Capítulo 21 - Demonstração das Armas
Um guarda interrompeu a conversa entre Carlos e Nia, a ferreira do Mocambo do Tatu. O guarda iria levá-los a uma área mais isolada para Carlos demonstrar como funcionam as armas de fogo que usou para derrotar Jorge. Tassi, assim que viu os dois, se juntou a eles.
Depois de um tempo caminhando chegaram numa área mais isolada do mocambo onde apenas havia mato e tocos de árvores. Neste lugar já estavam Espectro o líder militar do quilombo e Aqua a chefe do Mocambo em que estavam vivendo. Além de mais dois guardas que pareciam serem gêmeos pois eram muito parecidos, os dois estavam segurando lanças e escudos que eram semelhantes. Eles só possuíam uma única diferença: um escudo possuía uma gema branca bem no centro, já o outro possuía uma gema preta.
— Boa tarde, então você deve ser o famoso Carlos, não é mesmo?
— Sim, senhor. — Não sabia a etiqueta do quilombo então não sabia como deveria chamar uma figura que estivesse acima dele. Optou por usar senhor e vendo que o Espectro não demonstrou nenhuma emoção tanto negativa quanto positiva, achou que falou certo.
— E sou Tassi chefe. Sinto muito por ter rejeitado seu convite para entrar no exército mas tenho uma divida com Carlos, por isso o ajudarei, mas claro se sofrermos um ataque irei ajudar na hora, pois sou apta a usar as gemas de terra e grama, além de possuir conhecimentos militares.
— Normalmente você seria obrigada a entrar para o exército, mas no momento estamos num período de paz, então dessa vez não há problema.
— A chefe Aqua assim como os guerreiros Okoro e Amadi vão acompanhar o teste de suas armas, um deles pode usar a gema da defesa e o outro pode usar a gema da defesa divina para testarmos a potência dessas armas.
— Também tem mais um guerreiro com um arco de fogo apontando para você caso tente algo contra nós. Não nós leve a mal, é apenas precaução.
— Entendo, apesar de que alguém que fosse experientes com armas poderia facilmente matar todo mundo aqui, então acho que na próxima vez você deveria ser mais cauteloso ainda. No meu caso não sou muito experiente.
Espectro não deixou de franzir a testa ao ouvir isso: — “Você supostamente matou duas pessoas aptas a gemas mágicas além de mais capatazes e vai me dizer que não é proeficiente nessas armas? Ou essas armas são muito fortes, ou deve estar tentando ser humilde, ou talvez a história não passa de um exagero. De qualquer forma vamos descobrir a verdade agora. Além disso, se acha que alguém conseguiria matar todos aqui, então está muito enganado, todos aqui são excelentes guerreiros, mesmo Aqua apesar da idade ainda consegue lutar muito bem se tiver com uma arma da gema de fogo.”
— Obrigado pelo conselho, mas acho que você está nós subestimando.
— Com licença chefe, já lutei guerras na minha terra natal e confirmo o poder destas armas. E digo mais, nem precisa ser habilidoso no uso delas para fazer um estrago, independente de quão experiente um guerreiro é. Diante dessas armas não há nada a ser feito. Até seu arqueiro ter lançado uma flecha mágica, já vai ter sido alvejado por diversas balas, no momento que lança uma flecha, o atirador poderá saber a localização dele. E se alguém mais experiente como tivesse em posse dessas armas, nem precisaria esperar por isso, apenas miraria naquela direção: — Tassi apontou para um direção na mata que parecia não ter nada — e eliminaria a única ameaça que tem aqui contra mim facilmente.
Espectro ficou surpreso porque apontou exatamente para onde seu arqueiro estava “Não pode ser que tenha notado meu arqueiro. Está muito bem escondido na mata, sem contar que é muito habilidoso em esconder a sua presença. Ou foi sorte ou tem sentido muito aguçados.”
“Balas, projéteis, atirador são todas palavras que ensinei a ela. Tudo que falei do mundo entra por uma orelha e sai por outra, mas é só falar de armas que decora tudo rapidinho.”
