Notas de Aviso
Fico muito alegre por ter chegado a 20 capítulos. Espero que todos tenham gostado até aqui. Agradeço a todos que estão lendo e espero que gostem do rumo que a história está tomando. Se não gostarem, me avisem nos comentários — toda opinião é sempre bem vinda (:
Capítulo 20: Simulacrum: O Plano Contra a Pedra de Opala
Pionla dá um pulo ao escutar todas aquelas vozes em coro. Sua tesoura é lançada por reflexo, mas, por sorte, Bauvalier a segura antes que alguém se machuque.
— Vocês?! Estão doidos? Gritando assim para alguém que tá se escondendo! — o grito é de susto, mas logo ela se aproxima e abraça o irmão. — É muito bom ver todos vocês… — ela olha para Linyâte. — Tia…
Linyâte faz um leve sinal de saudação com a cabeça.
— Que bom que você tá bem — o aperto de Bauvalier aumenta, e sua expressão quase desaba em choro, mas ele respira fundo e se afasta da irmã. — Vamos, já deu de melodrama.
Ele percebe o olhar de julgamento de Ré por ter interrompido o reencontro.
— Amiga! — Ré pula e abraça Pionla com força, apertando tanto que o ar sai dos pulmões da deusa.
— Ré… tá me esmagando — Pionla ri.
— Desculpa! Eu só tava com muita saudade — ela solta Pionla. — Amei o visual novo, ficou incrível.
— Agora que estamos todos aqui… — Bauvalier começa, mas a porta do estoque se abre. Hei vê a situação e fecha rapidamente. — Devíamos nos preocupar com ela ter nos visto, Pionla?
— Não precisa se preocupar, ela é gente boa. Mas o que você ia dizer? — Pionla sorri, divertida com a reação da lojista.
— Como eu estava dizendo… agora que estamos todos aqui, precisamos de um plano para pegar o artefato — Bauvalier diz, com obviedade.
— Isso é óbvio. Mas agora me diz: como? — Pionla passa a mão no cabelo, tranquila.
— Olha… — Bauvalier tenta pensar.
— Que tal fazermos assim? — Ré diz, animada.
— Primeiro, precisamos que aquela doida venha até nós — ela comenta.
— Um pouco de respeito, senhora Ré. Ela ainda é minha mãe — Locista diz, fazendo biquinho.
— Tá, tá… mas o ponto é: ela precisa ser atraída de um jeito que não pareça uma armadilha. Uma civil já serve — Ré continua.
— Podemos usar a Hei. Acho que ela não se importaria em nos ajudar — Pionla diz, passando a mão no vestido brilhante.
— Ótima ideia, madame Pionla. Mas sugiro que, após a denúncia falsa, madame Hei seja teleportada para o quarto secreto de Locista. Não queremos que alguém que nos ajude morra por nossa culpa — Roseta comenta, sentando-se sobre uma das caixas.
— Pode ser… mas pensei em outra coisa. Sem aquele artefato, Simulacrum desliga. Então precisamos resolver isso primeiro… talvez… — Bauvalier se aproxima de Locista. — Aqueles bichinhos que você guardou podem servir como energia. E, sendo inventiva como suponho que você seja, deve saber onde fica a fonte principal de Simulacrum.
Locista, com um movimento, abre uma janela eletrônica.
— Claro que eu sei… mas há um problema — ela aponta para uma grande torre exibida na projeção. — Como a internet, a energia vem de cima e se espalha. Então, para encontrar a fonte, vamos ter que chegar lá no topo… e acho que isso não vai rolar.
— Claro que rola! Você sobe lá e joga os bichinhos no sistema de energia, pronto — Bauvalier responde, irritado.
— Bem que eu queria… mas eu já fui lá outra vez, e estava cheio daqueles fios… e eu não consigo cortá-los — Locista desliga a janela.
— Olha… você poderia usar minha rapieira. Ela já conseguiu cortar esses fios — Roseta passa a mão sobre a espada.
— Tenho uma ideia melhor, rosa amaldiçoada. Para que sua arma não seja usada em vão, deixe que eu vá no lugar da donzela eletrônica — a artesã diz com calma. — Eu consigo mexer nos fios um pouco e vou conseguir lidar. Só preciso das criaturinhas e de uma passagem direta para lá.
— Mas será que Opala não vai perceber o que vamos fazer? — Bauvalier se encosta na parede. — Acho que talvez tenhamos que fazer ambas as partes do plano juntas.
