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    Dam insistia em Loi, mas ela sempre encontrava um motivo para afastar-se. O coração dele apertava-se a cada pensamento de filhos que apenas a mente lhe oferecia.

    As tendas foram recolhidas e a marcha se anunciava. Nesse instante, um pano desceu sobre seus ombros. Em sobressalto, retirou-o de imediato e ergueu a arma, pronto para o inimigo que não se mostrou.

    Somente então percebeu: o tecido negro trazia sinais de queimadura. Com cautela, desdobrou-o.

    Não se preocupe, eu exterminei todas as suas crias.

    Dam sentiu vergonha do que leu, mas o alívio logo dissipou toda a inquietação. Deixou-se cair ao chão, rindo alto, como se não acreditasse ser o mesmo homem que momentos antes se consumia em preocupação.

    Escondida, Loi observava a alegria dele com desagrado, como se a ideia de torná-lo pai fosse uma afronta insuportável. Saiu apressada, carregando a insatisfação, e foi procurar o irmão para desabafar mais uma vez. Léo, fiel ao costume, limitou-se a concordar e oferecer palavras de conforto.

    Enquanto isso, o atirador guardou os equipamentos com calma e, pouco depois, viu aproximar-se Max, trazendo Izumi ao ombro. O companheiro, ao alcançá-lo, dirigiu-lhe a palavra.

    — Ah? Dam…

    — …

    — Onde está aquele demônio?

    — Por que eu deveria saber?

    — Como assim? Deixei o Slother com você.

    — Comigo… — respondeu, pensativo.

    Naquele instante, percebeu ter cometido a maior insensatez ao deixar a mente vaguear por outros caminhos. Fixou os olhos em Max, encarando-o com gravidade, e declarou:

    — Tem certeza? Você me viu segurando aquilo?

    Ficaram a se fitar por alguns segundos, até que o mestiço quebrou o silêncio:

    — E agora?

    Dam não respondeu e continuaram se olhando. Ambos sabiam que estavam errados, mas nenhum estava disposto a assumir a culpa.

    — Aliviou bem, não é? A ponto de ter esquecido do seu trabalho.

    — Não sei do que está falando.

    — Tem certeza? Consigo sentir o cheiro daqui.

    — Quê?!

    Dam, inquieto, aspirou o ar com maior intensidade, mas não teve ânimo de inclinar-se a ponto de examinar o próprio corpo ou as vestes.

    — Não adianta cheirar a roupa.

    — Você me viu fazendo isso?

    — Seu… — disse, suspirando. — Acha normal transar com a própria irmã?

    Dam franziu a testa e respondeu:

    — Melhor do que ser estuprada por um doente mental.

    — Pelo menos não me aproveito das colheitas dos outros — retrucou, zombando.

    Ele tirou do seu espaço espacial um casaco preto e vestiu-o, dizendo:

    — Colheita? Aquilo é uma maldição. E é realmente estranho aquela mulher gostar de um homem tão escroto.

    — Ohhh! — disse, ao colocar Izumi no chão. — Diga de novo… se tiver coragem.

    Ele ergueu o escudo e apontou a Liana para Max:

    — Ela deve ser uma puta por gostar de um homem escroto.

    O mestiço, já sem se conter, avançou com ímpeto, chutou o escudo e resmungou:

    — Vou destruir o seu orgulho!

    — Tente — respondeu, sorrindo.

    O atirador, de arma pronta, disparou. Max, porém, desviou sem esforço e, num só movimento, atingiu com força o escudo, lançando Dam para trás. Não lhe deu espaço: avançou de imediato sobre o adversário.

    — Arrependa-se!!!

    Dam jazia sob o escudo, enquanto seu alvo, do alto, preparava-se para pulverizá-lo com o punho carregado de explosão. Nesse instante, algo atravessou o espaço entre ambos: um surto de chamas rompeu o ar e desviou a investida.

    Max recuou no reflexo e, ao voltar o olhar, deparou-se com Léo, que segurava pela mão uma cabeça marcada por duros golpes.

    — Slother… — disse o mestiço.

    Por que estão lutando? — perguntou Léo.

    Max e Dam se entreolharam, cientes de que não podiam revelar a razão daquela disputa diante de quem os observava. Recuaram alguns passos e, quase ao mesmo tempo, pronunciaram em uníssono:

    — Nada. 

    Cada um recuou para o seu lado e aguardou o instante em que deveriam reunir-se novamente para organizar-se e seguir viagem.

    — Bem, vamos partir.

    Todos assentiram. Max trazia Izumi nos braços, Idalme conduzia Ui, enquanto Dam e Loi seguiam a pé. Léo, por sua vez, carregava a cabeça inconsciente de Slother.

    — Hum? O que aconteceu com Ui? — perguntou Ziro, saindo do bolso.

    — Ziro, você acordou? — perguntou Idalme.

    — Sim, inseta… mas o que aconteceu?

    — Isso…

    A peituda contou-lhe tudo o que ocorreu enquanto ele permaneceu inconsciente. Até aquele instante, embora curada, ela não despertou, e Izumi também permanecia inerte.

    Sem emitir palavra, Ziro adentrou pela boca de Ui, espalhando inquietação entre todos. Idalme, incrédula com o gesto, logo supôs que o demônio pretendia apoderar-se do corpo da menina.

    Max demonstrou curiosidade e pediu que aguardasse. Ela acalmou-se levemente e segurou o corpo de Ui. De repente, percebeu o início de uma transformação no corpo da mestiça.

    Primeiro, a aura profana envolveu Ui, alterando-lhe levemente a forma e moldou-a para a versão mais poderosa de combate. Preocupada, Idalme a colocou no chão ao sentir uma energia negativa opressiva.

    O corpo dela começou a tossir e, após várias arcadas, lançou Ziro inconsciente ao chão. Ela observou a si mesma transformada e, em seguida, lançou o olhar ao redor, enquanto todos a fitavam com dúvidas e apreensão.

    — É você, Ui?

    Arregalou os olhos e perguntou, aflita:

    — O Izumi… onde está?!

    Idalme, ao reconhecer a amiga, aproximou-se rapidamente e envolveu-a em um abraço caloroso, enquanto lágrimas escorriam pelo rosto. Ui, confusa, retribuiu o gesto, sem compreender inteiramente o que ocorria.

    — O que está acontecendo? Quanto tempo fiquei desacordada…

    Ao perceber a presença de Loi, ela inflamou-se de ira. Afastou-se de Idalme, ergueu-se com rapidez e sumiu da vista de todos. Ao fundo, notou-se que sustentava Loi pelo pescoço, impedindo-a de tocar o chão.

    — O que você fez, maldita? 

    O rosto de Ui tornou-se irreconhecível; os traços suaves e infantis deram lugar a uma expressão feroz, quase monstruosa. Os olhos ardiam como brasas, e a raiva transbordava de cada gesto, tornando-a quase irreversível. 

    Com a mão esquerda erguida, lentamente unhas afiadas surgiram. A mão apontava diretamente para o peito de Loi, cuja respiração acelerada denunciava o pavor. 

    — Isso é pelo Izumi!

    Ela desferiu o golpe com força, e o sangue começou a escorrer. Ainda assim, manteve o aperto, surpresa pela incredulidade do que acabou de ver. Ao mesmo tempo, seus olhos percorriam a aura inimiga, avaliando cada ponto vulnerável, enquanto a mente se preparava para reduzir o corpo a fragmentos de carne.

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