Capítulo 121 de 16 – Cante os seus sentimentos, meu filho
Na Mangolândia, um dia antes da partida em busca dos destemidos gêmeos, Castiel convocou o seu filho. Ao chegar, as criadas Nana e Nita deixaram o escritório.
A suspeita de algo ultra secreto surgiu, pois nem as servas mais fiéis podiam permanecer. No centro da sala, o líder exibia uma seriedade incomum. Dominado pela dúvida, o jovem questionou:
— O que está acontecendo, pai?
— Sente-se — ele disse, ainda o observando com atenção.
— Ok.
Ele pegou uma cadeira próxima e se sentou, com o olhar firme no rosto do seu pai, mas a mesa entre eles parecia ampliar a distância. Castiel afastou as mãos do queixo e, com um tom sério, falou:
— Chegou o momento de aprender a segunda técnica mais importante da nossa linhagem.
— Segunda? — questionou, confuso, tentando processar a novidade.
Antes de responder, esboçou um sorriso discreto no canto da boca. Então, se relaxou, deixando de lado a postura séria e voltou à sua natureza descontraída.
— Cansei, não consigo manter a seriedade por muito tempo, especialmente em uma situação como essa. — Ele riu, os olhos brilhando. — Como é que aprendeu a técnica mais importante sem nem saber o que estava fazendo? Você é, de fato, um gênio.
Max o encarou e ainda tentava entender o que acontecia.
— A mais importante? O que está dizendo, pai?
— Hahahaha! Você realmente é meu filho. A técnica da Explosão Galante, claro. Mas, calma, existe uma segunda técnica… e ela vai te deixar ainda mais forte.
Ao ouvir as palavras do seu pai, um sorriso de felicidade se formou em seu rosto. Ele mal podia acreditar que ainda havia um método que poderia torná-lo ainda mais forte. Empolgado, logo perguntou:
— Que técnica é essa?
Castiel levantou a mão e pediu calma antes de responder.
— Espera aí, antes disso. Me diga, como funciona a nossa técnica?
— Ah, bem… quando imbuímos o nosso suor de aura…
— Não, não é isso. Estou falando disso aqui. — O líder o interrompeu e apontou para o centro do peito com o dedo.
Max olhou para o dedo do seu pai, ainda sem entender.
— Pai, eu não estou entendendo… — disse, uma leve dúvida em sua voz.
Castiel suspirou, decepcionado. Em sua mente, o filho destacava-se como o maior gênio que aquela linhagem já conheceu. No entanto, a realidade mostrava-se diferente. Max possuía inteligência acima da média, mas distante do título de um dos mais brilhantes da região.
— Acho que vou ter que explicar isso para você… Ser um gênio deve ser realmente algo incrível, hein? E olha que eu também sou um, hahahaha!
Max, claramente sem paciência para as brincadeiras do pai, permaneceu em silêncio. Castiel percebeu o desinteresse e imediatamente se recompôs.
— Ok, ok, vou parar com as piadas. Vamos lá. Isso de aura, blá blá blá, faz sentido, mas é o básico, o senso comum. Não era isso que eu queria saber.
Ele franziu a testa, curioso, mas ainda sem entender.
— E o que seria mais importante do que aprimorar nossas auras?
— Isso é simples… — Castiel sorriu, quase com um brilho misterioso nos olhos. — As emoções!
— Emoções?
— Exato! Quanto mais intensas forem suas emoções, maior será a força das suas explosões. Entende agora?
Naquele instante, Max mergulhou em seus pensamentos, e as peças do quebra-cabeça começaram a se encaixar. Recordou-se da batalha contra Gosmético, quando Izumi foi aprisionado.
Naquele momento de desespero, a fúria fluiu em seu corpo, concedendo-lhe uma força que jamais experimentou. Da mesma forma, ao enfrentarem o primeiro Destemido, movido pelo desejo de ajudar Izumi, suas emoções atingiram o ápice e desencadeou o seu despertar.
Ao relembrar esses momentos, um sorriso discreto surgiu em seu rosto. Finalmente, compreendia a conexão entre suas emoções e o poder que emergia delas. No entanto, uma dúvida o assaltou: somente elevar seus sentimentos não bastariam para sustentar aquilo de segunda habilidade mais forte.
— Vejo que você entendeu, hein? — disse Castiel, sorrindo com aprovação.
— Pai, eu entendo que as emoções são importantes, mas… tem algo mais, não é?
— Hahaha! Vejo que o seu cérebro finalmente está funcionando.
— Então, o que falta? — perguntou, agora mais focado.
— Sim… — respondeu, sua expressão ficava mais séria. — Para usar essa habilidade, você precisa cumprir três etapas. Quer saber as outras duas?
— Claro!
— Bem, você já estava usando a primeira e a segunda etapas nas suas lutas.
— Eu estava? — Max respondeu surpreso.
— Sim. Agora me diga, meu filho… Por quem você luta? O que faz você continuar se esforçando, se aprimorando? Não é por pura satisfação própria, não é?
Max olhou para o chão e pensava na resposta.
— Por que não poderia ser por satisfação própria?
Castiel se inclinou ligeiramente para frente, seus olhos fixos no seu filho.
— Veja o seu avô… ele nunca passou da primeira etapa porque sempre fez tudo para si mesmo. Ouve bem. Na nossa linhagem, os mais fortes nasceram daqueles que lutam por quem amam. Alguém não te vem à mente?