Diante das falas de Carlos e Tassi, todos os guerreiros olharam para eles como se eles não passassem de idiotas presunçosos. Um dos guerreiros, Amadi ficou muito irritado com os comentários e se exaltou um pouco:
— Não fiquem se achando porque vocês mataram um velho gordo que nunca viu a vida fora do seu engenho! Nós do Quilombo da Jabuticaba realizamos diversas expedições todo ano matando senhores de engenho e libertando seus escravos.
— E quantos homens vocês precisam para essas expedições? Carlos matou o senhor do engenho sozinho, e usava as gemas de defesa e defesa divina. Para matar o capataz que usava um chicote com gema de vento de uma pedra minha e da ajuda de outra pessoa.
— Você não sabe de nada! — Dessa vez quem gritou foi o Okoro, o irmão de Amadi que usa a gema da defesa.
Parem os dois e vamos começar logo o teste de armas então saberemos quem está falando a verdade. — Disse Aqua tentando acalmar os ânimos.
— A chefe Aqua tem razão, vamos começar os testes. Primeiro iremos ver se essa arma pode mesmo destruir escudos mágicos. Por isso Amadi e Okoro estão aqui, um pode conjurar um escudo de defesa divina e o outro um escudo de defesa física. Para testarmos isso, você pode atirar em direção aquele toco de árvore que está no chão entre Amadi e Okoro, os dois irão ativar seus escudos e iremos ver se a bala passará por eles. — Disse Espectro.
Carlos ficou meio preocupado com o local de teste de tiros e não pode deixar de expressar essas preocupações — Senhor, só gostaria de confirmar algo. Não tem ninguém por aqui, não é mesmo? Pois uma bala perdida poderia facilmente matar alguém.
— Não se preocupe, como chefe deste mocambo conheço esse lugar como a palma da minha mãe, e sei que ninguém nunca vem aqui. Antigamente o povo vinha aqui cortar árvores e pegar lenha, mas desde de que um homem foi picado por uma cobra nessas bandas, o povo do mocambo parou de vir aqui. Além disso, Espectro já pediu para seus guardas vasculhar a área e confirmaram que não tem ninguém.
— Que bom, então podemos começar. — Disse animado.
Espectro entregou o saco com as armas e balas e sem perder tempo começou a colocar as balas no carregadores das pistolas ao mesmo tempo que começou a explicar o que estava fazendo:
— Eu estou colocando as balas no carregadores. Não precisa fazer isso com todas as armas, por exemplo neste revólver você coloca as balas diretamente na arma…
Terminou de pôr balas nos cartuchos de todas as armas, depois colocou o cartucho em todas elas e se preparou para começar o teste.
“Pelo visto é bem demorado para usar essas armas, então é melhor serem potentes mesmo.”
— Espere, quero ver se as armas quebram mesmo escudos mágicos, primeiro quero testar seu impacto na defesa divina. Amadi ative seu escudo de proteção divina e proteja a si mesmo e ao tronco que será usado como alvo. E Okoro, vá perto do tronco e se prepare para o próximo teste.
Mirou para o tronco que estava a uns 10 metros de distância e disse: — Tudo bem, mas saiba que pode ser perigoso, por não confisco totalmente em minha mira, mas acho que estava dessa distância do senhor do engenho quando o matei, mas essas armas tem um alcance bem maior que isso.
“Que bom que estão bem longe do tronco. Pelo visto conseguem fazer escudos bem maiores que os escudos que o senhor do engenho usou. Então não preciso me preocupar em sem querer acertar um deles. Além disso, até me preocupei com o ricochete de balas, mas me lembrei que nenhuma bala foi ricocheteada pelo escudo na luta contra o velho do engenho, apenas batem na defesa e caem no chão, ou quebram a defesa.”
— Vou atirar, saibam que a arma irá fazer um barulho bem alto então não se assustem.
