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    Dam Hacraul, mais conhecido por Dam, estava bastante entusiasmado com a nova descoberta, pois era o motivo principal de ter deixado a cidade. Loi, que antes foI apenas uma fonte de prazer sexual, tornou-se naquele momento uma peça importante para desvendar mais minérios como aqueles.

    Ele a observava com fascínio a cada instante em que ela orientava os outros sobre o minério precioso naquele amontoado de pedras. O atirador, ao notar todos empenhados na busca, decidiu voltar-se a outro intento.

    Sentado diante de uma pilha formada, tomou as pedras uma a uma, testando-as com cuidado. Ainda se quebravam, mas havia progresso: se antes partiam em dois, agora se fragmentavam em vários pedaços.

    Todos viam em Dam um homem que fracassava repetidas vezes, e cada tentativa malograda apenas reforçava essa impressão. No entanto, a cada falha, um brilho novo nascia em seu olhar, como se algo dentro dele se confirmasse. 

    Enquanto os demais trocavam olhares de desânimo, ele sentia crescer uma estranha satisfação, um contentamento que apenas ele podia compreender.

    Foi então que a mais extrovertida do grupo se adiantou:

    — Tá fracassando demais, Ham… E nem parece se importar. Por que isso? Me conta, Dam.

    Ele, que normalmente olhava para os outros com desdém, sorriu de canto e disse:

    — Falhar tanto só prova que esse minério é de qualidade superior…

    — Como assim, Dam? — perguntou Ui, confusa.

    Pegou uma pedra qualquer do chão e perguntou:

    — Loi, esta é normal?

    — Ham? Sim… É normal. Por que pergunta?

    Iniciou aquecendo, e em poucos segundos ela se converteu em chamas. Então, concentrou-se nelas com firmeza, comprimindo-as até que se solidificassem, tomando a forma de uma pequena bala de pedra reforçada.

    — Veja — disse ele, erguendo a pedra — uma pedra comum eu transformo numa bala em segundos.

    Em seguida, retirou um minério de ferro de seu espaço espacial e repetiu o mesmo processo, que durou menos de dois minutos até se transformar em uma bala de ferro reforçado.

    — Com um minério de ferro, leva mais tempo. Entende?

    — Entendi nada.

    — Como és burra — disse Dam, com um meio sorriso.

    Ui, tomada pela frustração, começou a negar tudo e chegou a olhar para Idalme, perguntando se ela tinha entendido. A peituda, porém, fingiu ignorância, e Max fez o mesmo. Foi então que percebeu: na verdade, todos compreendiam, menos ela.

    — Ou seja, Ui… quanto mais demora pra transformar numa bala, melhor é o minério!

    — Haaaaam! Eu entendi! Entendi! Entendi! Idalme, olha só, eu finalmente entendi! Como vocês não perceberam antes, seus idiotas! Hahaha! — Ela pulava de empolgação, rindo sem parar, quase sem fôlego.

    A mestiça tentava se mostrar esperta, tentando escapar da burrice que cometeu antes, mas todos perceberam a farsa em suas ações, embora não dissessem nada. Retomaram a busca por pedras ao redor por várias horas e conseguiram reunir quantidade suficiente para que nenhum minério de Terrania fosse visível ao redor do local. Foi então que Max interveio.

    — Certo, já chega por hoje. Vamos continuar a jornada, certo, Dam?

    O atirador o fitou com desgosto, mas percebeu que já havia coletado minérios suficientes para suas práticas.

    — Ok, vamos embora.

    Todos concordaram e continuaram a viagem, avançando por caminhos que serpenteavam entre vales e colinas. Ao lado, erguiam-se enormes montanhas, e ao longe surgiam outras tantas. Mas nada daquilo chamou tanto a atenção quanto o que se encontrava mais adiante: um quartel ao ar livre.

    Aquele quartel não destoava muito do de Aaron, mas parecia mais desgastado, como se suportasse batalhas constantes. Algumas seções da muralha que protegia o local estavam destruídas.

    — O que faremos, Max? Izumi ainda está inconsciente — disse Idalme, apreensiva.

    — Quem está inconsciente?! — perguntou, a voz baixa e intimidadora.

    Naquele instante, todos permaneceram imóveis. o mestiço avançava ao redor deles, os passos medidos e atentos. Seus olhos vasculhavam o local. 

