Índice de Capítulo

    O ar na Mata da Onça era pesado e úmido, carregando o cheiro de terra molhada, folhas apodrecidas e o suor acre de dois mil homens. A luz do sol mal penetrava o dossel fechado, criando um mundo de sombras verdes e trêmulas. A coluna de ataque era uma mistura heterogênea: capitães do mato com armaduras surradas e armas mágicas reluzentes, homens livres com foices e espadas velhas, motivados pela promessa de um saque fácil, e escravos arrastados à força, seus rostos marcados pelo medo e resignação. O som era um constante arrastar de pés, o tinir de metal e o sussurro nervoso que prenunciava a violência.

    Dentre eles, um jovem branco de roupas esfarrapadas, chamado Tomás, sorria de orelha a orelha, seus dedos sujos acariciando a luneta de latão que pendia de seu pescoço.

    “Esse vai ser o dinheiro mais fácil da minha vida,” pensou, eufórico. “Nem preciso sujar minhas mãos. Tudo porque tenho o dom de usar esta belezinha. Com ela, vejo a mana de todos os seres vivos… vejo tudo.”

    Levou a luneta ao olho. O mundo ganhou uma nova dimensão, um brilho etéreo envolvendo cada folha, cada inseto, cada homem. No fundo da sua visão ampliada, ele avistou quatro figuras em um morro distante: dois homens negros, uma mulher branca vestindo uma armadura que brilhava com uma energia, em seu peito brilhava um colar que soltava uma aura avermelhada, e outra mulher negra de cabelo curto. Atrás deles, as formas indistintas de casas.

    — Senhor Capitão! — sua voz soou aguda no silêncio opressivo. — O traidor nos guiou certo! Estou vendo o quilombo! Mas… há quatro pessoas num morro, nos observando. Uma delas, uma mulher usa um colar com a gema da força.

    O capitão-mor de Pernambuco era um homem imponente, com uma barba grisalha que descia sobre uma armadura que, mesmo na penumbra, reluzia. Uma espada longa pendia de seu cinto.

    — Parem! — sua voz ecoou, um rugido que cortou a mata. — O inimigo nos aguarda!

    A ordem foi repetida ao longo da coluna, e o grande grupo parou em unisono. Foi quando o um dos negros do grupo, o guia, se aproximou, seus olhos suplicantes.

    — Eu… eu disse a localização, cumpri minha parte. Agora serei livre, não é? — sua voz trêmula carregava um fio de esperança.

    O capitão se virou para ele, seu rosto uma máscara de pedra.

    — Mas é claro que sim — disse, sua voz perigosamente suave.

    O sorriso de alívio do escravo ainda não havia se completado quando a espada do capitão silvou no ar. Um clarão metálico, um som úmido e cortante, e a cabeça rolou pelo chão de terra, a expressão de esperança congelada para sempre. O corpo caiu pesadamente.

    — Estás livre para morrer! — o capitão cuspiu nas costas do cadáver, limpando a lâmina na calça.

    Tomás engasgou, o estômago embrulhado. “Caralho! O golpe foi tão rápido… nem deu para ver!”

    — Você, garoto! — o capitão grunhiu, apontando para ele. — Mantenha os olhos no inimigo!

    Tomás, pálido, assentiu rapidamente e levou a luneta de volta aos olhos, suas mãos trêmulas.

    — Senhor! — ele gritou, tentando disfarçar o tremor na voz. — Lá na frente, no fim da mata, há uns vinte homens. Seguram… pedaços de ferro com madeira. Não vejo gemas neles. Não parecem lanças.

    — Humf — o capitão zombou. — Tentativa patética de intimidação. Foque em quem usa gemas!

    — Sim, senhor! — Tomás ajustou o foco. — Aqueles no morro… sim! Um homem está ativando gemas de fogo em… em algo redondo, de ferro! Parecem laranjas! Está passando para a mulher branca, a da gema da força… Ela está… ela está as arremessando para cá!

    O capitão riu, um som áspero e confiante.

