Capítulo 60 de 19 — Obrigada, Izumi
“Super Speed Brute Force Cure Iz” uma habilidade poderosa, de fato. Foi a primeira vez que a utilizei, mas logo percebi que, no meu estado atual, não poderia mais recorrer a ela. Senti que se a usasse em combate, poderia acabar morrendo. A sensação de meu corpo enfraquecendo a cada segundo, mesmo quando estava imóvel, era assustadora. Sabia que seria difícil, mas não há esse ponto.
Com meu fator de cura, pensei que poderia controlar melhor a situação. Porém, esse foi meu erro. Utilizar todas as minhas habilidades de uma vez só se revelou um equívoco. Nos meus treinos para controlar a aura, tentei usar o “Speed Brute Force Cure Iz”, mas, ironicamente, não consegui sincronizá-lo. Não sabia o motivo e ainda não sei até agora.
No entanto, foi possível usar com o fator super. Bastaram alguns segundos para perceber minha consciência se esvaindo. Seria essa a sensação da morte? Não, talvez fosse mais como desmaiar do que morrer. Naqueles breves instantes, algumas memórias vieram à tona.
Após a morte de minha mãe e depois da cidade me descartar, mergulhei em extrema raiva. Minha mente se perdeu e durante os anos longe da vila, não me recordo de nada. Será que dei espaço para outro eu tomar meu lugar? Não sei, mas espero que não seja o caso.
De volta à situação atual, meu corpo estava frágil, incapaz de se mover. Tentei usar meu “Cure Iz”, mas não funcionou. Não conseguia acessar minha habilidade. Por que fui tão impulsivo? Agora, poderiam me matar a qualquer momento e eu não tinha meios para me defender.
— Aproveite a chance e me mate logo.
Vamos ver como isso seria. Bem, a serva seria a primeira a me atacar, seguida por Max, e o velho me finalizaria. Não acreditava que esse seria o meu fim, mas fazer o quê, né? Cavei o meu próprio buraco ao tentar ultrapassar meus limites novamente sem pensar muito nas consequências.
Estranho, ninguém dizia nada. Será que estavam planejando como fazer isso?
Terminem logo, malditos, ou querem me torturar?
Talvez fosse isso, e eu não ficaria surpreso se fosse o caso. Todos me odiavam, então aproveitariam para me fazer sofrer. Era bem possível que me jogassem para os cidadãos deles e que eu fosse brutalmente assassinado ou pendurado em algum lugar enquanto me viam sofrer.
— Consegue levantar? — Max franziu a testa e perguntou.
— Faça logo — respondi, enquanto tentava me levantar. Minha voz saiu um tanto enfraquecida, mas firme o suficiente.
— Deixa comigo — disse enquanto sorria de canto da boca. — Vou te ajudar, irmãozinho.
Me ajudar? Duvidava muito. Aquele gesto parecia apenas um prelúdio para um desfecho sombrio. Era como se estivesse sendo conduzido a acreditar em uma possibilidade remota de sobrevivência, apenas para ser mais brutalmente derrotado em seguida.
Conseguia enxergar com clareza os seus planos, como se estivesse lendo um livro aberto. Cada movimento, cada palavra, cada olhar, tudo parecia cuidadosamente calculado para me deixar em uma posição de vulnerabilidade extrema. Aquela sensação de segurança que ele projetava era apenas uma máscara, escondendo sua verdadeira intenção de me esmagar sem piedade.
Pois, eu sabia exatamente o que ele estava tramando. Sempre imaginava como seria satisfatório ver a expressão de desespero nos rostos dos que ousassem desafiar-me, quando finalmente percebessem estarem completamente indefesos diante da minha superioridade.
— Nita, segure o banco.
— Sim, jovem mestre.
O que estava acontecendo? Eles irão me torturar no banco? Não sabia como seria, mas com certeza deveria ser um novo método de tortura.
— Por favor, cure o meu irmãozinho.
— Sim, jovem mestre.
Curar? Do que ele estava falando? Estariam perdendo a oportunidade de me matar?
Vocês vão se arrepender disso!
Eu não era idiota o suficiente para cair nessa história de quererem ganhar minha confiança. Treinei minha mente para isso.
A neguinha se aproximou com seu rosto inexpressivo e colocou suas duas mãos em mim. Logo, comecei a sentir calor, uma sensação reconfortante. Era como se estivesse mergulhando em um banho quente. Essa sensação despertava memórias dos banhos quentes que minha mãe costumava preparar para mim.
Mãe. Sinto saudades.
Não, não podia permitir que as lágrimas escapassem. Contive-as com determinação, cerrando os punhos e mantendo minha expressão imóvel, apesar da intensa emoção que fervilhava dentro de mim. Chorar ali, na frente dos outros, seria uma vergonha que eu não poderia suportar. No entanto, por mais que lutasse contra, uma sensação reconfortante começou a se espalhar pelo meu corpo, como um bálsamo acolhedor. Era como se cada fibra do meu ser estivesse sendo envolta por uma aura, restaurando minhas forças e dissipando a dor.
A sensação era tão familiar, tão similar ao meu próprio dom de cura. A diferença era que, dessa vez, não era eu quem estava canalizando, mas sim essa neguinha.
— Irmãozinho, já está sentindo melhor? — disse ele enquanto arqueava as sobrancelhas.
Não disse uma palavra, apenas o encarei por um momento, deixando que meu olhar transmitisse toda a minha desaprovação, antes de desviar o olhar. Não suportava a forma como ele me chamava, e parecia que negar isso não fazia diferença alguma.
