Índice de Capítulo

    Dam afastou-se de Loi, que, tomada pelo desespero, assistia ao irmão debater-se contra a ferida deixada por Ui.

    — Ei, vamos conversar?

    Idalme fitou-o por um instante e retomou a conversa com a amiga. Dam, tomado pela sensação de ser ignorado, afastou-se enquanto dizia:

    — Uma pena… até cogitei reforçar as suas flechas e o arco.

    — Hum? — Ergueu-se, os olhos faiscando. — Não preciso de ajuda de alguém como você.

    Ele parou, sem se virar, e disse:

    — Aposto que estás pensando: “Se as minhas flechas de madeira com ponta de ferro não deram conta, é só usar flechas de ferro…” Mas…

    Virou-se para ela, invocou algo do seu espaço espacial, transparente como água, e segurou a ponta da flecha, pressionando com força até que se partisse.

    — Entendeu? — questionou, a voz firme. — Mesmo as de ferro não resistiram às suas chamas. No instante em que atingirem o alvo, vão se quebrar antes de causar qualquer dano.

    Naquele instante, a peituda engoliu em seco. Havia passado horas a imaginar formas de tornar as suas flechas mais precisas e resistentes, mas agora sentiu-se tomada pelo desalento. Nada no mundo parecia mais impenetrável que o ferro.

    — Idalme? — perguntou Ui, a preocupação transparecia nos olhos.

    Decidida, ao cerrar os punhos, ela cogitou:

    — Você… pelo jeito que fala, é como se soubesse fazer algo melhor.

    — Como és burra.

    — Quê?

    — Eu disse há pouco que podia fortificar as suas flechas e o arco… mas pelo visto entrou por um ouvido e saiu pelos teus peitões.

    — Vai me insultar agora? Abandonado do clã Zura — retrucou.

    Dam sorriu de canto de boca e disse:

    — Pelo menos temos algo em comum.

    — Comum? — perguntou, ao arquear a sobrancelha.

    — Não nos suportamos!

    Ainda tensa, suspirou e voltou a se sentar na pedra.

    — Qual é a sua condição? — questionou, a voz baixa, quase hesitante. — Com certeza não faria algo assim por alguém de quem não gosta.

    Dam olhou para Ui e disse:

    — Tenho duas condições.

    — Hum… — Franziu a testa, sem entender por que ele a encarava.

    — Primeiro, quero que convença Ui a não matar aquele casal de irmãos.

    — Quê?! — gritou, os olhos arregalados. — Mas isso… — Desviou o olhar para Ui, confusa.

    A mestiça, compreendendo a situação, refletiu por um instante e disse:

    — Tudo bem… desde que o Izumi acorde e esteja bem.

    — Tem certeza, Ui? — perguntou Idalme, cautelosa.

    — Sim… eu a odeio muito, mas queria te ajudar, por aquela vez.

    — Aquela vez?

    Naquele instante, a mestiça lembrou-se do momento em que sua amiga lhe pediu para voltar a Izumi, quando se sentiu perdida e acreditava que o amado havia matado Mito sem razão alguma.

    — Esquece isso — disse, ao bater nas costas dela com um sorriso. — Faça isso, Dam — completou, olhando para ele.

    — …

    — E a segunda condição? — perguntou Idalme, curiosa.

    — Quero que convenças Max a parar Izumi quando ele acordar.

    — Parar? — Ambas perguntaram ao mesmo tempo.

    — Sim. Quando ele acordar, provavelmente vai querer matar Loi. Por isso, enquanto não tiverem certeza de que ela está segura, não posso melhorar seu arco e suas flechas.

    — Tudo bem! — gritou Ui. — Você consegue, Idalme!

    — Eu… o Max… estamos dando um tempo… — murmurou ela.

    — Não se preocupe, isso se resolve com ele.

    — Mas…

    A mestiça se inclinou perto do ouvido dela e murmurou:

    — Ele não para de te olhar enquanto… esfrega o pau no calção.

    — Quê? Sério? — perguntou, incrédula, o rosto ruborizado.

    — Sim… esqueceu que eu tinha bons ouvidos?