    — Ha ha ha! Acham que podem incendiar a floresta e nos queimar? Tolos! Adeptos da água e do gelo! Preparem-se para—

    Sua ordem foi engolida por um assobio agudo que cortou o ar. Uma das “laranjas” caiu no meio do grupo e explodiu antes mesmo de tocar o chão. O estrondo foi ensurdecedor, seguido por gritos. Dois homens foram despedaçados, e outros cinco caíram, gritando, com estilhaços de ferro cravados em suas carnes.

    — Mas que porra foi essa?! — o capitão rugiu, a confiança abalada.

    Mais dois assobios, mais duas explosões. A carnificina se repetiu. O cheiro de pólvora queimada e sangue fresco encheu o ar. O pânico começou a se espalhar, homens recuando, tropeçando uns nos outros.

    — Avançar! — o capitão ordenou, sua voz uma fúria contida. — Matem a fonte! É a mulher branca! Podem fazer o que quiserem com ela, mas silenciem-na!

    A promessa de violência e a ordem direta superaram o medo inicial. Homens com expressões sádicas correram para a frente, apenas para serem ceifados por novas explosões que arrancaram membros e espalharam o terror.

    — Não recuem! Desviem! — o capitão gritava, avançando com o grosso do grupo, protegido por seus homens mais experientes. Tomás corria com eles, parando a intervalos para usar a luneta.

    Eles correram por alguns minutos e meio a esporádicas explosões quando Tomás notou algo.

    — Capitão! — ele gritou, ofegante. — Mais homens subiram no morro! Estão colocando as ‘laranjas’ em panos e as girando antes de atirar! São muitas! Uma enxurrada!

    O capitão parou, erguendo seu pesado escudo.

    — Defensores! À minha frente! Barreiras!

    Homens com escudos grandes e colares de gemas pretas e brancas correram para a vanguarda. Um brilho azulado e âmbar surgiu enquanto múltiplas barreiras mágicas se interpunham entre o grupo e o morro. Por um breve momento, parecia que estariam seguros.

    Então, o mundo desabou.

    As granadas começaram a chover. As explosões não eram apenas estrondos; eram forças concussivas que estilhaçavam as barreiras mágicas como vidro, arremessando homens e escudos para o ar como brinquedos. Estilhaços de metal e madeira varriam a formação, encontrando carne e osso com um som horrível e úmido. Os defensores caíram um a um, seus gritos abafados pelo rugido contínuo da artilharia improvisada.

    A disciplina quebrou. Homens na retaguarda viraram e fugiram, aterrorizados. Os da frente, temendo o mesmo destino se recuassem, correram para a frente em um frenesi desesperado, direto para o campo aberto no fim da mata.

    Tomás, enlouquecido pelo caos, gritou para o capitão:

    — Um homem! Usou a gema do assassino, ficou invisível, mas eu o vejo! Ele vem na nossa direita, rápido demais! Traz uma gema de fogo!

    — O Espectro! — o capitão rosnou, seu ódio encontrando um alvo. — Será meu! Aponte-me!

    — Ele… ele já está aqui! — a voz de Tomás era um guincho.

    O capitão se moveu como um raio. Sua figura pareceu se multiplicar, com seis, sete cópias fantasmagóricas surgindo e correndo na direção indicada, cortando a mata. Uma das cópias foi vaporizada por uma granada. As outras atacavam sombras, cortando arbustos.

    — Ele sumiu! — o capitão gritou, frustrado.

    — Não! — Tomás contra-argumentou, seus olhos grudados na luneta. — Ele entrou no meio dos nossos homens! Não ataca ninguém… apenas deixa uma gema de fogo cair num buraco no chão! Está fazendo algo estranho—

    O aviso veio tarde. Uma das cópias do capitão ouviu um galho se quebrar perto de uma árvore grande. Investiu, partindo o tronco ao meio com um golpe brutal, que caiu sobre um homem que gritou.

    — Ele fugiu! — o capitão rugiu novamente.

    Então, o inferno se soltou de verdade.

