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    O grupo enfim alcançou a porta do quartel. A muralha, alta demais para revelar o interior, mostrava sinais de desgaste, como se antigas invasões a tivessem marcado. Pelo olhar de Max, aquilo não lhe pareceu recente; lembrava algo ocorrido muitos anos antes.

    — Vamos entrar, Izumi? — perguntou Max.

    Ativou seu speed Iz, observou melhor o local e respondeu, sorrindo:

    — Já não era hora!

    Loi, que seguia logo atrás, invocou uma bandana com o símbolo de seu clã e a estendeu a Izumi. Ele, porém, lançou-lhe um olhar de desagrado, afastou-a com o dorso das mãos e afirmou:

    — Não me dirija a palavra.

    Peituda, que estava logo atrás, ficou incrédula com o que Loi acabou de fazer e perguntou:

    — Como… como você fez isso?

    — Hum? — respondeu, confuso.

    — Também quero saber, Loi — disse Dam. — Como usaste sua habilidade de espaço sem precisar abrir o portal?

    — Está… falando disso? — perguntou, ao fazer a bandana desaparecer.

    Os dois se mostraram surpresos com o que ela fez e tornaram a perguntar sobre aquela habilidade. Foi então que ela explicou:

    — Bem… não é tão difícil de explicar… mas, na prática… é complicado de fazer… — disse, invocando a bandana novamente. — É só imaginar… invocando o espaço… mas com mais detalhes… tens que ser mais específico no que queres invocar… Por exemplo… quando colocam a mão no vosso espaço… pensam no que querem pegar… ou só esperam que ele lhes entregue…?

    — Cala a boca! — interrompeu o mestiço, cerrando os dentes… — A sua voz me irrita.

    Ele sacou a espada com rapidez e desferiu um corte, mas Léo a puxou para trás a tempo de evitar a morte dela. Izumi, por sua vez, fitou a própria espada com hesitação.

    Absorvi aura?

    Calmamente, ele parou para pensar e percebeu, no instante, que aconteceu a absorção.

    Aquela bandana…

    Ele se aproximou do pedaço que estava no chão e colocou a espada sobre ele. Começou a sentir uma leve aura; embora pouca, algo fluía para a lâmina, mas Izumi sentiu-se estranho. Mesmo tendo consumido tudo com a espada, percebia que uma aura muito tênue ainda penetrava nela.

    — Ei, você… explica essa coisa — disse, ao apertar o pedaço da bandana nas mãos.

    Todos ao redor ficaram curiosos com a pergunta dele, pois não demonstrava tanto interesse pelas pessoas.

    — Izumi, o que está acontecendo? — perguntou Ui, envolvendo-o num abraço por trás.

    Naquele momento, ele sentiu uma energia opressora vindo dela, mais intensa que o comum. Sem pensar duas vezes, desapareceu e reapareceu ao lado de Loi, deixando-a ainda mais apavorada. 

    A mestiça, de longe, fez beicinho e desaprovou a atitude dele. Izumi, com o Speed Iz ativado desde o início, a observava surpreso. Ela parecia a mesma de sempre, mas, naquele instante, transmitia a impressão de querer matá-lo.

    Essa sensação… não vai embora nunca… todos continuam sendo meus inimigos…

    Loi, ao lado, com medo de morrer, começou a gaguejar:

    — A… a bandana… consegue absorver o Ki da natureza… e transformar em aura…

    Izumi olhou para ela, confuso:

    — Ki? O que é isso?

    — Ki é uma energia que todo mundo tem… é como a base de tudo neste mundo. Nós convertemos Ki em aura para usar nossas habilidades.

    — Hum? — O mestiço olhou para o seu irmão, ainda cheio de dúvida.

    Max levantou os ombros, mostrando que é tão leigo quanto ele. 

    — Esquece isso — disse, impaciente — explica de um jeito que eu consiga entender.

    Léo surgiu à frente dele e escreveu:

    Resumindo… ela pode ajudar a curar teus olhos, absorvendo a aura da natureza.

    — E? — perguntou Izumi.

    E? — repetiu, impassível.

    Ele ficou estranho, encarando o corpo sem cabeça, e disse:

    — Esquece… só me dá outra.

    Léo fez como Loi e invocou uma bandana, mas, em vez de vermelha, era amarela.

    Cuida bem dela… não tem mais disso.

    — Ok.

    Colocou a bandana para tapar os olhos e sentiu a aura circulando por ela. Ao concentrar a própria aura, percebeu a cor: era amarela.

    Enquanto isso, Max se aproximou dos dois por trás e perguntou:

    — Léo, isso pode ser fabricado?

    — Não sei… apenas os herdeiros das leis tinham acesso, e era passado de geração em geração.

    — Sério? Mas… uma delas foi cortada.

    — Não se preocupe… o corte foi tão bem feito que ainda é possível juntar as peças.

    — Entendo.

    Idalme voltou a perguntar sobre o método de usar a invocação, mas um barulho eclodiu à sua frente. A grande porta de ferro foi cortada em pedaços, e vários destroços se acumularam no chão. Izumi começou a entrar, e Ui correu até ele. Enquanto isso, Léo disse que explicaria depois, e Slother, como sempre, permaneceu calado.

    O mestiço entrou no quartel, e vários destroços se espalhavam ao redor: armaduras, espadas e corpos humanos reduzidos a ossos jaziam inertes no chão. Ainda assim, o mestiço não se importou e continuou avançando.

    — Izumi… isso parece perigoso — disse Ui, com desgosto.

    Na sua frente tinha uma outra porta enorme, de uns cinco metros, e ao lado estendia-se uma muralha. Ao sacar sua espada, rapidamente afastou-se para trás ao segurar Ui. E aquela porta enorme foi subitamente aberta abruptamente por dentro.

    Os que viam atrás ficaram surpresos com o que presenciavam; a aberração que saía da porta ficava cada vez maior. Izumi, no entanto, olhava para baixo, sorrindo, e lembrou que já havia lutado com algo bem maior que aquilo.

    A figura lembrava a de um humano corpulento, mas gigantesco, com a pele completamente negra, e emanava uma energia negativa que parecia sufocar o ambiente. Sua altura aproximava-se de oito metros, mas começou a diminuir até cerca de seis metros.

    — Parou de crescer? — perguntou o mestiço. — Assim perde a graça! — gritou, sacando a espada.

    O colossal, com um gesto firme, fechou a porta atrás de si e declarou, com voz cheia de autoridade:

    — Somente aquele que for digno de me derrotar poderá passar! — bradou o colosso.

    — Oh… a besta sabe falar — respondeu Izumi, com desdém.

    O gigante inclinou a cabeça, observando a “formiga” abaixo de si, e perguntou:

    — Considera-se digno, pequeno ser? Então me derrote.

    Franziu o cenho, a veia pulsava no pescoço.

    — Pequeno? — repetiu, entre dentes. — Vou te mostrar o que é pequeno! — gritou, avançando.

    Ele rapidamente saltou e desferiu vários cortes no corpo do demônio, mas só conseguiu coçar o corpo corpulento do inimigo. O colossal, então, soprou a mosca que zumbia ao seu redor e o fez cair no chão com força.

    — Só isso? — questionou com dúvida. — Não és digno!

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