Tassi tapou os ouvidos enquanto sorria — “Eu até pensei em falar que um escudo de defesa divina é inútil, mas vou ficar quieta e apenas ver a cara da derrota do Amadi.”
Puxou o gatilho e a arma fez um barulho alto, e a bala acertou o alvo quase que instantaneamente, surpreendendo todos no local, mas Carlos não quis dar apenas um tiro, deu mais uns cinco para confirmar que acertou o toco e algo que surpreendeu a todos ainda mais, nenhuma bala foi repelida pelo escudo divino, o que significava que essas balas não usavam magia para serem lançadas. Claro que havia falado que não tinha nada de mágico nas armas, mas ninguém acreditou nisso antes. Quem mais ficou chocado foi Amadi que estava quase boquiaberto.
Assim que parou de atirar, Espectro foi correndo ver o tronco de árvore e apenas viu buracos onde as balas atingiram o tronco, mas não conseguia ver as balas no fundo do buraco. Com olhos incrédulos.
Ao ver como todos estavam surpresos com o poder das armas de fogo, Carlos começou a sorrir um pouco, mas seu sorriso nem se comparava ao sorriso da Tassi que estava até com o peito estufado. — “Ei, porque está tão orgulhosa assim, não foi você quem atirou! Você só veio olhar e causar intrigado pelo que está parecendo.”
“Pelo visto as histórias não foram exageradas. Se essas balas fizeram isso com um tronco de árvore, imagina o que fariam com uma pessoa. Talvez Tassi estivesse certa, qualquer um em posse dessas armas poderia matar todo mundo aqui facilmente. Posso ficar invisível, mas não me teleportar. Então se a pessoa atirar na direção em que estou, seria morto facilmente. Na verdade, preciso manter um pouco a calma, talvez a bala não consiga atravessar a barreira da gema da defesa.”
Espectro então se recompôs um pouco e voltar para seu lugar, então olhou para Okoro que ergueu a sua barreira e depois olhou para Carlos e disse: — Pode atirar.
Descarregou todas as balas que sobraram no cartucho da arma, que por sua vez facilmente quebraram a barreira de Okoro e acertaram o tronco mais uma vez.
“A barreira de Jorge foi mais difícil de quebrar que essa, talvez o artefato mágico que usa seja de pior qualidade que o do Jorge, tenha menos magia em seu corpo, ou quanto maior o escudo mais fraco ele é.”
Mais uma vez todos ficaram chocados com os resultados, mas Okoro não pode deixar de se queixar — Mas é claro que a essa distância é fácil quebrar a barreira, então temos que ver se acontece o mesmo a uma distância maior!
Espectro pensou um pouco antes de dizer: — Realmente, Okoro tem razão, apesar dos resultados atuais serem impressionantes, gostaria de ver como a arma se sai a distâncias maiores.
— Tudo bem senhor, mas não garanto que uma bala não vá acabar desviando do caminho.
Depois disso mais testes foram feitos a distâncias cada vez maiores, sempre testando se arma poderia quebrar o escudo da defesa, pois já havida sido provado que as balas passavam facilmente pela defesa divina. Carlos até falou como era perigoso atirar a distâncias maiores pois poderia acabar errando um tiro, mas toda vez eles acreditavam que a defesa de Okoro iria suportar o tiro, apenas para serem provados errados logo em seguida. Okoro mesmo assim insistia em testar a uma distância maior. Infelizmente a mana de Okoro estava acabando então teve que diminuir o escudo cada vez mais.
Até que a cinquenta metros, como sempre, o escudo se quebrou facilmente. E Okoro estava tão perto, que uma bala que Carlos atirou acabou acertando a perna de Okoro de raspão, que gritou na hora, e acabou caindo para trás e sentando no chão. Okoro nem gritou por conta da dor, mas por medo. Por sorte não machucou muito fisicamente, mas psicologicamente Okoro ficou muito abalado, quando Espectro chegou perto para ver se estava bem, pode apenas ouvir Okoro murmurando: — Meu escudo, foi inútil diante dessas armas.
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