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    Após o ocorrido, o dia passou, e Mito seguia em suas funções como comandante das defesas da vila. Ao chegar a hora do almoço, dirigiu-se mais uma vez ao gabinete do chefe da vila.

    — Pode entrar.

    — Com sua licença.

    — Mito, chegou no momento certo. Tem algo que necessito discutir contigo.

    — O que seria senhor chefe da vila?

    — Não precisa ser tão cortês, me chame de chefe.

    — Sim.

    Observou ao redor e notou algo diferente. As cortinas, que costumavam permanecer abertas àquela hora, estavam fechadas, embora o sol não brilhasse intensamente o bastante para justificar seu uso.

    — Algum problema?

    — Não chefe, pode continuar.

    — Sim, iniciando… espera, acho que prefiro ser direto e grosso. — levantou de sua cadeira e colocou a mão na mesa do escritório. — A garota amaldiçoada foi finalmente servida como sacrifício.

    — O quê? — respondeu, enquanto colocava a mão na espada.

    — Acalme-se, escute até o fim. O sacrifício dela foi benéfico para a vila.

    — O que você quis dizer com isso?

    — Seja respeitoso.

    — Quer o meu respeito? — sacou a espada. — Aqui está o meu respeito, senhor chefe da vila!

    — Eu não queria isso, mas você não me deixa escolha. Sua insistência me empurra para um lugar que eu realmente não quero ir.

    Das cortinas, surgiram três homens que atacaram. Já ciente de suas posições, ele reagiu prontamente, contrariando o primeiro e cortando-lhe o braço. Os outros dois, mascarados, avançaram ao ver o companheiro em agonia, mas Mito, com precisão, perfurou o abdômen de um deles. O último, ao perceber o desenrolar da situação, fugiu em desespero, enquanto Mito, impiedoso, terminou com o sofrimento do que ficaram.

    Balançou a espada, olhou para o chefe e disse: — Agora me diga, o que faço com você?

    O chefe tremeu e recuou lentamente enquanto murmurava palavras inaudíveis, o olhar fixo na lâmina ensanguentada: — Eu não fiz a escolha errada, era necessário…

    — Hum?

    — Era necessário!

    Ele se aproximou com passos firmes e, com um olhar frio, cortou a mesa que os separava e logo depois apontou a espada ao pescoço do chefe. O chefe em voz baixa e firme, disse:

    — Se você me matar, nunca vai saber onde ela está. 

    — Quê? 

    — A informação que tenho é preciosa, e pode ser a única chance de encontrá-la. Pense bem. Se você acabar comigo, estará se condenando a viver na ignorância.

    — Ui está viva? 

    — Sim, ela está viva, seu pedófilo de merda!

    — Meça suas palavras e me diga. Onde ela está!

    O chefe da vila, com um sorriso confiante, ergueu a mão lentamente e afastou a lâmina de seu pescoço, sem desviar o olhar.

    — É tarde demais, os demônios a levaram como sacrifício.

    — Sacrifício?

    — Sim, eles prometeram deixar a vila em paz se entregássemos a garota. Já deve ser tarde demais agora. Nesse momento, eles provavelmente estão bem longe daqui.

    — Como você pode fazer algo desse tipo? Não tem amor pelos seus habitantes? Pense nas vidas que você está colocando em risco por causa dessa decisão insensata!

    — Cala a boca! Um líder sabe quando fazer suas jogadas, mesmo que isso signifique sacrificar algumas peças do tabuleiro. E, sejamos sinceros, só tive que sacrificar uma garota odiada por todo mundo. Não estou aqui para agradar a todos, mas para garantir a sobrevivência do maior número possível.

    — Seu escroto.

    — Tem certeza de que quer perder tempo comigo? Se fosse você, aproveitaria e iria embora. Se correr a tempo, ainda pode encontrá-la antes que seja tarde demais.

    — Onde?

    — Agradeça ao seu chefe. Siga na direção noroeste e encontrará a morte.

    Mito lançou um último olhar de desprezo ao chefe antes de recolher a espada. Sem perder tempo, correu e pegou um dos poucos cavalos da vila e partiu em disparada. Cavalgou por quase dois dias, sem encontrar nenhum sinal de Ui, apenas demônios que surgiam ao longo do caminho, exaurindo-o pouco a pouco.

    Porém, ao erguer os olhos para o céu, avistou algo que passava. Não se movia com velocidade, mas a visão inesperada o fez questionar como não havia notado aquele ser antes. Fixou o olhar, e sua determinação reacendeu. Segurou a espada com firmeza, reuniu toda a sua força e lançou-a em direção ao alvo.

    — Arrghhh!

    Impulsionou o cavalo com toda a força, e agarrou-a. Com um sorriso vitorioso, proclamou: — Ui!

    Segurando-a firmemente, ele cavalgou até o monstro humanoide e tirou sua espada enquanto olhava o inimigo abatido. Gradualmente, Ui recobrou os sentidos; seus olhos se abriram, confusos e desorientados diante da situação.

    — Mito?… Onde estamos?

    Parecia que ela ainda estava sonolenta, como se o demônio tivesse a habilidade de induzir o sono nas pessoas. Seus olhos se esforçavam para se adaptar à realidade ao seu redor, enquanto era segurada com firmeza.