— Não vai me responder? — sorriu com o canto da boca. — Irmãozinho.
Ele estava tentando testar minha paciência, mas não cairia nisso.
— Incrível Izumi, parece que você conseguiu mesmo tirar isso dela. Bem, veremos quando ela acordar. — disse o velho.
— Hum!
— No entanto, eu ainda não tinha certeza que ela tinha isso no corpo.
— Quê? Você não tinha certeza?
— Sim, mas eu tinha quase certeza. Da última vez que paraste a cidade toda, eu estava mandando ver nela — disse balançando os quadris. — Ela tava louca rebolando para mim, mas subitamente quando aquilo aconteceu. Ela caiu e não acordou mais.
— Não me diga que… Você está me culpando, velhote?
— Não é isso, só estou dizendo que você esclareceu minhas dúvidas.
— Hum! Tanto faz.
Eu não entendia de fato o que ele estava tentando dizer, mas parecia que minha contribuição esclareceu sua dúvida.
— Feito.
A neguinha terminou e se afastou. Ela curou minhas feridas e meu cansaço, mas minha energia ainda estava abalada. Talvez levasse um tempo para que eu conseguisse estabilizá-la. Sem muitos rodeios, eu disse:
— Não me chamem de novo.
— Izumi, não esqueça de aparecer amanhã no meu casamento.
Eu não respondi e fui embora. Casamento? Com certeza não iria aparecer em um lugar cheio de pessoas que me odiavam. Já era noite e eu estava pensando em ir treinar, mas com minha energia nesse estado, seria difícil.
Não estou afim de ir para casa.
A Ui estava lá, e com certeza ia encher o meu saco com aquele mesmo assunto. Eu poderia encostar em algum lugar por aí e esperar minha energia se estabilizar, mas irei para casa. Se ela continuar com isso, vou chutá-la para fora. Não sei se conseguiria, mas tentaria.
Comecei a andar, mas meu corpo estava estranho. Sentia-o enfraquecendo a cada passo que dava, sem nenhum ferimento aparente, mas minha energia diminuía rapidamente. O que estava acontecendo com meu corpo? Mesmo continuando a andar, acabei ajoelhando no chão, incapaz de resistir.
Lhilhilhi!
Que voz estranha era aquela, ecoando dentro da minha cabeça? Parecia uma presença indesejada, uma intrusa em meus pensamentos. O que diabos estava acontecendo comigo? Senti um arrepio percorrer minha espinha enquanto meu corpo parecia se contorcer sob a influência desconhecida. Decidi que era melhor não explorar essa sensação, que era melhor trancá-la bem fundo dentro de mim, onde não pudesse mais me atormentar.
Após alguns minutos de agonia ajoelhado no chão, comecei finalmente a sentir minha energia se recompondo. Era como se pequenas faíscas de vitalidade estivessem se reacendendo dentro de mim, lentamente, mas de forma perceptível. Com cada respiração, parecia que eu recuperava um pouco mais do meu equilíbrio. Ergui-me com cuidado, sentindo-me mais firme a cada instante que passava. Após mais alguns minutos, percebi que minha energia havia se estabilizado completamente.
Decidi testar minha capacidade de usar o “Speed Iz”. Concentrei-me, canalizando minha energia interna, e para minha surpresa, a habilidade respondeu sem hesitação. Com uma explosão de velocidade, corri até minha casa, sentindo o vento chicotear meu rosto enquanto avançava pelas ruas.
Ao adentrar minha casa, deparei-me com uma cena. Ui estava sentada na beira da cama, os olhos fixos em mim com uma expressão de expectativa. Seu sorriso irradiava calma e afeto quando nossos olhos se encontraram, e ela se aproximou rapidamente, envolvendo-me em um abraço caloroso. Era reconfortante sentir seu calor e sua presença, como se por um momento eu pudesse esquecer as turbulências que haviam me assolado momentos antes.
— Eu senti tantas saudades tuas.
— Quê?
— Por que você não me disse que não tinha outra mulher?
— Hum?
Ela se afastou, mantendo os olhos fixos em mim, seu rosto tingido de vermelho. Desviava o olhar ocasionalmente, como se tentasse esconder alguma emoção repentina. Não conseguia entender como ela havia mudado tão abruptamente.
— Ziro me disse que andavas comendo demônios para melhorar seu controle. Eu entendo, mas podias ter me dito neh?
— Eu precisava dizer?
— Sim, eu estava pensando que estavas com outra mulher! Eu fiquei muito triste com isso, não faça isso de novo, tá?!
— E nem planejo fazer.
— Obrigada, Izumi.
Acho que ela entendeu tudo errado. Eu com certeza não iria me envolver com ninguém se não fosse para matar. Ela era a única mulher que eu permitia entrar na minha vida.
Já era tarde, tomei um banho, vesti o mesmo pijama de sempre e deitei, fingindo estar dormindo. Mas hoje, meu corpo precisava realmente de descanso depois do que aconteceu. Aquela voz que de repente ecoou na minha mente… Era como se alguém estivesse zombando da minha situação. Talvez seja um inimigo com habilidades mentais, capaz de ler meus pensamentos. Acho que terei que ficar mais atento a isso a partir de agora.
Como sempre, Ui deitou na mesma cama. A diferença era que hoje ela se aconchegou ao meu lado. Espere! Se Ziro disse algo a ela, isso significa que ele ousou entrar na minha residência novamente. Garantirei que ele se arrependa na próxima vez que nos encontrarmos.
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