencer”
Kevyn pôde escutar o pensamento dele.
Dayron jogou sal em seu café da manhã, tudo estava tão perfeito quanto seu pai lhe ensinou.
Secando o óleo em movimento suaves com a espátula,
ela repousou o ovo sobre o prato e, indo até a geladeira e pegando um frasco de catchup, fez um rostinho.
— Pai, você não pensou em nenhuma forma de enfrentar sua espada?
A garota pareceu decepcionada.
Aquilo despertou o garoto,
ele não estava lidando com o esqueleto, diferente do seu mais velho, a mais nova não tinha um pensamento crítico o suficiente para compreender o que estava tentando esconder.
Kevyn sussurrou coisas para si mesmo,
ele estava nervoso, era inegável.
Mas na sua mentira, uma verdade impossível se escondeu.
Em seus gestos leves, sua mão mexeu, voltando a olhar para eles, o príncipe cerrou seus olhos e disse:
— Se querem uma estratégia, façam vocês mesmos. Lutarão comigo pela minha vontade, ou porquê realmente querem lutar ao meu lado?
Dayron olhou.
Humbra abaixou sua cabeça.
Serasáty desviou o olhar.
Algo que os fez pensar profundamente,
uma frase que nenhum deles pensariam.
Afinal,
Não eram só monstros de mana?
O que os fazem especiais para ouvirem aquelas palavras?
Incomodado de forma abrupta, o esqueleto abaixou a cabeça e, sem saber de mais nada, perguntou:
— Se não quisermos lutar, você irá sozinho?
Aquela pergunta parecia uma resposta, mas no fim não servia de nada.
Em um franzir suave, Kevyn sorriu de canto.
Eles pareciam tristes em serem livres,
mas nunca se perguntaram o porquê do príncipe criá-los?
— Óbvio.
Ele respondeu.
— Não! Isso é simplesmente impossível.
Rápido movimento, o general bateu suas mãos sobre a mesa.
Ele não queria aceitar aquilo,
nunca aceitaria deixá-lo ir para morrer.
Mas se ele morresse, eles também morreriam?
A apologia,
suas criações,
o que era aquilo, afinal?
Em meio a tanta confusão, o mais velho encarou seu Deus,
pai e rei.
— O que está tentando fazer?
Kevyn riu.
— Não é óbvio? Vocês são meus filhos, esse mundo também é de vocês.
Acalmando-se, o esqueleto observou Dayron pondo o prato sobre sua frente.
Naquele momento, ele encarou a gema, o sorriso na comida, a esclera.
Então uma pergunta surgiu, não sabia o que, ou por que, mas fazendo contato visual com seu rei, viu seu sorriso.
— O que foi? Acha mesmo que isso é necessário?
Era o primeiro dia de vida de Serasáty e…
mesmo acabando de chegar,
ela já sabia…
Entre ela e Humbra, Dayron era a mais madura e inteligente.
Sem ao menos saber como comer, a garota botou tudo na boca e simplesmente engoliu.
Prato, ovo, catchup.
As placas de Dayron tremeram, aquilo não parecia certo, ou qualquer outra coisa que poderia parecer.
Vendo aquela situação, Kevyn começou a rir prá valer.
— Ah, não! Hehehe, pelo visto vocês precisam aprender muita coisa ainda, não é? Hahahahah
— Do que ele tá falando?
Serasáty olhou para os dois que, assustados, não sabiam o que ela era.
「❍」
O breve cintilar, do vento onírico, os três generais esperaram do lado de fora.
Kevyn, no entanto, subiu as escadas,
nervoso,
seu corpo só queria um pouco mais da sensação que buscou.
Quando chegou no segundo andar,
Aycity estava lá, em pé sobre o piso.
O garoto pôde sentir o frio que carregava mais do que seus sentimentos, sua inexpressiva face, aquela verdade era o que buscou?
Ela se aproximou,
seus passos lentos, suas mãos guiaram e agarram-no,
a roupa agarrou,
o tecido dobrou,
os olhos dela viram os dele,
aquele momento, um prelúdio de algo maior.
Mas nada aconteceu.
Ela hesitou,
ele hesitou,
No fundo, os dois eram covardes demais para tentarem alguma coisa.
Mas Aycity o abraçou,
Tanto, que não largaria se pudesse.
Mas no fundo, estava na hora dele ir.
— Kevyn, você vai perder?
— Eu… não pretendo perder.
Ela sorriu.
Ele sorriu.
Ambos sorriram.
— Fuh~ boa sorte… smooch!
Ela se aproximou para beijá-lo.
Sem reação, Kevyn se perdeu-
-eles NÃO teriam essa coragem.
Pânico surgiu como uma bala de bazuca,
ela não pararia,
o abraço era uma armadilha.
Então ela pôs a mão sobre a boca dele e beijou-a por cima.
O rosto do príncipe era impagável.
— Hahahaha! Você caiu direitinho, sabia?! Hmm… que cara é essa?
O rosto do garoto transcendeu a infelicidade,
quieto,
ele encarou-a como se algo tivesse sido arrancado.
— Não fica triste, vamos fazer o seguinte? Se derrotar ela, eu te dou um beijo de verdade, eh… eu já faria isso na verdade, mas não importa! Eh… fuh~
Kevyn caiu na gargalhada,
agora, quem havia sido enganada,
era a própria garota.
Após perceber ter caído direitinho, o rosto dela corou em vergonha.
— Maldito!
Ela soltou-o e se afastou.
Suspirando, a menina levou as mãos até a
cintura.
— Não dá pra ganhar todas, sabe? Mas já que me fez a proposta, pode ter certeza que eu vou voltar vitorioso. Até mais tarde!
Após se despedir, o príncipe saiu correndo para o andar de baixo.
Agora só, pateticamente a menina bufou e se alongou.
— Vencer, não é?
Um passo foi dado,
com o franzir de seus lábios em um tênue sorriso,
os olhos da garota encararam a maçaneta do quarto e,
com um breve congelar, ela decretou:
— Hmph, não me deixou participar, tomara que perca!
— EU ESCUTEI ISSO!
★ ≫ ──── ≪ • ◦ し ◦ • ≫ ──── ≪ ★

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.