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    Os sonhadores eram aqueles que podiam sonhar e viver aquele mundo como se fosse real. Contudo, existia a possibilidade de compartilharem o mesmo sonho, desde que ambos concordassem.

    Nenhum deles conseguia chamar outro para o próprio mundo sem permissão; porém, se um deles não a concedesse, surgiria outra questão. Quando possuíam força igual ou próxima, nenhum conseguia atacar a mente do outro.

    No entanto, a situação mudava quando o alvo era ridiculamente mais fraco. Essas pessoas tornavam-se reféns fáceis dos sonhadores. Ainda assim, nenhum deles conseguia moldar o sonho como desejava; apenas o modificava conforme a realidade do momento e, de modo surpreendente, acessava algumas informações do alvo.

    Assim ocorreu com o mestiço: o sonhador moldou aquela realidade como quis, sem grandes alterações, e desse modo Izumi acabou humilhado dentro da própria mente.

    O que aconteceu? Estou vivo?

    Pensou enquanto as espadas caíam de suas mãos e a intenção assassina emanada do inimigo se ocultava. Naquele instante, todos acreditaram que haviam morrido. Contudo, mestiço era o único alvo do sonhador.

    Ele se agachou para pegar as lâminas e o corpo passou a suar de súbito, travado no mesmo lugar quando pensou em atacar o destemido à sua frente.

    O mestiço rogava para que o corpo se movesse, sem resultado. Atrás dele, os demais já se recuperavam do dano que haviam recebido ou assim julgavam.

    — Izumi, tá tudo bem? — perguntou Ui, suando mais que o próprio coração.

    O restante das pessoas sofria o mesmo efeito; mesmo ao limparem o rosto, a pele não deixava de permanecer úmida, e não era só isso: o corpo inteiro passava pelo mesmo processo.

    O mestiço, por um instante, perdeu a consciência e, ao se dar conta, um dos pés já recuou. Lutava novamente para retomar o controle do próprio corpo, sem êxito. Quanto mais transpirava, mais perdia domínio dos movimentos, e o chão começava a ficar encharcado de suor.

    — Super Speed Brute Force Cure Iz!

    Mesmo assim, o seu corpo ainda estava paralisado.

    — Dark Purge!!!

    Todos, inclusive ele, voltaram ao normal; os corpos encharcados cessaram a transpiração e puderam mover-se outra vez.

    — Fascinante… escapou da minha técnica. — Ele segurou a gola da camisa preta de manga longa e cheirou fundo. — Parabéns.

    — Cala boca!

    Com a motivação renovada, Izumi partiu outra vez para o ataque; porém, não sentiu que podia ativar o Sen To Ishi e utilizou apenas dez por cento do poder total.

    — Quarta forma! Kotxi veloz!

    Outra vez, o inimigo defendeu da mesma maneira; porém, algo estava diferente. No mundo dos sonhos, ele sangrou, mas, dessa vez, nenhuma gota se derramou.

    — Não aprendeu mesmo… — disse, fitando-o.

    — Quinta forma: Soco Retardo!

    Izumi acertou o rosto do inimigo com força, mas nada aconteceu.

    — Acabou? — Ele perguntou, sorrindo.

    — Não! — Veio a resposta, firme.

    Atacou outra vez, mas, antes que tocasse o inimigo, uma palma o lançou para longe. O adversário sentiu o soco no rosto em seguida, fazendo a cabeça bater no trono e cair sobre a poltrona.

    Naquele instante, o mestiço sorriu de leve, enquanto o destemido ria baixinho.

    — Essa foi boa… Mas nem doeu! — Mostrou o rosto, confiante.

    Izumi, pronto para atacar de novo, sentiu uma mão fria no ombro:

    — Pare, Izumi.

    — Que foi, Max? Vai me atrapalhar?

    — Não… só queria conversar primeiro com esse destemido. — Fitou o inimigo. — Ou seria uma das sete energias negativas mais fortes?

    O inimigo cruzou as pernas novamente e, com o queixo apoiado no punho, disse:

    — Eu sou Armon. Pelo que vejo, vocês já sabem bastante sobre nós.

    Todos ficaram imediatamente em alerta. Max, com a voz trêmula, perguntou:

    — Nós… você quer dizer… uma das sete energias negativas?

    — Hum? — ergueu uma sobrancelha. — Deixe-me explicar. Sou uma dessas forças… e, ao mesmo tempo, um destemido.

    Izumi abanou a espada, incrédulo:

    — Quê? Isso não faz sentido!

    — Concordo — disse Armon, com um leve sorriso. — É meio confuso assim. Se me permitirem, explico melhor.

    Max olhou ao redor e todos concordaram em escutar o que aquele ser queria transmitir.

    — Continue — pediu.

    — Entendido. — Respirou fundo. — Centenas de anos atrás, uma das sete energias atacou meu santuário e controlou meu corpo. Mas cometeram um engano.

    — Engano? — perguntou Izumi.

    — Sim. Das 12 leis do zodíaco, a minha tinha a mente mais forte. O inimigo achou que podia me controlar… mas até hoje estou no comando.

    — Qual… a sua lei? — perguntou Loi.

    — Escorpião! — declarou Armon, firme.

    — Alguma sugestão, Loi? — perguntou Max.

    — Talvez… seja verdade. Entre as leis, Escorpião… é um dos que têm a mente mais forte… capaz de resistir ao mal.

    — Então era mesmo verdade — disse Armon, com um sorriso leve.

    Todos ficaram em alerta. De repente, o destemido desapareceu da cadeira e reapareceu segurando a cabeça de Léo.

    — Slother foi derrotado!

    A cabeça começou a suar rapidamente, enquanto a energia negativa fluía da cabeça até as mãos do destemido. Slother não parecia sofrer com isso, e os olhos foram fechando aos poucos até que a luz desapareceu deles.

    — Pronto, tome. — Lançou para Léo.

    De volta ao trono, o destemido ordenou:

    — Coloque no pescoço.

    Léo hesitou por alguns instantes, enquanto todos o observavam com dúvida. Sem pensar muito, encaixou a cabeça no pescoço e, graças à regeneração, ela começou a se unir e a restaurar-se. Abriu os olhos e disse:

    — Eu voltei? 

    Loi, que estava ao lado, gritou o nome do irmão e o abraçou com força, enquanto chorava.

    — Calma, Loi… minha cabeça vai cair!

    — Mas… eu pensei…

    Largando lentamente a cabeça, ele abraçou a irmã:

    — Eu voltei!

    Izumi, ainda desconfiado do inimigo, perguntou:

    — E toda aquela energia negativa, para onde foi?

    — Veja. — Mostrou um frasco. — Coloquei tudo aqui.

    — Me dê! — ordenou Izumi.

    — Me dê? — Armon arqueou uma sobrancelha. — O que pensa fazer com isso?

    — Consumir!

    O destemido fitou o frasco por um instante, guardou-o em um dos bolsos e disse:

    — Fica mais seguro comigo.

    Izumi tentou falar, mas as palavras não saíram.

    — Alguma coisa não encaixa — disse Max. — Parecia que conhecias o Slother melhor do que uma relação comum.

    — Sim… és perspicaz. Talvez já tenhas percebido: eu sou o dono dele.

    Todos, exceto Max, ficaram surpresos e voltaram a cogitar que aquele ser não era, de fato, um destemido.

    O destemido encarou os olhos dele, sedentos por informação, e sorriu.

    — Os seus olhos, gostei!

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