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Capítulo 123 de 18 – Me desculpe, mamãe
Com isso, Ui seguiu seu caminho, sem olhar para trás. Passou por Max, que a chamou, mas ela não deu a mínima, mantendo-se em silêncio enquanto continuava a caminhada. Sem destino, ela foi em direção ao leste e cruzou os portões sem nada em mãos, sem um plano, apenas seguindo o impulso do momento.
Ficou parada ali, como uma sombra na paisagem. O tempo parecia arrastar-se lentamente, e, mesmo com as pessoas ao seu redor, ela se manteve em silêncio, recusando qualquer tentativa de interação.
No entanto, quando a noite se aproximava, um nome ecoou novamente. Alguém a chamava, mas ela não respondeu, como se a dor a tornasse surda para tudo ao seu redor. Mas então, a pessoa se aproximou, e, antes que pudesse se afastar, uma mão agarrou seu ombro.
Ui, instintivamente, virou-se para enfrentar quem a havia tocado. E, ao fazer isso, não pôde esconder a verdade em seus olhos: as lágrimas voltaram a cair, incontroláveis, traindo sua aparente força. Ela havia tentado manter a fachada, mas a dor estava ali, aberta e crua.
Idalme, observando-a, perguntou com uma expressão de preocupação:
— O que aconteceu?
Sem conseguir mais resistir à dor que a consumia, abraçou sua amiga com força, como se procurasse algum consolo, algum alicerce. As lágrimas escorriam pelo seu rosto e molhava os ombros de Peitos Caídos.
Idalme, visivelmente preocupada, afastou-se um pouco para olhar o rosto de sua amiga, a angústia refletida nos olhos dela. “O que aconteceu?”, perguntou com voz suave, mas cheia de preocupação.
Com dificuldade, Ui conseguiu respirar fundo e tentou falar, mas as palavras saíam entre soluços. Finalmente, em meio ao choro, ela conseguiu explicar, a dor se tornando mais palpável a cada palavra. “Mito morreu… e… e Izumi… foi o culpado.”
— Então era isso?
— Era isso? — Ui repetiu, incrédula. — O Mito… morreu! — gritou, a voz tremendo.
Idalme suspirou e mantéu-se calma.
— Sim, eu lamento, mas, desta vez, mesmo não gostando daquele cara, ele não teve culpa.
— O que está dizendo?
— O seu amigo Mito… Ele matou soldados inocentes, assassinou o comandante, feriu a secretária do líder e quase matou o próprio líder.
— Não, não… Mito nunca faria isso! — Ui negou, desesperada. — Eu o conheço bem. Algo deve ter acontecido!
— Sim — assentiu. — Minha chefe me disse que ele havia voltado a ser o tal de Saymon.
— Saymon… então…
— Sim, mas não é só isso. Saymon foi derrotado pelo líder, mas… aquele primeiro destemido que julgávamos ter destruído… Possuiu o corpo de Saymon. No fim, Izumi teve que matá-lo.
Ui engoliu em seco, com uma pontada de esperança.
— Então Izumi… não teve culpa?
— Eu não quero admitir isso, — desviou o olhar, relutante. — mas… se não fosse por ele, esta cidade estaria em ruínas.
Com lágrimas nos olhos, murmurou:
— Então… eu ainda posso amá-lo?
— Eu realmente não sei o que você vê naquele cara. Que idiota!
Ui, com os olhos ainda marejados de lágrimas, olhou para Idalme e, com a voz embargada, agradeceu.”Vai até ele”, disse com suavidade, como se aquela fosse a única coisa que sua amiga precisava ouvir.
Sem saber exatamente o que fazer, mas sentia que algo dentro dela a impulsionava, Ui concordou e, com o coração pesado, começou a caminhar em direção à casa de Izumi. A cada passo, o peso daquilo que ela havia dito a ele e a dor de suas próprias palavras a consumiam.
Ela sabia que havia ferido Izumi profundamente, mas, ao mesmo tempo, sentia que precisava enfrentar as consequências, por mais difíceis que fossem.