Max abaixou a cabeça, sentindo o peso da pergunta.
— Alguém… — murmurou, sua voz carregada de reflexão.
Quando o pai lhe fez a pergunta, a imagem de Izumi surgiu instantaneamente em sua mente. Ele sorriu de leve, pois compreendia que, no início, tudo o que fazia era movido pela profunda admiração que sentia por seu irmão mais novo. Izumi sempre foi sua inspiração, alguém que ele desejava ajudar e, de certa forma, alcançar.
No entanto, com o tempo, algo dentro dele mudou. As batalhas enfrentadas, as dores superadas e os laços fortalecidos o fizeram perceber que sua motivação havia se expandido. Agora, seu coração também pulsava por ela, a mulher que amava com intensidade e que, sem perceber, se tornou parte essencial de sua jornada.
Ao erguer a cabeça com determinação, Max olhou nos olhos do seu pai. Com um sorriso sincero, ele finalmente respondeu.
— Sim!
— Vejo que estás confiante. Então vamos para a etapa final.
Max se concentrou ainda mais, ouvindo atentamente.
— A etapa final… — repetiu, curioso.
— Escute bem, meu filho. E me responda: qual emoção você sente quando luta pelas pessoas que ama?
Max pensou por um momento e tentou colocar em palavras o que sentia.
— Eu… acho que é uma sensação calorosa, como se fosse um desejo de proteger, de fazer algo por quem eu amo. Ou talvez ajudar o meu irmão, por admiração.
Castiel assentiu, mas seu olhar era intenso.
— Certo, mas aquelas pessoas sabem como você se sente? Elas sabem o quanto você as ama?
— Ela sabe, e meu irmão também sabe que o admiro muito — respondeu um pouco confuso, mas com firmeza.
— Não é disso que estou falando. Aquela garota de peitos volumosos, qual era o nome mesmo… Idalme… ela realmente sente que você a ama? Você já fez algo que a faça sentir-se amada de verdade?
Max hesitou, a dúvida começou a aparecer em seu rosto.
— Sim, na nossa aventura, sempre ajudei ela… — respondeu, mas sua voz foi se apagando com o peso da pergunta.
— Não! — cortou, mais urgente. — Escute, você alguma vez demonstrou esses sentimentos enquanto luta? Você alguma vez lutou de uma forma que faria ela sentir, de verdade, que você a ama?
Max ficou em silêncio e refletiu.
— Isso… eu acho que não… — murmurou. — O que preciso fazer, pai?
Castiel sorriu, como se estivesse prestes a revelar um segredo valioso.
— Isso é fácil — disse, o sorriso que se alargava. — Na história da nossa linhagem, descobrimos uma forma poderosa de demonstrar nossas emoções pelas pessoas que amamos.
— E qual seria? — perguntou curioso.
O líder o olhou com um brilho nos olhos, como se estivesse prestes a dar a resposta mais importante da vida do seu filho.
— A música!
— Música? — perguntou confuso enquanto franzia a testa.
— Sim! Não existe uma forma melhor de expressar seus sentimentos enquanto luta. Esse foi o método que mais funcionou para nós.
— Como assim, cantar vai me deixar mais forte? — perguntou, cético.
— Isso é fácil de entender. Enquanto suas emoções estão no auge, a música vai amplificar suas explosões. Vai deixar tudo mais forte. Mas… tem algumas condições.
Max, ainda em dúvida, se inclinou para frente.
— Condições?
— Sim, primeiro: sempre comece a música assim… — Se posicionou e começou a cantar, com um sorriso travesso: — 🎵Nenene! Neneneneeeee!🎵
Seu filho, completamente sem palavras, olhou para ele, incrédulo.
— Inacreditável…
Castiel riu com a surpresa de Max.
— Eu também pensei isso quando meu pai me passou esse ensinamento, mas te garanto, funciona muito bem. E se torna viciante. Mas ainda tem mais uma condição…
Max levantou a sobrancelha, desconfiado, enquanto se levantava da cadeira.
— Mais uma?
— Sim. Em toda música, você deve expressar seus sentimentos explosivamente, ou melhor, usar uma palavra relacionada com explosão!
Max, segurou a maçaneta da porta, virou-se para o seu pai com um sorriso cínico.
— Pai, obrigado por tudo. As duas etapas que você me ensinou são valiosas, mas cantar? Principalmente expor meus sentimentos para todo mundo ouvir? Isso… eu não vou fazer.
— Entendo. Então, já podes ir — respondeu com um sorriso maroto.
Max se afastou, absorto em seus próprios pensamentos, sem acreditar no que tinha de fazer para se fortalecer. Admitir seus sentimentos por Idalme, ele até poderia suportar, mas falar em voz alta sobre o quanto admirava seu irmão… isso era algo que jamais faria. A simples ideia de expressar isso de maneira tão explícita parecia inimaginável para ele.
Enquanto isso, seu pai, sentado em seu escritório. Ele sorriu ao perceber o quão semelhante seu filho era a ele — teimoso, orgulhoso, incapaz de ceder facilmente.
Contudo, Castiel sabia que essa teimosia não duraria para sempre. Em momentos de adversidade, como o que estavam vivendo, até os mais obstinados precisariam se curvar. A visão do filho, tão teimoso quanto ele, trouxe-lhe um sorriso nostálgico. Em seus pensamentos, ele refletiu:
Cante os seus sentimentos, meu filho.
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