    Max tentou emitir uma palavra, um comando, qualquer sinal, mas a voz se negou a sair; era como se tivesse imposto uma condição sobre eles, negando qualquer ação ou reação, tornando-os meros espectadores.

    — Ajoelhe-se!

    O corpo de Loi, sem oferecer qualquer resistência, movia-se conforme as ordens que recebia. Izumi retirava as espadas com lentidão e cortou o ar. Lágrimas escorriam pelo rosto dela, traçando caminhos mudos por sua pele, e ela fechou os olhos, aceitando com resignação o destino que parecia inescapável.

    — Não fecharás os olhos! Observa‑me!

    Os olhos de Loi começaram a se abrir lentamente, acompanhando cada movimento da lâmina que se aproximava do seu pescoço. Cada centímetro percorrido pelo metal parecia prolongar o instante.

    — Pagarás com a tua vida, devagar… e não haverá alívio na tua morte.

    O sangue escorria pelo pescoço de Loi enquanto ela tentava falar, mas sua boca permanecia imóvel, incapaz de emitir qualquer som. Ui, posicionada logo atrás, hesitou por um instante, o conflito interno evidente em seu olhar. Mas, ao lembrar da promessa feita, decidiu agir, mesmo contra o ressentimento que sentia por aquela mulher.

    No entanto, nem Ui conseguiu escapar da intimidação imposta. Por mais que tentasse mover-se, seu corpo parecia pesado e sem reação. Ao perceber que a resistência sozinha não seria suficiente, ela decidiu se transformar. Num movimento ágil, saltou com força, segurando firmemente o braço.

    — Chega, Izumi, não a mate!

    Ele surpreendeu-se ao vê‑la mexer, mas não se deixou abalar e perguntou:

    — Não sentes raiva? Essa coisa tentou te matar.

    — Sinto — respondeu, firme —, mas ainda precisamos dela.

    — Precisar? Não preciso de ninguém. Vai morrer aqui!

    Izumi ergueu outra espada e atacou num golpe rápido; mais uma vez foi contido.

    — Você?!

    — Izumi, ouve a Ui — disse Max, tenso. — Não agora. Olha à frente: é o quartel.

    Ao avistar o quartel, o mestiço sentiu uma onda de animação, mas essa euforia se tornou uma faca de dois gumes. Por um instante, esqueceu-se de finalizar seu inimigo, e naquele breve momento percebeu que o dano causado por Loi ainda permanecia em seu corpo.

    Naquele instante, todos recuperaram o movimento. Dam e Léo avançaram rapidamente à frente de Loi para protegê-la, enquanto o atirador fixava o olhar em Izumi, pronto para o confronto.

    — Izumi, vamos fazer um acordo? — perguntou Dam, tenso.

    — Acordo? Eu não faço acordos — respondeu ele, ríspido.

    — Sim, mas vais gostar.

    — Escuta-o, Izumi. Por favor — Interveio Ui, implorando —, não precisamos matar agora; pode ser depois, tá?

    — Izumi, agora não é o momento — acrescentou Max, firme.

    O mestiço, ao perceber a persistência daquelas duas pessoas com quem mais se sentia próximo, decidiu ceder e ouvir.

    — Fala logo.

    — Preciso dela para localizar os minérios de Terrânia. Com isso, eu forjo armas bem além dessas que tens — disse Dam.

    Ele fitou sua espada e voltou o olhar para o atirador com hesitação; jamais imaginou que pudesse existir uma lâmina superior à sua.

    — Isso é verdade? — perguntou ele, voltando-se para Max.

    — Sim — respondeu seco —, ele é até mais incrível que quem forjou as tuas espadas.

    Naquele momento, Izumi aparentou confiar nas palavras deles e guardou suas espadas, mas a realidade era outra. Tentou ativar seu Brute Force Iz, ou qualquer outra de suas habilidades Iz, mas nada surtiu efeito desde o instante em que Ui o havia segurado.

    Lutar contra todos sem suas habilidades era difícil, até mesmo para ele. Com passos lentos, começou a avançar em direção ao quartel e disse:

    — Vamos ao quartel! 


    Enfim, terminei mais um volume. A ideia original não era encerrar aqui, o término estava previsto após os acontecimentos do próximo quartel, mas decidi concluir neste ponto. 

    Esses momentos acabaram sendo mais longos do que planejei e, se Deus quiser, o próximo volume será mais curto, kkk. De qualquer forma, agradeço sinceramente a todos que chegaram até aqui.

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