Ao chegar à porta da casa, uma sensação de hesitação a tomou. O medo, a vergonha e a incerteza a paralisavam por um instante. Mas, reunindo todas as forças que restavam dentro de si, ela tocou a porta.
E ali ficou, imóvel, esperava que algo, ou alguém, quebrasse o silêncio. Sabia que ele estava lá dentro, e que aquela decisão era crucial para os dois. O tempo parecia se arrastar, até que, finalmente, a porta se abriu lentamente. Izumi apareceu, seu olhar distante e vazio, e, com uma voz que parecia pesar o mundo, perguntou:
— O que você quer? — ele não parecia muito feliz.
Ui o fitava, perdida em seus próprios sentimentos, sem saber como agir. A visão dele à sua frente a fez perceber, com uma clareza dolorosa, o que havia feito. Ela feriu o homem que amava, e, no fundo, sabia que não poderia simplesmente perdoar a si mesma por isso.
A dor no peito era esmagadora, mas, em um impulso irreprimível, ela se aproximou dele e o abraçou, apertando-o com força, como se quisesse absorver a dor e a culpa.
As lágrimas, escorriam pelo seu rosto como um rio silencioso, denunciando toda a dor acumulada. Entre os soluços, ela murmurou, a voz quebrada:
— Me perdoe, Izumi… me perdoe… eu sou uma idiota…
Izumi, com uma expressão de frieza, respondeu:
— Tem certeza? Eu matei aquele homem.
Ela olhou para ele, ainda soluçava, e com a voz embargada, disse:
— Sim, você não teve culpa. Me desculpe… Eu retiro tudo o que disse antes… Eu estava… me afogando em mágoas… Me perdoe.
Continuava a pedir desculpas, as palavras saindo quase como um sussurro desesperado. Mas Izumi não disse nada. Ele estava ali, imóvel, apenas escutava os murmúrios dela.
Ela começou a se questionar, a dúvida corroendo seu coração: será que Izumi jamais me perdoaria? Mas, algo aconteceu. Pela primeira vez, Izumi, sem palavras, a envolveu em um abraço forte e apertado. Esse gesto, simples, mas carregado de significado, foi suficiente para que Ui sentisse, que talvez tivesse sido perdoada.
Naquela noite, eles dormiram juntos, mas, enquanto Ui se aninhava em seu canto, ainda atormentada pela dor de ter perdido alguém tão importante, uma parte dela se recusava a se entregar à paz. Ela sabia que a cicatriz da perda ainda estava lá.
Izumi, por sua vez, estava longe de encontrar consolo. Após anos de noites sem dormir, ele finalmente conseguiu descansar. Porém, no meio da escuridão da noite, ele se virou para Ui e, inesperadamente, a abraçou com força.
Algo em seu abraço parecia diferente, como se a dor que ele carregava também estivesse finalmente emergindo. Lágrimas começaram a escorrer silenciosamente de seus olhos, e Ui, sentiu a tensão no corpo dele e percebeu. Aquele não era o Izumi que ela conhecia.
— Me desculpe, mamãe — murmurou, com as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
Ao escutar, finalmente entendeu. Ele não estava apenas lidando com o que aconteceu entre eles, mas com algo muito mais profundo, com o peso do seu próprio passado. A dor que ele escondia, até então, transbordava de uma forma que ela nunca imaginou.
Em um reflexo instintivo, Ui o abraçou também, envolveu-o com os braços de maneira suave, mas firme, como se tentasse afastar a dor que ele carregava. Pela primeira vez, sentiu que Izumi, o homem em quem ela sempre acreditou ser imune à fragilidade, estava se mostrando vulnerável para ela.
Ele não era mais o homem distante, com uma fortaleza impenetrável. Agora, ele era apenas um homem perdido, necessitado de compreensão, de apoio. E naquele momento, Ui soube que não estava sozinha na sua dor, e que, talvez, juntos, poderiam curar as feridas que ambos carregavam.
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