    Idalme fitou Max, que desviou o olhar para o lado. Ela começou a acreditar que ele realmente queria e não suportava esperar o tempo que ela impôs. Decidida, olhou para Dam e disse:

    — Certo, acordo feito.

    — Agradeço.

    — Mas por que vai tão longe por eles? Nem são teus conhecidos.

    — Prefiro não comentar.

    — Sei…

    Dam, ao se afastar, Ui aproximou-se da orelha de Idalme e murmurou.

    — Na verdade, ele está igualzinho ao Max.

    — Quê? Não me diga que…

    — Sim… mas parece que ele colocou algo para impedir que mostre.

    Idalme fitava Ui e levou a mão à boca, sorrindo baixinho junto à amiga, enquanto imaginava o que ele escondia de forma curiosa nas suas roupas.

    Do que elas estão rindo?

    Dam se aproximou de Loi e disse, com firmeza e um leve sorriso:

    — Não se preocupe… enquanto Izumi não acordar, nada vai acontecer com você.

    Ela, ao perceber que ele havia ido conversar com aquelas garotas, perguntou:

    — Tem certeza?

    — Sim. Não se preocupe.

    Sem entender por que ele queria ajudá-la naquele momento, continuou:

    — Por que está me ajudando de repente? Antes tinha me mandado se fuder.

    — Isso… não posso dizer.

    — Hum?

    Dam, não conseguia mais olhar nos olhos dela, desviou o olhar e pensou:

    Não me olhe assim…

    Logo após conversar com a amiga, Idalme partiu, decidida a falar com Max.

    — Oi… — disse, desviando o olhar de leve.

    — Oi — respondeu, ao fixar o olhar nela. — Senta aqui.

    — Sim…

    Peituda sentava-se junto a uma pedra perto dele quando foi surpreendida por sua aproximação e acabou caindo entre as suas pernas. Ele envolveu-a por trás e murmurou:

    — Não aguento mais… Volta pra mim…

    — Não… não deveria ser assim…

    — Eu te peço perdão, mas não consigo suportar… vamos, por favor?

    — Não deveria ser assim… — disse, lutando para se soltar dos braços dele.

    — Por favor… nunca me senti assim antes… não consigo parar de pensar em você… não consigo dormir com a mente cheia das suas lembranças… Idalme… só dessa vez… me perdoa?

    — Estavas pensando em tudo isso? — perguntou, a voz meiga.

    Está funcionando? pensou Max.

    Ele sorriu de canto e continuou:

    — Sim… eu finalmente entendi. Não importa quantas mulheres eu conheça, nenhuma vai ser como você… eu te amo demais!

    — Se já pensou em tudo isso… podemos voltar.

    — Sério? — perguntou, incrédulo.

    — Sim, mas com uma condição.

    — Condição?

    — Quando Izumi acordar, por favor, não deixe que ele mate aqueles dois.

    — Hum… era isso que estava conversando com Dam?

    — Sim. Ele prometeu melhorar minhas flechas e meu arco se eu te convencesse…

    Max olhou para Dam e o agradeceu por ter ajudado a amolecer o coração de Idalme.

    — Se for por você, eu faço qualquer coisa.

    — Então… podemos fazer…

    Não perdeu tempo e começou a acariciar os peitões, no entanto, ela segurou a mão dele e disse:

    — Não aqui…

    — Outro lugar?

    — Não, não quero fazer ao ar livre.

    — Podemos montar a tenda.

    — Mas isso… seria meio óbvio…

    — Idalme, todo mundo aqui já sabe que transamos toda noite.

    — Mas…

    Max levantou-se e começou a montar a tenda, enquanto todos o observavam com curiosidade e tentavam adivinhar os seus planos óbvios. Peituda, envergonhada, pedia que ele parasse, mas sua insistência mostrava o quanto estava duro e ignorava a hesitação dela.

    Quando a tenda foi montada, Ui, lá no fundo, gritou:

    — Vai fundo!!!

    Ela corou ainda mais ao pensar no que pretendia fazer. Max aproximou-se, segurou a sua mão e perguntou, com o olhar intenso e grávido de desejo.

    — Vamos fazer gostoso?

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