    — Não se preocupe, vamos para casa.

    — Sim…

    Ele continuou cavalgando, mas, de repente, os olhos de Ui se fecharam novamente.

    — Ui? Ela está dormindo?

    O cavalo continuou a andar, mas Mito estranhou um silêncio inquietante; não ouvia os sons das patas do cavalo que batia no chão, apesar de ainda estarem se locomovendo. A ausência de barulho o deixou alerta, como se algo sobrenatural acontecesse ao seu redor. Ele apertou Ui contra si e mantinha os sentidos aguçados.

    — O que seria isso?

    O cavalo começou a agir de maneira estranha; seus olhos se tornaram negros, e a escuridão começou a se espalhar por todo o seu corpo. Ao Perceber a transformação, pulou rapidamente do animal e observou horrorizado enquanto o cavalo se metamorfoseava completamente em um demônio. A criatura relinchou, revelando garras afiadas e uma presença ameaçadora. Mito, com a espada em mãos, preparou-se para enfrentar a nova ameaça.

    — Humano estupido!

    — Que porra é essa? Um demônio que fala?

    — Emissão do mundo vazio!

    De repente, o chão desabou sob eles, e todos os presentes foram tragados para uma dimensão desconhecida, repleta de nuvens etéreas. Ele olhou ao redor, atônito, e não conseguia acreditar no que via. Contudo, o mundo ao seu redor começou a desvanecer, e, em um instante, ele colidiu violentamente contra o chão.

    — Arrghhh!… Trinta segundos é o limite? Não se podia esperar muito de um animal irracional.

    Enquanto ele estava no chão, agonizando de dor e mal conseguia se mover, Ui permanecia ilesa com expressão serena em seu rosto. A incongruência da situação só aumentava a frustração dele; ele lutou para se levantar, mas o peso da dor o mantinha preso ao solo, enquanto sua mente se enchia de preocupação por ela.

    O demônio se aproximou dos dois, sua figura imponente projetava uma sombra ameaçadora, enquanto o cavalo, agora transformado, começava a se regenerar lentamente. Com um sorriso cruel, disse:

    — Ilesa? Entendo. Decidiu se sacrificar para salvar essa criança.

    — Cala… boca… — disse e, em seguida, cuspiu sangue, sentindo a dor aguda em seu corpo.

    — Estranho, pela informação que tenho, ninguém gostava dessa criança. Hum? Então, por que você está tão determinado a salvá-la? O que há de tão especial nela que vale esse esforço?

    Ele tentou falar, mas sua voz não saiu; os danos o haviam incapacitado, provavelmente afetou suas cordas vocais. Enquanto isso, o monstro observava-o com um olhar fascinado.

    — Decidi, vou tomar o seu corpo em vez da garotinha. Você é muito mais interessante.

    Tomar o meu corpo? Como assim?

    — Roubar o corpo de um humano racional é complicado. Normalmente, preciso de sua aceitação ou que ele esteja morto. Então, humano, me dê sua permissão e eu pouparei essa criança. Mas se você negar, roubarei seu corpo sem vida e levarei essa criança comigo. A escolha é sua.

    Tentou falar novamente, mas sua voz falhou, e cuspiu sangue, sentindo a dor aumentar em seu corpo. O demônio, observou a cena, se inclinou e tocou nele.

    Fale humano.

    Hum? Minha cabeça?

    Responda Humano, aceita ou não?

    Nunca aceitarei acordo com um demônio!

    Tem certeza, essa criança perecerá.

    Isso…

    Responda humano, não tenho todo tempo do mundo.

    Prometa em nome do Rei dos demônios!

    Humano… Tudo bem. Prometo em nome do Rei dos Demônios e, para reforçar minha palavra, prometo também em nome dos sete pecados capitais que não farei nada contra essa criança.

    Ele fechou os olhos e sentiu uma onda de desespero enquanto o inimigo começava a invadir seu corpo. Por um breve instante, seus olhos se tornaram negros e refletiu a escuridão que tentava dominá-lo, mas logo retornaram à normalidade.

    Seu humano!!

    Nunca acreditarei em um demônio! Vou te dominar!

    Seu!!!

    Se levantou e seu corpo tremia enquanto lutava contra a presença inimiga que tentava dominá-lo. Uma batalha incansável se desenrolava dentro.

    A incredulidade preenchia a mente do inimigo ao perceber que havia um humano capaz de resistir a sua influência.

    Eu não consigo fugir… Não me resta escolha. Terei que fazer a fusão. É a única maneira de enfrentar isso e sobreviver.

    O demônio lutou com todas as suas forças, mas repentinamente o corpo parou de se debater.

    — O que estou fazendo Aqui?… Meu nome é… Saymon?

    Ele olhou ao redor e, em seguida, fixou o olhar na criança caída no chão. Uma onda de determinação tomou conta dele; sentia que precisava voltar para casa, para proteger o que lhe era precioso. Enquanto isso, Ui abriu um pouco os olhos e, ao avistar seu amado, um leve sorriso surgiu em seu rosto, mas logo em seguida ela caiu em sono penetrante novamente.

    Mito, eu te amo hehe!

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