Capítulo 176 de 27 – Vamos fazer gostoso?
Dam afastou-se de Loi, que, tomada pelo desespero, assistia ao irmão debater-se contra a ferida deixada por Ui.
— Ei, vamos conversar?
Idalme fitou-o por um instante e retomou a conversa com a amiga. Dam, tomado pela sensação de ser ignorado, afastou-se enquanto dizia:
— Uma pena… até cogitei reforçar as suas flechas e o arco.
— Hum? — Ergueu-se, os olhos faiscando. — Não preciso de ajuda de alguém como você.
Ele parou, sem se virar, e disse:
— Aposto que estás pensando: “Se as minhas flechas de madeira com ponta de ferro não deram conta, é só usar flechas de ferro…” Mas…
Virou-se para ela, invocou algo do seu espaço espacial, transparente como água, e segurou a ponta da flecha, pressionando com força até que se partisse.
— Entendeu? — questionou, a voz firme. — Mesmo as de ferro não resistiram às suas chamas. No instante em que atingirem o alvo, vão se quebrar antes de causar qualquer dano.
Naquele instante, a peituda engoliu em seco. Havia passado horas a imaginar formas de tornar as suas flechas mais precisas e resistentes, mas agora sentiu-se tomada pelo desalento. Nada no mundo parecia mais impenetrável que o ferro.
— Idalme? — perguntou Ui, a preocupação transparecia nos olhos.
Decidida, ao cerrar os punhos, ela cogitou:
— Você… pelo jeito que fala, é como se soubesse fazer algo melhor.
— Como és burra.
— Quê?
— Eu disse há pouco que podia fortificar as suas flechas e o arco… mas pelo visto entrou por um ouvido e saiu pelos teus peitões.
— Vai me insultar agora? Abandonado do clã Zura — retrucou.
Dam sorriu de canto de boca e disse:
— Pelo menos temos algo em comum.
— Comum? — perguntou, ao arquear a sobrancelha.
— Não nos suportamos!
Ainda tensa, suspirou e voltou a se sentar na pedra.
— Qual é a sua condição? — questionou, a voz baixa, quase hesitante. — Com certeza não faria algo assim por alguém de quem não gosta.
Dam olhou para Ui e disse:
— Tenho duas condições.
— Hum… — Franziu a testa, sem entender por que ele a encarava.
— Primeiro, quero que convença Ui a não matar aquele casal de irmãos.
— Quê?! — gritou, os olhos arregalados. — Mas isso… — Desviou o olhar para Ui, confusa.
A mestiça, compreendendo a situação, refletiu por um instante e disse:
— Tudo bem… desde que o Izumi acorde e esteja bem.
— Tem certeza, Ui? — perguntou Idalme, cautelosa.
— Sim… eu a odeio muito, mas queria te ajudar, por aquela vez.
— Aquela vez?
Naquele instante, a mestiça lembrou-se do momento em que sua amiga lhe pediu para voltar a Izumi, quando se sentiu perdida e acreditava que o amado havia matado Mito sem razão alguma.
— Esquece isso — disse, ao bater nas costas dela com um sorriso. — Faça isso, Dam — completou, olhando para ele.
— …
— E a segunda condição? — perguntou Idalme, curiosa.
— Quero que convenças Max a parar Izumi quando ele acordar.
— Parar? — Ambas perguntaram ao mesmo tempo.
— Sim. Quando ele acordar, provavelmente vai querer matar Loi. Por isso, enquanto não tiverem certeza de que ela está segura, não posso melhorar seu arco e suas flechas.
— Tudo bem! — gritou Ui. — Você consegue, Idalme!
— Eu… o Max… estamos dando um tempo… — murmurou ela.
— Não se preocupe, isso se resolve com ele.
— Mas…
A mestiça se inclinou perto do ouvido dela e murmurou:
— Ele não para de te olhar enquanto… esfrega o pau no calção.
— Quê? Sério? — perguntou, incrédula, o rosto ruborizado.
— Sim… esqueceu que eu tinha bons ouvidos?