    A gema que Espectro deixara não era uma. Era o detonador. Uma explosão colossal, muito maior que qualquer granada, ergueu-se do buraco no chão, seguida instantaneamente por uma série de outras explosões sincronizadas que tinham sido enterradas ao longo do caminho. A terra tremeu. Árvores centenárias foram arrancadas pela raiz e lançadas como lanças. Uma chuva de estilhaços de madeira, pedras e metal varreu a mata, ceifando dezenas de vidas num piscar de olhos. As chamas das gemas de fogo, agora sem oposição dos adeptos da água (mortos ou atordoados), encontraram combustível perfeito na pólvora derramada e na vegetação seca, transformando a floresta em um forno.

    A vanguarda que alcançara a borda da mata olhou para trás e viu um pesadelo. Uma muralha de fogo e fumaça, corpos despedaçados, e os gritos agonizantes dos que estavam sendo queimados vivos. Era o inferno na Terra. Aliviados por estarem fora dali, eles se viram em um campo aberto.

    Foi quando ouviram uma sequência de estalidos secos, como pedras batendo umas nas outras.

    “Fffzzz-Click… BANG! BANG! BANG!”

    Uma nuvem de fumaça branca jorrou da primeira linha de vinte homens do quilombo, perfilados em três fileiras. Eles seguravam firmemente seus mosquetes de pederneira, os canos apoiados em forquilhas. A primeira fileira atirou, e imediatamente ajoelhou-se para recarregar. A segunda fileira, em pé, disparou sua salva antes que os atacantes pudessem reagir. Homens caíam, buracos sanguinolentos surgindo em seus peitos e rostos. Os sobreviventes, em pânico, corriam em direção às linhas estáticas, pensando em um combate corpo a corpo.

    “Fffzzz-Click… BANG! BANG! BANG!”

    A terceira fileira disparou. E, com uma cadência ensaiada, a primeira fileira já estava de pé novamente, mosquetes recarregados. O ciclo de morte continuou. Rajadas de chumbo cortavam o ar a cada quinze segundos, uma barreira impenetrável de metal. Nenhum atacante chegou a menos de vinte passos da formação.

    Dentro da mata em chamas, o capitão, atordoado e com o ouvido sangrando, se levantou entre os corpos carbonizados de seus clones.

    — Malditos! Seus filhos da puta! Vou matar cada um de vocês! — ele gritou, sua voz rouca de fúria e fumaça.

    Enquanto ele se concentrava para criar novos clones, não percebeu os brotos de grama ao seus pés se contorcerem e crescerem rapidamente, enrolando-se em suas pernas e braços com força de aço. Era Tassi, com seus braceletes de terra e grama.

    — Merda! Alguém, lib—

    Uma granada, arremessada com precisão mortal por Quixotina do morro, caiu e rolou até parar diante de seus olhos. Por um milésimo de segundo, seu ódio foi substituído por um puro e primitivo terror. A explosão subsequentemente o silenciou para sempre. Tudo o que restou foram seus pés, ainda presos pela grama encantada.

    Tomás, que se recuperava atrás de uma árvore carbonizada, viu o fim do capitão pela luneta. Viu também os mosqueteiros do quilombo avançando metodicamente pela borda da mata, executando os feridos com baionetas caladas ou com tiros curtos e certeiros. A visão foi a gota d’água.

    Ele se virou e correu. Não havia pensamento, apenas instinto. Correu através das chamas, tropeçou em corpos carbonizados, a luneta caindo de suas mãos sem que ele notasse. O calor queimava sua pele, a fumaça arranhava seus pulmões, mas ele não parava. Ultrapassou outros fugitivos, seu único pensamento uma oração desesperada.

    “São monstros! Têm que ser monstros!”

    ───────◇───────◇───────

    Do outro lado da carnificina, no topo do morro, o Espectro puxou a máscara para baixo, revelando um rosto em choque. O cheiro da batalha – pólvora, sangue queimado e madeira carbonizada – subia até eles.