— Tá… agora que já vimos a primeira parte do plano, precisamos ver a segunda. Depois que chamarmos a atenção da Opala com a ajuda da Hei, o que a gente faz? Não acho que bater de frente seja a melhor opção — Ré diz, cruzando os braços.
— Infelizmente, Ré, creio que seja nossa melhor chance de vencer. Além disso, precisamos pegar o artefato… depois ela provavelmente voltará ao normal — Roseta comenta, pensativa. — Mas e se ela não voltar?
— Nem começa com essas ideias erradas, Roseta. ELA vai voltar — Locista afirma.
— O que a rosa amaldiçoada diz é verdade… e sua preocupação é válida, mas não do jeito certo — a deusa comenta, em pensamentos soltos. — Há dois detalhes que todos deveriam ouvir: se demorarmos muito, ela pode acabar tomando meu lugar como deusa, e eu ficarei mais fraca até desaparecer… e, se não formos rápidos, mais e mais do meu poder vai entrar nas veias dela, sendo muito provável que ela morra.
Locista se aproxima irritada, apontando o dedo na cara da deusa.
— Não diga besteira! Minha mãe não vai morrer. Você pode ser muito velha, mas não é adivinha — ela não recua.
Fios dourados amarram o pescoço e os pulsos de Locista.
— Entenda uma coisinha, donzela eletrônica… você pode falar com meus sobrinhos ou com qualquer superior que ache que deve. Mas cuide da sua língua e do seu jeito de agir… porque, em outro caso, eu não seria tão clemente — a deusa, com um movimento, faz os fios sumirem, deixando apenas marcas.
Locista se afasta, segurando o pescoço.
— Se realmente isso pode acontecer, precisamos ser rápidos — Bauvalier se aproxima da porta do estoque.
— Se todos estiverem de acordo… — Pionla olha para eles, que concordam com a cabeça. — Ótimo. Então vamos nessa.
Uma janela holográfica é aberta para a artesã, e Locista entrega um anel para ela, que permite acessar o inventário com os bichinhos.
— Vamos prosseguir — Bauvalier abre a porta do estoque e puxa Hei para dentro.
Ela se assusta, mas logo se acalma ao sentir o aperto firme, porém não ameaçador.
— Hei… eu sei que você já me ajudou, mas, se puder fazer mais uma coisa, ficarei em dívida — Pionla diz, afastando-a levemente do aperto do irmão. — Precisamos que você faça uma ligação dizendo onde estamos… e que estamos com nossa magia, para ela vir pessoalmente.
— Acho que posso sim… mas isso não vai colocar um alvo de suspeita em mim? — Hei treme de medo ao imaginar Opala a decapitando com fios.
— Não se preocupe, já temos um plano para isso — Pionla aponta para Locista.
Locista abre outra janela.
— Seja rápida. Depois da ligação, entre aqui — ela aponta para a janela eletrônica. — Eu te sigo logo em seguida. Não posso ficar aqui… preciso ser o ataque surpresa — Locista sorri, divertidamente.
— Certo — Hei abre uma pequena janela de ligação. — Mas é bom que fiquem lá fora. Aqui tem pouco espaço, e vai ser difícil lutar.
Todos concordam, ficando apenas Hei e Loscista dentro do estoque.
— Como a gente sabe que a ligação deu certo? — Ré questiona.
— Provavelmente ficará claro quando acontecer — Roseta responde, calma… mas essa calma logo acabaria.
— Não precisam esperar.
A voz de Opala surge no ar, e, logo em seguida, os quatro caem em uma janela holográfica que aparece de repente.
Eles surgem em uma área ampla: o terraço de um prédio, grande o suficiente para uma luta.
— Eu achei que minha cidade ia acabar com vocês… mas, pelo que vejo, terei que fazer isso eu mesma — a voz soa cada vez mais irritada.
Opala sai de uma grande janela holográfica, revelando seu corpo por completo.
— Opala… ou melhor dizendo, Charmomilla Amaurobius Ferox Trifra — Pionla diz, irritada, levantando a tesoura na direção dela.
— Parabéns, parabéns… uma palma para você — ela bate uma palma lentamente. — É isso que você ganha por dizer meu próprio nome. Sou sim ela… mas ela já não é mais a mesma. Então chega de papo furado, madame P… io… nla — a voz dela falha, “bugando” de pura raiva.
Várias janelas holográficas se abrem ao redor dela, e, com um sorriso, ela aponta para o grupo.

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