Idalme fitou Max, que desviou o olhar para o lado. Ela começou a acreditar que ele realmente queria e não suportava esperar o tempo que ela impôs. Decidida, olhou para Dam e disse:
— Certo, acordo feito.
— Agradeço.
— Mas por que vai tão longe por eles? Nem são teus conhecidos.
— Prefiro não comentar.
— Sei…
Dam, ao se afastar, Ui aproximou-se da orelha de Idalme e murmurou.
— Na verdade, ele está igualzinho ao Max.
— Quê? Não me diga que…
— Sim… mas parece que ele colocou algo para impedir que mostre.
Idalme fitava Ui e levou a mão à boca, sorrindo baixinho junto à amiga, enquanto imaginava o que ele escondia de forma curiosa nas suas roupas.
Do que elas estão rindo?
Dam se aproximou de Loi e disse, com firmeza e um leve sorriso:
— Não se preocupe… enquanto Izumi não acordar, nada vai acontecer com você.
Ela, ao perceber que ele havia ido conversar com aquelas garotas, perguntou:
— Tem certeza?
— Sim. Não se preocupe.
Sem entender por que ele queria ajudá-la naquele momento, continuou:
— Por que está me ajudando de repente? Antes tinha me mandado se fuder.
— Isso… não posso dizer.
— Hum?
Dam, não conseguia mais olhar nos olhos dela, desviou o olhar e pensou:
Não me olhe assim…
Logo após conversar com a amiga, Idalme partiu, decidida a falar com Max.
— Oi… — disse, desviando o olhar de leve.
— Oi — respondeu, ao fixar o olhar nela. — Senta aqui.
— Sim…
Peituda sentava-se junto a uma pedra perto dele quando foi surpreendida por sua aproximação e acabou caindo entre as suas pernas. Ele envolveu-a por trás e murmurou:
— Não aguento mais… Volta pra mim…
— Não… não deveria ser assim…
— Eu te peço perdão, mas não consigo suportar… vamos, por favor?
— Não deveria ser assim… — disse, lutando para se soltar dos braços dele.
— Por favor… nunca me senti assim antes… não consigo parar de pensar em você… não consigo dormir com a mente cheia das suas lembranças… Idalme… só dessa vez… me perdoa?
— Estavas pensando em tudo isso? — perguntou, a voz meiga.
Está funcionando? pensou Max.
Ele sorriu de canto e continuou:
— Sim… eu finalmente entendi. Não importa quantas mulheres eu conheça, nenhuma vai ser como você… eu te amo demais!
— Se já pensou em tudo isso… podemos voltar.
— Sério? — perguntou, incrédulo.
— Sim, mas com uma condição.
— Condição?
— Quando Izumi acordar, por favor, não deixe que ele mate aqueles dois.
— Hum… era isso que estava conversando com Dam?
— Sim. Ele prometeu melhorar minhas flechas e meu arco se eu te convencesse…
Max olhou para Dam e o agradeceu por ter ajudado a amolecer o coração de Idalme.
— Se for por você, eu faço qualquer coisa.
— Então… podemos fazer…
Não perdeu tempo e começou a acariciar os peitões, no entanto, ela segurou a mão dele e disse:
— Não aqui…
— Outro lugar?
— Não, não quero fazer ao ar livre.
— Podemos montar a tenda.
— Mas isso… seria meio óbvio…
— Idalme, todo mundo aqui já sabe que transamos toda noite.
— Mas…
Max levantou-se e começou a montar a tenda, enquanto todos o observavam com curiosidade e tentavam adivinhar os seus planos óbvios. Peituda, envergonhada, pedia que ele parasse, mas sua insistência mostrava o quanto estava duro e ignorava a hesitação dela.
Quando a tenda foi montada, Ui, lá no fundo, gritou:
— Vai fundo!!!
Ela corou ainda mais ao pensar no que pretendia fazer. Max aproximou-se, segurou a sua mão e perguntou, com o olhar intenso e grávido de desejo.
— Vamos fazer gostoso?

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