    — Vinte mosqueteiros… — ele sussurrou, incrédulo. — E dez de nós, com gemas. Aniquilamos um exército de dois mil homens. Isto… isto é um milagre. Era para ser um banho de sangue do nosso lado.

    Carlos subiu o morro e parou ao seu lado, o rosto sujo de fuligem, mas os olhos vivos.

    — Não esqueça da pólvora — ele lembrou, secamente. — Literalmente toda a pólvora que tínhamos. Estamos limpos.

    — Mas a ideia foi sua! — Espectro retrucou, girando para encará-lo.

    — Só porque foi minha ideia, quer dizer que não posso reclamar do custo? — Carlos deu de ombros, um sorriso cansado tocando seus lábios. — Além disso, com uma derrota dessas, não vão nos atacar tão cedo. Teremos tempo. E com tempo, fabricamos mais pólvora e mais armas.

    — Você tem um ponto — Espectro admitiu, olhando de volta para a cortina de fumaça negra. — Só não esperava… isso. A ideia de preparar uma armadilha com barris de pólvora enterrados e usar as granadas para conduzi-los como gado para o abatedouro… foi simples. Tão simples que eu jurei que não funcionaria.

    — Só funcionou por causa das suas gemas, dos seus espiões e do terreno que você conhece como a palma da sua mão. No meu mundo, com a tecnologia que eu conhecia, isso seria impossível. A guerra é suja, Espectro.

    Espectro balançou a cabeça lentamente, um novo respeito – e um frio na espinha – ao olhar para o homem mais baixo ao seu lado.

    — Sabe, o capitão deles… era formidável. A gema da ilusão… suas cópias eram perfeitas. Ele quase me encontrou no meio do caos. Um combate direto contra ele teria custado muitas vidas. Muitas. E nesta batalha, nós o eliminamos como se fosse um recruta. Sem nenhuma baixa nossa. Tudo por causa dessas suas… tecnologias.

    — Obrigado — Carlos disse, sua voz séria. — Mas isto é só o começo.

    Espectro olhou para Carlos e, por uma vez, sentiu medo. Um medo frio e racional. O homem não tinha a força de um guerreiro, mas carregava um conhecimento que podia dizimar exércitos.

    “Que bom que ele está do nosso lado…”

    — Agora, vou ver que espólios podemos recuperar — disse Espectro, virando-se para descer. Ele fez uma pausa perto de Carlos e baixou a voz. — A Cavaleira… está abalada. Você, que é mais próximo dela, converse. Eu não sou bom com… sentimentos.

    Carlos assentiu e, quando Espectro partiu, ele vasculhou o topo do morro com os olhos. “Onde ela está?”

    Então a viu. Quixotina estava sentada no chão, encostada em uma rocha, quase invisível na penumbra. Ela tinha os joelhos dobrados contra o peito, os braços envolvendo-os, e o rosto enterrado contra os joelhos. A armadura prateada estava manchada de fuligem.

    Carlos se aproximou e sentou-se silenciosamente ao seu lado no chão frio. Ele esperou um minuto antes de falar, sua voz suave.

    — Você está bem? Se machucou? Usou mana demais?

    A voz dela saiu abafada e rouca da barreira de seus braços.

    — Estou bem… Fisicamente. É só que… Esta vitória… foi covarde. Nenhum de nós olhou nos olhos deles. Apenas ouvimos os gritos e vimos as silhuetas caindo.

    — Eles vieram aqui para nos escravizar ou matar, Quixotina. Não tínhamos escolha. Além disso—

    Ela ergueu a cabeça abruptamente, seus olhos vermelhos e inchados.

    — Eu sei! — ela cortou, sua voz carregada de angústia. — Sei disso! Apenas… esquece.

    Carlos ficou em silêncio por um momento, observando a fumaça no horizonte.

    — Isto não é algo que uma cavaleira deveria fazer, não é? — ele disse, não como uma acusação, mas como uma constatação.

    Ela estremeceu como se tivesse levado um golpe e enterrou o rosto novamente.

