Capítulo 166 — Jogo de Tabuleiro.
Toque.
Toque, toque.
Sendo tocado diversas vezes, Kevyn abriu seus olhos em plena manhã, Aycity o encarou com um sorriso, ela esteve ali, protegendo seu corpo a noite inteira.
Certo incômodo, era cômodo, incerto.
“Seu sorriso parece tão falso, queria que fosse tão palpável quanto sua pele”.
Ainda sonolento, ele ergueu sua mão até a boca dela e a tapou, percebendo em seus olhos, sua verdadeira face, mas talvez fosse um delírio, o sono, somente um pedaço da sua insegurança…
“Ela deve tá com sono, por que não dorme?”
Ele fechou suas pálpebras e sua consciência se foi.
「」
Por outros olhos, Aycity observou com leve rubor nas bochechas.
“Você ficou acordado a noite inteira só para terminar de assistir o anime e desmaiar por completo… obrigada”.
Ela enrolou uma mecha do cabelo do Kevyn entre seus dedos e apalpou.
“É tão… leve… parece lã recém tosquiada”.
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— Eu não tô brincando, você deveria parar com esse tipo de coisa.
Vendo Star fazendo um jogo de tabuleiro em tamanho real com seus soldados, Kyajurin tomou seu café inconformado por tanta tolice.
— Se não vai lutar, não tem direito de opinar! Agora, vamos lá…
Indo até perto da fogueira, ela observou seu tabuleiro, Absurdness e Face Eater puderam entender algumas coisas que poderiam acontecer.
Night guiou Destroyer até o chão e começou a explicar:
— Ele é um usuário de grimório, então precisamos fazê-lo gastar energia o quanto antes. Quanto menos energia, maior a chance de acabarmos com ele!
Absurdness encarou sem olhos e apenas ergueu a mão para dizer: “Ele não tem meio que energia quase infinita?”
Face Eater interrompeu e falou pela sua mestra:
— Absurdo, ele nunca está com sua energia no máximo, ele é um homem indisciplinado.
“E quem garante que ele não vai estar com ela cem por cento na luta?
Vendo-os discutir, Night cortou sua discussão totalmente civilizada para os responder:
— Ele é meu, quero que se preocupem com o Humbra, ele vai ser o principal problema de vocês.
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Sob as ondulações dos seus dedos, cada movimento em meio ao ar, calculado, se moveu com ternura. Sentimentos envoltos de algo sem som, sem sentido. Kevyn tocou sua mão sobre sua testa e encarou o teto da cozinha.
“Como eu vou parar a Destroyer?”
Jornal sob a mesa.
Kind em cima da mesa.
Kevyn sentado na cadeira.
“Vou conversar com eles”.
O príncipe direcionou seu olhar até seus soldados.
Por um breve momento, os dois ficaram tensos, o pulsar da energia contagiante, o que ele estava pensando era impossível de se compreender.
Não era outra língua.
Não era um pensamento.
Era consciente dele.
Humbra e Dayron puderam perceber através dos olhos; existia algo alí.
Dayron, Humbra.
Sua voz soou profunda.
Eles concordaram com a cabeça.
— Sejam agradáveis com ela.
「」
Encostada na parede da escada, Aycity ouviu.
“Ela? Tá falando da Night?”
Ela levou a mão até o rosto.
Seu rosto frio.
Sentimentos em conflito.
“O Kevyn não se deixaria vencer, não é? Isso até que faz sentido”.
Pensamento.
?
“Ele não me aceitou, será que Night aceitaria?”
Por que essa obsessão na derrota dele?
“Por que?”
Qual é o seu problema?
“Porque…”
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Tarde demais para…
Golpe, ataque, corte.
Mais de uma vez, tentaram.
— Cadê a sinergia de vocês, meus soldados?
Humbra girou sua foice. Seus pés e pernas esticaram, chegando ao limite para alcançá-lo.
De cima para baixo.
O ataque veio em um só estalo.
Do outro lado, bem atrás de seu rei, Dayron surgiu com seus punhos erguidos, pronta para acabar com qualquer abertura.
Um golpe lento e potente, puro metal.
Ela, com tudo, levou seu braço até o limite.
E então.
Agora era dele…
Kevyn fechou…
Seus olhos.
Um ato simples, aquilo foi o bastante para fazer os dois congelarem de medo. Um segundo se passou e então, Kevyn disse:
Ao menos chegaram perto da barreira…
Melhorem.
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Black.
Dragão.
Decadência.
Night refletia em seus pensamentos como quem sabia as consequências de suas ações. Seu corpo pareceu estremecer, a possibilidade de novas técnicas a incomodavam tanto quanto a pressão de estar lá.
“Só de pensar em ficar na frente dele…”
Seu corpo tremeu, como se sentisse vergonha, era medo?
Soluço.
Vozes.
Tensão.
Mordendo o dorso de sua mão, Night cerrou os olhos em uma leve dor, como se estivesse montando um quebra cabeça em sua própria mente.
Cada pensamento é uma faca, cortando, errando, matando.
“Se eu quiser parar suas técnicas, vou precisar interromper os cânticos, mas ele não precisa usá-los… então… como?”
Arrancando os pedaços e forçando-os a se juntar…
Nada poderia ser resolvido…
Se não
largasse esse jeito incômodo de pensar…
A única resposta que teria seria a morte.
Ela olhou para a própria mão…
E roubou as memórias de seu amado.
“Uma restrição é ativada por algum meio, assim como ele precisa dizer submeta-se, se eu cortar a garganta dele…”
Ela sorriu.
Riu.
Gargalhou.
Sua mente em prantos.
Levianos momentos.
Um êxtase.
Sentindo-se tão inteligente quanto ele, ela arregalou seus olhos com um sorriso de uma ponta à outra, sua vitória estaria decretada, afinal…
Qualquer corte…
Ele não poderia se curar…
Estava ganho.
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— Na luta contra Kley, ela anulou sua regeneração…
— Isso mesmo.
— Entendi… isso significa que você também vai passar pela mesma coisa, meu Rei.
Humbra, ajoelhado olhou para seu pai após um treinamento árduo.
A única coisa que Kevyn estava pensando era como parar a arma que ele mesmo fez, mas quando Humbra disse aquilo, mais portas parecem se fechar.
O príncipe ergueu sua mão, ele tocou seus dedos no rosto, quase colapsando sem saber o que fazer.
Não importa.
Ele falou.
Eu vou vencer.
Uma frase sem sentido.
Até para ele.
Humbra se preocupou.
Mera palavras não trariam a vitória, foi isso que Kevyn pensou.
Mas…
Algo estava surgindo…
𒊹≫ ──── ≪ • 𒈔 ◦ ◦ 𒈔 • ≫ ──── ≪ 𒊹
A lâmpada amarelada tomava o ambiente com sua luz andrógina. Prateleiras e estantes encaixaram-se.
No centro, caminhando sobre todas elas, Aycity olhou Jeremy em seus olhos.
— O que quer aprender hoje, criança?
— Eu quero fazer boom!

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