    — É isso mesmo — sua voz era um sussurro amargo. — Sou tão previsível e tola, não sou? Cavaleiros não existem. Estou apenas interpretando uma fantasia infantil. Algo para uma mulher quebrada se agarrar.

    — Eu não vejo problema nisso — Carlos respondeu calmamente.

    Ela soltou um suspiro profundo e cansado.

    — Você não vê porque é diferente. Mas os outros… eles me veem como uma esquisita. Uma louca.

    Carlos sentiu uma pontada de culpa, lembrando de seus próprios pensamentos iniciais sobre ela.

    — O que importa não é o que os outros pensam. O que importa é o que te faz sentir completa. O que te faz feliz.

    A frase soou vazia e clichê, e ela reagiu com uma fúria súbita, apertando os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos.

    — Falar é fácil! — ela explodiu, erguendo o rosto, as lágrimas traçando linhas limpas em seu rosto sujo. — É difícil viver assim quando você não tem com quem falar sobre isso! Nem aqui, nem com minha família, nem mesmo meu marido… talvez eu devesse simplesmente aceitar. Abandonar essa maluquice. Pegar uma enxada, capinar um lote e aprender a falar sobre o tempo e as fofocas da vila, como uma mulher normal!

    Carlos olhou para o céu, onde as nuvens começavam a se colorir com o laranja do entardecer.

    — Você poderia fazer isso, é verdade — ele concordou, sua voz pensativa. — Ou poderia continuar sendo quem você é. Sabe, no meu mundo, não temos mais nobres ou cavaleiros como nos livros, com armaduras e espadas. Mas ainda usamos essas palavras. Quando alguém é honrado e bom, dizemos que tem um ‘caráter nobre’. Quando um homem é respeitoso e gentil, dizemos que é um ‘cavalheiro’. — Ele se virou para ela. — Acho que, nas histórias que você ama, os verdadeiros cavaleiros são assim. E você é assim, Quixotina. Todo mundo no quilombo pode te achar… única… mas todos também dizem que você é uma pessoa boa. Forte. Corajosa. Isso não é fantasia. É quem você é.

    Ao ouvir isso, ela virou o rosto completamente para ele. Desta vez, seus olhos, ainda marejados, não se desviaram. Havia um lampejo de reconhecimento, um fio de esperança renascendo em seu olhar.

    Eles ficaram em silêncio por um longo momento, o som da batalha dando lugar aos estalidos da floresta queimada.

    — Sabe — Carlos continuou, mais baixo —, no meu mundo, quase todas as batalhas são lutadas assim. De longe. Covardes, como você diz. E eu pretendo trazer mais desses métodos para cá. Mas… — ele se levantou, escovando a terra de suas calças. — …vou falar com o Espectro. Você não precisa mais participar disso. Pode proteger o quilombo de outras maneiras.

    Ele deu alguns passos para sair quando uma mão, ainda envolta em manoplas de aço, agarrou seu braço com força. Ele se virou. Quixotina estava de pé, erguida. Com a outra mão, ela limpou as lágrimas do rosto com as costas da luva, deixando um leve sulco de limpeza na fuligem.

    — Não — ela disse, sua voz firme, recuperando um eco da determinação de cavaleira. — Eu vou continuar lutando. Uma cavaleira deve proteger os mais fracos, não importa o custo para sua própria honra. E também… — ela baixou a voz, uma admissão dolorosa. — …acho que já sou uma cavaleira covarde. A primeira pessoa que matei estava dormindo. E depois, matei dezenas pelas costas, sem que eles jamais me vissem.

    Carlos estudou seu rosto por um momento e então sorriu, um sorriso genuíno e caloroso. Ele estendeu a mão. Ela a pegou, e ele a ajudou a subir um pequeno aclive no morro.

    — Então vamos, Cavaleira — ele disse.

    E juntos, eles desceram o morro em direção ao quilombo, o som dos gritos finalmente silenciados, substituído pelo crepitar da floresta ferida.

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